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Gatafanitas

Os gatafanitas ou Banu Gatafane foram uma importante confederação tribal árabe dos caicitas, descendente de Gatafane ibne Sade ibne Caice Ailane e tradicionalmente vinculada à linhagem de Adenane. Seu território estendia-se pelo centro-norte da Arábia, entre o Hejaz e os montes Xamar, abrangendo grande parte da bacia do Uádi Arruma. A confederação era formada principalmente pelos abecitas, dubianitas, asjaítas, anemaritas e pelos diversos ramos dos dubianitas, entre eles os fazaraítas, murraítas e talabaítas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Origens

A etimologia do nome Gatafane permanece desconhecida. Além da confederação caicita tradicionalmente conhecida por esse nome, as fontes genealógicas árabes registram ainda clãs homônimos entre os juainaítas, judamitas e iaditas. O nome também aparece associado a indivíduos de outras tribos, como o poeta Gatafane ibne Unaife Alcalbi, ativo no século VII, e um secretário do califa Maruane I, conhecido pela cúnia de Abu Gatafane. Os gatafanitas eram uma importante confederação dos caicitas, tradicionalmente considerada descendente de Gatafane ibne Sade ibne Caice Ailane. Segundo a genealogia tribal árabe, a confederação compreendia quatro grandes ramos: os asjaítas, os dubianitas, os abecitas e os anemaritas. Os dubianitas subdividiam-se, por sua vez, em diversos grupos, destacando-se os fazaraítas, murraítas e talabaítas, enquanto outras linhagens importantes da confederação incluíam os muaribitas, frequentemente mencionados nas fontes islâmicas como participantes das campanhas militares travadas entre os gatafanitas e os muçulmanos. Durante o século VI, os gatafanitas consolidaram-se como uma das principais potências beduínas da Arábia. Seu maior período de hegemonia ocorreu sob a liderança de Zuair ibne Jadima, chefe dos abecitas, que exerceu autoridade sobre toda a confederação e chegou a impor sua supremacia aos hauazinitas, então a outra grande confederação dos caicitas. A morte de Zuair, porém, marcou o início de um período de rivalidades internas e do declínio da predominância política dos abecitas sobre os demais ramos da confederação. Os gatafanitas ocupavam uma vasta região do centro-norte da Arábia, situada entre o Hejaz e os montes Xamar, abrangendo a parte do Négede drenada pelo Uádi Arruma. Levavam um modo de vida inteiramente nômade e, inicialmente, distribuíam-se por uma área que se estendia do Négede até o sul de Meca, dispersando-se posteriormente por diferentes regiões da península. A distribuição dos principais ramos da confederação seguia aproximadamente um eixo de oeste para leste. Os asjaítas ocupavam as áreas mais ocidentais; os dubianitas, acompanhados de seus principais subgrupos — os fazaraítas, murraítas e talabaítas — estabeleciam-se na porção central; os abecitas encontravam-se mais a leste; enquanto os anemaritas ocupavam a região de Alcacim. A posição geográfica dos gatafanitas colocava a confederação entre importantes rotas que ligavam o Hejaz ao interior da península. Essa localização favoreceu frequentes contatos — ora pacíficos, ora hostis — com outras grandes confederações tribais, como os hauazinitas, soleimitas, assaditas, taitas e tamimitas, desempenhando papel decisivo no equilíbrio político e militar da Arábia central durante a Jailia.

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História

Após a morte de Zuair ibne Jadima, a liderança dos gatafanitas tornou-se motivo de disputa entre seus principais ramos. Um conflito entre Caice ibne Zuair, dos abecitas, e Hudaifa ibne Badre, chefe dos fazaraítas, desencadeou a Guerra de Daís e Algabra, um dos mais célebres conflitos da Arábia pré-islâmica. Durante essa guerra, praticamente toda a confederação apoiou os dubianitas contra os abecitas, obrigando estes a abandonar seus antigos territórios de pastagem. Após prolongadas migrações, os abecitas encontraram refúgio entre os amiritas, ramo dos hauazinitas. Por volta de 580, abecitas e amiritas derrotaram, na Batalha de Xibe Di Jabala, uma ampla coalizão formada por tamimitas, dubianitas, assaditas e outras tribos árabes. Algum tempo depois, a paz entre abecitas e dubianitas foi restabelecida graças à mediação de Alharite ibne Aufe e Harime ibne Sinane, dois influentes chefes dos murraítas celebrados por Zuair ibne Abi Sulma em sua Muallaqat. Após essa reconciliação, abecitas e dubianitas voltaram a atuar em conjunto contra os amiritas, contando frequentemente com o apoio dos demais ramos dos gatafanitas. Essa cooperação manifestou-se, por exemplo, na Batalha de Arracame, em que diversos grupos da confederação combateram lado a lado. Na mesma época, a confederação firmou ainda uma aliança com os taitas e os assaditas, permanecendo também envolvida em sucessivos confrontos contra os hauazinitas e os soleimitas até o advento do islão.

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Religião e cultura

Pouco se conhece sobre a religião pré-islâmica dos gatafanitas. Assim como outras tribos beduínas da Arábia setentrional, parte da confederação venerava Ucaicir, divindade cultuada também por outros grupos árabes. Os gatafanitas realizavam peregrinações ao santuário de Ucaicir, situado numa colina em direção à Síria, onde circundavam o ídolo e raspavam a cabeça como parte dos rituais religiosos. Possuíam ainda um santuário dedicado à deusa Uza em Buse, onde haviam erguido um templo e mantinham um guardião encarregado do culto. Esse santuário é apresentado por alguns autores muçulmanos como um centro religioso rival da Caaba de Meca. Segundo a tradição, foi destruído na primeira metade do século VI por Zuair ibne Janabe Alcalbi. As tradições islâmicas também associam aos gatafanitas a figura de Calide ibne Sinane, dos abecitas. De acordo com um dito atribuído a Maomé, ele teria sido "um profeta que seu povo deixou perecer", interpretação que levou parte da literatura islâmica posterior a considerá-lo um profeta enviado aos árabes antes do advento do islão. A historicidade dessa tradição, contudo, permanece incerta. A confederação exerceu papel de destaque na literatura árabe pré-islâmica. Entre os autores mais célebres figuram Antara ibne Xadade, dos abecitas, e Anabiga Adubiani, dos dubianitas, ambos tradicionalmente incluídos entre os poetas das Muallaqat. Outros poetas de destaque ligados aos gatafanitas incluem Urua ibne Aluarde, e Alhutaia, dos abecitas; Alhadira e Axamaque, dos talabaítas; Ibne Maiada, dos murraítas; Ibne Dara, pertencente aos abedaluzaítas, grupo posteriormente conhecido como almuaualaítas após Maomé alterar o nome de seu ancestral para Abedalá; e Uaife Alcauafi, dos fazaraítas.

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