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Revolução Americana

A Revolução Americana, ou Revolução Americana de 1776, foi uma revolução político-ideológica que ocorreu na América Britânica entre 1765 e 1791. Teve suas raízes na assinatura do Tratado de Paris, que, em 1763, finalizou a Guerra dos Sete Anos. Ao final do conflito, o território do Canadá foi incorporado pela Grã-Bretanha. Neste contexto, as treze colônias representadas por Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova Hampshire, Nova Jersey, Nova Iorque, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia começaram a ter seguidos e crescentes conflitos com a metrópole britânica, pois, devido aos enormes gastos com a guerra, a metrópole aumentou a exploração sobre essas áreas. Constituiu-se em batalhas desfechadas contra o domínio britânico. Movimento de ampla base popular teve como principal motor a burguesia colonial e levou à proclamação, no dia 4 de julho de 1776, da independência das Treze Colônias — os Estados Unidos, primeiro país dotado de uma constituição política escrita codificada e ainda em uso.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Atritos

A Guerra dos sete anos, terminada com vitória da Inglaterra sobre a França (Tratado de Paris, 1763), deixou a nação vencedora na posse de ricos territórios no continente americano, já colonizados, sendo reconhecido o seu direito de expandir o seu domínio em direção ao interior do continente. Esta possibilidade agradou aos colonos, que prontamente se prepararam para explorar e aproveitar novas terras, mas, para sua grande surpresa, o governo de Londres, por recear desencadear guerras com as nações índias, determinou que nenhuma nova exploração ou colonização de territórios pudesse ser feita sem a assinatura de tratados com os índios. Foi esta a primeira fonte de conflito entre os colonos e a Coroa britânica. Os colonos também acusavam os britânicos de manter exércitos permanentes em território americano e manter um judiciário forjado com julgamentos simulados, o uso de mercenários para ocupar o território americano.

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Consequências

Pela primeira vez na história da expansão europeia, uma colônia tornava-se independente dos países por meio de um ato revolucionário. E fazia-o não só proclamando ao mundo, no documento histórico aprovado no dia 4 de Julho, o direito à independência e à livre escolha de cada povo e de cada pessoa ("o direito à vida, à liberdade e à procura da felicidade" são definidos como inalienáveis e de origem divina), mas ainda construindo uma federação de estados dotados de uma grande autonomia e aprovando uma constituição política (a primeira da História mundial) onde se consignavam os direitos individuais dos cidadãos, se definiam os limites dos poderes dos diversos estados e do governo federal, e se estabelecia um sistema de equilíbrio entre os poderes legislativo, judiciário e executivo de modo a impedir a supremacia de qualquer deles, além de outras disposições inovadoras. O sucesso norte-americano foi descrito como tendo influenciado a Revolução Francesa (1789) e as subsequentes revoluções na Europa e América do Sul.

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A atuação indígena na Revolução

Os povos nativos que viviam nas Américas participaram de diferentes formas da Revolução Americana. Mesmo quando a Coroa Britânica reforçou a necessidade da criação de tratados com os indígenas para que a expansão iniciasse, os colonos optaram por não obedecer. O desejo da conquista americana por territórios no interior do continente pós Guerra dos Sete Anos provocou o deslocamento em massa de povos indígenas ao longo de séculos. Essa realocação modificou a vida de famílias indígenas a partir do momento em que abandonavam seu território em busca de proteção, longe dos conflitos e das violências geradas pela Revolução. As chamadas Guerras Indígenas, por outro lado, instigavam o contato direto em lutas pela adesão de territórios. Como aliados dos britânicos, os membros da Confederação Iroquesa que incluíam povos como Mohawk, Cayuga, Seneca e Onondaga, enfrentaram as tropas americanas defendendo à sua própria existência e permanência nos espaços que viviam. Após serem derrotados na Revolução Americana, a liga foi dissolvida e teve parte de seu território cedido aos americanos pela Coroa Britânica. Apesar disso, o enfrentamento desses povos garantiu, até certo ponto, a sobrevivência de suas múltiplas identidades e culturas no continente.

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Representações Subalternas

Ao analisar a historiografia da Revolução Americana, observa-se a limitada representação de sujeitos subalternos, entendidos como grupos historicamente marginalizados, entre os quais se incluem mulheres, povos indígenas e a população escravizada. Considera-se subalterno o sujeito que não teve sua experiência histórica registrada ou reconhecida, fenômeno associado ao fato de que grande parte das fontes documentais utilizadas na análise desse processo histórico, foi produzida por setores privilegiados da sociedade, com elevado status socioeconômico e acesso à alfabetização. Esses grupos foram responsáveis pela elaboração de registros que, em grande medida, excluíram a participação dos subalternos, resultando no apagamento de diversas experiências históricas. De acordo com Harrison Mark, uma leitura atenta das fontes disponíveis permite identificar a influência das mulheres no processo de independência dos Estados Unidos. Durante o período de tensões com a Grã-Bretanha, as mulheres passaram a exercer maior participação política, destacando-se como agentes centrais nos boicotes aos produtos britânicos por meio da substituição de importações por bens produzidos localmente. Além disso, cartas e diários do fim do século XVIII indicam o envolvimento feminino nas lutas contra as Leis intoleráveis, marchando ao lado de homens em manifestações. Também houve o destaque das mulheres no campo intelectual e literário, como Mercy Otis Warren e Phillis Wheatley que se manifestaram publicamente contra o domínio britânico. Apesar das contribuições, suas histórias permanecem fora das narrativas do senso comum, em razão do discurso histórico excludente. Logo, a Revolução Americana contou com a participação de diversos sujeitos subalternos, porém, esses raramente são reconhecidos como atuantes no processo revolucionário e frequentemente são colocados em uma posição secundária nas narrativas históricas.

