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Alboácem Ali ibne Otomão

Alboácem Ali ibne Otomão foi o sultão do Império Merínida de setembro de 1331 até setembro de 1348. Em 1333, capturou Gibraltar dos castelhanos, embora uma tentativa posterior de tomar Tarifa em 1339 tenha terminado em fiasco. No norte da África, estendeu seu domínio sobre Reino de Tremecém dos ziânidas e a Ifríquia do Reino Hafécida, que juntos cobriam o norte do que hoje é a Argélia e a Tunísia. Sob ele, o Império Merínida do Magrebe cobriu brevemente uma área que rivalizava com a do Califado Almóada anterior. No entanto, foi forçado a recuar devido a uma revolta das tribos árabes, perdendo muitos de seus apoiadores. Seu filho Abu Inane Faris tomaria o poder em Fez e Alboácem Ali morreu no exílio nas montanhas do Alto Atlas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Vida

Ascensão e primeiras medidas

Alboácem Ali era filho do sultão Abuçaíde Otomão II (r. 1310–1331) e de mãe abissínia. Tinha pele escura e era conhecido como o 'sultão negro' do Marrocos. Era pai de Abomar Taxufine, Abu Inane Faris e Abu Maleque Abde Aluaide. Em data incerta próximo do fim do reinado de seu pai, foi nomeado herdeiro presuntivo, em substituição de seu irmão Abu Ali Omar, que havia se rebelado contra Abuçaíde e foi derrotado e confinado em Segelmeça. Em vista de garantir apoio do Reino Hafécida de Túnis contra o Reino de Tremecém dos ziânidas, o sultão arranjou o casamento Alboácem Ali com a princesa Fátima, filha do califa Abu Iáia Abu Becre II (r. 1318–1346). Quando se dirigia para buscar a pretendente em setembro de 1331, o sultão faleceu repentinamente e foi sucedido por Alboácem Ali. Ao ascender, optou por prosseguir às políticas intervencionistas de seu pai nos assuntos políticos dos vizinhos do Magrebe e do Alandalus, visando melhorar a posição político-econômica do Império Merínida. Embora tenha aceitado confirmar a posição de seu irmão Abu Ali Omar em Segelmeça, temia que se aliaria com os ziânidas de Tremecém e estrangularia economicamente os merínidas em Fez. Por esse motivo, decidiu construir uma poderosa frota de guerra para lutar contra os ziânidas na costa do Magrebe, e que também serviria às suas ações na área do estreito de Gibraltar contra a Coroa de Castela.

Campanhas

Em 1309, as tropas da Coroa de Castela comandadas por Fernando IV (r. 1295–1312) capturaram Gibraltar, então chamada Medinate Alfate (Cidade da Vitória), do Reino Nacérida de Granada. Em 7 de setembro de 1331, o sultão nacérida Maomé IV (r. 1325–1333) navegou pessoalmente ao Magrebe para se encontrar com Alboácem Ali em sua corte em Fez. O sultão merínida respondeu positivamente, prometendo enviar tropas para ajudar os muçulmanos de Granada e dando presentes a Maomé. A ajuda merínida consistia em cinco mil soldados, liderados pelo filho do sultão, Abu Maleque Abde Aluaide. Eles navegaram para Algeciras no início de 1333, logo cercando Gibraltar por mar e terra. O exército merínida juntou-se às tropas de Granada lideradas por Abu Nuaime Riduão. Os castelhanos estiveram distraídos com a coroação do rei Afonso XI (r. 1312–1350) e demoraram a responder à força de invasão, que foi capaz de começar o cerco antes que uma grande resposta pudesse ser organizada. O almirante castelhano Afonso Godofredo Tenório tentou entregar suprimentos a Gibraltar, mas foi impedido pelo bloqueio da frota merínida. Tentou atirar sacos de farinha na cidade usando os trabucos de seus navios, mas a maioria deles não alcançou o castelo.

Revoltas e morte

Ao contrário de Tremecém, onde Alboácem Ali foi favorecido pela crença de que era o novo campeão do islão, a posição do sultão em Túnis era mais frágil e ele não teve apoio popular. As tribos árabes com as quais se aliou no passado se sentiram frustradas por sua incapacidade de lhes proporcionar as recompensas prometidas e se rebelaram. Em 1348, Alboácem Ali foi derrotado perto de Cairuão, e suas tentativas de reagrupar suas tropas foram frustradas, pois na primavera a Peste Negra alcançou Túnis. Além disso, seu filho, Abu Inane Faris, que servia como governador de Tremecém, se declarou sultão e retornou para Fez antes que outros pretendentes buscassem tomar o trono. Novas revoltas eclodiram nos territórios dominados, permitindo que o ziânida Abuçaíde Otomão II fosse proclamado sultão de Tremecém, enquanto o hafécida Abu Alabás Amade Alfadle Almotauaquil retomou Túnis e tornar-se-ia califa. Alboácem Ali fez inúmeras tentativas para retornar aos territórios merínidas, mas enfrentou forte oposição da coalizão formada pelos berberes magrauas, os ziânidas e seu filho Abu Inane Faris. Conseguiu se refugiar em Segelmeça, onde reuniu um exército, apesar da deserção de seus aliados árabes suaiditas, e marchou contra Marraquexe, que caiu. Em 1351, enfrentou as tropas de seu filho nas margens do Um Arrabia, onde foi derrotado. Em decorrência dessa derrota, foi obrigado a abdicar em favor de seu filho pouco antes de morrer no mesmo ano. Seu corpo foi transferido por Abu Inane Faris, alegadamente com grande luto público, à necrópole merínida em Chelá.

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Fontes consultadas

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