Alfredo Di Stéfano
Alfredo Estéfano Di Stéfano Laulhé foi um futebolista e treinador argentino-espanhol de origem italiana que atuava como atacante. Além de ter jogado pela Seleção Argentina, jogou também pela Seleção Espanhola. É considerado um dos maiores futebolistas da história.
Di Stéfano, desde o início, era um obcecado pelo gol. No começo da carreira, na Argentina, portava-se justamente como um centroavante. "Entre fazer o gol e dar o gol para outro, não vacilava. Fazia eu. Não me arrependo disso. O goleador tem mesmo que ser um tanto egoísta. (...) O futebol para mim era feito de gols, muitos gols. Gols meus.", chegou a declarar. Seu grande ídolo na infância era justamente aquele que ainda é o maior artilheiro da história do futebol argentino, o paraguaio Arsenio Erico, jogador do Independiente nos anos 1930 e 40. Aperfeiçoou seu estilo fora da terra natal, passando a também a voltar da área adversária para buscar o jogo, atuando como ponta-de-lança, tendo toda a capacidade para isso: era dotado de excepcional preparo físico, o que lhe permitia correr todo o campo durante uma partida inteira mesmo depois dos 30 anos. Jogou em alto nível até os 40, decidindo por encerrar a carreira apenas por pedido do filho, quando soube por este que seria avô.
Início
Quando criança, não se imaginava como jogador de futebol, preferindo a carreira de aviador, apesar dos incentivos do pai. Só começou a gostar do jogo após marcar três gols quando, aos 17 anos, foi chamado às pressas para completar o time do bairro. Um outro acaso lhe destinou a seu primeiro clube, o River Plate, onde já havia jogado seu pai. Foi levado à equipe por um ex-jogador desta que, em visita casual em sua casa, ouviu da mãe de Di Stéfano que o garoto tinha talento. Passou no teste e foi convidado pelo ex-jogador Carlos Peucelle a entrar na quarta categoria do clube, logo subindo para terceira após ser visto por outro antigo atleta do River, Renato Cesarini. Cesarini, depois que o observou, indagou a Peucelle: "diga-me, é um center-forward"? No que foi respondido: "Não, senhor, não é. É um fenômeno".
Huracán
Sem espaço, Di Stéfano acabou emprestado por um ano ao Huracán, curiosamente a mesma equipe contra a qual havia debutado. Ali, foi treinado pelo ex-artilheiro Guillermo Stábile, que também era o técnico da Seleção Argentina. Os primeiros dois gols de sua carreira vieram justamente em uma vitória por 3–2 no clássico contra o San Lorenzo, em pleno estádio do arquirrival, que seria o campeão argentino daquele 1946.[carece de fontes?] Di Stéfano também não perdoou o River Plate: contra sua ex-equipe, marcou o que é até hoje o gol mais rápido do futebol argentino, aos onze segundos de jogo. Em Parque Patricios, fixou-se como centroavante e marcou 18 gols em 27 partidas pelos quemeros, sendo um destaque da campanha mediana do time, que terminou apenas em nono.[carece de fontes?] Foi ali também que ele recebeu, por sua velocidade, a alcunha de Saeta ("flecha"). Como o colega de equipe Llamil Simes tinha o mesmo apelido, o de Di Stéfano recebeu o acréscimo Rubia ("loira"). O Huracán quis ficar com ele em definitivo, mas não tinha viabilidade para pagar os 80 mil pesos pedidos pelo River. Após um ano no Globo, regressou a Núñez, em 1947.
River Plate
A situação lhe era diferente: Pedernera saíra para o Atlanta, Labruna estava com hepatite e Muñoz, lesionado. Finalmente teve mais oportunidades no River, com o dia de sua reestreia sendo apontado por ele mesmo como o melhor de sua carreira, trazendo sempre no bolso um pequeno distintivo gravado com a inscrição "River Plate-San Lorenzo de Almagro, 1947". Mesmo intercalando os jogos com o serviço militar, ele marcou 27 gols pelo River em 1947, conduzindo o clube a novo título no campeonato argentino, o primeiro de Di Stéfano como membro efetivo no grupo, e tendo terminado como artilheiro do certame.[carece de fontes?] A torcida não tardou a se render ao jovem, louvando-lhe com canções como "Socorro, socorro, ahí viene la Saeta con su propulsión a chorro" ("Socorro, socorro, aí vem a Flecha com sua propulsão a jato").
