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Alexandre Ostrovski

Alexander Nikolayevich Ostrovsky (em russo: Алекса́ндр Никола́евич Остро́вский; foi um dramaturgo russo, geralmente considerado o maior representante do período realista russo. Autor de 47 peças originais, Ostrovsky "praticamente sozinho criou um repertório nacional russo". Seus dramas estão entre as peças de teatro mais lidas e frequentemente apresentadas na Rússia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Biografia

Primeiros anos

Alexander Nikolayevich Ostrovsky nasceu em 12 de abril de 1823, na região de Zamoskvorechye, em Moscou, filho de Nikolai Fyodorovich Ostrovsky, um advogado que havia recebido educação em seminário. Os ancestrais de Nikolai vieram da vila de Ostrov, na região de Nerekhta, na governadoria de Kostroma (nordeste de Moscou), daí seu sobrenome. Mais tarde, Nikolai Ostrovsky tornou-se um alto funcionário do estado e, como tal, em 1839 recebeu um título de nobreza com privilégios correspondentes. Sua primeira esposa (mãe de Alexander), Lyubov Ivanovna Savvina, vinha de uma família de clérigos. Por algum tempo, a família viveu em um apartamento alugado em Zamoskvorechye. Então, Nikolai Fyodorovich comprou um terreno em Monetchiki e construiu uma casa nele. No início de 1826, a família mudou-se para lá.

Carreira literária

Em meados da década de 1840, Ostrovsky escreveu numerosos esboços e cenas inspiradas nas atividades da comunidade mercantil de Zamoskvorechye e fez um rascunho para a peça chamada O Falido. Um trecho desta comédia ("Cenas da comédia O Falido") foi publicado na edição nº 7, de 1847, do Moskovsky Gorodskoi Listok (em russo: Московский городской листок )[nota 2] como uma colaboração com o ator e dramaturgo menor Dmitry Gorev, que co-escreveu uma cena. Também no Listok apareceram (sem assinatura) "Quadros da Vida em Moscou" e "O Quadro da Felicidade Familiar", dois conjuntos de cenas que foram posteriormente publicadas em Sovremennik (nº 4, 1856) sob o título O Quadro de Família (Семейная картина). Ostrovsky considerou este seu primeiro trabalho original e o ponto de partida de sua carreira literária.

1867–1874

Em 1867, Ostrovsky caiu em depressão, sentindo-se inútil e solitário. Tushino (1867), rejeitada por todas as principais revistas, só pôde ser publicada pelo humilde Vsemirny Trud. Após a tentativa de assassinato de Dmitry Karakozov, muitos dos amigos influentes de Ostrovsky perderam seus cargos. Para sobreviver, ele se voltou para traduções e escreveu libretos. As coisas mudaram quando Nekrasov tornou-se chefe da Otechestvennye Zapiski. Ostrovsky foi calorosamente recebido e estreou lá em novembro de 1868 com Estupidez Suficiente em Cada Homem Sábio (На всякого мудреца довольно простоты). Tendo como referência sua 'pior inimiga', a opereta que veio da França para conquistar Petersburgo e expulsar as peças de Ostrovsky dos repertórios teatrais, ele escreveu "Ivan-tsarevich", um conto de fadas irônico, cujo enredo do folclore russo se misturava com paródia moderna e farsa. A falta de finanças forçou Ostrovsky a cancelar o projeto, mas a ideia logo foi revivida em Estupidez Suficiente em Cada Homem Sábio, um panfleto escrito em linguagem contemporânea, mas ambientado no Moscou dos velhos tempos. Foi seguida por O Coração Ardente (Горячее сердце, 1869), parte ficção policial, parte conto de fadas ingênuo, parte panfleto moderno dirigido aos comerciantes de Moscou que compravam enormes terrenos de aristocratas. O personagem principal Khlynov tinha forte semelhança com o comerciante milionário de Moscou M.A. Khludov, que se tornou famoso por seus projetos e travessuras bizarras. A estreia de O Coração Ardente no Maly em 15 de janeiro de 1869 (um benefício para Prov Sadovsky, que interpretou Kuroslepov), foi triunfante.

1874–1880

No início da década de 1870, as peças de Ostrovsky tornaram-se mais experimentais, tiveram pouco sucesso no palco e foram mais ou menos mal vistas pelos críticos. "A Impotência do Pensamento Criativo", título do artigo de Nikolai Shelgunov na revista Delo, refletia o clima geral. Enquanto antigamente Ostrovsky era criticado por ser demasiado épico e prestar pouca atenção à forma, Amor Tardio (Поздняя любовь, 1873) e Lobos e Ovelhas (Волки и овцы, 1875), com seu perfeito mecanismo interno de ação e brilho técnico, eram vistos como "de estrutura demasiado francesa". "Estou perdido, sendo repreendido de todos os lados pelo meu trabalho, no qual fui totalmente honesto", queixou-se Ostrovsky a Nekrasov em uma carta de 8 de março de 1874.

