Eduardo Paes
Eduardo da Costa Paes GOMA é um bacharel em direito e político brasileiro, filiado ao Partido Social Democrático (PSD). Foi prefeito do Rio de Janeiro por 4 mandatos, exercendo o cargo entre 2009 a 2017 e entre 2021 a 2026. Ele renunciou em março de 2026 para disputar o Governo do Estado.
Eduardo da Costa Paes nasceu e foi criado no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na juventude, mudou-se com os pais para o bairro de São Conrado, também na zona sul da cidade. Formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) mas a entrada desde cedo na política não lhe permitiu exercer a advocacia de forma efetiva. É bacharel em direito, sem registro na OAB.
Após formar-se, Paes começou sua carreira política, aos 23 anos, como Subprefeito da Zona Oeste I (Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, e bairros próximos) permanecendo no cargo entre 1993 e 1996 durante o primeiro mandato do então prefeito Cesar Maia, o qual conheceu durante movimentos para a criação do RiOrla (programa que reformaria as calçadas da orla carioca e criaria as primeiras ciclovias da cidade) em 1990, durante o mandato de Marcello Alencar. Na época, trabalhou em prol da disciplina na ocupação do solo urbano, sua missão era impor ordem à expansão daquela região, que estava a pleno vapor. O sucesso como executivo na administração municipal fez de Paes o vereador mais votado do país de 1996 através do Partido da Frente Liberal (PFL), com 82 418 eleitores. Paes foi presidente da Comissão de Orçamento na Câmara, na qual criou o orçamento cidadão, que possibilitava à população participar das decisões a respeito da utilização dos recursos da prefeitura.
Candidatura à prefeitura carioca
Em outubro de 2007, Eduardo Paes é lançado pelo PMDB como candidato à prefeitura do Rio. Seu nome sofreu a princípio alguma contestação dentro do PMDB, por parte de outro pré-candidato, Marcelo Itagiba, ex-Secretário de Segurança do governo de Anthony Garotinho (1999-2002). Itagiba alegava que a candidatura de Eduardo Paes poderia ser indeferida, sob a alegação de que ele teria se desincompatibilizado de seu cargo de secretário após a data-limite. Entretanto, este argumento mostrou-se improcedente e o TRE deferiu sua candidatura. Com o apoio de Lula, Eduardo Paes é eleito prefeito da cidade do Rio de Janeiro no segundo turno das eleições de 2008. Após ir ao segundo turno, Eduardo Paes contra Fernando Gabeira, disse estar arrependido das críticas feitas a Lula, chegando a escrever-lhe um pedido de desculpas às vésperas da eleição.
Após a eleição de Paes, eleitores de Gabeira, agrupados no Movimento Pró-democracia, fazem o primeiro protesto no dia 31 de outubro de 2008. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. No dia 1.º de janeiro de 2009, assumiu a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, sem o comparecimento de Maia na cerimônia, o ato foi feito pelo Governador Cabral, no Palácio Guanabara. No primeiro dia de seu mandato, Eduardo Paes publicou o decreto 30 340, que rescindia o sistema de aprovação automática na rede municipal de ensino, como prometido durante sua campanha. A publicação revogou o decreto 28 878, instituído durante a gestão César Maia, que previa a progressão automática no sistema de aprovação automática na rede municipal de ensino. Paes também apresentou um novo logotipo da prefeitura substituindo o que foi usado entre os anos de 1993 e 2008. No primeiro ano de mandato, 2009, Eduardo Paes concentrou suas atuações no Choque de Ordem, uma operação geral de combate à desordem urbana na cidade. A ação, coordenada por uma nova secretaria criada para gerir o assunto, a secretária especial de Ordem Pública, era realizada por guardas municipais, fiscais de controle urbano, policiais militares e civis, equipes da Comlurb e do Detro. O objetivo seria atacar situações que incomodam o dia-a-dia do carioca, inibindo ambulantes informais, flanelinhas, transporte pirata, construções irregulares, população de rua, publicidade não autorizada, desrespeito no trânsito e desordem nas praias. Foram criadas também as seis secretarias: Conservação, Combate e Prevenção às Drogas, Defesa do Consumidor, Promoção e Defesa aos Animais, Qualidade de Vida e Envelhecimento Saudável e a Secretaria Especial da Copa-2014 e Rio-2016.
Segundo mandato (2013–2017)
Ao final de seu primeiro governo, Eduardo Paes candidatou-se à reeleição pelo PMDB, obtendo votação expressiva de 2 097 733 votos, de um total de 3 247 070 votos válidos na cidade. Foi eleito com uma ampla coligação de partidos (PRB / PP / PDT / PT / PTB / PMDB / PSL / PTN / PSC / PPS / PSDC / PRTB / PHS / PMN / PTC / PSB / PRP / PSD / PC do B / PT do B), sendo o candidato a prefeito mais bem votado do país, e tendo superado as candidaturas de Marcelo Freixo (PSOL), Cesar Maia (DEM), Aspásia Camargo (PV), entre outras. Em 2013, foi inaugurado por Paes o piscinão da Praça da Bandeira, um dos pontos da cidade famosos por problemas de alagamento. O sistema anti-alagamentos da área da Grande Tijuca, sendo montado pelo prefeito neste momento, contava com dois piscinões que já estavam com obras em andamento (os das praças Varnhagen e Niterói) e mais dois reservatórios a serem construídos (um no alto Grajaú e outro na Rua Heitor Beltrão), formando um cinturão de drenagem da água dos rios Maracanã, Joana, Trapicheiros e Jácó. Em outubro de 2015 inaugurou o piscinão sob a Praça Niterói, e para 2016 estava previsto a inauguração do piscinão da Praça Varnhagen, e o desvio do Rio Joana. Em junho de 2016, Paes inaugura o piscinão da praça Varnhagem, com capacidade para 43 milhões de litros. Era o quinto piscinão inaugurado por Paes: um na Praça da Bandeira, com capacidade de 18 milhões de litros, e os três da Praça Niterói, que juntos recebem 58 milhões de litros. Já o desvio do Rio Joana foi inaugurado apenas em 2019, já na gestão de Marcelo Crivella.
Em 2017, após deixar o cargo de prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes mudou-se para os Estados Unidos, onde residiu cerca de um ano em Nova Iorque e em Bethesda. Nos EUA, trabalhou como consultor do departamento de urbanismo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com foco na gestão de regiões metropolitanas. Paes também foi consultor e vice-presidente para América Latina da BYD Auto, uma fabricante chinesa de caminhões e de carros elétricos, função esta que o fazia viajar constantemente para diversos países da América Latina. Em 2018, o ex-prefeito do Rio de Janeiro abriu uma filial da BYD voltada para a América Latina, cujo escritório fica no Edifício Rio Branco 1, situado em frente à Praça Mauá, revitalizada durante sua gestão como prefeito. Paes também cogitava lecionar como professor de gestão pública na Universidade Columbia, mas desistiu de tal função.
Candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2018
Nas eleições de 2018, Eduardo Paes foi candidato a governador do estado do Rio de Janeiro. Em virtude disto, deixou o MDB, partido do qual faziam parte lideranças políticas fluminenses que foram presas entre 2016 e 2017 como Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados), Jorge Picciani (ex-presidente da Alerj) e Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro). Em abril de 2018, Paes filiou-se ao Democratas (DEM) junto com o deputado federal Pedro Paulo Carvalho. Após meses negando publicamente que fosse pré-candidato, Eduardo Paes anunciou somente no dia 26 de julho de 2018, após reunião com o general Walter Souza Braga Netto (interventor federal na segurança pública do estado do RJ) na sede do Comando Militar do Leste, que seria candidato a governador do Rio de Janeiro nas eleições de 2018.
Candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2020
Foi novamente candidato à Prefeitura em 2020, em uma eleição marcada pelos impactos da pandemia. Sua candidatura fez parte da coligação CIDADANIA / DC / PV / AVANTE / PL / DEM / PSDB, e Paes foi conduzido como primeiro colocado para o segundo turno com 974 804 votos (37,01%). O segundo colocado foi o então Prefeito Marcelo Crivella, que teve 576 825 votos (21,90%). No segundo turno, foi novamente eleito Prefeito do Rio de Janeiro com 1 629 319 votos (64,10%), enquanto Marcelo Crivella teve 913 700 votos (35,90%).
Candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024
Pela quarta vez, Eduardo Paes se candidatou a reeleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro. O político foi reeleito no primeiro turno com 60,47% dos votos válidos, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro com uma ampla vantagem sobre o segundo colocado: o candidato e ex-ministro da Segurança Pública do governo Bolsonaro Alexandre Ramagem, que registrou 30,81% dos votos válidos. Com este feito, Paes se tornou o único prefeito a ser eleito por 4 mandatos na história do município.
Com a sua vitória contra Marcelo Crivella na eleição municipal de 2020 Paes elegeu-se prefeito do Rio de Janeiro pela terceira vez. Ele tomou posse para o seu terceiro mandato em 1.º de janeiro de 2021. Seu secretariado foi anunciado um mês após a sua eleição. Eduardo Paes assumiu durante um dos piores picos da pandemia de COVID-19 no Rio de Janeiro e prometeu vacinar a população carioca com a primeira dose até outubro de 2021. A cidade do Rio ganhou destaque pelas iniciativas adotadas no combate à doença, como o calendário de vacinação por faixa etária, que depois foi seguido em todo o país. Outra iniciativa de Paes na área de saúde foi a inauguração do Super Centro Carioca de Saúde. Na eleição presidencial de 2022, apoiou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), organizando durante a campanha um comício na quadra da Portela para apoiar sua candidatura e a de André Ceciliano (PT) para o Senado Federal. Para as eleições do governo fluminense, participou da campanha do ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), indicando o vice de sua chapa, o ex-presidente da OAB Felipe Santa Cruz (PSD).
Legado Olímpico
No seu terceiro mandato, foi cumprida promessa de transformar as arenas olímpicas em escolas públicas, incluindo a construção de quatro Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs) com materiais oriundos da Arena do Futuro. Já a Arena Carioca 3, que recebeu o Taekwondo e Esgrima (Olímpiadas) e o Judô (Paralímpiadas) se transformou no Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado, hoje a maior escola da rede municipal, com 18 mil metros quadrados onde se dividem 24 salas de aula, laboratórios e refeitório. A piscina do Estádio Aquático foi transferida para o Parque Oeste, em Inhoaíba, e a Via Olímpica, circuito que conectava todo o Parque Olímpico, se transformou no Parque Rita Lee, inaugurado em 2024. Essas iniciativas fazem parte do Plano de Legado Olímpico que havia sido interrompido pelo governo anterior, de Marcelo Crivella, e gerava críticas da população, receosa com a deterioração do espaço que recebeu os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Porto Maravilha
Outro projeto que foi retomado no terceiro mandato de Eduardo Paes foi o Porto Maravilha, iniciado em 2009. Foram inaugurados programas na região com o objetivo de transformar a cidade na capital da inovação da América Latina, como o hub de pesquisa Porto Maravalley e o IMPA Tech, curso de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). O projeto Porto Maravilha atuou em uma área de 5 milhões de m² e dados de 2024 mostram que foram lançadas mais de 9 mil unidades habitacionais na região modernizada, o que corresponde a cerca de 30 mil novos residentes. A Região Portuária do Rio se tornou a área com maior número de concessões de licenciamentos para obras e construções na cidade, superando a Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
G20 no Rio
Em novembro de 2024, a cidade do Rio recebeu a cúpula do G20 e Eduardo Paes desempenhou papel central na organização do evento que reuniu chefes de Estado das 19 maiores economias do mundo, a União Africana, a União Europeia e outros líderes de países convidados para discutir temas como políticas econômicas, comércio internacional e desenvolvimento sustentável. Segundo o estudo "G20 em Dados", elaborado pela Prefeitura do Rio, o evento teve mais de 900 horas de programação, participação de 270 ministros e vice-ministros estrangeiros e 120 mil participantes. O G20 mobilizou a cidade do Rio por uma semana e teve como um dos marcos a realização, pela primeira vez, de uma cúpula do "G20 Social", com o objetivo de ampliar a participação da sociedade civil nas atividades e nos processos decisórios do grupo. De acordo com a Fundação João Goulart, o evento resultou em um impacto econômico estimado em quase R$ 600 milhões e contribuiu para o fortalecimento da imagem do Rio de Janeiro como uma cidade global.
