Henry Jenkins
Henry Jenkins é um norte-americano estudioso dos meios de comunicação. Ele é considerado “um dos pesquisadores da mídia mais influentes da atualidade”. Durante os anos de 1993 e 2009 ele esteve a frente do programa de Estudos de Mídia Comparada do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Henry Jenkins III (1958-) é um americano, nascido em Atlanta. Ele é um pesquisador da mídia e atualmente é professor da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Jenkins participou da criação de doze livros, seja como autor ou como editor. Dentre eles se destacam “Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture”, que se foca na cultura fã; e “Convergence Culture: Where Old and New Media Collide”, que para além de elaborar sobre a cultura dos fãs, ele aborda o atual processo de convergência que atingem os meios de comunicação, tanto os antigos quanto os atuais. Jenkins conseguiu seu bacharelado em Ciencias Politicas e Jornalismo pela Universidade do Estado da Geórgia, mestrado em Estudos da Comunicação pela Universidade de Iowa e PhD em Artes da Comunicação pela Universidade de Wisconsin em Madison. Jenkins assumiu o Comparative Media Studies (CMS) em 1993. O CMS, é um projeto que “não busca quebrar paradigmas, mas sim desenvolver novos e preparar nosso time e patrocinadores para profissões que ainda não existem”. Nele, Jenkins estabeleceu "uma agenda de pesquisas inovadoras durante um período de mudança fundamental na comunicação, jornalismo e entretenimento". Uma das premissas do CMS era a implementação de vídeo games para auxiliar na educação de jovens. Em 2004, Jenkins passou a codirigir o programa junto com William Uricchio, que assumiu o controle do programa em 2009, depois da saída de Jenkins.
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Textual Poachers
"Textual Poachers: Television Fans and Participatory Culture" foi um livro escrito por Henry Jenkins em 1992. A expressão que dá nome ao livro pode ser compreendida através da tradução das palavras que a compõe: "Textual" faz menção direta à adjetivação de algo inserido em, ou mesmo, com propriedades de um texto; e "Poachers" é um termo da língua inglesa referente às pessoas que transpassam propriedades privadas para caçar. A junção de duas palavras usada no título do autor é referente à cultura de fãs e suas interatividades com as obras que se relacionam. Dessa forma, Jenkins classifica os fãs como apreciadores da cultura midiática que transformam os conteúdos que admiram em uma cultura própria, de acordo com seus desejos e interesses, seja na construção de fanfictions, desenhos, músicas ou vídeos relacionados àquele conteúdo. A escolha de uma subcultura específica de pessoas que interagiam e consumiam produtos audiovisuais televisivos, como a série Star Trek, é desenvolvida no livro que aborda esse grupo de fãs específicos, juntamente à sua cultura de participação. f "Textual Poacher" é considerado um estudo midiático seminal sobre a cultura de fãs, conjuntamente com as publicações de 1992 de Camille Bacon Smith, Enterprising Women: Television Fandom and the Creation of Popular Myth e a Antologia The Adoring Audience: Fan Culture and Popular Media editada por Lisa Lewi, e ainda há a obra "Feminism, Psychoalalysis, and the Study of Popular Culture" de Constance Penley.
Fans, Bloggers and Gamers
“Fans, Bloggers and Gamers” foi lançado em 2006 porém contém ensaios que foram produzidos entre suas obras “Textual Poachers” e “Cultura da convergência”, esses textos, Jenkins diz que reformularam seu entendimento sobre as industrias de mídia e seus consumidores. O livro é dividido em três partes: “Inside Fandom”, “Going Digital” e “Columbine and Beyond”. A primeira inclui os ensaios que lidam diretamente com as políticas e poética da produção cultural dos fãs; a segunda contém os que falam sobre o impacto da mídia digital na vida do dia-a-dia; e a terceira explora os debates públicos que surgiram após o tiroteio que ocorreu em Littleton, Colorado, focando nos que tratavam do impacto da cultura popular nos jovens e os sobre a censura no computador e vídeo games.
Cultura da convergência
“Cultura da convergência” é considerada uma leitura obrigatória para os que almejam compreender o mundo das novas mídias, consumo e interação. O livro foi publicado na língua portuguesa em 2008 no Brasil, enquanto nos Estados Unidos já havia sido lançado em 2006 com o título “Convergence culture: Where Old and New Media Collide”. Nas palavras do próprio autor, esta obra: “foi concebida como uma intervenção pública [...] com o objetivo de ajudar os consumidores e produtores a entender as mudanças que estão ocorrendo em seu relacionamento”. Em “Cultura da convergência”, Jenkins lança mão de exemplos da indústria midiática e alguns fandoms para analisar o universo da convergência, em especial, três conceitos: convergência midiática, cultura participativa e inteligência coletiva.
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Para o pesquisador João Freire Filho, em sua primeira obra, "Textual Poachers" (1992), Jenkins comete exageros na conceituação de fãs. Inspirado em John Fiske (foi professor de Jenkins na Universidade de Iowa), que equipara “as práticas dos fãs e o ativismo político dos grupos de guerrilha esquerda”, Jenkins descreveu os fãs como “heróis da resistência em uma batalha constante com os interesse e valores do ‘bloco de poder’”. Contudo, posteriormente, o próprio Jenkins admitiu que o modelo de audiência ligado a apropriação e resistência presente em "Textual Poacher" é repleto de perspectivas teóricas e comprometimentos políticos ultrapassados. Na perspectiva de Jenkins, já em meio a Cultura da convergência, vivemos a cultura participativa, onde novos modelos de consumidores estão surgindo. Esses novos consumidores são ativos, são migratórios, não são mais tão leais a redes ou meios de comunicação, são mais interligados socialmente e são consumidores que falam, falam alto; fazem barulho em público. Nesse contexto, “o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”. Portanto, para o guru das novas mídias, os consumidores e produtores não ocupam mais lugares independentes. Eles passam a ser “participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo”. Essa participação ativa dos usuários no universo cultura da midiática, também, encaminharia para um maior engamento político dos indivíduos na sociedade.


