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Al Jazeera

A Al Jazeera é uma rede de televisão estatal com sede em Doha, Catar, e operada pela Al Jazeera Media Network, uma organização global de notícias com 80 escritórios em todo o mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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História

A Al Jazeera já tinha uma atuação internacional, com sucursais e correspondentes espalhados pelo mundo, mas somente começou a chamar a atenção do Ocidente ao reportar manifestações populares antiamericanas em seguida aos atentados de 11 de setembro. Sua cobertura das guerras do Afeganistão (2002) e do Iraque (2003) fugiu ao padrão ufanista geralmente adotado pelas grandes redes de TV norte-americanas. Ao ter suas transmissões em Wall Street suspensas durante a Guerra do Iraque, sob a alegação de que as credenciais para jornalistas fornecidas pela Bolsa de Valores de Nova York se destinavam apenas a redes que oferecessem cobertura "responsável", o canal árabe se viu na inusitada posição de defender, em manifesto, a liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Na mesma ocasião, a Al Jazeera recebeu um prêmio por sua resistência à censura. A homenagem do grupo britânico Index on Censorship (Índice de Censura) foi concedida em razão da independência da Al Jazeera e sua reputação de divulgar notícias confiáveis. O Index é um grupo de personalidades importantes da mídia, escritores e pessoas dedicadas a defender a liberdade de expressão.

Dia e noite

Em 1 de janeiro de 1999 foi o primeiro dia de transmissão 24 horas. O emprego triplicou em um ano para 500 funcionários e a agência tinha escritórios em vários locais como União Européia e Rússia. Uma vez seu orçamento anual era estimado em 25 milhões de dólares. Embora controverso, a Al Jazeera estava rapidamente se tornando uma das maiores e influentes agencias de notícias na região. Ansiosos por notícias além das versões oficiais de eventos, os árabes se tornaram telespectadores dedicados. Uma estimativa feita em 2000 mostrava a audiência noturna por volta dos 35 milhões, colocando a Al Jazeera em primeiro lugar no mundo árabe, à frente do Middle East Broadcasting Centre, que era patrocinada pela Arábia Saudita, e da londrina Arab News Network. Existiam quase 70 satélites ou canais terrestres sendo transmitidos para o Oriente Médio, a maioria dos quais em árabe. A Al Jazeera lançou um site em língua não árabe, em janeiro de 2001. Além disso, o sinal também estaria disponível no Reino Unido pela primeira vez através da British Sky Broadcasting.

Guerra no Afeganistão

A Al Jazeera ganhou atenção de muitos no ocidente durante a caçada a Osama bin Laden e o Talibã no Afeganistão depois do ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. Ela transmitiu vídeos que recebia do Osama bin Laden e do Talibã, considerando novas imagens dos fugitivos mais procurados do mundo como notícias valiosas. Alguns criticaram a rede por dar voz a terroristas. O chefe executivo da Al Jazeera em Washington, Hafez al-Mirazi, comparou a situação com as mensagens de Ted Kaczynski para o The New York Times. A emissora disse que foram dadas gravações porque ela tinha uma grande audiência árabe. Muitas outras redes de televisão queriam adquirir as mesmas imagens. A CNN International tinha direitos exclusivos delas por 6 horas antes que outras redes pudessem transmitir, uma provisão que foi quebrada por outras pelo menos em uma ocasião controversa. O primeiro-ministro Tony Blair logo apareceu em um talk-show da Al Jazeera em 14 de Novembro de 2001 para afirmar a situação da Grã-Bretanha em perseguir o Talibã no Afeganistão.

Guerra no Iraque de 2003

Antes e durante a invasão dos Estados Unidos no Iraque, onde a Al Jazeera estava presente desde 1997, as instalações da rede e gravações foram novamente procuradas por redes internacionais. O canal e seu website também estavam ganhando atenção sem precendentes de telespectadores que estavam procurando alternativas para relatórios incorporados e conferências da imprensa militar. A Al Jazeera mudou sua cobertura de esportes para um canal novo e separado em 1° de Novembro de 2003, permitindo mais notícias e programação de relações públicas no canal original. Um website em inglês foi lançado no começo de Março de 2003. O canal tinha entre 1300 e 1400 empregados, dito pelo editor da redação para o The New York Times. Haviam 23 escritórios ao redor do mundo e 70 correspondentes estrangeiros, com 450 jornalistas ao todo.