Eleições municipais de 2024
Em 6 de outubro de 2024, Eduardo Paes foi reeleito prefeito do Rio de Janeiro pela quarta vez, no primeiro turno, com 60,47% dos votos válidos. Ele venceu Alexandre Ramagem, candidato do PL e de Jair Bolsonaro, que teve 30,81%, e Tarcísio Motta, do PSOL, 4,20%. No final de janeiro de 2026, Paes anunciou que deixaria a prefeitura no dia 20 de março para concorrer ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro nas eleições de outubro do mesmo ano. Na data anunciada, ele transmite o cargo para o vice Eduardo Cavaliere.
Após seu 2.º mandato como prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes foi alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) devido ao cancelamento ilegal de empenhos na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro em dezembro de 2016. De acordo com a ação, protocolada pela 2.ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania, Paes e outras três pessoas teriam cancelado R$ 1 448 080 185,74 em empenhos, que são uma espécie de promessa de pagamento ou reserva de dinheiro para alguma obra ou algum custeio. Segundo o promotor Alberto Camargo, tais empenhos seriam referentes a despesas rotineiras e serviços prestados durante a gestão do ex-prefeito e previstos para serem quitados na gestão seguinte. Os cancelamentos, que teriam ocorrido entre os dias 26 e 30 de dezembro de 2016, teriam acontecido de modo automático por meio de uma matrícula não vinculada, de forma centralizada pela Controladoria Geral do Município, sem análise prévia da ocorrência ou não dos respectivos fatos geradores. O MPRJ, na ação, sustenta que o ato de Eduardo Paes teve impacto direto nas prestadoras de serviços de órgãos municipais, resultando em juros moratórios, correção monetária e multas contratuais. O prejuízo causado aos cofres públicos é estimado em R$ 144 808 018,57, cerca de 10% dos empenhos cancelados. O Ministério Público solicitou à Justiça, em caráter liminar, que os alvos da ação civil público arcassem com o ressarcimento integral dos danos causados ao patrimônio público.
Polêmicas relacionadas a milícias
Em 2006, ano em que concorria ao cargo de governador do Rio de Janeiro, Paes fez um comentário sobre o grupo que então era conhecido como "polícia mineira" no bairro de Jacarepaguá, em uma entrevista ao RJTV, da TV Globo. Na ocasião, declarou o seguinte: Posteriormente, Eduardo Paes se posicionou publicamente contra as milícias e adotou medidas para combater o avanço dessas organizações criminosas na cidade do Rio de Janeiro. Em 2009, no seu primeiro mandato, criou a Secretaria de Ordem Pública (Seop), órgão que entre outras atribuições tem sido responsável pela fiscalização e demolição de construções irregulares. Segundo dados divulgados em 2024 pela Prefeitura, 70% das demolições ocorreram em áreas controladas pelo crime organizado, sendo 55% delas na Zona Oeste da cidade. O levantamento mostra que no último mandato de Paes foi realizada a demolição de mais de 4 mil construções irregulares, causando um prejuízo de R$ 1 bilhão ao crime organizado (milícia, tráfico e narcomilícia).
Empresas da família no Panamá
No dia 5 de dezembro de 2013, o site Brasil 247 revelou o registro de duas empresas offshore, abertas no Panamá e pertencentes à família de Eduardo Paes. As empresas, que se chamam Conval Corporation e Vitznau International Corporation, foram constituídas nos dias 12 e 19 de junho de 2008, respectivamente, dias antes de Paes ser escolhido em convenção como o candidato do PMDB (atual MDB) a prefeito do Rio de Janeiro na eleição daquele ano. Na época do furo, elas pertenciam a Valmar Souza Paes, a Consuelo da Costa Paes e a Letícia da Costa, respectivamente pai, mãe e irmã do ex-prefeito do Rio de Janeiro. Cada uma das empresas possuía um capital social de US$ 4 milhões, totalizando US$ 8 milhões.
