Maomé II, o Conquistador
Maomé II, também conhecido como Mehmed II ou Mehmet II, pelo epíteto o Conquistador, ou ainda, em turco, Fatih Sultan Mehmed foi sultão do Império Otomano em duas ocasiões, a primeira em 1444–1446 e a segunda em 1451–1481.
Maomé II nasceu em 30 de março de 1432, em Edirne, então a capital do Império Otomano. Seu pai foi o Sultão Murad II (1404–1451) e sua mãe Hüma Hatun, uma escrava de origem incerta. Quando Maomé II tinha onze anos, foi enviado a Amasya com dois lalas (conselheiros) para governar e assim adquirir experiência, conforme o costume dos governantes otomanos anteriores. O Sultão Murad II também enviou um grupo de professores para que estudasse com eles. Essa educação islâmica teve grande impacto na formação do pensamento de Maomé e no fortalecimento de suas crenças muçulmanas. Foi influenciado em sua prática da epistemologia islâmica por praticantes da ciência, especialmente por seu mentor, Molla Gürâni, seguindo a abordagem deles. A influência de Akshamsaddin na vida de Maomé tornou-se preponderante desde jovem, especialmente quanto ao imperativo de cumprir seu dever islâmico de derrubar o Império Bizantino conquistando Constantinopla.
Segundo o historiador bizantino Miguel Critóbulo, as hostilidades eclodiram após um escravo albanês do comandante otomano de Atenas fugir para a fortaleza veneziana de Corão (Koroni) com 100 000 aspros de prata do tesouro de seu senhor. O fugitivo então se converteu ao Cristianismo, de modo que as autoridades venezianas recusaram as demandas otomanas de extradição. Usando isso como pretexto em novembro de 1462, o comandante otomano na Grécia central, Turahanoğlu Ömer Bey, atacou e quase conseguiu tomar a estrategicamente importante fortaleza veneziana de Lepanto (Nafpaktos). Em 3 de abril de 1463, porém, o governador da Moreia, Isa Beg, tomou a cidade veneziana de Argos por traição. A nova aliança lançou uma ofensiva em dois flancos contra os otomanos: um exército veneziano, sob o Capitão-Geral do Mar Alvise Loredan, desembarcou na Moreia, enquanto Matias Corvino invadiu a Bósnia. Ao mesmo tempo, Pio II começou a reunir um exército em Ancona, esperando liderá-lo pessoalmente. Negociações também foram iniciadas com outros rivais dos otomanos, como os Caramanidas, Uzun Hasan e o Canato da Crimeia.
Conquista de Constantinopla
Quando Maomé II subiu ao trono novamente em 1451, dedicou-se a fortalecer a marinha otomana e fez preparativos para um ataque a Constantinopla. No estreito Bósforo, a fortaleza Anadoluhisarı havia sido construída por seu bisavô Bayezid I no lado asiático; Maomé ergueu uma fortaleza ainda mais poderosa chamada Rumelihisarı no lado europeu, obtendo assim controle completo do estreito. Após concluir suas fortalezas, Maomé passou a cobrar pedágio dos navios que passassem ao alcance de seus canhões. Um navio veneziano que ignorou os sinais para parar foi afundado por um único disparo e todos os marinheiros sobreviventes foram decapitados, exceto o capitão, que foi empalado e exposto como um espantalho humano como advertência aos outros marinheiros do estreito.
Conquista da Sérvia (1454–1459)
As primeiras campanhas de Maomé II após Constantinopla foram em direção à Sérvia, que havia sido um estado vassalo otomano intermitentemente desde a Batalha do Kosovo em 1389. O governante otomano tinha ligações com o Despotado Sérvio — uma das esposas de Murad II era Mara Branković — e usou esse fato para reivindicar terras sérvias. A recente aliança de Đurađ Branković com os húngaros e seu pagamento irregular de tributos serviram como justificativas adicionais para a invasão. Os otomanos enviaram um ultimato exigindo as chaves de alguns castelos sérvios que anteriormente pertenciam aos otomanos. Quando a Sérvia recusou essas exigências, o exército otomano liderado por Maomé partiu de Edirne em direção à Sérvia em 1454, em algum momento após o dia 18 de abril. As forças de Maomé rapidamente conseguiram capturar Sivricehisar (por vezes identificado com a Fortaleza de Ostrvica) e Omolhisar, e repelindo uma força de cavalaria sérvia de 9.000 homens enviada contra eles pelo déspota. Após essas ações, a capital sérvia de Smederevo foi sitiada pelas forças otomanas. Antes que a cidade pudesse ser tomada, chegou informação sobre uma força húngara de socorro comandada por Hunyadi que se aproximava, o que levou Maomé a levantar o cerco e começar a marchar de volta para seus domínios. Em agosto a campanha estava efetivamente encerrada, Maomé deixou parte de suas forças sob o comando de Firuz Bey na Sérvia em antecipação a um possível ataque otomano por Hunyadi. Essa força foi derrotada por um exército húngaro-sérvio liderado por Hunyadi e Nikola Skobaljić em 2 de outubro, próximo a Kruševac, após o que Hunyadi passou a saquear Niš e Pirot, controladas pelos otomanos, antes de retornar a Belgrado. Aproximadamente um mês depois, em 16 de novembro, os otomanos vingaram sua derrota anterior em Kruševac derrotando o exército de Skobaljić próximo a Tripolje, onde o voivoda sérvio foi capturado e executado por empalamento. Em seguida, um tratado temporário foi assinado com o déspota sérvio, pelo qual Đurađ reconheceria formalmente os fortes sérvios recentemente capturados como território otomano, enviaria trinta mil florins à Porta como tributo anual e forneceria tropas para as campanhas otomanas. A campanha de 1454 resultou na captura de cinquenta mil prisioneiros da Sérvia, quatro mil dos quais foram assentados em vários vilarejos próximos a Constantinopla. No ano seguinte, Maomé recebeu relatórios de um de seus comandantes de fronteira sobre a fraqueza sérvia diante de uma possível invasão, os quais, combinados com os resultados insatisfatórios da campanha de 1454, convenceram Maomé a iniciar outra campanha contra a Sérvia. O exército otomano marchou sobre a importante cidade mineira de Novo Brdo, que Maomé colocou sob cerco. Os sérvios não conseguiram resistir ao exército otomano em campo aberto, recorrendo a fortalecer seus diversos assentamentos e fazer seus camponeses fugirem para fortalezas ou florestas. Após quarenta dias de cerco e intenso fogo de artilharia, Novo Brdo se rendeu. Após a conquista da cidade, Maomé capturou vários outros assentamentos sérvios na área vizinha, após o que iniciou sua marcha de volta a Edirne, visitando no caminho o túmulo de seu ancestral Murad I no Kosovo.
Conquista da Moreia (1458–1460)
O Despotado da Moreia fazia fronteira com o sul dos Bálcãs otomanos. Os otomanos já haviam invadido a região sob Murad II, destruindo as defesas bizantinas — a Muralha Hexamilião — no Istmo de Corinto em 1446. Antes do cerco final de Constantinopla, Maomé ordenou que as tropas otomanas atacassem a Moreia. Os déspotas, Demétrios Paleólogo e Tomás Paleólogo, irmãos do último imperador, falharam em enviar qualquer auxílio. A instabilidade crônica e o pagamento de tributos aos turcos, após o tratado de paz de 1446 com Maomé II, resultaram em uma revolta albanesa-grega contra eles, durante a qual os irmãos convidaram as tropas otomanas para ajudar a suprimir a revolta. Nessa época, vários gregos e albaneses influentes da Moreia fizeram paz privada com Maomé. Após mais anos de governo incompetente pelos déspotas, seu fracasso em pagar o tributo anual ao Sultão, e finalmente sua própria revolta contra o domínio otomano, Maomé entrou na Moreia em maio de 1460. A capital Mistra caiu exatamente sete anos após Constantinopla, em 29 de maio de 1460. Demétrios acabou como prisioneiro dos otomanos e seu irmão mais jovem Tomás fugiu. Ao fim do verão, os otomanos haviam obtido a submissão de praticamente todas as cidades dos gregos.
Conquista de Trebizonda (1460–1461)
Os imperadores do Império de Trebizonda formaram alianças por meio de casamentos reais com vários governantes muçulmanos. O imperador João IV de Trebizonda casou sua filha com o filho de seu cunhado, Uzun Hasan, sultão do Aq Qoyunlu (também conhecido como Turcomanos da Ovelha Branca), em troca de sua promessa de defender Trebizonda. Também obteve promessas de apoio dos begs turcos de Sinope e Caramania, e do rei e príncipes da Geórgia. Os otomanos estavam motivados a capturar Trebizonda ou a obter um tributo anual. Na época de Murad II, tentaram tomar a capital pelo mar em 1442 pela primeira vez, mas o mau tempo dificultou os desembarques e a tentativa foi repelida. Enquanto Maomé II estava sitiando Belgrado em 1456, o governador otomano de Amasya atacou Trebizonda e, embora tenha sido derrotado, fez muitos prisioneiros e extorquiu um pesado tributo.
Submissão da Valáquia (1459–1462)
Os otomanos, desde o início do século XV, tentaram trazer a Valáquia (em turco otomano: افلاق) sob seu controle colocando seu próprio candidato no trono, mas cada tentativa terminou em fracasso. Os otomanos consideravam a Valáquia uma zona tampão entre eles e o Reino da Hungria e, em troca de um tributo anual, não interferiam em seus assuntos internos. As duas principais potências balcânicas, a Hungria e os otomanos, persistiram em uma longa luta para obter a soberania sobre a Valáquia. Para impedir que a Valáquia caísse nas mãos dos húngaros, os otomanos libertaram o jovem Vlad III (Drácula), que passara quatro anos como prisioneiro de Murad, juntamente com seu irmão Radu, para que Vlad pudesse reivindicar o trono da Valáquia. Seu governo foi de curta duração, porém, pois Hunyadi invadiu a Valáquia e restaurou ao trono seu aliado Vladislau II, do clã Dănești.
Conquista da Bósnia (1463)
O déspota da Sérvia, Lázaro Branković, morreu em 1458, e uma guerra civil eclodiu entre seus herdeiros, resultando na conquista otomana da Sérvia em 1459/1460. Estêvão Tomašević, filho do rei da Bósnia, tentou trazer a Sérvia sob seu controle, mas expedições otomanas o forçaram a desistir de seu plano e Estêvão fugiu para a Bósnia, buscando refúgio na corte de seu pai. Após algumas batalhas, a Bósnia tornou-se um reino tributário dos otomanos. Em 10 de julho de 1461, Estêvão Tomás morreu, e Estêvão Tomašević o sucedeu como Rei da Bósnia. Em 1461, Estêvão Tomašević fez uma aliança com os húngaros e pediu ajuda ao Papa Pio II diante de uma iminente invasão otomana. Em 1463, após uma disputa sobre o tributo pago anualmente pelo Reino da Bósnia aos otomanos, ele pediu ajuda aos venezianos. Porém, nenhuma ajuda chegou à Bósnia. Em 1463, o Sultão Maomé II liderou um exército para o país. A cidade real de Bobovac caiu logo, deixando Estêvão Tomašević recuando para Jajce e depois para Ključ. Maomé invadiu a Bósnia e a conquistou muito rapidamente, executando Estêvão Tomašević e seu tio Radivoj. A Bósnia caiu oficialmente em 1463 e tornou-se a província mais ocidental do Império Otomano.
Ele reuniu artistas italianos, humanistas e estudiosos gregos em sua corte, permitiu que a Igreja Bizantina continuasse funcionando, ordenou ao patriarca Genádio que traduzisse a doutrina cristã para o turco e convidou Gentile Bellini de Veneza para pintar seu retrato, bem como afrescos venezianos que desapareceram hoje. Reuniu em seu palácio uma biblioteca que incluía obras em grego, persa e latim. Maomé convidou cientistas e astrônomos muçulmanos como Ali Kuşçu e artistas para sua corte em Constantinopla, fundou uma universidade e construiu mesquitas (por exemplo, a Mesquita Fatih), aquedutos e o Palácio de Topkapi de Istambul e o Quiosque Decorado. Em torno da grande mesquita que construiu, ergueu oito madrasas, que, por quase um século, mantiveram seu posto como as mais altas instituições de ensino das ciências islâmicas no império. Maomé II permitiu a seus súditos um grau considerável de liberdade religiosa, desde que fossem obedientes ao seu governo. Após sua conquista da Bósnia em 1463, emitiu o Ahdname de Milodraž aos Franciscanos bósnios, concedendo-lhes a liberdade de circular livremente pelo Império, praticar o culto em suas igrejas e mosteiros e exercer sua religião sem perseguição, insulto ou perturbação oficial ou não oficial. Porém, seu exército permanente era recrutado a partir do Devshirme, um sistema que tomava súditos cristãos em idade jovem (8 a 20 anos): eles eram convertidos ao Islã e depois educados para a administração ou para os Janízaros militares. Tratava-se de uma meritocracia que "formou entre seus ex-alunos quatro em cada cinco Grão-Visires desse período em diante".
Retorno a Constantinopla (1453–1478)
Após conquistar Constantinopla, quando Maomé II finalmente entrou na cidade pelo que hoje é conhecido como Portão de Topkapi, ele imediatamente foi a cavalo até a Hagia Sophia, onde ordenou que o edifício fosse protegido. Ordenou que um imã o encontrasse ali para entoar a Profissão de fé muçulmana: "Testifico que não há deus senão Alá. Testifico que Maomé é o mensageiro de Alá." A catedral Ortodoxa foi transformada em uma mesquita muçulmana por meio de um fideicomisso de caridade, solidificando o domínio islâmico em Constantinopla. A principal preocupação de Maomé com Constantinopla era reconstruir as defesas da cidade e repovoá-la. Projetos de construção foram iniciados imediatamente após a conquista, incluindo o reparo das muralhas, construção da cidadela, um notável hospital com estudantes e equipe médica, um grande complexo cultural, dois conjuntos de casernas para os janízaros, uma fundição tophane fora de Gálata, e um novo palácio. Para incentivar o retorno dos gregos e dos genoveses que haviam fugido de Gálata, o bairro comercial da cidade, ele devolveu suas casas e lhes forneceu garantias de segurança. Maomé emitiu ordens por todo o seu império para que muçulmanos, cristãos e judeus se reassentassem na cidade, exigindo que cinco mil famílias precisassem ser transferidas para Constantinopla até setembro. De todo o império islâmico, prisioneiros de guerra e pessoas deportadas foram enviados à cidade; essas pessoas eram chamadas de "Sürgün" em turco (em grego: σουργούνιδες sourgounides; "imigrantes").
Centralização do governo
Maomé, o Conquistador, consolidou o poder construindo sua corte imperial, o divan, com oficiais que seriam exclusivamente leais a ele e lhe permitiriam maior autonomia e autoridade. Sob sultões anteriores, o divan havia sido preenchido por membros de famílias aristocráticas que às vezes tinham outros interesses e lealdades além dos do sultão. Maomé, o Conquistador, afastou o império da mentalidade Ghazi, que enfatizava as antigas tradições e cerimônias na governança, e o encaminhou para uma burocracia centralizada composta em grande parte por oficiais de formação devşirme. Adicionalmente, Maomé, o Conquistador, tomou a iniciativa de converter os estudiosos religiosos que faziam parte das madrasas otomanas em funcionários assalariados da burocracia otomana, leais a ele. Essa centralização foi possível e formalizada por um kanunname, emitido durante 1477–1481, que pela primeira vez listou os principais funcionários do governo otomano, seus papéis e responsabilidades, salários, protocolo e punições, bem como como se relacionavam entre si e com o sultão.
Interesse pela cultura ocidental
Além de seus esforços para expandir o domínio otomano pelo Mediterrâneo Oriental, Maomé II também cultivou uma grande coleção de arte e literatura ocidentais, muitas das quais foram produzidas por artistas renascentistas. Desde jovem, Maomé havia demonstrado interesse na arte renascentista e na literatura e história clássicas, com seus livros escolares tendo ilustrações caricatas de moedas antigas e retratos esboçados em estilos distintamente europeus. Além disso, relata-se que ele tinha dois tutores, um formado em grego e outro em latim, que lhe liam histórias clássicas, incluindo as de Laércio, Lívio e Heródoto, nos dias que antecederam a queda de Constantinopla.
Maomé II teve pelo menos oito consortes conhecidas, pelo menos uma das quais foi sua esposa legal.
Consortes
As oito consortes conhecidas de Maomé II são:
Política em relação ao fratricídio
Seu avô, Maomé I, lutou pelo trono com seus irmãos Süleyman, İsa e Musa durante o Interregno Otomano. Essa guerra civil durou oito anos e enfraqueceu o império pelas baixas que infligiu e pela divisão que semeou na sociedade otomana. Como resultado, Maomé II legalizou formalmente a prática do fratricídio, a fim de preservar o Estado e não impor mais tensão à unidade, como as guerras civis anteriores haviam feito. Maomé II declarou: "De qualquer de meus filhos que suba ao trono, é aceitável que ele mate seus irmãos para o bem comum do povo (nizam-i alem). A maioria dos ulama (estudiosos muçulmanos) aprovou isso; que se aja de acordo". A partir desse momento, e até que a prática declinasse durante os reinados de Ahmed I e Ibrahim I, cada sultão, ao subir ao trono, ordenava a execução de seus irmãos e de todos os seus descendentes masculinos.
Maomé tinha forte interesse pela antiga civilização grega e medieval bizantina. Seus heróis eram Aquiles e Alexandre, o Grande, e podia discutir a religião cristã com alguma autoridade. Era reputado por ser fluente em vários idiomas, incluindo turco, sérvio, árabe, persa, grego e latim. Em certas ocasiões, reunia os ulama, ou sábios mestres muçulmanos, e os fazia discutir problemas teológicos em sua presença. Durante seu reinado, a matemática, a astronomia e a teologia atingiram seu nível mais elevado entre os otomanos. Seu círculo social incluía uma série de humanistas e sábios, como Ciriaco de' Pizzicolli de Ancona, Benedetto Dei de Florença e Miguel Critóbulo de Imbros, que menciona Maomé como um Fileleno graças a seu interesse pelas antiguidades e relíquias gregas. Foi por suas ordens que o Partenão e outros monumentos atenienses foram preservados da destruição. Além disso, o próprio Maomé II era um poeta que escrevia sob o pseudônimo de "Avni" (o auxiliador, aquele que é útil) e deixou uma coleção clássica de poesia diwan.
Em 1481, Maomé marchou com o exército otomano, mas ao chegar a Maltepe, Istambul, adoeceu. Estava apenas começando novas campanhas para capturar Rodes e o sul da Itália, porém, segundo alguns historiadores, sua próxima viagem estava planejada para derrubar o Sultanato Mameluco do Egito e capturar o Egito, reivindicando o califado. Mas após alguns dias, ele morreu em 3 de maio de 1481, com a idade de quarenta e nove anos, e foi sepultado em seu türbe próximo ao complexo da Mesquita Fatih. Segundo o historiador Colin Heywood, "há evidências circunstanciais substanciais de que Maomé foi envenenado, possivelmente a mando de seu filho mais velho e sucessor, Bayezid". A notícia da morte de Maomé causou grande alegria na Europa; sinos de igrejas foram repicados e celebrações realizadas. A notícia foi proclamada em Veneza com: "La Grande Aquila è morta!" ("A Grande Águia está morta!") Maomé II é reconhecido como o primeiro sultão a codificar o direito penal e constitucional, muito antes de Solimão, o Magnífico; ele estabeleceu assim a imagem clássica do sultão otomano autocrático. Os trinta anos de governo de Maomé e suas numerosas guerras expandiram o Império Otomano para incluir Constantinopla, os reinos e territórios turcos da Ásia Menor, a Bósnia, a Sérvia e a Albânia. Maomé deixou uma reputação imponente tanto no mundo islâmico quanto no cristão. Segundo o historiador Franz Babinger, Maomé era considerado um tirano sanguinário pelo mundo cristão e por uma parte de seus súditos.