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Organização

Imagem: Omar Chatriwala · BY-NC-ND · Openverse

O canal original da Al Jazeera foi lançado em 1 de novembro de 1996 por um decreto emir com um empréstimo de 500 milhões de Riais Catarenses (137 milhões de dolares) do emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa. Pelo financiamento através de emprestimos e concessões ao invés de subsídios governamentais diretos, o canal afirma manter uma política editorial independente. O canal começou a transmitir no final de 1996, com muitos funcionários admitidos a partir da estação de televisão árabe BBC World Service, uma co-propriedade da Arábia Saudita, que fechou em 1 de abril depois de dois anos de operação devido à demandas de censura pelo governo saudita. O logotipo da Al Jazeera é uma representação decorativa do nome da rede escrita usando caligrafia árabe. Ela foi selecionada pelo fundador da estação, emir do Catar Sheikh Hamad bin Khalifa, como a vencedora de um concurso de design.

Quadro de funcionários

A Al Jazeera reestruturou suas operações de uma rede que continha todos seus canais diferentes. Wadah Khanfar, então diretor administrativo do Arabic Channel, foi nomeado como diretor geral da Al Jazeera Media Network. Ele também agiu como diretor administrativo do Arabic Channel. Khanfar resignou em 20 de setembro de 2011 afirmando que ele tinha alcançado suas metas originais, e que 8 anos foi o suficiente para qualquer líder de uma organização, em uma entrevista para a Al Jazeera inglesa. Amed bin Jassim Al Thani substitui Khanfar e serviu como deretor geral do canal de setembro de 2011 até junho de 2013 quando ele foi nomeado ministro da economia. O presidente do canal é Hamd bin Thamer Al Thani. O diretor geral atual é o Dr. Mostefa Souag.

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Alcance

Imagem: Al Jazeera English · BY-SA · Openverse

Muitos governos no Oriente Médio controlam os meios de comunicação, existindo censura governamental para impactar a cobertura de mídia e opiniões públicas, levando assim objeções internacionais em relação à liberdade de imprensa e cobertura enviesada de mídia. Alguns estudiosos e comentadores usam a noção de objetividade contextual, que realça a tensão entre objetividade e apelo à audiência, para descrever controversa porém popular abordagem de notícias. Cada vez mais as entrevistas de Al Jazeera e outras imagens são retransmitidas em canais americanos, britânicos e em outros canais ocidentais tais como CNN e a BBC. Em janeiro de 2003 a BBC anunciou que assinaria um acordo com Al Jazeera para compartilhar instalações e informações, incluindo gravações de notícias. A disponibilidade de Al Jazeera através do Oriente Médio mudou o cenário televisivo da região. Anterior à chegada da emissora, muitos cidadãos do Oriente Médio eram incapazes de assistir canais de TV que não fossem controlados pela estações televisivas nacionais. Al Jazeera introduziu um nível de liberdade de expressão na televisão que era previamente desconhecido em muitos desses países. Al Jazeera apresentou opiniões controvérsias em relação a governos de muitos estados árabes no Golfo Persa, incluindo Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, e Catar; ela também apresentou opiniões controversas sobre a relação da Síria com o Líbano, e com o judiciário egípcio. Críticos acusam Al Jazeera de sensacionalismo para aumentar audiência. As transmissões de Al Jazeera algumas vezes resultam em ações drásticas: por exemplo, quando, em 27 de janeiro de 1999, críticos do governo argelino apareceram no programa ao vivo El-Itidjah el-Mouakass (“The Opposite Direction”), o governo argelino cortou a eletricidade de grande parte da capital Argel (e supostamente também grande partes do país) para impedir que o programa fosse visto.

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Canal infantil

Imagem: Al Jazeera English · BY-SA · Openverse

Al Jazeera também lançou ao ar o Jazeera Children Channel (JCC), um canal de TV voltado exclusivamente para as crianças. Com uma programação a princípio apenas em árabe, a emissora infantil é uma iniciativa conjunta do governo do Catar e da multinacional francesa Lagardère Images. O público-alvo são crianças entre 3 anos e 15 anos, divididas em três faixas de programação: ‘pré-escola’ (3 a 6 anos), ‘pré-adolescentes’ (7 a 10 anos) e ‘adolescentes’ (11 a 15 anos). O JCC tem 235 funcionários e escritórios no Cairo (Egito), em Beirute (Líbano),Amã (Jordânia), Rabat (Marrocos) e Paris. Seu sinal é aberto e transmitido para 22 países árabes e para a Europa, pelos satélites Hot Bird 6 e Badr-4 (também conhecido como Arabsat 4B).

