Agnes Chow
Agnes Chow Ting é uma proeminente política e ativista social de Hong Kong, ex-membro do Comitê Permanente do Demosistō e ex-porta-voz do Scholarism. Sua candidatura para a eleição suplementar da Ilha de Hong Kong em 2018 foi barrada pelas autoridades devido à defesa de autodeterminação de Hong Kong por seu partido, apesar do apoio do campo pró-democracia.
Pontos-chave
- Agnes Chow é uma figura chave no movimento pró-democracia de Hong Kong, conhecida por seu ativismo desde a adolescência.
- Sua candidatura eleitoral em 2018 foi desqualificada devido à posição de seu partido sobre a autodeterminação de Hong Kong, gerando debate legal.
- Chow cofundou o partido Demosistō, que foi dissolvido em 2020 antes da implementação da lei de segurança nacional.
- Ela foi presa múltiplas vezes, incluindo sob a nova lei de segurança nacional, o que gerou condenação internacional.
- Fluente em japonês e reconhecida pela mídia japonesa como a 'Deusa da Democracia', ela adiou estudos para se dedicar à política.
Imagem: Honcques Laus · CC0 · Openverse
Agnes Chow cresceu em um ambiente apolítico, mas seu ativismo começou aos 15 anos, inspirada por um movimento online. Sua fé católica também influenciou sua participação em causas sociais. Ela estudou governo e relações internacionais na Hong Kong Baptist University, adiando seu último ano em 2018 para concorrer a uma eleição. Chow renunciou à sua nacionalidade britânica para cumprir os requisitos eleitorais. Ela é fluente em cantonês, mandarim, inglês e japonês, tendo aprendido japonês assistindo animes. Sua presença na mídia japonesa lhe rendeu o apelido de 'Deusa da Democracia' por seu papel no movimento pró-democracia de Hong Kong.
Chow ganhou destaque em 2012 como porta-voz do Scholarism, um grupo ativista estudantil. Ainda estudante, ela protestou contra a implementação do esquema de Educação Moral e Nacional, visto como 'lavagem cerebral'. Durante uma manifestação, conheceu Joshua Wong e Ivan Lam. O movimento reuniu milhares de manifestantes e levou o governo a recuar em setembro de 2012. Em 2014, Chow defendeu a reforma eleitoral em Hong Kong e liderou o boicote de aulas contra a estrutura eleitoral restritiva imposta para a eleição do Chefe do Executivo de 2017, culminando nos protestos do Occupy, conhecidos como 'Revolução dos Guarda-Chuvas'. Durante esses protestos, Chow renunciou ao cargo de porta-voz do Scholarism, citando forte pressão política.
Após os protestos do Occupy, uma nova geração de jovens democratas ganhou proeminência. Em abril de 2016, Chow cofundou o partido político Demosistō com Joshua Wong e Nathan Law, líderes estudantis do Occupy. Ela atuou como primeira secretária-geral adjunta do partido de 2016 a 2017. Chow fez campanha com Nathan Law na eleição para a Assembleia Legislativa de 2016, na qual Law foi eleito o legislador mais jovem. Em 2017, ela participou de um protesto durante a visita de Xi Jinping, cobrindo a estátua de Golden Bauhinia com faixas, e foi presa junto com Law e Wong. Em 30 de junho de 2020, Chow, Law e Wong anunciaram a dissolução do Demosistō, poucas horas antes da aprovação da lei de segurança nacional por Pequim, levantando preocupações de perseguição política. Chow também declarou no Facebook que não realizaria mais trabalho de defesa internacional.
Imagem: Honcques Laus · CC0 · Openverse
Após a expulsão de Nathan Law do Conselho Legislativo em julho de 2017 e sua condenação à prisão, Agnes Chow se tornou a candidata do Demosistō para a eleição suplementar de 2018 na Ilha de Hong Kong. Para se qualificar, ela renunciou à sua cidadania britânica. No entanto, em 27 de janeiro de 2018, sua candidatura foi desqualificada pela Comissão de Assuntos Eleitorais. A justificativa foi que a defesa ou promoção da 'autodeterminação' era contrária à declaração exigida por lei para defender a Lei Básica e jurar lealdade à Região Administrativa Especial de Hong Kong. Especialistas jurídicos, como Michael Davis e Johannes Chan Man-mun, criticaram a desqualificação, alertando para a falta de base legal e a ambiguidade das regras eleitorais. A Chefe do Executivo, Carrie Lam, afirmou que qualquer sugestão de independência ou autodeterminação de Hong Kong era inconsistente com a Lei Básica e o princípio de 'um país, dois sistemas'. Se eleita, Chow teria sido a legisladora mais jovem de Hong Kong.
Agnes Chow enfrentou múltiplas prisões e detenções por seu ativismo.
Caso Wan Chai (21 de junho)
Chow foi presa em 30 de agosto de 2019 em sua casa em Tai Po, acusada de participar e incitar uma reunião não autorizada na sede da polícia de Wan Chai em 21 de junho de 2019. Várias outras figuras pró-democracia foram presas no mesmo dia. Ela foi libertada sob fiança, mas seu smartphone foi confiscado. A Anistia Internacional classificou as prisões como um 'ataque ultrajante' à liberdade de expressão. Chow se declarou culpada em 6 de julho de 2020, afirmando estar preparada para a prisão, e foi formalmente condenada em 5 de agosto de 2020.
Caso da Lei de Segurança Nacional
Após a promulgação da lei de segurança nacional, Chow foi presa novamente em 10 de agosto de 2020, sob a acusação de violar a nova lei. Esta prisão ocorreu em meio a uma onda de prisões de figuras pró-democracia, incluindo o magnata da mídia Jimmy Lai. A detenção de Chow gerou uma campanha mundial nas redes sociais pedindo sua libertação e declarações de políticos e celebridades japoneses. Ela foi libertada sob fiança em 12 de agosto de 2020, descrevendo sua prisão como 'perseguição política e repressão política' e expressando não entender o motivo de sua detenção.
Imagem: Studio Incendo · BY · Openverse
O ativismo de Agnes Chow foi reconhecido internacionalmente.


