Alfama
Alfama é o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade de Lisboa. Actualmente, abrange uma parte da freguesia de Santa Maria Maior e outra da freguesia de São Vicente. O seu nome deriva do árabe al-hamma (الحمّة), que significa ‘fonte de águas quentes, águas boas’.
Durante o domínio muçulmano, entre os anos 711 a 1147, poder-se-ia falar 2 Alfamas: Com o domínio cristão a designação Alfama foi-se alargando mais para leste, dentro dos limites da Cerca Nova ou Cerca Fernandina, passando para lá do Chafariz de Dentro. Este bairro é provavelmente o mais agradável da cidade. A época de declínio surgiu na Idade Média, quando os residentes ricos se mudaram para o oeste, deixando o bairro para uma população de pescadores e marinheiros. A maioria dos prédios resistiu ao terramoto de 1755. Apesar de praticamente já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco do ambiente dessa época (atente-se ao casbá com as suas ruelas, escadarias e roupa a secar nas janelas). As áreas mais arruinadas foram alvo de profundas obras de restauro e a vida desenvolve-se tranquilamente em volta das pequenas mercearias e tabernas. Na última fase do Estado Novo, foi deixado completamente ao abandono e a criminalidade começou a aumentar. No pós 25 de Abril, pouco ou nada foi feito no sentido de devolver a vida próspera a este bairro histórico, que se tinha tornado, na década de 80, num dos bairros mais problemáticos da cidade, sobretudo no que diz respeito ao tráfico de droga. Apenas em meados da década de 90, Alfama começou a ser lentamente recuperada, sendo que hoje em dia é um exemplo a seguir por outras zonas históricas da cidade, como o Intendente ou o Bairro Alto.
A razão de ser do nome Alfama é confirmado pela carta geológica do concelho de Lisboa, que mostra um grupo de nascentes minero-medicinais associadas a uma falha geológica que corta as camadas do Miocénico. Ao longo da história, estas nascentes foram encanadas para alimentação de chafarizes. Graças a este conjunto de nascentes com um caudal significativo, Alfama era, antes da construção do Aqueduto das Águas Livres, a zona de Lisboa com menos problemas de falta de água. As águas de Alfama ou Águas Orientais foram introduzidas em 1868 na rede de abastecimento público de Lisboa com a construção no local do antigo Chafariz da Praia de uma cisterna que recolhia a água e de uma estação elevatória movida a vapor que a elevava até ao recém-construído reservatório da Verónica (1862). O Museu do Fado está actualmente instalado sobre a cisterna, a qual pode ser visitada. Essas águas com temperaturas que nalguns casos se situam acima dos 20 °C, e que chegaram mesmo a ser classificadas, em finais do século XIX, como águas minero-medicinais, foram exploradas pelo menos desde o século XVII como banhos públicos ou alcaçarias, que se mantiveram em actividade até às primeiras décadas do século XX.
Com passagem e paragem na Calçada de São Vicente, na Rua das Escolas Gerais, no Largo das Portas do Sol, no Miradouro de Santa Luzia, no Limoeiro e na Sé, o Elétrico 28 28E, carreira fundada em 1901, faz as delícias de locais e turistas.