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Canal em inglês

Em 15 de novembro de 2006, Al Jazeera lançou mundialmente seu canal de notícias em inglês, com o objetivo de enfocar os acontecimentos do Oriente Médio sob uma visão árabe, para um público acostumado a versões ditadas pelos interesses políticos de Washington e Londres. Inicialmente anunciado com o nome Al Jazeera International, teve seu nome alterado para Al Jazeera English. A emissora tem planos de atingir um público de 80 milhões de pessoas em 47 países, onde é transmitida por operadoras de cabo ou via satélite. Ela pode ser assistida mundialmente através da Internet. Em Portugal, pode ser também assistido através de uma antena parabólica sintonizada em qualquer um desses satélites: Astra 1M, Astra 2G, Hotbird 13G, Es'hail 1 (em banda Ku) ou Intelsat 20 (para banda C). Em Macau e Timor-Leste o canal é exibido também via satélite através dos satélites AsiaSat 7 e Intelsat 20 (ambos em banda C). Para Angola, Moçambique, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e grande parte da África, a emissora pode ser vista por satélite através do Intelsat 20.

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Controvérsias

Imagem: Al Jazeera English · BY-SA · Openverse

Censura de documentário sobre escravatura

Em agosto de 2018, foi noticiado que a Al Jazeera havia censurado As Rotas da Escravatura (no Brasil, Rotas da Escravidão), uma série documental europeia (produção luso-franco-belga de Compagnie des Phares et Balises, ARTE France, Kwassa Films, RTBF, LX Filmes, RTP e Inrap). Todo o primeiro episódio, que versava sobre "o processo que levou o Império Muçulmano a tecer de forma duradoura uma imensa rede de tráfico de escravos pela África, Médio Oriente e Ásia" foi eliminado. Em troca, a rede de televisão afirmou que a escravatura em África foi uma prática fundada pelos portugueses. O amplo envolvimento muçulmano no comércio de escravos é um facto historicamente estabelecido pelos historiadores; entre outros, Bernard Lewis dedicou-se a esse tema no seu livro Race and Slavery in the Middle Eastː an Historical Enquiry.

Fechamento da rede de TV Al Jazeera em Israel

Em 1 de abril de 2024, o Parlamento de Israel, aprovou a lei que permite ao governo fechar a rede de TV Al Jazeera no país. O projeto contou com 71 votos a favor e 10 contra. Antes mesmo da votação, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia afirmado, por meio do porta-voz de seu partido, o Likud, que "tomará medidas imediatas para fechar a Al Jazeera, de acordo com o procedimento estabelecido na lei". Em 5 de maio, o Estado de Israel ordenou o fechamento dos escritórios locais da rede de TV Al Jazeera, aumentando a disputa entre a emissora e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A Al Jazeera saiu do ar do principal serviço de TV por assinatura de Israel horas após a ordem.

Fechamento da rede de TV Al Jazeera na Palestina

No dia 1 de janeiro de 2025, a Autoridade Palestina anunciou a suspensão da TV Al Jazeera em seus territórios. De acordo com a agência de notícias palestinas Wafa, descreve que "Essa decisão foi tomada em resposta à insistência da Al Jazeera em transmitir materiais provocativos, relatórios considerados enganosos, e ao incentivo de desinformação e de incitação à discórdia, interferindo nos assuntos internos palestinos". Segundo a mesma agência, declara que a comissão ministerial especializada, composta pelos ministérios da Cultura, Interior e Comunicações, decidiu suspender as transmissões e congelar todas as atividades do canal de televisão por satélite Al Jazeera e de seu escritório na Palestina. A decisão também inclui a suspensão do trabalho de todos os jornalistas, funcionários, equipes e canais afiliados até que sua situação legal seja regularizada, devido às violações da Al Jazeera às leis e regulamentos vigentes na Palestina.

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