Millonarios
Chegou ao clube de Bogotá em 1949 juntamente com o ídolo Adolfo Pedernera e seu ex-colega de River Néstor Rossi. A liga colombiana havia se transformado em um verdeiro Eldorado, atraindo os jogadores do continente que, embora fossem atletas profissionais, não costumavam ser bem pagos em seus países. O dono do Millonarios, Alfredo Senior, havia resolvido lucrar com o esporte, aliciando os melhores atletas sul-americanos para jogar em sua equipe a fim de atrair grandes públicos, o que naturalmente repercutiu negativamente no exterior. Além disso, o clube era intimamente ligado ao poder local, sendo atraente para quem tivesse pretensões políticas.
Real Madrid
O Barcelona o negociara com o clube que oficialmente detinha de seu passe, o River Plate. Di Stéfano já havia participado de três amistosos pelo Barcelona quando o Real Madrid entrou na disputa por ele: o clube da capital falara diretamente com o Millonarios e passou a considerar-se também dono da joia rara. O ministro dos esportes, General Moscardo, apresentou sua solução: o argentino faria temporadas alternadas por cada equipe por quatro anos - começando pelo Real. O acordo foi rejeitado pelo Barça, e Di Stéfano acabaria ficando no Real. A polêmica mudança dele para o Real fez o Barcelona sentir-se traído. A rivalidade entre as duas equipes, sem tanta força até então - outros ex-jogadores do clube, como Ricard Zamora e Josep Samitier, já haviam jogado sem maiores problemas na equipe madrilenha nos anos 1930 -, começaria aí, aumentando com o passar dos anos devido às conquistas em série que o Real conseguiria com ele liderando o clube em campo. Antes de Di Stéfano chegar em 1953, o clube da capital não era o maior vencedor do país, nem mesmo da cidade: tinha dois títulos no campeonato espanhol, mas conquistados havia mais de vinte anos. No momento, o Barcelona (seis), Atlético Bilbao (cinco), Atlético de Madrid (quatro) e Valencia (três) possuíam mais conquistas em La Liga.
Poucas vezes por Argentina e Colômbia
Di Stéfano defendeu três seleções diferentes. Por seu país natal, jogou pouco: foram seis partidas, todas no ano de 1947 (ano em que despontara no River Plate), pelo Campeonato Sul-Americano (precursor da Copa América) de Seleções. Marcou seis vezes[carece de fontes?]mesmo com o técnico Guillermo Stábile, que no ano anterior o treinara no Huracán - onde o desempenho de Di Stéfano convencera o River, que havia lhe emprestado, a tê-lo de volta -, não o escalando como titular na vitoriosa campanha. Pela Colômbia, estreou logo no ano de sua chegada ao país, em 1949, realizando suas quatro partidas pela Seleção Colombiana nesse ano, sem marcar.[carece de fontes?]
Ídolo de poucos resultados pela Espanha
Pela Espanha, estreou em 1957 e até 1961, quando faria seu último jogo, entraria em campo 31 vezes, marcando 23,[carece de fontes?] sendo o maior artilheiro da Seleção Espanhola até 1990, quando foi superado por Emilio Butragueño - atualmente, está atrás também de David Villa, Raúl, Fernando Hierro, Fernando Morientes e Fernando Torres.[carece de fontes?] Ainda assim, traria a frustração de não disputar Copas: nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, os espanhóis eram os favoritos para se classificarem no grupo que formavam com Escócia e Suíça. Dois resultados ruins nos dois primeiros jogos acabariam comprometendo a classifação: a Furia, mesmo com um respeitado poder ofensivo formado por ele, Francisco Gento, Luis Suárez e László Kubala (outro naturalizado), empatou em casa com os suíços e perdeu por 2–4 para os britânicos fora. Mesmo vencendo ambos por 4–1 nos dois jogos seguintes, acabariam ficando um ponto atrás dos escoceses, que ganharam a única vaga do grupo. A Espanha também não conseguiu lugar na fase final da Eurocopa 1960. No mesmo ano deste torneio, em uma série de amistosos do país pela América do Sul, ele enfrentou a Argentina: por ironia, a única vez em que atuou em seu país natal por uma seleção foi defendendo os espanhóis. No seu conhecido Monumental de Núñez, perdeu por 0–2. Voltou a enfrentar a Albiceleste no ano seguinte e o placar se repetiu, desta vez em favor da Espanha, com ele marcando um dos gols.[carece de fontes?]