Últimos anos

No outono de 1883, Ostrovsky fez uma viagem ao Cáucaso. A recepção suntuosa que recebeu na Geórgia comoveu-o até as lágrimas. Revigorado e cheio de novas esperanças, Ostrovsky voltou e rapidamente terminou Culpado Sem Culpa (Без вины виноватые). Em casa, porém, encontrou-se novamente em dificuldades financeiras. "Estou no limite, não há saída: Maria Vasilyevna está doente, todas essas preocupações me quebraram totalmente, meu coração vacila e muitas vezes desmaio. Nenhum dos teatros me paga e estou endividado", escreveu a Fyodor Burdin. No início de 1884, Ostrovsky finalmente recebeu uma pensão pessoal da Corte, algo que havia solicitado 15 anos antes e lhe foi negado. Mikhail Ostrovsky, agora um dos ministros de Alexandre e membro do Conselho de Estado da Rússia Imperial, mencionou as dificuldades financeiras de seu irmão ao czar e o problema foi resolvido em um minuto. Os sentimentos de Ostrovsky eram ambivalentes, no entanto: 3 mil rublos por ano não era uma quantia grande e havia também um tom de humilhação na maneira como foi obtida. Ainda assim, em 5 de março de 1884, Ostrovsky foi ao Palácio para ver Alexandre III e teve uma conversa de 15 minutos com o monarca. O czar perguntou por que o autor havia escolhido um herói como O Homem Bonito (Красавец-мужчина), uma peça sobre um cafetão. "Tal é o espírito do nosso tempo", respondeu Ostrovsky simplesmente.

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Vida privada

Em 1847, Ostrovsky conheceu Agafya Ivanovna, uma mulher de 24 anos de classe média baixa que vivia no bairro do Yauza, e aproximou-se dela. Nada se sabe sobre ela, exceto que sua irmã se chamava Natalya Ivanovna Belenkova (mas esse sobrenome pode ter pertencido ao marido dela). Segundo Lakshin, havia forte possibilidade de seus pais serem ex-servos; nesse caso, seu sobrenome certamente seria Ivanova. Apesar da forte objeção de seu pai, em meados de 1849, Ostrovsky, enquanto a família estava ausente, levou Agafya para a casa como sua companheira civil. O casamento estava fora de questão e Gasha (como era conhecida) nunca o exigiu. Ostrovsky aparentemente não esperava que esse relacionamento fosse duradouro, mas provou-se o contrário e Gasha ficou com ele até sua morte em 1867. Mal educada, mas mulher talentosa e inteligente, ela tinha profundo conhecimento da vida das classes baixas e certamente exerceu alguma influência sobre o dramaturgo.

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Adaptações musicais

Várias peças de Ostrovsky foram transformadas em óperas. A peça A Tempestade (Groza) foi a inspiração por trás da ópera Káťa Kabanová de Leoš Janáček. A ópera russa mais notável baseada numa peça de Ostrovsky é A Donzela da Neve (Snegurochka) de Nikolai Rimsky-Korsakov. Tchaikovsky também escreveu música incidental para esta peça. Ostrovsky é conhecido fora dos países de língua russa principalmente por causa dessas duas obras. Sua comédia de 1854 Não Viva Como Quer foi adaptada como a ópera trágica O Poder do Demônio (estreada em 1871) por Alexander Serov. O drama histórico O Voyevoda (Sonho no Volga) foi transformado em duas óperas: uma por Pyotr Tchaikovsky (como O Voyevoda) e mais tarde outra por Anton Arensky intitulada Sonho no Volga. Tchaikovsky também escreveu posteriormente música incidental para uma cena da peça.

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Legado

Alexander Ostrovsky é considerado um dos mais importantes dramaturgos russos do século XIX, creditado por trazer o realismo dramático ao palco do teatro russo. Suas peças mais conhecidas, nas quais ele retratou meticulosamente a sociedade russa de seu tempo, focando na moral e nos costumes da classe mercantil emergente, foram extremamente populares durante sua vida e permanecem parte integrante do repertório russo. São estimadas por sua caracterização hábil e uso do dialeto. Ostrovsky escreveu 47 peças originais com 728 personagens, "um mundo real próprio onde algumas figuras podem parecer semelhantes, mas não há duas iguais", segundo Y. Kholodov. "O mundo de Ostrovsky era excepcionalmente diverso, assim como seu conjunto de formatos: ele escreveu dramas, crônicas históricas, cenas da vida moscovita, um conto de fadas primaveril e um estudo dramático... Seu legado poderia ser visto como uma peça sem fim encenada em um único palco, o da Rússia dos últimos três séculos", continuou o crítico. Seu trabalho dividiu os críticos, e enquanto Apollon Grigoriev entusiasmava-se com sua originalidade e Nikolai Dobrolyubov elogiava sua franqueza social, alguns (como Nikolai Chernyshevsky) criticavam o autor por ser piegas e sentimental em relação aos hábitos e costumes patriarcais. Os críticos politicamente neutros e a comunidade teatral em especial, no entanto, amavam seu trabalho e as melhores estrelas do palco russo, como Sadovsky, S. Vasilyev, Stepanov, Kositskaya e Borozdina, estavam totalmente ao seu lado.

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Fontes consultadas

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