João Alexandre da Bulgária
João Alexandre foi o imperador da Bulgária entre 1331 e 1371 durante o Segundo Império Búlgaro. Seu longo reinado é considerado um período de transição na história medieval da Bulgária. Além de lidar com problemas internos e ameaças externas, particularmente dos vizinhos, o Império Bizantino e a Sérvia, João também recuperou a economia e estimulou um renascimento cultural e religioso em seu império. Porém, as cada vez mais poderosas incursões do Império Otomano, as invasões húngaras pelo noroeste e a Peste Negra se mostraram demais para ele. Numa malfadada tentativa de combater todos estes problemas, ele dividiu seu país entre seus dois filhos, obrigando a Bulgária a enfrentar os otomanos dividida e enfraquecida.
Primeiros anos
João Alexandre era o filho do déspota Esracimir de Kran com Ceratza Petritza, uma irmã de Miguel Asen III, seu tio. Pelo lado do pai, João era também descendente dos Asen. Em 1330, ele foi nomeado déspota e governava a cidade de Lovech. Junto com o pai e o sogro, Bassarabe I da Valáquia, João participou da derrota para os sérvios na Batalha de Velebusdo em 1330. A derrota, combinada com a deterioração das relações com os bizantinos, precipitou uma crise interna, exacerbada ainda mais por uma invasão do Império Bizantino. Um golpe de Estado expulsou João Estêvão de Tarnovo em 1331 e os conspiradores o colocaram no trono. O novo monarca imediatamente se dedicou a consolidar sua posição recuperando os territórios recém-perdidos para os bizantinos. Ainda em 1331, João Alexandre marchou até Adrianópolis e reconquistou o nordeste da Trácia. Enquanto isso, Estêvão Uresis IV depôs o pai, Estêvão Uresis III, e assumiu como rei da Sérvia. Sua ascensão ajudou a normalizar a tensa relação entre búlgaros e sérvios, principalmente depois que João e Estêvão se aliaram. O pacto foi selado através do casamento do rei sérvio com Helena da Bulgária, uma irmã de João Alexandre, na Páscoa de 1332.
Relações com o Império Bizantino
No início da década de 1340, a relação com os bizantinos temporariamente se deteriorou. João Alexandre exigiu a extradição de seu primo Sismanes, um dos filhos de Miguel Asen III, ameaçando uma guerra se não fosse atendido. Contudo, a demonstração de força falhou, pois os bizantinos conseguiram perceber o blefe e enviaram contra os búlgaros a frota de seu novo aliado, o turco emir Umur Begue. Desembarcando no delta do Danúbio, eles atacaram as cidades que encontraram e saquearam a zona rural. Forçado a recuar, João invadiu o Império Bizantino novamente no final de 1341, alegando ter sido convidado pelo povo de Adrianópolis. Porém, ele foi derrotado duas vezes pelos turcos às portas da cidade.
Ascensão da Sérvia e a ameaça otomana
Na mesma época, o rei sérvio se aproveitou da guerra civil para conquistar territórios nas modernas regiões da Macedônia, Albânia e norte da Grécia. Em 1345, Estêvão Uresis se autoproclamou "imperador dos sérvios e dos gregos" e, no ano seguinte, se fez coroar como tal pelo recém-criado patriarca da Sérvia. Estes movimentos, recebidos com indignação pelos bizantinos, parecem ter sido apoiados pelos búlgaros, pois o patriarca da Bulgária, Simeão, participou da criação do Patriarcado da Sérvia e da coroação imperial. Na segunda metade da década de 1340, pouco restava dos sucessos iniciais de João Alexandre. Os aliados turcos de Cantacuzeno saquearam partes da Trácia búlgara em 1346, 1347, 1349, 1352 e 1354, aumentando o desastre da Peste Negra. As tentativas de expulsá-los fracassaram repetidamente: o terceiro filho de João Alexandre, o co-imperador João Asen IV, morreu em combate em 1349 e o herdeiro aparente Miguel Asen IV, em 1355 ou pouco antes.
Conflitos externos e instabilidade
Em seus próprios domínios, João Alexandre comprometeu a estabilidade interna ao se divorciar de sua primeira esposa, Teodora da Valáquia, por volta de 1349, para se casar com a judia convertida Sara Teodora. Ela deu a João mais filhos, que o imperador também coroou como co-imperadores: João Sismanes em 1356 e João Asen V em 1359. O último filho ainda vivo de seu primeiro casamento, o co-imperador João Esracimir, furioso, passou a governar de forma praticamente independente a partir de Vidin em 1356. Além disso, o controle de João Alexandre sobre alguns de seus poderosos vassalos, como os monarcas da Valáquia e de Dobruja, minguou conforme eles passavam a perseguir suas próprias políticas externas.
Durante o governo de João Alexandre, o Império da Bulgária entrou num período de renascimento cultural que é por vezes chamado de "Segunda Era de Ouro" da cultura búlgara — a primeira ocorreu durante o governo de Simeão, o Grande. Um grande número de mosteiros e igrejas foram construídos ou reformados por ordens do imperador, como atestam os retratos dele como doador no ossário do Mosteiro de Bachkovo e nas Igrejas Rupestres de Ivanovo, por exemplo. Documentos também comprovam que João Alexandre mandou reconstruir os mosteiros de Santa Mãe de Deus Eleusa (Teótoco Eleusa), São Nicolau em Mesembria e São Nicolau em Pernik durante seu reinado. Finalmente, João Alexandre mandou construir os mosteiros em Dragalevci e Kilifarevo. A literatura também floresceu no período e diversas importantes obras foram criadas no período, como a tradução da "Crônica" de Constantino Manasses para o búlgaro medieval (1344–1345), preservada nos Arquivos Secretos do Vaticano, o Tetraevangelia de João Alexandre (1355–1356), ricamente ilustrado, atualmente preservado na Biblioteca Britânica, o Saltério Tomić (1360), atualmente em Moscou, e o Saltério de Sófia (1337).
Com sua primeira esposa, Teodora da Valáquia (Teofana depois que se tornou uma freira), uma filha de Bassarabe I da Valáquia, João teve diversos filhos, incluindo: Com sua segunda esposa, Sara Teodora, ele também teve muitos filhos, incluindo:


