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Alfragano

Abu Alabás Amade ibne Maomé ibne Catir Alfargani, conhecido no Ocidente como Alfragano ou Alfargani, foi um proeminente astrónomo persa que trabalhou para a corte abássida em Bagdade. A cratera lunar Alfraganus foi batizada em sua homenagem.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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Biografia

Alfargani nasceu em data incerta no início do século IX e seu nome sugere que provavelmente era originário do vale de Fergana. É apresentado como sendo árabe ou persa. Esteve envolvido no cálculo do diâmetro da Terra por meio da medição do comprimento do arco meridiano, juntamente com uma equipa de cientistas patrocinados pelo califa abássida Almamune (r. 813–833) em Bagdade. Mais tarde foi viver para o Cairo, onde escreveu um tratado sobre o astrolábio cerca de 856. Ali também supervisionou a construção de um grande nilómetro, conhecido como o Novo nilómetro, na ilha de Roda (atualmente no Velho Cairo), a mando do califa Almotauaquil, o qual ficou pronto em 861. Este instrumento permitia medir a altura do rio Nilo durante as cheias. Outra obra por ele dirigida, no Cairo ou perto de Samarra, então a capital abássida, foi a construção dum canal, chamado Aljafari, para o que foi contratado pelos irmãos Maomé e Amade ibne Muça (conhecidos como os Banu Muça), que foram encarregados de supervisionar as obras por Almotauaquil. Os registos históricos indicam que Alfargani cometeu um erro crítico no projeto do canal: a entrada ficou demasiado funda, fazendo com que a água só entrasse no resto do canal quando o nível das águas do rio era anormalmente elevado. O califa ficou furioso quando soube do erro e enviou Sanade ibne Ali para apurar a eventual responsabilidade dos irmãos Banu Muça. Sanade acabou por reportar (enganosamente) que afinal não havia erro no projeto do canal da autoria de Alfargani, o que atrasou quaisquer consequências por tempo suficiente até a controvérsia morrer abruptamente depois do assassinato de Almotauaquil em 861. As obras do canal não chegaram a ser concluídas. Alfargani morreu no Egito em ano incerto depois de 861.

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Obras

Imagem: Francesco Bini · BY-SA · Openverse

A obra mais influente da autoria de Alfragano foi o seu livro “Kitāb fī Jawāmiʿ ʿIlm al-Nujūmi” ("Elementos de astronomia sobre os movimentos celestes" ou "Compêndio da Ciência das Estrelas"), escrito em data incerta entre 833 e 857. É um sumário descritivo do Almagesto de Ptolemeu que as descobertas e revisões de valores de astrónomos muçulmanos anteriores. Entre essas revisões que constam no livro encontram-se os cálculos da circunferência e da inclinação axial da Terra e as apsides do Sol e da Lua. Embora o resumo feito por Alfragano do Almagesto contivesse essas correções numéricas, o texto não enfatiza a matemática da teoria astronómica de Ptolomeu e, em vez disso, foca-se mais em transmitir as partes conceituais da teoria de uma forma facilmente compreensível. O livro foi traduzido para latim no século XII por João de Sevilha (Iohannes Hyspalensis) em 1135 e depois por Gerardo de Cremona antes de 1175. Estas traduções permaneceram populares na Europa até ao tempo de Regiomontano (1436–1476). O conhecimento de Dante Alighieri da astronomia ptolomaica, que é evidente na sua Divina Comédia (escrita no início do século XIV), bem como outras obras como o Convívio, parece ter resultado das suas leituras de Alfragano. O Elementos foi também traduzido para hebraico por Jacob Anatoli c. 1231–1235. Esta tradução contém uma secção adicional sobre as 48 constelações, que provavelmente também foi escrita por Alfargani mas não consta de outras traduções.

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Fontes consultadas

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