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Alfredo Norfini

Alfredo Norfini foi um desenhista, aquarelista, pintor e professor italiano radicado no Brasil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Biografia

Pertencente a uma família em que alguns dos integrantes também eram pintores, dentre eles seu pai, o pintor e professor Luigi Norfini (1825–1909), estudou na Academia de São Lucas, localizada em Roma, local onde seu pai era diretor e lecionava aulas sobre pinturas envolvendo batalhas, o que teve influência em sua carreira como artista. Alfredo consegue concluir o curso em 1892 e, neste mesmo ano, da Grande Exposição de Artistas Internacionais em Nice (França) onde recebeu uma medalha de prata como forma de reconhecimento pelos seus trabalhos. Em 1893, Norfini conhece Maria Colli em Buenos Aires. Em 1898, Norfini decide que se mudar para o Brasil em busca de melhores condições de trabalho e que favoreçam seu lado artístico. Seu período na Argentina anterior à ida ao Brasil foi encarado como normal já que era comum na época pintores viajarem em países da América do Sul para ter conhecimento de costumes, fauna e flora das regiões, e aprimorar sua técnica de pintura. A escolha pelo país argentino se deve ao grande número de imigrantes italianos no local, onde residiam possíveis parentes do pintor.

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Viagens

Seu gosto pela viagem fez com que Norfini tivesse contato com pinturas de cidades como Recife, Rio de Janeiro, Sabará e Ouro Preto. Nessa passagem pelas cidades mineiras destacadas, o artista se mostra atento à topografia, a arquitetura e a cultura material do local. O Museu Histórico Nacional (MHN), reconhece desde 1934 o trabalho feito por Norfini como importante documentação iconográfica do patrimônio cultural brasileiro. Na cidade mineira, Alfredo Norfini incorporou em suas pinturas estruturas semelhantes às construções do estilo barroco, características da cidade de Ouro Preto. Seu estilo foi apreciado em São Paulo devido à presença de arquitetos que procuravam uma arquitetura barroca, que depois aproveitaram para o estilo neocolonial. Suas viagens auxiliaram na sua identidade artística. Suas passagens pela Europa e pelo Egito foram marcadas por desenhos de características árabes que chamaram a atenção ao serem apresentados no Brasil. Já em 1922, foi publicado o livro "Velho Brasil. Época Colonial. Minas Gerais", onde se encontram desenhos referentes às aquarelas de Norfini. O trabalho é considerado o de maior relevância de Norfini no Brasil, apesar de na década de 1930 o pintor ter sido comissionado para realizar trabalhos de documentação botânica e zoológica no país. Em 1940, o artista viaja até o estado do Pará e tem contato com os grupos intelectuais de Belém. Nessa época, Norfini participa de salões de arte e realiza exposições a fim de ter maior contato com o mundo artístico da região para aprimorar seu conhecimento. Na sequência, viaja para a Amazônia com o intuito de interagir com o espaço político, religioso e com os moradores da região do antigo Estado do Grão-Pará.

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Obras

Uma das principais obras de Alfredo Norfini é o quadro “O Cabano Paraense”, que atualmente está no Museu de Artes de Belém. O teor da pintura se baseia na Cabanagem no decorrer do século XX e tem como figura central os cabanos, que carregam a "identidade cabana" marca de bravura para expressivos pesquisadores brasileiros como Jorge Hurley e Caio Prado Júnior. A obra é uma das mais conhecidas do pintor devido ao grau de romantização da imagem do homem que representa os que fizeram eclodir as revoltas e que acabaram sendo reduzidos de forma uniforme ao redor e entorno de uma pretensa “identidade cabana”. O quadro foi tema de abordagem do documentário "A Revolta dos Cabanos", que tinha como objetivo principal destrinchar sobre o tema da Cabanagem. O homem que representa esse estilo na obra de Alfredo Norfini é um dos personagens do estudo. Ele é definido como: indivíduo que faz parte do único grupo rebelde da história brasileira que conseguiu tomar o poder das mãos dos governantes, fazendo alusão a um grupo popular do qual participavam ativamente negros, índios, cabanos e a classe média. O grupo consegui subir ao governo por aproximadamente um ano e meio e o conflito com a polícia causou a morte de mais de 40 mil pessoas e ficando conhecido como a Cabanagem. O conflito ficou marcado na história brasileira e a obra de Norfini um marco para o entendimento e representação de tudo que a revolução representou ao povo.

