Albano Beirão
Albano de Jesus Beirão, o famoso e mítico "Homem-Macaco".
Nasceu na aldeia de Aveloso, concelho da Mêda, distrito da Guarda, em 1884, filho de António Beirão (natural das Asturias) e de Felícia de Jesus (natural de Aveloso). A partir dos 7 anos de idade começou a ser vítima de uns estranhos ataques que o transfiguravam por completo, que nunca chegaram a ser devidamente diagnosticados ou explicados, e que lhe conferiam poderes sobrenaturais. Deixava de conhecer as pessoas, ficava com uma força descomunal e com uma extrema agilidade, perdia peso e dava saltos enormes, inconcebíveis, trepava pelas paredes, rebolava-se pelo solo, corria e uivava como um lobo ou um cão, percorrendo as estreitas ruas da aldeia, de dia ou de noite, estarrecendo os moradores. Deixou de frequentar a escola porque colegas e professor lhe tinham verdadeiro horror. Os ataques passaram a ser frequentes e os habitantes, embora com receio, acabaram por se acostumar ao "Albaninho" ou "Albano do Mal", como lhe chamavam. Diziam que o jovem era possuído por um "espírito ruim" que o deixava naquele estado. À soleira das portas, colocavam-lhe bacias cheias de água que Albano sorvia sofregamente em quantidades imensas. Contam-se muitas histórias acerca das suas proezas. Costumava subir ao pelourinho da aldeia de cabeça para baixo e as pernas para cima e chegando ao topo da coluna fazia o pino sobre a cabeça. Andava de roupa interior, mas apesar das suas correrias violentas nunca rompeu a roupa. Metia-se nas tocas das raposas e expulsava-as de lá mais as suas crias; dava coices às mulas; trepava aos moinhos e por lá andava a brincar; ou então, à cabeçada, deitava abaixo portões de ferro.
Albano de Jesus cresceu e chamou as atenções onde quer que fosse. Era o terror da baixa de Lisboa (onde foi alcunhado de "Homem-Macaco"), dos comerciantes do Porto (onde facilmente trepou a torre dos Clérigos), das feiras aonde ia e onde afugentava multidões. Foi internado no Hospital Conde de Ferreira, no Porto, e no Hospital de Rilhafoles (actual Miguel Bombarda) em Lisboa. A ficha do seu internamento em 1904 em Rilhafoles refere: «Ataques muito repetidos e muito violentos, vindo sempre com a mesma forma: perda de sentidos que dura um minuto e depois movimentos violentos, correrias, saltos, acompanhados de gritos e urros. No quarto, onde só observei os ataques, os saltos e as corridas dão-se da grade da janela para a porta, com uma grande agilidade e rapidez. O doente agarra-se às grades, lá no alto, e depois atira-se lá do alto para o chão, caindo a quatro patas como um gato para correr à outra grade. No fim do ataque as coisas acabam e só dá gritos pequenos e levanta-se. Salvo quando se pendura às grades, não se vê senão a quatro patas, estando em regra os dedos das mãos flectidos nas articulações extremas e é assim que em regra a mão pousa. Outras vezes a flexão é menos e as polpas apontam. As mãos não são utilizadas para nada. Muitas vezes o doente remove coisas que estão diante de si mas sem o emprego das mãos. Durante estes movimentos gritos que chegam a apavorar.» Foi então diagnosticado como histero-epiléptico com manifestações de licantropia.


