Aldredo
Aldredo ou Eldredo foi um clérigo inglês, abade de Tavistock, bispo de Worcester, e arcebispo de Iorque no início da Idade Média na Inglaterra. Está relacionado a uma série de outros eclesiásticos da época. Depois de se tornar monge no mosteiro de Winchester, foi nomeado abade na abadia de Tavistock por volta de 1027. Em 1046 foi nomeado para a diocese de Worcester. Aldredo, além de suas funções episcopais, serviu a Eduardo, o Confessor, rei da Inglaterra, como diplomata e líder militar. Esforçou-se para trazer da Hungria de volta à Inglaterra um dos parentes do rei, Eduardo, o Exilado, para garantir um herdeiro para o rei sem filhos.
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Aldredo provavelmente nasceu no oeste da Inglaterra, e pode estar relacionado com Lifingo de Winchester, seu antecessor como bispo de Worcester. Sua família, de Devonshire, pode ter sido abastada. Outro parente foi Vilstano ou Vulstano, que sob a influência de Aldredo tornou-se abade de Gloucester. Aldredo foi um monge no cabido catedralício da catedral de Winchester antes de se tornar abade da abadia de Tavistock por volta de 1027, cargo que ocupou até aproximadamente 1043. Mesmo após deixar o abaciado de Tavistock, continuou a manter duas propriedades da abadia até sua morte. Nenhum documento contemporâneo relacionado ao tempo de Aldredo como abade foi descoberto. Aldredo foi nomeado bispo de Worcester em 1046, cargo que ocupou até sua renúncia em 1062. Pode ter atuado como bispo sufragâneo, ou subordinado, de seu predecessor Lifingo, antes de assumir formalmente o bispado, já que a partir de cerca de 1043, Aldredo testemunhou como episcopus, ou bispo, e uma carta de 1045 ou início de 1046 nomeia Sitrico como abade de Tavistock. Lifingo morreu em 26 de março de 1046, e Aldredo tornou-se bispo de Worcester, pouco depois. Contudo, Aldredo não recebeu as outras duas dioceses que Lifingo possuía,: Crediton e Cornualha. O rei Eduardo, o Confessor (que reinou de 1043 a 1066), concedeu-as a Leofrico, que combinou ambas as sedes em Crediton em 1050.
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Aldredo era conselheiro do rei Eduardo, o Confessor, e frequentemente participava do governo real. Ele também era líder militar e, em 1046, liderou uma expedição malsucedida contra os galeses. Isso foi em retaliação a um ataque liderado pelos governantes galeses Gruffudd ap Rhydderch, Rhys ap Rhydderch, e Gruffydd ap Llywelyn. A expedição de Aldredo foi traída por alguns soldados galeses que serviam aos ingleses, e Aldredo foi derrotado. Em 1050, Aldredo foi a Roma "na missão do rei", aparentemente para garantir a aprovação papal para transferir a sede, ou centro, do bispado de Crediton para Exeter. Pode ter sido também para assegurar a liberação do rei de um voto de peregrinação, se acreditarmos nas fontes posteriores à conquista normanda. Enquanto estava em Roma, participou de um concílio papal, com seu colega inglês, o bispo Hermano. Naquele mesmo ano, quando Aldredo voltava para a Inglaterra, conheceu Sueno, um filho de Goduíno, Conde de Wessex, e provavelmente absolveu Sueno por sequestrar a abadessa da abadia de Leominster, em 1046. Por intercessão de Aldredo, Sueno foi restaurado ao seu condado, que havia perdido após sequestrar a abadessa e assassinar seu primo Beorn Estrithson. Aldredo ajudou Sueno não somente porque era um apoiador da família do conde Goduíno, mas também porque o condado de Sueno ficava próximo ao seu bispado. Em 1049, salteadores irlandeses aliaram-se a Gruffydd ap Rhydderch de Gwent em uma invasão ao longo do rio Usk. Aldredo tentou em vão expulsar os invasores, mas foi novamente vencido pelos galeses. Esse fracasso ressaltou a necessidade de Aldredo de ter um conde forte na região para protegê-la contra invasões. Normalmente, o bispo de Herefórdia teria liderado a defesa na ausência de um conde de Herefórdia, mas em 1049, o titular, Etelstano, estava cego, então Aldredo assumiu o papel de defensor.
A rebelião do conde Goduíno contra o rei em 1051, foi um duro golpe para Aldredo, que era um apoiador do conde e de sua família. Aldredo estava presente no conselho real em Londres, que baniu a família de Goduíno. Mais tarde, em 1051, quando foi enviado para interceptar Haroldo, filho de Goduíno e seus irmãos, enquanto fugiam da Inglaterra, após a proscrição de seu pai, Aldredo “não pôde ou não quis” capturar os irmãos. O banimento do patrono de Aldredo ocorreu logo após a morte de Elfrico Putoco, arcebispo de Iorque. Iorque e Worcester tinham laços estreitos há muito tempo, e as duas sedes eclesiásticas eram frequentemente ocupadas em pluralidade, ou seja, ao mesmo tempo. Aldredo provavelmente queria se tornar arcebispo de Iorque, após a morte de Elfrico, mas o eclipse de seu patrono levou o rei a nomear Cinesigo, um capelão real, em seu lugar. Em setembro de 1052, porém, Goduíno retornou do exílio e sua família foi restaurada no poder. No final de 1053, Aldredo estava mais uma vez nas boas graças da realeza. Em algum momento, ele teria acompanhado Sueno em uma peregrinação à Terra Santa, mas não há provas disso.[nota 1]
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O rei voltou a empregar Aldredo como diplomata em 1056, quando ajudou os condes Haroldo e Leofgar nas negociações com os galeses. Eduardo enviou Aldredo após a morte em batalha do bispo Leofgar de Herefórdia, que havia atacado Gruffydd ap Llywelyn após incentivo do rei. No entanto, Leofgar perdeu a batalha e sua vida, e Eduardo teve que pedir paz. Embora faltem detalhes sobre as negociações, Gruffydd ap Llywelyn jurou lealdade ao rei Eduardo, mas o juramento pode não ter tido nenhuma obrigação por parte de Gruffydd para com Eduardo. Os termos exatos da submissão não são totalmente conhecidos, mas Gruffydd não foi obrigado a ajudar Eduardo na guerra, nem a comparecer à corte de Eduardo. Aldredo foi recompensado com a administração da sé de Herefórdia, que ocupou até 1061, e nomeado arcebispo de Iorque. A diocese havia sofrido um sério ataque dos galeses em 1055, e durante sua administração, Aldredo continuou a reconstrução da catedral, bem como garantiu os direitos de cabido catedralício. A Aldredo foi concedida a administração, a fim de que a área tivesse alguém com experiência com os líderes galeses.
Cinesigo, arcebispo de Iorque, morreu no dia 22 de dezembro de 1060, e Aldredo foi eleito Arcebispo de Iorque no dia de Natal de 1060. Embora um bispo tenha sido prontamente nomeado para Herefórdia, nenhum foi nomeado para Worcester, e parece que Aldredo pretendia manter Worcester com Iorque, assim como vários de seus antecessores haviam feito. Havia algumas razões para isso, uma das quais era política, já que os reis da Inglaterra preferiam nomear bispos do sul para as dioceses do norte, na esperança de contrariar a tendência separatista do norte. Outra razão era que Iorque não era uma sé rica, ao contrário de Worcester. Manter Worcester com Iorque permitia ao arcebispo uma renda suficiente para se sustentar. Em 1061, Aldredo viajou para Roma para receber o pálio, o símbolo da autoridade de um arcebispo. Viajando com ele foi Tostigo, outro filho do conde Goduíno, que agora era conde da Nortúmbria. Guilherme de Malmesbury diz que Aldredo, “aproveitando da simplicidade do rei Eduardo e alegando o costume de seus antecessores, adquiriu, mais por suborno do que por razão, o arcebispado de Iorque, enquanto ainda mantinha sua antiga sé”. No entanto, ao chegar a Roma, ele foi acusado de simonia, ou compra de cargos eclesiásticos, e falta de conhecimento, e sua elevação ao arcebispado de Iorque foi recusada pelo Papa Nicolau II, que também o destituiu de Worcester. A história da destituição de Aldredo vem da Vita Edwardi, uma biografia de Eduardo, o Confessor, mas a Vita Wulfstani, um relato da vida do sucessor de Aldredo em Worcester, Vulstano, diz que o papa Nicolau, recusou-se a entregar o pálio até que Aldredo prometesse encontrar um substituto para Worcester. Outro cronista, João de Worcester, não menciona nada sobre qualquer problema existente em Roma, e quando se discute a nomeação de Vulstano, diz que Vulstano foi eleito livremente e por unanimidade pelo clero e pelo povo. João de Worcester também afirma que na consagração de Vulstano, Estigando, arcebispo da Cantuária, obteve a promessa de Aldredo, de que nem ele nem seus sucessores reivindicariam qualquer jurisdição sobre a diocese de Worcester. Tendo em conta que João de Worcester escreveu sua crônica, após a disputa pela supremacia entre Cantuária e Iorque, a história de Aldredo renunciando a qualquer reivindicação sobre Worcester precisa ser considerada suspeita.
João de Worcester, um cronista medieval, afirmou que Aldredo coroou o rei Haroldo II, em 1066, embora os cronistas normandos mencionem Estigando como o prelado oficiante. Dado o conhecido apoio de Aldredo à família de Goduíno, é provável que João de Worcester esteja correto. A posição de Estigando como arcebispo era canonicamente suspeita, e, como o conde Haroldo não havia permitido que Estigando consagrasse uma das igrejas do conde, é improvável que Haroldo tivesse permitido que Estigando realizasse a coroação real, muito mais importante. Os argumentos a favor de Estigando ter realizado a coroação, no entanto, baseiam-se no fato de que nenhuma outra fonte inglesa cita o nome do eclesiástico que realizou a cerimônia; todas as fontes normandas afirmam ser Estigando o oficiante. De qualquer forma, Aldredo e Haroldo eram próximos, e Aldredo apoiou a candidatura de Haroldo para se tornar rei. Aldredo talvez tenha acompanhado Haroldo quando o novo rei foi para Iorque e garantiu o apoio dos magnatas do norte logo após a consagração de Haroldo.
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Após a morte de Aldredo, uma das restrições ao tratamento de Guilherme com os ingleses foi removida. Aldredo era um dos poucos ingleses nativos em quem Guilherme parece ter confiado, e sua morte levou a menos tentativas de integrar os ingleses na administração, embora esses esforços não tenham cessado completamente. Em 1070, um concílio da Igreja foi realizado em Westminster e vários bispos foram depostos. Em 1073, havia somente dois ingleses em sedes episcopais, e na época da morte de Guilherme, em 1087, havia somente um, Vulstano II de Worcester. Aldredo fez muito para restaurar a disciplina nos mosteiros e igrejas sob sua autoridade, e foi generoso com doações para as igrejas de sua diocese. Construiu a igreja monástica de São Pedro em Gloucester (atual catedral de Gloucester, embora nada de sua estrutura permaneça), então parte da sua diocese de Worcester. Restaurou também uma grande parte da Beverley Minster, na diocese de Iorque, acrescentando um presbitério e uma invulgar e esplêndida pintura do teto que cobria “toda a parte superior da igreja, desde o coro até a torre... misturado com ouro de várias maneiras e maravilhosamente”. Acrescentou um púlpito, “em estilo alemão”, de bronze, ouro e prata, encimado por um arco com um crucifixo pendurado feito dos mesmos materiais. ; esses foram exemplos das luxuosas decorações adicionadas a igrejas importantes nos anos anteriores à conquista normanda da Inglaterra.


