Pesquisa · Mapa mental

Jean de Bettencourt

Jean de Bettencourt, também conhecido por Jean de Béthencourt, Jean de Ventancorto ou João de Bentancour, foi um fidalgo normando e iniciador da conquista cristã das Canárias. Em conjunto com Gadifer de la Salle organizou em 1402 uma expedição destinada à conquista das ilhas e submissão das populações guanche. Tendo sucesso parcial na conquista, passou a usar o título de Rei das Canárias.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
01

Biografia

Imagem: dalbera · BY · Openverse

Jean de Béthencourt nasceu em 1362 no castelo de Grainville-la-Teinturière, Cany-Barville, Dieppe, Normandia, filho de João III de Béthencourt (1339 - ?) e de Marie de Bracquemont, (1340 -?) ambos da aristocracia normanda. O pai faleceu a 13 de Março de 1364 na batalha de Cocherel, tendo sua mãe casado em segundas núpcias com Roger Suhart. Foi irmão de Jorge de Bettencourt (1380 -?) que casou com D. Elvira Gonçalves de Ávila, Henri de Bettencourt (1400 - ?) que casou com D. Margarida de Bettencourt, e Maciot de Bettencourt (1380 -?). Cresceu no castelo de Grainville-la-Teinturière na companhia da mãe, do padrasto e de um tio materno, Matias de Braquemont, que entretanto havia casado em segundas núpcias com a sua avó paterna. A educação de Jean de Bettencourt parece ter sido confiada ao tio materno Reginaldo de Braquemont. Jean de Bettencourt usava o título de barão, graças à baronia de Saint-Martin-le-Gaillard, no condado d'Eu, e respectiva fortaleza, que havia herdado de sua avó Isabeau de Saint Martin. O castelo de Saint-Martin-le-Gaillard sobreviveu até 1419, ano em que foi arrasado pelos ingleses.

02

A expedição às Canárias

Conhecidas desde a antiguidade clássica, as Canárias eram em geralmente identificadas como sendo as ilhas Afortunadas. Depois de várias explorações de carácter comercial, e das tentativas frustradas de cristianização das ilhas capitaneadas em 1339 por Lançarote Mallocelo (ou Lançarote de França), que deu o nome à ilha de Lanzarote, e em 1345 por Luís de La Cerda, existia na Europa cristã um crescente interesse pelas ilhas. Nesse contexto, e provavelmente recorrendo aos contactos e experiências ganhos durante a expedição de 1390 ao Mediterrâneo, Jean de Bettencourt decide organizar, com outros nobres normandos, uma expedição às ilhas. Face à insuficiência dos 200 francos em ouro que obteve com a venda de alguns bens, hipotecou os seus senhorios na Normandia a seu tio Roberto de Braquemont por 5 000 libras, reunindo, com outros, os fundos necessários para a expedição. Os objectivos da expedição, para além das típicas motivações religiosas da época, centradas na conversão cruzadística de pagãos ao cristianismo, parecem ter sido a procura da urzela para tinturaria, de que a Normandia era carente e as Canárias abundantes, e a afirmação pessoal de Jean de Bettencourt, que, graças à proximidade do seu tio Roberto de Braquemont ao papa (na altura comandava a guarda do antipapa Bento XIII em Avinhão), podia aspirar ao apoio papal na concessão do senhorio das ilhas.

Le Canarien

A crónica da expedição às Canárias de Jean de Bettencourt e Gadifer de La Salle é conhecida como Le Canarien. Conhecem-se duas versões daquela crónica: a contida no códice Egerton 2 709 existente no Museu Britânico, em Londres, que teria sido começada pelos clérigos que acompanharam a expedição (Pierre Bontier e Jean le Verrier) e continuada pelo próprio Gadifer de La Salle entre 1410 e 1420; e a contida no códice Montruffet, existente na Biblioteca Municipal de Rouen, França, aparentemente feita com base no primeiro códice, mas com largas passagens reescritas por um sobrinho de Jean de Bettencourt por volta de 1490. O códice Egerton é claramente favorável às posições de Gadifer de La Salle, apresentando uma iluminura mostrando um dos navios da expedição ostentando no mastro as suas insígnias. Pelo contrário, o códice Montruffet defende as posições de Jean de Bettencourt, atribuindo-lhe os êxitos da expedição.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando