Alberto Caeiro
Alberto Caeiro da Silva foi um heterónimo criado por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingénuo dos heterónimos Álvaro de Campos e Ricardo Reis e também de seu próprio autor, Fernando Pessoa, apesar de apenas ter feito a instrução primária. Caeiro foi o primeiro dos principais heterónimos de Pessoa. A primeira e mais famosa obra que Pessoa compôs sob este nome foi O Guardador de Rebanhos, uma coletânea de 49 poemas que ele começou em 1914 e continuou a editar até sua morte em 1935. Como as obras de Pessoa em geral, os poemas de Caeiro começaram a receber grande aclamação da crítica décadas após a morte do escritor. A primeira coleção dos poemas foi publicada em Portugal em 1946.
Segundo a cronologia mais divulgada, nasceu a 16 de abril de 1889, em Lisboa, Portugal. Órfão de pai e mãe, não exerceu qualquer profissão e estudou apenas até à 4.ª classe. Viveu grande parte da sua vida pobre e frágil no Ribatejo, na quinta da sua tia-avó idosa, e aí escreveu O Guardador de Rebanhos e depois O Pastor Amoroso. Voltou no final da sua curta vida para Lisboa, onde escreveu Os Poemas Inconjuntos, antes de morrer de tuberculose, em 1915, quando contava apenas vinte e seis anos. Foi descrito da seguinte maneira pelo heterónimo Álvaro de Campos: "Vejo-o diante de mim, vê-lo-ei talvez eternamente como primeiro o vi. Primeiro, os olhos azuis de criança que não têm medo; depois, os malares já um pouco salientes, a cor um pouco pálida, e o estranho ar grego, que vinha de dentro e era uma calma, e não de fora, porque não era expressão nem feições. O cabelo, quase abundante, era louro, mas, se faltava luz, acastanhava-se. A estatura era média, tendendo para mais alta, mas curvada, sem ombros altos. O gesto era branco, o sorriso era como era, a voz era igual, lançada num tom de quem não procura senão dizer o que está dizendo-nem alta, nem baixa, clara, livre de intenções, de hesitações, de timidezas. O olhar azul não sabia deixar de fitar. Se a nossa observação estranhava qualquer coisa, encontrava-a: a testa, sem ser alta, era poderosamente branca. Repito: era pela sua brancura, que parecia maior que a da cara pálida, que tinha majestade. As mãos um pouco delgadas, mas não muito; a palma era larga. A expressão da boca, a última coisa em que se reparava — como se falar fosse, para este homem, menos que existir — era a de um sorriso como o que se atribui em verso às coisas inanimadas belas, só porque nos agradam — flores, campos largos, águas com sol — um sorriso de existir, e não de nos falar."
Ao todo tem 104 poemas, 49 em O Guardador de Rebanhos, 6 em O Pastor Amoroso e 49 em Poemas inconjuntos.
Ideologias
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.Mas porque a amo, e amo-a por isso,Porque quem ama nunca sabe o que amaNem por que ama, nem o que é amar… Alberto Caeiro, excerto de ‘’O Guardador de Rebanhos’’.


