Casa da Sabedoria
A Casa da Sabedoria ou Casa do saber foi uma biblioteca e centro de traduções estabelecido à época do Califado Abássida, em Bagdá, no Iraque. Foi uma instituição chave no "Movimento das traduções", tendo sido considerada o maior centro intelectual durante a Idade de Ouro do Islã.
Imagem: Fr Antunes · BY · Openverse
Fundação e origens
Sob o Califado Abássida, muitos trabalhos gregos, chineses e de outras línguas como o sânscrito foram traduzidos para o árabe. Foram construídas grandes bibliotecas, e os intelectuais perseguidos pelos imperadores bizantinos foram acolhidos. Também se traduziram trabalhos na Academia de Gundishapur, durante a Conquista muçulmana da Pérsia. Em 750, a dinastia Abássida substituiu os Omíadas como governante do império islâmico e, em 762, o califa Almançor (que reinou durante 754-775) construiu Bagdá para ser a nova capital, que antes era Damasco. A dinastia abássida tinha fortes traços persas, e adotaram muitas práticas do Império Sassânida - entre elas, o de traduzir trabalhos estrangeiros, exceto que agora os trabalhos eram traduzidos para o árabe. Para este fim, Almançor fundou um palácio-biblioteca, modelado segundo a Biblioteca Imperial Sassânida.
Período de Almamune
Sob a proteção do califa Almamune (reinou entre 813-833), a Casa da sabedoria assumiu novas funções relacionadas às matemáticas e à astrologia. O foco de interesse mudou dos textos persas para os gregos. Sábios notáveis pertencentes a esta época foram o poeta e astrólogo Sal ibne Harune, Alcuarismi (780–850), os irmãos Banu Muça, Sinde ibne Ali e Alquindi (801–873). O erudito cristão Hunaine ibne Isaque (809–873) foi nomeado pelo califa como responsável pelos trabalhos de tradução. O tradutor mais renomeado foi o sabeu Tabite ibne Curra (826–901). As traduções realizadas durante este período foram superiores às anteriores. A Casa da sabedoria floresceu com os sucessores de Almamune, Almotácime (reinou durante 833-842) e Aluatique (r. 842–847), mas declinou no reinado de Almotauaquil (r. 847–861) que, ao contrário dos seus predecessores, que seguiam a seita mutazilita, era seguidor do Islão ortodoxo e visava evitar a expansão da filosofia grega, uma das principais ferramentas da teologia mutazilita.
Destruição pelos mongóis
Assim como as restantes bibliotecas de Bagdá, a Casa da sabedoria foi destruída durante o cerco de Bagdá, em 1258, pelos mongóis. Perto de 400 000 manuscritos foram resgatados por Naceradim de Tus antes do cerco, e levados para Maragha.
Imagem: josé hilton · BY-NC-SA · Openverse
Outros lugares também foram chamados de "Casa da Sabedoria":


