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Alexandre I da Bulgária

Alexandre I, nascido Alexandre de Battenberg, foi o primeiro Príncipe da Bulgária autônoma da era moderna de sua eleição em 1879 até sua abdicação em 1886.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Primeiros anos

Alexandre era o segundo filho do príncipe Alexandre de Hesse e Reno, nascido do casamento morganático deste com a condessa Júlia de Hauke. A condessa e os seus descendentes receberam, em 1858, o título de Príncipes de Battenberg (derivado de uma antiga residência dos Grão-Duques de Hesse), bem como o tratamento de Durchlaucht ("Sua Alteza Sereníssima"). O príncipe Alexandre era sobrinho do czar Alexandre II da Rússia, o qual havia desposado uma irmã do príncipe Alexandre de Hesse. A sua mãe, filha do general polaco Hans Moritz von Hauke, fora dama de companhia da czarina. Alexandre era conhecido na intimidade familiar, e por muitos dos seus biógrafos posteriores, pelos apelidos Sandro ou Drino. O jovem Alexandre recebeu formação militar, servindo como subtenente no Regimento de Dragões da Guarda de Hesse. Aos 20 anos de idade, obteve autorização do imperador Alexandre II para ingressar no exército russo. Participou na Guerra Russo-Turca (1877–1878) como integrante do Regimento de Ulanos da Guarda Imperial. Destacou-se pela sua bravura durante a travessia do Danúbio por meio de uma ponte de pontões, tendo sido condecorado com a Cruz de Vladimir. Demonstrou dignidade e coragem durante a campanha do Destacamento da Vanguarda, comandado pelo tenente-general Iosif Gurko, rumo ao sul da Bulgária. Em 18 de julho de 1877, foi agraciado com a Cruz de São Jorge (4ª classe). Posteriormente, foi destacado como oficial de ligação junto do príncipe Carlos da Romênia, com quem manteve uma amizade duradoura até à morte deste.

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Príncipe da Bulgária

Quando, pelo Congresso de Berlim (1878), a Bulgária se tornou um principado autónomo sob suserania do Império Otomano, o czar recomendou o seu sobrinho aos búlgaros como candidato ao recém-criado trono, e a Grande Assembleia Nacional elegeu unanimemente o príncipe Alexandre como Príncipe da Bulgária em 29 de abril de 1879. Na altura, Alexandre detinha uma patente de tenente na guarda pessoal prussiana em Potsdam. Antes de se dirigir à Bulgária, o príncipe Alexandre fez visitas ao czar em Livadia e às cortes das Grandes Potências. Após visitar a corte do sultão otomano, foi conduzido por um navio de guerra russo até Varna, onde prestou juramento à Constituição de Tarnovo, em Veliko Tarnovo em 8 de julho de 1879, seguindo depois para Sófia. Por todo o percurso, foi acolhido com enorme entusiasmo pelas populações. O jovem príncipe não fora preparado para governar e não possuía qualquer experiência política, sendo, ainda assim, enviado para liderar um Estado recém-criado. Escolhido como candidato preferido da Rússia (em virtude dos laços de parentesco com o czar e com a esposa deste), representava um bom compromisso para a Europa:

Casamento Prussiano

Em 1881, um casamento foi sugerido entre Alexandre e a princesa Vitória da Prússia, filha do kaiser Frederico III da Alemanha, na altura ainda príncipe-herdeiro, e de sua esposa, Vitória, Princesa Real do Reino Unido, filha da rainha Vitória do Reino Unido. Moretta, como Vitória era conhecida na intimidade familiar, deixou-se levar pelos elogios que a sua mãe e avó faziam ao jovem príncipe e apaixonou-se por ele. No entanto, o romance nunca teve hipóteses de funcionar e só parecia possível na cabeça de Vitória e da sua mãe. Seus parentes alemães, seu avô paterno, o kaiser Guilherme I; seu irmão, o príncipe Guilherme e o chanceler alemão Otto von Bismarck, se opuseram, temendo que ofendesse a casa governante russa, principalmente o primo do príncipe Alexandre, o czar Alexandre III. Alexandre III havia ascendido recentemente ao trono russo e, ao contrário de seu pai, estava longe de ser gentil com o príncipe. Ademais, consideravam que os Battenbergs não tinha estatuto real suficiente para se casar com uma neta do imperador da Alemanha, devido ao facto de Alexandre ser filho de uma plebeia.

