Juniper Networks
Juniper Networks, Inc. foi uma multinacional estadunidense com sede em Sunnyvale, na Califórnia. A empresa desenvolvia e comercializava equipamentos e programas para redes, como roteadores, comutadores, programas de gerenciamento de rede, produtos de segurança de rede e tecnologias de redes definidas por software.
Origens e financiamento
Pradeep Sindhu, cientista do Palo Alto Research Center, o PARC da Xerox, teve a ideia de criar a Juniper Networks durante suas férias em 1995 e fundou a empresa em fevereiro de 1996. Sindhu queria criar roteadores que usassem pacotes de dados e fossem otimizados para o tráfego de internet por meio da comutação de pacotes. Nesse processo, o roteamento e a transferência de dados ocorrem "por meio de pacotes endereçados, de modo que um canal fique ocupado apenas durante a transmissão do pacote e, ao término da transmissão, fique disponível para a transferência de outro tráfego". Os engenheiros Bjorn Liencres, da Sun Microsystems, e Dennis Ferguson, da MCI Communications, juntaram-se a ele.
Crescimento e abertura de capital
A Juniper Networks teve receita anual de US$ 3,8 milhões em 1998. No ano seguinte, seu único produto, o roteador M40, já era usado por 50 empresas de telecomunicações. A empresa firmou acordos com a Alcatel e a Ericsson para distribuir o M40 internacionalmente. Abriu uma sede europeia no Reino Unido e outra para a região da Ásia e do Pacífico em Hong Kong. Criou uma subsidiária no Japão e abriu escritórios na Coreia em 1999. Sua participação no mercado de roteadores de núcleo passou de 6% em 1998 para 17,5% no ano seguinte e chegou a 20% em abril de 2000. A Juniper Networks solicitou o registro de sua oferta pública inicial em abril de 1999 e estreou na NASDAQ em junho. As ações subiram 191% no primeiro dia de negociação, um recorde para o setor de tecnologia, e a empresa atingiu um valor de mercado de US$ 4,9 bilhões. A revista Telephony chamou a Juniper Networks de "a mais nova queridinha de Wall Street". No fim de julho, seu valor de mercado chegou a US$ 7 bilhões. Em um ano, o preço das ações quintuplicou.
Concorrência
Em 2001, a Juniper detinha um terço do mercado de roteadores de núcleo de alto desempenho, principalmente às custas das vendas da Cisco Systems. A revista Businessweek afirmou que "os analistas concordavam de forma unânime que os equipamentos da Juniper eram tecnicamente superiores aos da Cisco porque o hardware realizava a maior parte do processamento de dados. Os roteadores da Cisco ainda dependiam de software, o que muitas vezes resultava em velocidades menores". A Cisco, porém, oferecia mais opções de serviços e suporte e já tinha uma posição consolidada no mercado. A imprensa comparava com frequência a disputa entre Juniper e Cisco à história de "Davi e Golias". A Cisco havia crescido por meio de aquisições e se tornado uma grande fornecedora de equipamentos de roteamento para residências, empresas e provedores de internet. A Juniper era vista como a "anti-Cisco", por ser uma empresa pequena e concentrada em um segmento específico.
Expansão dos negócios
No fim de 2000, a Juniper criou uma empresa conjunta com a Ericsson para desenvolver e comercializar comutadores para o tráfego de internet em dispositivos móveis. Também formou uma parceria com a Nortel para trabalhar com tecnologias de fibra óptica. Em 2001, lançou um programa de certificação técnica e participou da implantação da primeira rede óptica de internet da China.:12 O crescimento da Juniper desacelerou em 2001, acompanhando a retração do setor de telecomunicações, e sua receita caiu dois terços com o estouro da bolha da Internet. Entre 9% e 10% dos funcionários foram demitidos. A Juniper já havia se recuperado em 2004, quando ultrapassou US$ 1 bilhão de receita pela primeira vez. Em 2005, a receita chegou a US$ 2 bilhões. A partir de 2004, com a aquisição da NetScreen, a Juniper Networks passou a desenvolver e comercializar produtos para o segmento empresarial. A empresa tentava mudar a percepção de que atendia provedores de internet, e não empresas. Em 2005, os clientes empresariais respondiam por um terço de sua receita, mas a Juniper já havia gasto US$ 5 bilhões em aquisições e pesquisa e desenvolvimento voltados a esse mercado.
2008 a 2025
Em julho de 2008, Scott Kriens, o primeiro diretor-executivo da Juniper, assumiu a presidência do conselho de administração. Kevin Johnson, ex-executivo da Microsoft, foi nomeado diretor-executivo. Johnson direcionou mais esforços da empresa ao software e criou uma divisão de soluções de software comandada por Bob Muglia, seu ex-colega na Microsoft. A Juniper também contratou outros ex-executivos da Microsoft para trabalhar em sua estratégia de software e incentivar desenvolvedores a criar programas para o sistema operacional Junos. Firmou parcerias com a IBM, a Microsoft e a Oracle para melhorar a compatibilidade entre seus programas. A família de produtos SSL/VPN Pulse foi lançada em 2010 e vendida a uma empresa de private equity em 2014 por US$ 250 milhões.
Aquisição pela Hewlett Packard Enterprise
Em janeiro de 2024, a empresa aceitou ser comprada pela Hewlett Packard Enterprise por US$ 14 bilhões, numa transação integralmente em dinheiro. A compra buscava ampliar os recursos da HPE em redes e inteligência artificial. Em janeiro de 2025, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ou DOJ, contestou a aquisição por considerar que ela poderia reduzir a concorrência e a inovação, elevando os preços para os consumidores. Após um acordo com o DOJ, a HPE se comprometeu a vender sua divisão de redes sem fio Instant On e a licenciar o código-fonte do Mist AI, um componente central dos produtos de rede local sem fio da Juniper. A aquisição foi concluída em 2 de julho de 2025. A Juniper foi incorporada à HPE Networking, e Rami Rahim foi nomeado para comandar a divisão. A HPE manteria a comercialização dos antigos produtos da Juniper sob a marca HPE Juniper Networking. Ainda em julho, o Axios noticiou que a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos havia intervindo diretamente para convencer o DOJ a permitir a aquisição. O argumento era que impedir a fusão prejudicaria empresas estadunidenses e fortaleceria concorrentes chinesas, sobretudo a Huawei, o que tornaria a decisão crucial para a segurança nacional.
Até 2001, a Juniper havia feito poucas aquisições de empresas menores, pois seus dirigentes preferiam o crescimento orgânico. O ritmo das aquisições aumentou em 2001 e 2002, com a compra da Pacific Broadband e da Unisphere Networks. Em 2004, a Juniper adquiriu a empresa de segurança de redes NetScreen Technologies por US$ 4 bilhões. No mesmo ano, reformulou o programa de parceiros comerciais da NetScreen e usou sua rede de revendedores para distribuir outros produtos. A Juniper fez cinco aquisições em 2005, principalmente de startups, por valores entre US$ 8,7 milhões e US$ 337 milhões. Comprou a Redline Networks, fornecedora de produtos de aceleração de aplicações, a Kagoor Networks, do setor de voz sobre IP, e a Peribit Networks, especializada em redes de longa distância, ou WAN. A Peribit e a Redline passaram a integrar um novo grupo de produtos para aplicações, e suas tecnologias foram incorporadas à arquitetura infranet da Juniper. Depois disso, a empresa não fez novas aquisições até 2010.
A Juniper Networks projetava e comercializava produtos de redes de computadores, como roteadores, comutadores e equipamentos de segurança. Começou vendendo roteadores de núcleo para provedores de internet e ampliou sua atuação para roteadores de borda, centros de dados, redes sem fio, redes para filiais e outros dispositivos de acesso e agregação. Antes de ser adquirida pela HPE, a Juniper ocupava o terceiro lugar em participação no mercado conjunto de roteadores e comutadores usados por provedores de internet. Os levantamentos da Dell'Oro Group a situavam em quarto lugar no mercado de roteadores de borda e em segundo no de roteadores de núcleo, com 25% desse mercado. A empresa também ocupava o segundo lugar no mercado de firewalls, com participação de 24,8%. No segmento de equipamentos de segurança para centros de dados, ficava em segundo lugar, atrás da Cisco. A Juniper oferecia suporte técnico e serviços por meio do programa J-Care.
Roteadores e comutadores
O primeiro produto da Juniper Networks foi o Junos, sistema operacional para roteadores lançado em 1 de julho de 1998. Seu primeiro roteador chegou ao mercado em setembro daquele ano. Chamado M40, era um roteador de núcleo destinado a provedores de internet.:8 O equipamento usava circuitos integrados de aplicação específica, ou ASICs, desenvolvidos em parceria com a IBM para encaminhar o tráfego de internet. Sua capacidade de transferência de dados era dez vezes maior que a dos produtos equivalentes da Cisco disponíveis naquele momento. O M40 foi seguido pelo M20, de menor porte, em dezembro de 1999, e pelo M160, em março de 2000. Até 2000, a Juniper havia desenvolvido cinco sistemas de hardware e lançado sete novas versões do sistema operacional Junos. Em abril daquele ano, lançou a segunda geração dos processadores de internet usados em seus roteadores de núcleo. Em abril de 2002, lançou o primeiro modelo da série T, inicialmente chamada pelo codinome Gibson. Ele conseguia realizar quatro vezes mais consultas de rotas por segundo que o M160. Os primeiros produtos da família TX Matrix, que permitiam combinar até quatro roteadores da série T, foram lançados em dezembro de 2004.
