Marieta Severo
Marieta Severo da Costa OMC é uma atriz, roteirista e produtora teatral brasileira. Reconhecida como uma das mais versáteis e respeitadas intérpretes da televisão, do teatro e do cinema no Brasil. Com uma carreira que abrange mais de cinco décadas, destacou-se por sua capacidade de transitar entre papéis cômicos e dramáticos, consolidando-se como uma das figuras centrais da dramaturgia brasileira. Ao longo da carreira, Severo também tornou-se uma das artistas mais premiadas do país, tendo ganhado quatro estatuetas da APCA, três Prêmios Guarani, um Kikito, dois prêmios Shell e dois Molières, além de receber duas indicações ao Grande Otelo. Em 2012, foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural por sua contribuição à cultura nacional.
Imagem: Juca_Ferreira_e_Marieta_Severo_-_Teatro_Municipal_do_Rio_de_Janeiro_(3).jpg: Ministério da Cultura derivative work: Yanguas · BY · Openverse
Família e educação
Descendente remota de portugueses do arquipélago dos Açores, Marieta Severo nasceu em 2 de novembro de 1946, no Rio de Janeiro. Só foi registrada no dia 3, pois seu pai Luís Antonio Severo da Costa não queria que houvesse comemoração no Dia dos Mortos. Filha de um advogado e de uma professora de inglês chamada Lígia Paixão, sonhava em ser bailarina e estudou balé clássico durante muitos anos, mas mantinha os pés no chão. Sem ter ninguém do meio artístico para lhe servir de exemplo na família, não pensava seriamente em seguir a carreira artística. Formou-se professora normalista no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, mas ao conhecer o Tablado, de Maria Clara Machado, decidiu investir na carreira de atriz.
Relacionamentos e filhos
Em 1964, Severo casou-se com seu primeiro namorado, o artista plástico Carlos Vergara, mas após um ano juntos, divorciaram-se. Logo depois começou um relacionamento com o compositor Chico Buarque. Casaram-se em 1966. O matrimônio de 33 anos gerou três filhas: Helena, Luísa e a atriz Sílvia Buarque. Além disso, cuidou da filha de Leila Diniz , Janaína Diniz, após o falecimento da atriz. Em 1999, optaram pelo divórcio. Após outros relacionamentos, conheceu o diretor teatral Aderbal Freire Filho, e iniciaram um namoro. Marieta e Aderbal se casaram em 2004. Apesar de casados, eles mantinham uma relação em casas separadas. Em junho de 2020, Aderbal Freire Filho teve um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, ficou internado em um hospital do Rio de Janeiro e Marieta passou o maior tempo possível ao lado do marido. A relação matrimonial com Aderbal durou até 9 de agosto de 2023, data em que ele faleceu.
Saúde
Em uma entrevista de 2023, Severo veio a público revelar o diagnóstico de um câncer no endométrio em estágio inicial. Ela iniciou o tratamento, fazendo a retirada do útero e curando-se da doença. Desde então, a atriz vem incentivando outras mulheres a fazerem o exame e se tratarem.
Em 1964, Severo foi acompanhar uma amiga em um teste para uma peça e acabou sendo convidada pelo diretor Luiz Carlos Maciel para um papel no filme Society em Baby Doll. Na mesma época, estreou também no teatro com a peça Feitiços de Salém. No final do mesmo ano, pisou pela primeira vez no palco num pequeno papel em As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller. A protagonista da peça, Eva Wilma, a indicou para um papel na novela O Sheik de Agadir, de Glória Magadan, na recém-inaugurada TV Globo. Na trama, então com 19 anos e em seu primeiro papel na televisão, interpretou a princesa árabe Éden, a antagonista da trama. No decorrer da história, misteriosos assassinatos vão acontecendo. A identidade do criminoso, conhecido pelo nome Rato, só foi revelada no final da trama. Para surpresa do público, o Rato era a princesa Éden, sua personagem. Em entrevista, Marieta relatou que já chegou a ser apedrejada na rua por conta de sua personagem. Em 1967, participou da novela O Homem Proibido e atuou no filme Todas as Mulheres do Mundo. Em 1968, estrelou o musical Roda Viva, que criticava abertamente o regime militar, e entrou na mira dos agentes da segurança nacional.
Época do exílio
À época dos anos de chumbo, acompanhando o marido, Chico Buarque, no lançamento de um álbum em Roma, e grávida de Sílvia, Marieta recebeu notícias de como andava a situação no Brasil e foi aconselhada a não retornar. Passou dois anos neste "autoexílio" em Roma.
Volta ao Brasil e regresso à carreira
No final de 1970, Severo voltou ao Brasil e retomou a carreira de atriz, participando da novela E Nós, Aonde Vamos?, sob a direção de Sérgio Britto, exibida pela Rede Tupi. Depois desse trabalho, afastou-se da televisão para se dedicar às três filhas, e também aos projetos de teatro e cinema. Em 1978, atuou no filme Chuvas de Verão e na peça Ópera do Malandro. Em 1979 esteve em cartaz com o longa Bye Bye Brasil. Em 1983, após 18 anos, Severo voltou à TV Globo e trabalhou em duas produções da emissora: a minissérie Bandidos da Falange e a novela Champagne, onde interpretou a frágil Dinah, mulher hostilizada pelo marido machista Zé Brandão, vivido por Jorge Dória. Demorou a se firmar como intérprete de televisão. Após a estreia em 1966, só se consagraria no meio, a partir dos anos 1980, vivendo personagens como a vilã Catarina de Vereda Tropical, em 1984.
Dona Nenê
De 2001 a 2014, Severo trabalhou no seriado A Grande Família, exibido pela Rede Globo, no qual interpretou a dona-de-casa Dona Nenê, ao lado de Marco Nanini.
Teatro Poeira
Em 2005, ao lado da amiga Andréa Beltrão, Severo inaugurou o Teatro Poeira, em Botafogo, Rio de Janeiro. O empreendimento era um sonho antigo das atrizes. Em 2007, as duas estrearam o espetáculo As Centenárias e, no mesmo ano, estavam na versão cinematográfica de A Grande Família.
Fim da Grande Família e regresso às novelas
Severo foi convidada para interpretar a presidente Dilma Rousseff no filme homônimo baseado na obra A 1ª Presidenta, do escritor e jornalista Helder Caldeira, que seria rodado em 2012, mas recusou o convite alegando outros compromissos profissionais. Em 2015, voltou as novelas para interpretar a cafetina Fanny Richard, a vilã da novela Verdades Secretas. Por sua atuação venceu o Prêmio Extra de Televisão, na categoria de melhor atriz. Em 2017, voltou ao horário nobre, retornando sua parceria com Walcyr Carrasco e interpretando a diabólica vilã Sophia, a matriarca autoritária e grande vilã em O Outro Lado do Paraíso. Em 2020, retornaria ao horário nobre, integrada no elenco do folhetim de Lícia Manzo, intitulado Um Lugar ao Sol, onde interpreta a avó da protagonista Lara (Andreia Horta). A produção foi, contudo, interrompida por conta da pandemia de COVID-19 e só estreou em novembro de 2021.
Severo é reconhecida pela crítica como uma das mais competentes atrizes em todos os segmentos de atuação: o palco, o cinema e a TV. Segundo o diretor Newton Moreno: "Ela se tornou um fomento para uma nova dramaturgia nacional, encomendando ou dando visibilidade a muitos textos. Assim, nestes 50 anos [de carreira], Marieta ajudou o Brasil a se ver em cena. Seja um Brasil suburbano, periférico, sertanejo, trágico ou festivo."


