Alberto Fernández
Alberto Ángel Fernández é um político, advogado e professor argentino que serviu como Presidente da Argentina de 2019 a 2023. Filiado ao Partido Justicialista, Fernández foi eleito no primeiro turno da eleição de 2019 obtendo 48,24% dos votos derrotando o presidente Mauricio Macri, que tentava reeleição. Foi empossado no cargo em 10 de dezembro de 2019 juntamente com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner. Foi sucedido na presidência por Javier Milei em 10 de dezembro de 2023.
Alberto Fernández nasceu em Buenos Aires, no bairro Villa del Parque, em 2 de abril de 1959. É filho de Celia Pérez e conviveu pouco com seu pai biológico, que faleceu durante a Copa do Mundo de 1978. Mais tarde, afirmou que quando falava de seu pai, referia-se ao padrasto, o juiz Carlos Galíndez, que faleceu em 1997. Seu avô adotivo, Manuel Galíndez, foi senador pela província de La Rioja pela União Cívica Radical. Sendo o filho do meio, possui uma irmã mais velha e um irmão mais novo. Fernández viveu parte da infância e da adolescência no bairro onde nasceu, mais especificamente perto do estádio da Asociación Atlética Argentinos Juniors, um clube de futebol do qual se tornou fã. Lá, cursou a quinta série do ensino fundamental na escola da República do México e o restante na escola Avelino Herrera. Aos 14 anos, após ser incentivado por amigos, começou a estudar violão com o cantor Litto Nebbia, com quem desenvolveu uma amizade, chegando a compor músicas e tocar em bares.
Durante a década de 1980, Fernández trabalhou no Tribunal Federal de San Isidro, na época encarregado do juiz Alberto Piotti, responsável pelo caso Puccio, que envolvia uma família de San Isidro que, entre 1982 e 1985, matou três pessoas. Como os réus não tinham advogados, o Estado os forneceu. Fernández foi sorteado para a função, trabalhando como defensor de Guillermo Fernández Laborde, um amigo da família Puccio que admitiu ter matado duas das vítimas, até que Laborde constituiu um advogado. Em 1985, Fernández passou a ministrar aulas na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, onde trabalha como professor desde então. Em 2019, era responsável pela disciplina de Teoria Geral do Crime e Sistema Penitenciário. Ao longo de sua carreira acadêmica, publicou as seguintes obras: Juicio a la impunidad (1985), com Mona Moncalvillo e Manuel Martin; Autoría y participación criminal (1987), com Jaime Malamud Goti; Elementos de derecho penal y procesal penal (1988), com Esteban Righi, Luis Pastoriza e Enrique Bacigalupo; Derecho penal: la ley, el delito, el proceso, la pena (1996), em colaboração com Esteban Righi; dentre outros.
Em 1985, durante o governo de Raul Alfonsin, Fernández foi nomeado para o cargo de diretor-geral adjunto de assuntos jurídicos do Ministério da Economia. Em seguida, trabalhou como assessor da Legislatura da Cidade de Buenos Aires e da Câmara de Deputados da Argentina. Em 1989, no governo de Carlos Menem, foi nomeado Superintendente de Seguros do país, ocupando o cargo até 1995. Em 1996, durante o governo de Eduardo Duhalde na província de Buenos Aires, Fernández foi nomeado presidente da Gerenciar Proyectos y Administración S/A, uma subsidiária do Banco Província, que oferecia serviços de transparência administrativa. Em 1997, todas as empresas que tinham o Banco como principal acionista foram organizadas em uma holding, o Grupo Bapro, e Fernández atuou como seu vice-presidente até 1999. Durante as eleições de 1999, foi escolhido como tesoureiro da malsucedida campanha de Eduardo Duhalde à presidência. Durante esse período, Alberto foi um dos fundadores e coordenadores do Grupo Calafate, um think tank da ala progressista do Partido Justicialista, juntamente com Duhalde e outras personalidades como Cristina Fernández de Kirchner. O objetivo do grupo era fazer frente a tentativa de "reeleição" e às políticas neoliberais do presidente Carlos Menem. Além da candidatura de Duhalde em 1999, o grupo apoiou a candidatura de Néstor Kirchner à presidência nas eleições 2003, de quem Fernández seria Chefe de Gabinete.
Presidente da Argentina
Suas relações foram tensas com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que se recusou a ir à sua posse, acusando-o de querer criar uma "grande pátria bolivariana" na fronteira e de se preparar para provocar uma fuga de capitais e empresas brasileiras. Os Estados Unidos advertem o governo argentino, dizendo: "Queremos saber se Alberto Fernández vai ser um defensor da democracia ou um apologista das ditaduras e caudilhos da região, seja Maduro, Correa ou Morales". Tomando posse no contexto de uma grave crise econômica (taxa de pobreza de 40%, recessão de 3,1% em 2019, inflação de 55%), Alberto Fernández anunciou uma série de medidas econômicas de emergência: aumentos de impostos para a classe mais rica e média, benefícios fiscais para os mais pobres, um imposto de 30% sobre a compra de moeda estrangeira, etc. O governo também está lançando um plano de combate à fome através da distribuição de vales de alimentos para mais de dois milhões de pessoas.
Fernández se envolveu em disputas com usuários do Twitter antes de sua presidência, nas quais suas reações foram consideradas agressivas ou violentas por alguns. Tweets mostram ele respondendo a outros usuários com palavrões como "pelotud..." (gíria argentina para "idiot..."), "pajero" ("idiot..."), e "hijo de p..." ("filho da p..."), Ele também chamou o candidato presidencial José Luis Espert de "Pajert", um jogo de palavras entre seu sobrenome e a gíria argentina para "idiot...". Em dezembro de 2017, ele respondeu a uma usuária do Twitter dizendo "Menina, o que você pensa não me preocupa. É melhor você aprender a cozinhar. Talvez então você possa fazer algo certo. Pensar não é seu forte". Em junho de 2020, ele disse à jornalista Cristina Pérez para "ir ler a Constituição" depois de ser questionado sobre suas tentativas de instalar uma administração designada pelo governo no conglomerado agrícola Vicentín.