Segurança
A Juniper Networks lançou o conjunto de ferramentas de segurança JProtect em maio de 2003. Ele incluía firewalls, monitoramento de fluxos, filtragem e tradução de endereços de rede, ou NAT. Com a compra da NetScreen Technologies em 2004, adquiriu a linha de produtos Juniper Secure Meeting e programas de acesso remoto à área de trabalho. O equipamento de segurança NetScreen-5GT ADSL foi o primeiro novo produto NetScreen lançado pela Juniper após a aquisição e seu primeiro produto sem fio. O primeiro produto da Juniper voltado a pequenas empresas foi um equipamento de acesso remoto lançado em agosto de 2004. Em setembro, foi disponibilizada uma interface aberta para que terceiros desenvolvessem ferramentas para o equipamento.
Redes definidas por software
Em 2014, a Juniper vinha concentrando seus esforços em redes definidas por software. A empresa adquiriu a Contrail Systems em dezembro de 2012. No mês seguinte, anunciou sua estratégia para esse setor, que previa um novo modelo de licenciamento baseado no uso e novos recursos para o sistema operacional Junos. Em fevereiro de 2013, lançou produtos de SDN, entre eles o programa de provisionamento de aplicações Services Activation Director e o equipamento Mobile Control Gateway. Em maio de 2013, a Juniper anunciou o JunosV Contrail, controlador de SDN que usava a tecnologia adquirida com a Contrail Systems. Em fevereiro de 2014, lançou novos produtos de SDN, como o programa de gerenciamento de redes Junos Fusion e o controlador NorthStar. O NorthStar ajudava a encontrar o melhor caminho para os dados percorrerem uma rede.
Atualizações de produtos
Em março de 2015, a Juniper anunciou atualizações para a família PTX de roteadores de núcleo, a família QFX de comutadores e seus produtos de segurança. Um relatório da consultoria de tecnologia LexInnova situou a Juniper Networks em terceiro lugar entre os detentores de patentes de segurança de redes em junho de 2015, com 2.926 patentes nessa área. Em outubro de 2018, a Juniper anunciou o EngNet, conjunto de ferramentas e informações para desenvolvedores destinado a ajudar empresas a automatizar suas operações e substituir a interface habitual de linha de comando.
Antes de ser adquirida pela HPE, a Juniper Networks atuava em mais de 100 países. Cerca de 50% de sua receita vinha dos Estados Unidos, 30% da Europa, do Oriente Médio e da África e 20% da Ásia. A Juniper vendia diretamente às empresas e por meio de revendedores e distribuidores, como Ericsson, IBM, Nokia, Ingram Micro e NEC. Cerca de 50% de sua receita vinha de roteadores, 13% de comutadores, 12% de produtos de segurança de TI e 25% de serviços. Um levantamento da Glassdoor de 2013 apontou que os engenheiros de software da Juniper Networks recebiam os maiores salários do setor de tecnologia, com uma diferença de cerca de US$ 24 mil por ano. A empresa mantinha o programa Juniper Networks Academic Alliance, ou JNAA, para recrutar recém-formados. Uma análise SWOT da MarketLine avaliou que a Juniper dedicava "grande atenção" à pesquisa e ao desenvolvimento. Os gastos nessa área ficaram entre 22% e 25% da receita de 2011 a 2013. A maior parte da fabricação era terceirizada para a Celestica, a Flextronics e a Accton Technology. A Juniper administrava o Junos Innovation Fund, criado em 2010 com US$ 50 milhões para investir em empresas de tecnologia em estágio inicial que desenvolvessem aplicações para o sistema operacional Junos. Até 2011, a Juniper Networks havia investido em 20 empresas, o equivalente a cerca de 1% a 2% das que havia avaliado para possíveis investimentos.
Em dezembro de 2015, a Juniper lançou uma correção emergencial de segurança para uma backdoor em seus equipamentos. Junto com outra vulnerabilidade, ela permitia contornar a autenticação e descriptografar o tráfego de redes privadas virtuais, ou VPNs, no ScreenOS. Análises apontaram que o mecanismo criptográfico da backdoor havia sido criado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, mas poderia ter sido usado depois por um governo nacional não identificado.


