Papa Alexandre VI
Alexandre VI (em latim: Alexander VI; em valenciano: Alexandre VI; em espanhol: Alejandro VI), nascido Roderic Llançol i de Borja; foi o 214.º Papa da Igreja Católica e Soberano dos Estados Papais de 11 de agosto de 1492 até a data de sua morte.
Foram seus pais Jofré de Borja i Escrivà e Isabell de Borja, irmã do cardeal Alfonso de Borja, o Papa Calisto III. Era primo-irmão do cardeal Luis Juan de Milà y Borja, e pai do também cardeal César Borgia. Tio-avô dos cardeais Juan de Borja Llançol de Romaní, Pedro Luis de Borja Llançol de Romaní, Francisco Lloris y de Borja e trisavô do Rodrigo Luis de Borja e de Castre-Pinós. Filhos com maternidade não registrada foram: Seu relacionamento com a dama romana Vannozza dei Cattanei começou em 1470, e fruto dele nasceram quatro filhos: Com Giulia Farnese teve, possivelmente, uma filha:
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Rodrigo estudou em Roma; mais tarde, foi enviado a Universidade de Bolonha com seu primo Luis Juan del Milà, e obteve doutorado em direito. Recebeu um benefício em Játiva em 1444. Sacrista ou chantre de Valência, 1445. Cônego dos capítulos das catedrais de Valência, Barcelona e Segorbe em 1448. Pastor de Culera, vigário de Alzira e chantre de Játiva, 1449. Nomeado por seu tio, o papa, notário apostólico em 10 de maio de 1455. Reitor de Santa Maria de Jativa em 3 de junho de 1455; ao mesmo tempo, recebeu também outros benefícios em Valência. Criado cardeal-diácono em segredo no consistório de 20 de fevereiro de 1456, mas com a ordem aos cardeais de admiti-lo ao conclave, como havia sido feito com o cardeal Angelo Capranica por ordem do Papa Martinho V; publicado em 17 de setembro de 1456 com a diaconia de S. Nicola em Carcere; recebeu o chapéu vermelho em 17 de novembro. Nomeado reitor do hospital S. Andrea, Vercelli, em 21 de agosto de 1456. Partiu para Bolonha em 18 de outubro de 1456; retornou em 16 de novembro. Nomeado legado a latere em Marche Anconitana em dezembro de 1456; partiu para sua legação em 19 de janeiro de 1457. Nomeado vice-chanceler da Santa Igreja Romana em 1º de maio de 1457. Retornou de sua legação em 26 de novembro de 1457. Nomeado generalíssimo das tropas papais na Itália.
Nesta época o Colégio dos Cardeais era composto em grande parte por membros das principais famílias de Itália, que representavam um principado, e cuja eleição para papa consequentemente os favorecia. Os principais candidatos para esta eleição eram Rodrigo Borgia, considerado independente, Ascanio Sforza, que representava Milão e a família Sforza, e Giuliano della Rovere, que tinha o apoio da França. Rodrigo Bórgia foi eleito a 11 de agosto de 1492, escolhendo o nome de Alexandre VI para o seu pontificado. Foram criados rumores de que a sua eleição só foi possível devido à compra de votos da sua parte; no entanto, isso não foi concretamente provado, e outros candidatos, especialmente Giuliano della Rovere, são suspeitos de terem feito o mesmo. Coroado em 26 de agosto de 1492, nos degraus da Basílica de São Pedro, pelo cardeal protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini.
O papado de Alexandre VI começou tranquilo, mas não tardou para que se manifestasse sua ganância em sacrificar todos os interesses em favor da família. Nomeou Cardeais o seu filho de dezesseis anos, César Bórgia, os seus sobrinhos Francisco Borgia e Juan Lanzol de Bórgia de Romaní, o maior, um primo deste último Juan Castellar y de Borgia (it. Giovanni), os seus sobrinhos-netos Juan de Borja Llançol de Romaní, o menor, Pedro Luis de Borja Llançol de Romaní e Francisco Lloris y de Borja e o cunhado do seu filho César, Amanieu d'Albret. César seria posteriormente retratado por Maquiavel em sua obra O príncipe como o ideal do político e governante pragmático. O cardeal Della Rovere o acusou de simonia, e trouxe o rei da França Carlos VIII para depô-lo, mas Bórgia fez um acordo, permitindo o trânsito dos exércitos franceses, e foi reconhecido como Papa pelo rei francês. Enquanto isto, ele negociou com o imperador alemão Maximiliano I e os governantes da Espanha e Veneza uma aliança, que derrotaram os franceses.