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Reinado

Unificação da Bulgária

Desde o período imediatamente posterior ao Congresso de Berlim (1878), existia entre os búlgaros um forte desejo de unificação nacional, frustrado pela divisão do território búlgaro entre o Principado da Bulgária e a província autónoma da Rumélia Oriental. A população da Rumélia Oriental desejava a integração com o Principado da Bulgária, partilhando identidade cultural e linguística. Internamente, a unificação foi vista como afirmação de soberania e coesão nacional. Externamente, procurava-se reforçar a posição do país face à influência russa e otomana. Em 29 de agosto de 1885, os representantes do Comité Central Revolucionário Búlgaro Secreto, Sava Mutkurov e Dimítar Rizov, chegaram a Shumen, onde decorriam manobras militares das tropas principescas. O príncipe Alexandre assegurou-lhes o seu apoio, embora o primeiro-ministro Petko Karavelov considerasse a iniciativa prematura. Motivado por considerações de ordem externa e financeira, Karavelov tencionava impedir mais uma acção unionista, mas foi surpreendido pelo desenrolar dos acontecimentos.

Guerra Servo-Búlgara

Perante a ameaçadora reação da Sérvia, que concentrava tropas nas proximidades das fronteiras búlgaras, o príncipe Alexandre procurou evitar o ataque, apostando nas suas relações amistosas com o rei Milan I. Dimităr Grekov, confidente do príncipe e antigo ministro, foi enviado ao monarca sérvio no início de outubro com garantias escritas de que a Bulgária unificada não nutria intenções agressivas para com Belgrado. A carta não fazia qualquer menção a compensações territoriais para a Sérvia, razão pela qual Milan respondeu negativamente à missiva do príncipe. Em 2 de novembro de 1885, quando Milan declarou guerra à Bulgária, o príncipe Alexandre encontrava-se em Plovdiv. No dia seguinte, já estava em Sófia e, na qualidade de comandante-em-chefe, convocou um conselho de guerra com a participação de ministros e altos oficiais militares, com o objetivo de aprovar um plano de ação. Apesar do significativo superioridade numérica do exército sérvio de Nišava, foi decidido que as forças do Corpo Ocidental enfrentariam combate na posição de Slivnica até à chegada das principais forças do sul da Bulgária. Esta decisão arriscada foi preferida ao plano inicial de Alexandre de retirada de Sófia e combate decisivo nas elevações de Ihtiman. A retirada de Slivnitsa foi discutida no final do primeiro dia da Batalha de Slivnitsa, em 5 de novembro, mas prevaleceu a opinião de que manter Sófia era de importância primordial por razões políticas e psicológicas. Ainda assim, o príncipe ordenou que os comandantes estivessem preparados para uma retirada e que o governo em Sófia enviasse o tesouro do Estado para um local seguro na província e o arquivo do palácio para a legação alemã.

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Últimos anos

No final de 1886 e início de 1887, foi iniciada uma campanha para encontrar um novo príncipe búlgaro, mas Alexandre I não foi descartado. Apesar disso, recusou firmemente os repetidos apelos para que retornasse. Entre os candidatos estava o seu pai, que também recusou. O seu estilo de vida pessoal tornou-se alvo de pressões externas, incluindo perseguições por parte do chanceler alemão Otto von Bismarck devido aos seus remotos planos matrimoniais com a princesa Vitória da Prússia. Em 1889, Alexandre recebeu do imperador da Áustria o direito de adotar o título de conde e o sobrenome de Hartenau, nome de uma pequena propriedade familiar em Hesse. Ingressou no serviço militar austríaco sob o nome de Conde Alexandre de Hartenau e estabeleceu-se em Graz. Alcançou o posto de general-maior e comandou a 11.ª brigada de infantaria. Em 1889, contraiu, assim como o seu pai, um casamento morganático com a sua amante, uma cantora de ópera chamada Johanna Loisinger, com quem teve dois filhos, (Asen e Tsvetana).

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Árvore genealógica

Árvore genealógica de Alexandre na altura da sua morte em 1893

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