Alfredo José da Silva
Alfredo José da Silva, mais conhecido como Professor Alfredo foi um professor e político brasileiro, notabilizando-se por ter sido o "único negro diretor e professor" da Escola Normal de Caetité, onde lecionou na "Cadeira de Português e Literatura Nacional" e cidade da qual foi prefeito (1946-1948). Foi, no dizer de estudiosos, "figura de influência e destaque na história da cidade de Caetité" e "como produto do seu tempo e intelectual, Alfredo José da Silva tinha opiniões fortes a respeito de muitos aspectos sociais, inclusive linguísticos".
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Nasceu na fazenda Baixão do povoado de Lustosa em Santo Amaro, no então distrito chamado "Barão do Bom Jardim" e atual cidade de Teodoro Sampaio, filho de Afra, conhecida como Tiai.[nota 1] No povoado de Lustosa (depois feito distrito) foi aluno no primário de Deocleciano Barbosa, e foi criado na Fazenda Alambique Novo de Ricardo Libório, de cujos filhos guardou Alfredo uma amizade que durou toda a vida. Incentivado pelo mestre Barbosa com o gosto pela leitura do aluno, sua mãe envidou todos os esforços para que este fosse matriculado, na capital, no afamado Instituto Normal da Bahia onde veio a se formar professor em cerca de 1905. Segundo registrou de próprio punho: “graças aos esforços e boa vontade minha e sobretudo de minha carinhosa Mãe, matriculei-me no 1.o anno do Instituto Normal do Estado, em 1902”. Sua primeira investidura no magistério se deu em 1909 na cidade de Piatã, à época chamada de "Bom Jesus do Rio de Contas", no lugar chamado "Carrapato" (cujo nome mudou ao longo do tempo para Palmares, Bastião e, finalmente, Nova Colina, hoje na cidade de Boninal). Ali se casa com Otília Alves Santana, que passou a se chamar Otília Santana Silva. Depois, ainda na Chapada Diamantina, lecionou em Vila Velha e Cochó do Pega (município de Seabra), em torno de 1919. Em 1921 foi transferido para Mucugê onde ficou até o ano de 1926, quando foi nomeado lente na Escola Normal de Caetité. Recebera então, um telegrama de Anísio Teixeira que lhe dizia: "comunico fostes nomeado para reger interinamente Cadeira Português Escola Normal Caetité, não importando ida comissão nenhuma perder sua garantia viabilidade magistério pt todas nomeações foram feitas interinamente. Deveis seguir toda brevidade Caetité onde igualmente estarei, estando viagem marcada dia vinte. Cordiais saudações. Anísio Teixeira - Diretor Instrução". Para esta nomeação intercedeu Hermes Lima, que fora-lhe aluno. Já na primeira turma, de 1929, o professor Alfredo figura como o homenageado, em quadro exposto no Arquivo Municipal.
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Em setembro de 1990 a Câmara de Vereadores promulgou o decreto legislativo 08/1990 que no seu artigo primeiro diz: "Fica denominada Rua Prof. Alfredo José da Silva, a conhecida rua 7 de Setembro nesta cidade de Caetité". "O arquivo pessoal do professor Alfredo José da Silva foi doado por seu filho Sr. Laertes Santana Silvão ao Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), que mantém preservado em suportes físicos (textuais, iconográficos e discográficos) informações valiosas para a história da Bahia e do Brasil". Fundada em 2001, a Academia Caetiteense de Letras deu à sua Cadeira número 6 o patronato ao Professor Alfredo. No ano de 2021, com apoio financeiro do governo do estado pela Secretaria de Cultura, através da Fundação Pedro Calmon e no contexto da Lei Aldir Blanc foi, pela Associação de Amigos do Museu do Alto Sertão da Bahia (AMASB) e pelo Arquivo Municipal, neste último criado o "Acervo Digital Professor Alfredo José da Silva", com parte de seus registros que ali são guardados. No mesmo ano, em razão de descaso do poder público e do Ministério Público, o casarão tombado onde viveu ameaçava ruir pelo abandono e especulação imobiliária.


