Albino Mamede Cleto
Albino Mamede Cleto foi um bispo católico português.
Frequentou o seminário do Patriarcado de Lisboa, diocese onde foi ordenado presbítero a 15 de Agosto de 1959. Licenciou-se em Românicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi professor ocasional na Universidade Católica de Lisboa, onde leccionou Línguas e Literatura. Foi professor do Externato Diocesano Frei Luís de Sousa (1970-1978), docente eventual do Departamento de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (1978), desempenhou funções de representação e serviço, em várias estruturas do patriarcado: No Patriarcado de Lisboa fez parte da equipa formadora do Seminário de Almada como prefeito de estudos e Vice-Reitor, presidiu à Comissão Administrativa do Santuário de Cristo-Rei, foi pároco da Paróquia da Estrela e membro da Comissão Diocesana de Arte Sacra do Patriarcado. Foi nomeado bispo-auxiliar de Lisboa a 6 de Dezembro de 1982, com o título de Elvira pelo Papa João Paulo II. A sua ordenação espiscopal decorreu a 22 de Janeiro de 1983 no Mosteiro dos Jerónimos onde foi ordenado por D. António Ribeiro, cardeal-patriarca de Lisboa, por D. João Alves, bispo de Coimbra e por D. José da Cruz Policarpo, bispo-auxiliar de Lisboa.
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Descendente da família Cleto da Cunha, uma importante família de proprietários rurais e de industriais de lanifícios de São Pedro de Manteigas e com ascendência em Afonso Saraiva de Lucena, Senhor da Casa da Póvoa de Trancoso, e Vasco Fernandes de Lucena. Parente do Ministro da Justiça e Par do Reino Manuel Duarte Leitão e do industrial Joaquim Pereira de Mattos.
Presidiu à celebração das exéquias, realizadas na Sé Nova de Coimbra, o Santo Padre João Paulo II, representado pelo seu Enviado Especial o Cardeal Tarcício Bertone, arcebispo de Génova (Itália). Mensagem de Sua Santidade o Papa João Paulo II para o funeral da Irmã Lúcia, enviada ao Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, e lida durante a cerimónia funebre pelo Cardeal Bertone: «Ao venerável Irmão Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra Com profunda emoção tomei conhecimento que a Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, com 97 anos de idade, foi chamada pelo Pai celestial para a mansão eterna do Céu. Ela assim atingiu a meta para a qual sempre aspirou na oração e no silêncio do convento. A liturgia destes dias lembrou-nos que a morte é a comum herança dos filhos de Adão mas, ao mesmo tempo, deu-nos a certeza de que Jesus, com o sacrifício da cruz, abriu-nos as portas à vida imortal. Estas certezas da fé nós as recordamos, no momento em que damos nossa derradeira saudação a esta humilde e devota carmelita, que consagrou sua vida a Cristo, Salvador do mundo.
D. Albino Cleto faleceu aos 77 anos no Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra. Foi Bispo Auxiliar de Lisboa de 1983 a 1997, altura em que foi nomeado Coadjutor de Coimbra. Com a resignação de D. João Alves, D. Albino Cleto assumiu o governo desta diocese em 2001, ficando à frente dos destinos da Igreja Conimbricense durante 10 anos. Aos 75 anos, pediu a resignação, e Dom Virgílio Antunes sucedeu a Dom Albino Cleto. Ao deixar o governo da diocese de Coimbra, D. Albino Cleto regressou à freguesia de São Pedro, em Manteigas, sua terra natal. Depois de estar em câmara ardente na Sé Nova de Coimbra, seguiu para a sua terra natal, na diocese da Guarda. Foram muitas as personalidades civis e religiosas que quiseram marcar presença na Sé Nova de Coimbra para uma última homenagem a D. Albino Cleto, um homem que serviu a Igreja, mas também a sociedade. Algumas figuras que prestaram a derradeira homenagem a D. Albino Cleto na Sé Nova de Coimbra: Dom José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, Bispo do Porto (futuro Cardeal Patriarca de Lisboa), Dom Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, Dom João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto (futuro Bispo de Viana do Castelo), Cardoso da Costa, antigo presidente do Tribunal Constitucional, Dr. João Paulo Barbosa de Melo, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
Cavaco Silva, Presidente da República: “Exerceu um magistério e uma ação pastoral marcantes, quer pelo seu sentido humanista de abertura ao mundo, quer pela clarividência com que, na linha do ensinamento do Concílio Vaticano II, soube ler os sinais dos tempos”. Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura: “A sua inteligência, humanismo e cultura ficam na memória de todos”. Dom José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa: “O senhor Dom Albino era do clero de Lisboa, passou sua vida toda desde que entrou para o seminário em Lisboa. Lisboa deve-lhe muito. Percorreu praticamente todas as experiências que um sacerdote pode ter: foi professor do seminário, foi pároco da Estrela, depois foi bispo auxiliar durante vários anos, onde estivemos juntos. E neste momento, em que ele estava a encetar um período da vida que normalmente é de mais calma... pronto, mas parece que Nosso Senhor tem outros planos. E não tenho dúvida nenhuma de que o acolheu porque ele era um homem muito bom, com um coração muito bonito e muito simples.” “Nosso Senhor tem os seus caminhos, achou que ele merecia já o prémio eterno (…) Alguns colegas até brincavam com ele porque interpretavam a sua candura interior como uma certa ingenuidade”.