Acusações de caixa dois
Em julho de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou todas as decisões do juiz Marcelo Bretas relacionadas aos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro, nas quais o prefeito Eduardo Paes foi mencionado em delações premiadas. Atualmente, Eduardo Paes não enfrenta nenhum processo criminal. Em delação premiada, executivos da Odebrecht (atual Novonor) afirmaram à força-tarefa da Operação Lava Jato que Eduardo Paes e o deputado federal Pedro Paulo Carvalho agiram juntos por caixa 2 em diversas campanhas eleitorais. Segundo os delatores Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo, Paes agia como "facilitador" das doações ilegais, enquanto que Pedro Paulo participava diretamente dos ajustes e da operacionalização das entregas. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou abertura de inquérito, no âmbito do STF, que investigará os possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com base em delações de três executivos do Grupo Odebrecht (atual Novonor).
Contrato com agência de comunicação
Em delação premiada, o publicitário Renato Pereira relatou ter atuado para direcionar, em 2015, o contrato de comunicação da prefeitura do Rio de Janeiro à agência FSB Comunicação. Renato alegou ter convencido Eduardo Paes a direcionar a licitação à FSB e ter acertado os detalhes do direcionamento com Guilherme Schleder, então integrante da Casa Civil. Em função do contrato, o marqueteiro teria recebido cerca de 30% dos lucros da empresa. O marqueteiro relatou que também atuou para direcionar o contrato de produção de material digital do portal Cidade Olímpica à FSB Digital. Em troca, a FSB foi obrigada a remunerar a Prole em 50% da renda com o contrato. Os valores, de cerca de R$ 100 mil mensais, eram pagos diretamente pela empresa RP Brasil Comunicações, pertencente aos mesmos sócios da FSB.
Uso inadequado de plano estratégico
Em decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) tomada no dia 11 de dezembro de 2017, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes e o deputado federal Pedro Paulo tornaram-se inelegíveis por oito anos. Ambos foram condenados por abuso de poder político-econômico e por conduta vedada a agente público por utilizarem o "Plano Estratégico Visão Rio 500", contratado e pago pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, como parte significativa do plano de governo de Pedro Paulo durante a campanha do deputado para o cargo de prefeito do Rio de Janeiro. Além da inelegibilidade, cada um foi condenado a pagar uma multa de aproximadamente R$ 106,4 mil. A ação, que foi inicialmente rejeitada pelo juízo da 176.ª Zona Eleitoral, havia sido proposta pela coligação "Mudar é Possível" (PSOL/PCB) por Marcelo Freixo e Luciana Boiteux. As defesas de Eduardo Paes e de Pedro Paulo alegaram na época que o Plano Estratégico era de domínio público e que sempre esteve acessível a qualquer candidato.
Chefs pagos pelo SENAC
Em março de 2018, a Folha de S.Paulo noticiou que dois chefs que trabalharam a serviço de Eduardo Paes durante sua gestão como prefeito do Rio de Janeiro tiveram seus salários pagos pelo SENAC. Contratados pela entidade em fevereiro de 2009, os chefs João Ferretti e Camila Pontes comandavam diariamente a cozinha do Palácio da Cidade durante os dois mandatos de Paes como prefeito. Os nomes de Ferretti e Pontes, no entanto, constam em uma lista de funcionários do SENAC contratados para atender interesses de políticos, funcionários esses chamados de "jabutis". Segundo Julio Cesar Gomes Pedro, ex-diretor do SENAC, a contratação de "jabutis" era parte de troca de favores com autoridades. A prática é semelhante à adotada por Orlando Diniz, ex-presidente do SENAC, junto ao ex-governador fluminense Sérgio Cabral. No caso do governo estadual, a contratação de "jabutis" era usada, segundo a Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, como contrapartida à participação de Diniz em um esquema de lavagem de dinheiro comandado por Cabral.