Fazenda Cachoeira – Canavial, 1840

Baseado em um desenho de Hercule Florence e concebido em 1920, o óleo sobre tela retrata as condições de vida de negros escravizados em uma fazenda de Campinas. Além do grande número de trabalhadores submetidos a regime forçado cortando cana, estão presentes na cena uma série de elementos da natureza, como altas árvores e extensos campos de plantação, os quais recobrem o relevo plano que só é interrompido pelas montanhas presentes na linha do horizonte. Em dia de céu aberto, os escravos, além de realizar a colheita, também organizam os insumos em feixes e os levam a uma carroça, localizada à direita na obra. A obra de Alfredo Norfini, feita em óleo sobre tela em 1920, foi encomendada por Afonso Taunay, então diretor do Museu Paulista, e pertence ao Fundo Museu Paulista sob o número de inventário 1-19387-0000-0000. O quadro, que teve como base um desenho de Hercule Florence, possui as seguintes medidas: 100,5 centímetros de altura e 140,5 centímetros de largura. Nas várias referências à obra, aparecem também outros títulos como Canavial da Cachoeira; Cannavial e café novo em Campinas (1826); Fazenda da Cachoeira – Campinas 1836 – plantação de café e canna; e Córte do cannavial junto ao café novo.

Tríptico: Cavalhadas em Sorocaba - Alcância das Canas, Desfile de Cristãos e Mouros, Argolinha

O tríptico sobre ass cavalhadas foi baseado em desenhos de Hercule Florence e concebido em 1920. A obra foi feita em óleo sobre tela. As partes retratam costumes herdados da colonização portuguesa: à esquerda está retratada a etapa das alcâncias (ou alcancilhas), na qual dois cavaleiros – um à moda europeia e outro, à muçulmana – reproduzem um conflito com lanças. Ao centro, uma série de cavaleiros alternados, representando cristãos e muçulmanos desfila para um grande número de espectadores, que estão distribuídos pelos camarotes ao redor da arena. À direita, o pintor reproduz a fase das “argolinhas”, espécie de competição entre os cavaleiros, cujo prêmio, que está suspenso no topo de um cordão, seria entregue a uma figura política ou a uma jovem espectadora pelo vencedor. No quadro, um cavaleiro cristão oferece a prenda a uma mulher. De modo geral, Norfini utilizou grande variedade de cores na decoração dos camarotes, das bandeiras e vestimentas. Além disso, como afirma Ruth Sprung Tarasantchi, o artista tinha habilidade na composição de animais, o que pode ser observado na obra.

Inocência no túmulo de um liberal

Baseada em um desenho de Hercule Florence, a obra Inocência no túmulo de um liberal foi composta em óleo sobre tela em 1920. A partir de cena histórica, cuja temática é o momento posterior ao sepultamento de Libero Badaró. Na pintura foram reproduzidos os costumes fúnebres por meio das vestimentas e da posição das personagens, que, em sua maioria sentadas, ecoam uma tradição oriental intermediada pela colonização portuguesa. Ao fundo, o interior da Catedral da Sé, local de realização da cerimônia, foi composto com poucos detalhes, o que direciona o olhar para a cena em primeiro plano. A obra de Alfredo Norfini, feita em óleo sobre tela em 1920, foi encomendada por Afonso Taunay, então diretor do Museu Paulista, e pertence ao Fundo Museu Paulista sob o número de inventário 1-19309-0000-0000. O quadro, que teve como base o desenho Inocência no túmulo de um liberal, de Hercule Florence, possui as seguintes medidas: 59,5 centímetros de altura e 95 centímetros de largura. Nas várias referências à obra, aparecem também outros títulos, como: A inocência sobre o túmulo de um liberal; Exéquias de Libero Badaró na Sé Catedral de São Paulo; e Cena ocorrida após a celebração das exéquias de Libero Badaró na Catedral de São Paulo, 1830.

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