Após um ano aposentado, treinou pela primeira vez uma equipe, o pequeno Elche. Ele, ídolo do River Plate, conquistaria seu primeiro título na nova função ironicamente comandando o arquirrival Boca Juniors no campeonato argentino de 1969. Foi inclusive uma das conquistas nacionais mais memoráveis dos boquenses: no primeiro semestre, os xeneizes haviam sido eliminados na semifinal do campeonato metropolitano pelo River Plate. No campeonato nacional, a revanche dar-se ia na última rodada, em que os arquirrivais fariam um duelo direto pelo título. O Boca tinha a vantagem do empate e sagrou-se campeão após um 2–2 em pleno Monumental de Núñez, listado entre os dez maiores Superclásicos favoráveis ao Boca pela enciclopédia do centenário do clube. O clube também ganhou naquele ano a Copa Argentina. Seria campeão nacional novamente duas temporadas depois, agora na liga espanhola, pelo Valencia. Os Ches seriam a equipe onde Di Stéfano teve mais sucesso como treinador. Passou em dois momentos pelo clube; além do Espanhol de 1971 (que, para a alegria da torcida do Real Madrid, foi conquistado sobre os arquirrivais Barcelona, que alcançara os mesmos pontos valencianos mas teve desvantagem nos critérios de desempate, e Atlético de Madrid, que ficou um ponto atrás de ambos) ele ajudou o clube a vencer a Recopa e a Supercopa Europeias na temporada em que retornou à equipe, 1979/80. Entre as duas passagens, treinou o Sporting Club de Portugal durante 46 dias no Verão de 1974 mas deixou o clube após uma derrota (1-0) contra o Olhanense na primeira jornada. Treinou ainda o Rayo Vallecano e o Castellón, sem conseguir títulos.[carece de fontes?]
Seu jeito é descrito como alguém tímido com homenagens, e que não gosta de se enaltecer, preferindo usar a expressão "nós" ao "eu" ao narrar as vitórias que teve. Vivia nos últimos anos de sua vida em Madrid, frequentava o Real Madrid, como presidente honorário e como presidente de uma associação de ex-jogadores. "A intenção de nossa associação é ajudar os jogadores que estão mal, e as viúvas daqueles que estão mortos. (…) Sou parte da instituição, como todos os garotos, cada um tem sua função aqui." Em 17 de fevereiro de 2008, os presidentes da FIFA e da UEFA, respectivamente Sepp Blatter e Michel Platini, lhe homenageram nomeando-lhe presidente honorário da própria UEFA. Di Stéfano, ex-jogador das seleções de Argentina, Colômbia e Espanha, ironicamente, não tinha origem ibérica, nem ameríndia: seu pai, também chamado Alfredo Di Stéfano, era filho de um casal de imigrantes italianos e a mãe, Eulalia Laulhé Gilmont, de um imigrante francês com uma irlandesa. Mas, curiosamente, era chamado de "alemão" pela torcida do River Plate, por causa de seus cabelos loiros. Seu pai nasceu em La Boca, bairro repleto de imigrantes italianos e onde o River fora originalmente fundado, passando para o filho a paixão pelo clube. Isso não impediu Alfredito de também apreciar o rival Boca Juniors, que se manteve no bairro (enquanto o River mudou-se para o de Belgrano); seu avô, nas palavras dele, "vivia a 30 metros da Bombonera, então ia visitá-lo e depois ia ver os treinamentos (do Boca) (…). Me sinto riverplatense, mas como tinha toda a família em La Boca, sou meio boquense, e não tenho inveja, nem ciúme, nem ódio, nem nada, é um clube extraordinário."
Por clubes
A tabela abaixo resume as estatísticas em jogos oficiais de Alfredo Di Stéfano durante a sua carreira de jogador profissional.
Por seleções
A tabela abaixo resume as aparições de Alfredo Di Stéfano pelas seleções da Argentina e da Espanha.[carece de fontes?]