Atuação das mulheres Afro-americanas

Os estudos sobre a Revolução Americana tradicionalmente destacam figuras masculinas, brancas e pertencentes a classes sociais elevadas, chamados de Pais Fundadores, entre elas George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, frequentemente apresentados como protagonistas do processo de independência das Treze colônias. Essa abordagem esta associada a uma narrativa histórica consolidada que priviligia determinados sujeitos, eventos e ideias. O conceito de "história oficial" é definido por Anita Leocadia Prestes como uma narrativa histórica legitimada por grupos detentores de poder, constituindo apenas uma entre as diversas formas possíveis de interpretação do passado. Segundo a autora, essa narrativa não esgota a complexidade dos processos históricos, nem invalida outras experiências e trajetórias que também participaram da construção histórica, ainda que tenham sido menos visibilizadas.

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Estratégia Hudson

O plano, que ficou conhecido como "estratégia Hudson", envolveu operações ao longo do rio Hudson, indo de Nova York ao Canadá. Este sempre fora um rio estrategicamente importante e, assumindo o controle, os líderes britânicos esperavam isolar a Nova Inglaterra rebelde das colônias mais moderadas do meio e do sul. A estratégia era atacar do norte passando pelo Canadá ao longo do rio Hudson. Essa invasão ao descer o vale do Hudson até Albany foi a estratégia de dividir e conquistar de Burgoyne. Seu plano era se reunir com outras tropas britânicas lideradas por Sir William Howe. Ao isolar a Nova Inglaterra de sua base de suprimentos ao sul, a Grã-Bretanha acreditava que a rebelião americana poderia ser estrangulada.

Primeiro erro

Dois exércitos britânicos foram encarregados de assumir o controle do Hudson. O maior, sob o comando de William Howe, subia o Hudson de Nova York, enquanto um exército menor, sob o comando de Guy Carleton, viajava rio abaixo do Canadá. O plano ficou um pouco confuso neste momento, pois não estava claro se os dois exércitos deveriam se reunir de fato, ou se eles simplesmente estabeleceriam várias fortalezas ao longo do rio. A primeira etapa da estratégia foi alcançada sem dificuldade quando Howe assumiu o controle de Nova York em setembro de 1776, mas o progresso de Carleton foi lento e ele acabou abandonando seu impulso de controle para o sul.

Erro na estratégia do sul

A Grã-Bretanha levou algum tempo para repensar seu plano. Eventualmente, os líderes de guerra britânicos concordaram que a guerra mudaria para o sul, com o objetivo de restabelecer o controle nas colônias do sul menos militantes. Isso teria o mesmo efeito de negar às colônias do norte sua base de suprimentos, mas exigiria a criação de um exército menor. Isso foi importante, porque a entrada da França na guerra havia mudado completamente a escala da luta. A Grã-Bretanha estava mais preocupada agora em proteger seus bens das Índias Ocidentais dos franceses. Começando na Carolina do Sul, com a captura de Charleston em 11 de maio de 1780, a Grã-Bretanha pretendia subjugar a região das colônias do sul por região, levantando forças leais para manter a paz enquanto o pequeno exército britânico avançava para o próximo alvo. Essa segunda estratégia britânica se desenrolou quando as forças leais se mostraram incapazes de igualar a milícia de patriota. Sempre que o exército britânico deixava uma área, a resistência surgia atrás dela.

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Cronologia

Além dos conflitos políticos, iniciou-se um movimento contra a carga tributária exercida pelos britânicos sobre a produção de açúcar (Sugar Act), e sobre a produção gráfica (Stamp Act). Além da cobrança excessiva de impostos, os britânicos em 1765 proibiram a abertura de estabelecimentos fabris nas colônias. Isto gerou uma onda de descontentamento dos colonizadores que para a América do Norte foram fazer fortuna. Iniciou-se então um sentimento de independência e de nacionalidade dos habitantes da região. Os ingleses vendo que a economia da colônia mostrava sinais de enriquecimento e vigor, resolveram forçá-la para baixo com a adição de novos impostos e sobretaxas de produção sobre a fabricação de tintas, vidro, papel e principalmente chá. Em 1773, devido à alta dos impostos, ocorreu em Boston a revolta do chá. Samuel Adams e John Dickinson fundaram a Sociedade dos Filhos da Liberdade. Na Filadélfia em 5 de Setembro de 1774, se reuniram os representantes das treze colônias no chamado então primeiro congresso continental. Neste encontro foi redigida uma declaração de direitos e exigido o retorno à situação anterior.

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Debates sobre os conceitos de "Revolução" e "Independência"

O termo "Revolução Americana" para caracterizar o processo de ruptura das treze colônias com a Coroa Britânica não é consenso. Revolução é um conceito que ilustra, de maneira geral, um processo de ruptura radical na organização estrutural de dada sociedade, de constituição do poder político, e que aponta para o futuro. O debate acerca da natureza do processo de Independência das Treze Colônias se baseia na discussão, em termos gerais, do quanto de rupturas e continuidades se obteve no processo. George Bancroft caracteriza tal processo como "revolução" por entender que a Independência foi um processo de ruptura total, quando as treze colônias teriam abraçado a defesa da liberdade. Ainda argumentando o caráter revolucionário da Independência, para Carl Becker e Charles Beard, a Independência foi um processo de dupla revolução, em que se rompeu com a monarquia britânica, mas que se formou um governo para ricos no interior das colônias, com a Constituição de 1788.

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