Alberto Luiz Galvão Coimbra
Alberto Luiz Galvão Coimbra foi um pioneiro engenheiro, pesquisador e professor universitário brasileiro.
Primeiros anos
Alberto nasceu no bairro de Botafogo, na capital fluminense, em 1923. Era filho de Deodato Galvão Coimbra, comerciante, e de Zahra Braga, dona de casa. Seu pai era o filho aventureiro de um grande comerciante de ferragens de Itu que, aos 14 anos, foi trabalhar e estudar na Inglaterra, residindo com amigos da família. Retornaria com mais de 30 anos, para se estabelecer no Rio de Janeiro como importador de confecções de fabricação americana para as maiores lojas do país. Em seu retorno conheceu Zahra, filha de Alberto Pereira Braga, dono de uma fábrica de papéis de parede e artigos de carnaval, vendidos em sua própria loja, a Casa David, instalada na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio. O primeiro filho do casal nasceu pelas mãos de uma parteira, em 1923, na grande casa da família Pereira Braga em Botafogo. Ele foi batizado com o prenome do avô paterno, Alberto Luiz, mas o sobrenome herdou só do pai, parente distante do único santo brasileiro, Frei Galvão.
Faculdade
Tendo cursado o científico nos melhores colégios da época, como o Universitário e o Andrews, Alberto não era o primeiro aluno da turma, porém ficou entre os 13 aprovados no concurso para cursar Química Industrial na Escola Nacional de Química, da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Foi durante o curso que tomou gosto pela matemática, que posteriormente o levaria a se formar em engenharia química. Fora da sala de aula, dedicava seu tempo ao remo e futebol e também ao diretório estudantil. Na época era pouco comum um estudante continuar a estudar depois de concluir uma graduação. Porém Alberto conseguiu uma bolsa de estudos por meio do professor Athos da Silveira Ramos, em 1947, para fazer o mestrado na Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos. A estrutura de ensino e pesquisa que Alberto encontrou eram bem diferentes do que havia no Brasil, onde alunos e professores dedicavam-se ao ambiente acadêmico de modo integral.
Imagem: Avelludo · BY-SA · Openverse
Em 1953, Alberto voltou para o Rio de Janeiro, desta vez como professor do Instituto de Química da Universidade do Brasil. Com dois filhos, ele precisava de vários empregos para se manter. Assim ele dava aulas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, no curso de refinação de petróleo da Petrobras, além de ser consultor da Castrol e da Carborundum e de ter uma firma própria, em que fazia projetos de engenharia para a indústria. Ao voltar ao Rio de Janeiro, obteve o título de Doutor pela Universidade do Brasil (1953). Foi por volta dessa época, vendo como o ensino brasileiro de engenharia não formava cientistas, que teve a ideia de implantar um curso de mestrado de Engenharia Química, o embrião da Coppe. Em 1960, por recomendação de seu orientador na Vanderbilt, Frank Tiller, Alberto visitou várias universidades norte-americanas. A ideia de Tiller era modificar a organização universitária no Brasil para algo mais parecido com o modelo norte-americano e acreditava que Alberto poderia assumir tal tarefa. A Guerra Fria provocou uma mudança nos cursos de engenharia nos Estados Unidos, com ênfase na pesquisa científica, algo que faltava no Brasil.
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Além dos professores estrangeiros, Alberto contratava professores perseguidos pela ditadura. Tais atitudes levaram a um processo administrativo contra ele em 1973 a partir de denúncias de três professores. O processo resultou no afastamento do fundador da Coppe após dez anos no comando da instituição e a um demorado processo que o inocentou. Convocado a depor pelo menos três vezes na Polícia Federal, foi fichado e humilhado pelos militares. Também foi obrigado a depôr em um inquérito na sede do Ministério da Educação no Rio de Janeiro. O brigadeiro responsável pela sessão queria saber porque Alberto contratava tantos professores russos. Agentes à paisana o seguiram na rua, em Ipanema e o mandaram entrar no carro. Ele então foi levado para o quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, onde funcionava o DOI-Codi, onde novamente o questionaram sobre a contratação de professores russos na COPPE. Em 1973, o Conselho Universitário decidiu que Alberto seria proibido de exercer postos de chefia. Alberto deixou a universidade e foi para a Finep, a convite do amigo José Pelúcio Ferreira. O período improdutivo foi, para Alberto, o pior momento de sua vida.
Em 1981, Alberto recebeu o Prêmio Anísio Teixeira, do Ministério da Educação e seu nome foi reabilitado. Não poderiam lhe outorgar o prêmio sem revogar a proibição de exercer cargos de chefia. Dois anos depois, retornaria à COPPE, onde assumiu a coordenação do Programa de Engenharia Química, o primeiro curso da Coppe, no qual permaneceu como pesquisador até se aposentar, em 1993, tornando-se professor emérito da UFRJ. Em 1995, a instituição que Alberto construiu passou a se chamar Instituto Alberto Luiz Galvão Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Manteve-se, porém, a sigla que ele escolhera 30 anos antes: COPPE. Hoje a COPPE é o maior centro de ensino e pesquisa da América Latina na área. Em 2015, foi nomeado Pesquisador Emérito do CNPq.
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Após se aposentar, residiu por vários anos em Teresópolis, com sua segunda esposa, Marlene, em uma confortável casa. Lamentava que as escolas de ensino fundamental e médio não tinham ensino integral e dedicação exclusiva de seus professores que, em sua visão, impulsionariam o ensino no país.
Alberto teve múltiplos descolamentos de retina em seus últimos anos, o que o restringia no trabalho e no lazer. Ele esteve internado por mais de 15 dias no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio e morreu de falência múltipla dos órgãos em 16 de maio de 2018, aos 94 anos. O velório e cerimonia de cremação aconteceram no Memorial do Carmo, no Caju, na zona portuária do Rio. Segundo Roberto Leher, ex-reitor da UFRJ:


