Ajuda humanitária para a Venezuela em 2019
Uma operação humanitária conjunta por terra e mar tenta entrar na Venezuela desde 23 de fevereiro de 2019, liderada por uma coalizão da Colômbia, Brasil, Estados Unidos e depois incluindo a Holanda, para trazer bens aos pontos mais críticos de extrema necessidade da população venezuelana, no meio da crise presidencial entre os governos de Nicolás Maduro e Juan Guaidó.
Antecedentes
A escassez na Venezuela ocorreu desde a presidência de Hugo Chávez, com o país experimentando uma taxa de escassez de 24,7% em janeiro de 2008. A taxa de escassez diminuiu no país até 2012, quando a escassez se tornou comum no país. Desde que Maduro alcançou a presidência em 2013, ele negou que houvesse uma crise humanitária no país e recusou a ajuda internacional, piorando as condições na Venezuela. Em 24 de janeiro de 2016, a Assembleia Nacional da Venezuela, com uma maioria de oposição, declarou uma "crise de saúde humanitária" em vista da "grave escassez de medicamentos, suprimentos médicos e deterioração da infra-estrutura humanitária", exigindo do governo de Nicolás Maduro "garantir o acesso imediato à lista de medicamentos essenciais, básicos, indispensáveis e imprescindíveis e que devem estar sempre acessíveis".
Criação da coalização
Em 2 de fevereiro de 2019 Juan Guaidó, o presidente interino proclamado pela oposição, anunciou a existência de uma "coalizão de ajuda humanitária" que vem da Colômbia, do Brasil e de uma ilha caribenha. Em 5 de fevereiro de 2019, os ministros das Relações Exteriores dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia reuniram-se na Casa Branca, reunião na qual o secretário de Estado Mike Pompeo e o assessor de segurança nacional John R. Bolton também estiveram presentes para discutir a possível ajuda humanitária. Em sua mensagem oficial, mostraram que o governo de oposição de Guaidó estava disposto a apoiá-los na entrada na Venezuela.
VoluntariosXVenezuela
Em meados de fevereiro, Guaidó informou que uma página da Internet chamada www.voluntariosxvenezuela.com havia sido criada para o registro de qualquer pessoa que quisesse voluntariar-se para entrar na ajuda humanitária planejada para 23 de fevereiro. Dias depois, no ato de empossar milhares de voluntários presentes no estacionamento da sede do jornal El Nacional, Guaidó indicou que em "poucas horas" cerca de 600.000 venezuelanos já haviam se registrado; além disso, várias corporações entre elas pertencentes aos setores de transporte e saúde, demonstraram no evento para mostrar seu apoio ao movimento. Entre 12 e 13 de fevereiro, os usuários do provedor de Internet estatal CANTV que tentaram acessar o site foram vítimas de esquemas de phishing. Essa manipulação foi denunciada como uma técnica para identificar dissidentes ao governo. Após o incidente de phishing, o site oficial foi completamente bloqueado para usuários da CANTV em 16 de fevereiro.
Em 5 de fevereiro, o governo de Nicolás Maduro mobilizou policiais em todas as fronteiras terrestres e, em resposta a essa decisão, os Estados Unidos ameaçaram enviar militares à Colômbia e ao Brasil para proteger os responsáveis pela entrega da ajuda. Em 6 de fevereiro, a ajuda humanitária dos Estados Unidos chegou à Colômbia, para depois ser distribuída na Venezuela. Nesse mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, insinuou que a base de operações de ajuda humanitária no Brasil seria Pacaraima. Em paralelo, o governo de Nicolás Maduro bloqueou a ponte internacional Tienditas com contêineres de carga, já fechados desde sua conclusão em 2016, que liga Cúcuta e o município venezuelano de Ureña. Em 7 de fevereiro, às 14h43, o governo colombiano transportou cargas para Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, um grupo de refugiados venezuelanos os recebeu com sinais de apoio com a frase "Ayuda humanitaria ya" (Ajuda humanitária já).
Confronto com Pemon
No dia 22 de fevereiro, no município de Gran Sabana, a Guarda Nacional da Venezuela tentou bloquear a entrada de ajuda humanitária e foi confrontada pela comunidade indígena Pemon de Kumarakapay. Como resultado do confronto, quinze Pemon ficaram feridos e dois foram mortos. O deputado Américo de Grazia denunciou a falta de remédios e ambulâncias para transportar os feridos. Aqueles que ficaram feridos foram transportados para o Brasil para tratamento devido à escassez de produtos médicos na Venezuela.
Confrontos de 23 de fevereiro
No total, pelo menos 285 pessoas ficaram feridas e 14 pessoas foram mortas nos confrontos de 23 de fevereiro de 2019. A Reuters disse que nenhuma ajuda destinada aos venezuelanos foi capaz de entrar no país. A Cruz Vermelha Internacional relatou que haviam pessoas fingindo ser da organização e usando seu emblema nas fronteiras Brasil-Venezuela e Colômbia-Venezuela. Os Colectivos mataram quatro e feriram outros vinte e quatro protestantes durante conflitos fronteiriços em Santa Elena de Uairén no início do dia. Um posto do exército venezuelano perto de Santa Elena de Uairén foi atacado com pedras e coquetéis molotov. Os caminhões de ajuda destinados a viajar do Brasil para a Venezuela não entraram na Venezuela e retornaram a seus pontos de partida. O Exército Brasileiro informou que as autoridades venezuelanas dispararam munição viva contra aqueles que tentavam aceitar a ajuda e que o gás lacrimogêneo da Venezuela foi disparado contra a cidade fronteiriça brasileira de Pacaraima. No final do conflito, Romel Guzamana, um representante da comunidade indígena na Gran Sabana, afirmou que pelo menos 25 Pemon foram mortos no que a NTN24 descreveu como um "massacre" das tropas venezuelanas.