Embora não se saiba ao certo o motivo da sua morte, devido ao período em que se sucedeu, as duas hipóteses mais prováveis são envenenamento ou malária. A malária era comum em Roma, principalmente nos meses de verão, e para a qual não havia cura no século XVI. O envenenamento é uma forte hipótese também, já que a 12 de agosto de 1503, não só ele começou a ter sintomas, inicialmente febre e vómitos, como também o seu filho, Cesare Borgia, aos 27 anos de idade, teve os mesmos problemas que o seu pai. Alexandre VI morre a 18 de agosto e o seu túmulo encontra-se na igreja de Santa Maria de Monserrato.
Alguns historiadores consideram que as histórias sobre ele foram escritas com malícia, e questionam as acusações feitas contra ele, mas, exageros à parte, ele não estava preparado para o cargo. De acordo com John Farrow, o melhor que se pode dizer dele é que sua moral privada não era diferente dos príncipes de sua época, e que, se as histórias soam escandalosas hoje, na sua época não causavam nenhuma surpresa. Avaliação semelhante é realizada pelo historiador Leandro Rust, que, demonstrando as evidências históricas sobre o comportamento da família Bórgia, destaca a influência exercida pelo imaginário político contemporâneo criado em torno de Alexandre VI como símbolo do papado a ser combatido pelos nacionalistas durante o Risorgimento: "Há um “problema Bórgia” no estudo da história. Desde o século XIX, tudo o que diz respeito a esta família é colocado de modo visceral, superlativo. Os vícios parecem sempre maiores quando se trata de Alexandre VI, os comportamentos são apresentados com tons de degeneração e corrupção sem iguais, que parecem nunca ter se repetido. Em consequência, o tema fica colocado nos termos de um “ou tudo ou nada”: ou se está a favor ou contra os Bórgia".
A favor
Nem todos seus contemporâneos o acusaram. Sigismundo Conti, que o conhecia bem, elogiou sua dedicação à Igreja e sua atuação nos trinta e sete anos em que foi cardeal (nos papados de Pio II, Paulo II, Sixto IV e Inocêncio VIII), seu trabalho como legado na Espanha e na Itália, seu conhecimento da etiqueta, e seus esforços em se mostrar brilhante nas conversas e digno em seus modos. Hieronimus Portius o descreveu como um homem alto, nem muito pálido nem muito moreno, de olhos negros, de boca cheia; sua saúde era ótima, e ele conseguia resistir a qualquer esforço; era eloquente no discurso e uma natureza boa. O historiador alemão Hartmann Schedel, após fazer um resumo de sua carreira, o descreve como um homem de visão ampla, abençoado com grande prudência, habilidade de ver o futuro, e conhecimento do mundo. Por seu conhecimento dos livros, apreciação da arte e probidade, ele foi um sucessor digno do seu tio Calisto III. Ele era amável, confiável, prudente, piedoso e conhecedor dos assuntos relacionados ao seu digno cargo. Schedel termina dizendo que foi uma bênção que uma pessoa com tantas virtudes tenha sido elevada a esta posição digna.
Contra
O julgamento de Savonarola, porém, foi diferente. Ele escreveu aos reis cristãos pedindo que fosse convocado um concílio para depô-lo, o acusando de simonia, heresia e descrença. Ainda segundo Savonarola, Alexandre não era um papa, e não era nem cristão, porque não acreditava em Deus.
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Existem duas recentes séries televisivas baseadas na família Bórgia no período do Papa Alexandre VI. A mais conhecida, The Borgias, foi lançada pelo canal Showtime, e Jeremy Irons interpreta o papel do Papa. Conta com três temporadas mas foi cancelada sem ter terminado a história. O criador da série, Neil Jordan, escreveu o final sob a forma de eBook para os fãs. Já a série Borgia, é uma produção Europeia e foi criada por Tom Fontana, conhecido pela série Oz. Conta com três temporadas, mas conclui a sua história em 1507 com a morte do filho do Papa Alexandre VI, César Bórgia.==Referências==


