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Abalmaleque ibne Maruane

Abalmaleque, Abedalmáleque ou Abedelméleque ibne Maruane foi o quinto califa do Califado Omíada, governando de 685 até sua morte. Pertencente ao ramo maruânida da dinastia omíada, era filho do califa Maruane I e sucedeu-o após sua morte, durante a Segunda Guerra Civil Islâmica. Nascido e criado em Medina, recebeu uma educação religiosa rigorosa e participou de campanhas militares contra o Império Bizantino antes de se estabelecer na Síria. Ao assumir o califado, sua autoridade estava limitada principalmente à Síria e ao Egito, enquanto a maior parte dos territórios muçulmanos reconhecia o califa rival Abedalá ibne Azobair, estabelecido em Meca.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/10/2026
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Vida

Primeiros anos

Abalmaleque nasceu em julho ou agosto de 644 ou em junho ou julho de 647, na residência de seu pai, Maruane ibne Aláqueme, em Medina, no Hejaz, região ocidental da Arábia.[b] Sua mãe era Aixa binte Moáuia ibne Almuguira. Seus pais pertenciam aos omíadas, um dos clãs mais poderosos e ricos da tribo dos coraixitas. Maomé também pertencia aos coraixitas, mas enfrentou forte oposição da tribo antes de sua conversão ao Islão, em 630. Pouco depois, os coraixitas passaram a dominar a política muçulmana. Abalmaleque pertencia à primeira geração de muçulmanos de nascimento, e sua educação em Medina, então centro político do Islão, é geralmente descrita pelas fontes muçulmanas tradicionais como piedosa e rigorosa. Demonstrou profundo interesse pela religião e possivelmente memorizou o Alcorão.

Reinado

Abalmaleque era um conselheiro próximo de seu pai. Estava estabelecido em Damasco e tornou-se governador interino da cidade durante a expedição de Maruane para conquistar o Egito, então controlado pelos zobaíridas, no final de 684. Ao regressar, em 685, o califa reuniu um conselho em Assinabra, no qual nomeou Abalmaleque governador da Palestina e o designou seu sucessor, a ser sucedido, por sua vez, por seu irmão Abedalazize. Essa decisão anulou o acordo sucessório firmado em Aljábia, segundo o qual Maruane seria sucedido por Calide ibne Iázide, filho de Iázide, e posteriormente por outro omíada, o antigo governador de Medina, Anre ibne Saíde Alaxedaque. Apesar disso, Maruane obteve da nobreza iemenita os juramentos de fidelidade (baia) a Abalmaleque. Enquanto o historiador Gerald Hawting observa que Abalmaleque foi designado apesar de sua experiência política relativamente limitada, Dixon sustenta que a escolha decorreu de sua capacidade política e de seus conhecimentos sobre o governo e a administração provincial, demonstrados por sua ascensão gradual a cargos importantes desde jovem. Maruane morreu em abril de 685, e a ascensão de Abalmaleque ao califado ocorreu pacificamente, sob a supervisão dos nobres iemenitas. Segundo um relato do historiador do século IX Califa ibne Caiate, considerado aparentemente confiável pelo historiador moderno Amikam Elad, Abalmaleque foi proclamado califa em Jerusalém.

Derrota dos zobaíridas

Com as ameaças na Síria e na Alta Mesopotâmia neutralizadas, Abalmaleque pôde concentrar-se na reconquista do Iraque. Enquanto Muçabe ibne Azobair estava envolvido no combate aos rebeldes carijitas e enfrentava o descontentamento das tribos árabes de Baçorá e Cufa, Abalmaleque estabeleceu contatos secretos com os mesmos nobres tribais e conseguiu atraí-los para seu lado. Assim, quando conduziu o exército sírio ao Iraque, em 691, a disputa pela reconquista da província já estava praticamente decidida. O comando do exército foi confiado a membros de sua família: seu irmão Maomé liderava a vanguarda, enquanto os filhos de Iázide I, Calide e Abedalá ibne Iázide, comandavam, respectivamente, as alas direita e esquerda. Muitos nobres sírios manifestaram reservas quanto à campanha e aconselharam Abalmaleque a não participar pessoalmente. Apesar disso, o califa encontrava-se à frente do exército quando este acampou diante das forças de Muçabe, em Masquim, às margens do canal de Dujail.

Consolidação no Iraque e no Oriente

Apesar da vitória, o controle e a administração do Iraque, província marcada por turbulências políticas desde a conquista muçulmana da Pérsia, na década de 630, continuaram representando um grande desafio para Abalmaleque. O califa havia retirado o exército sírio e confiado aos iraquianos a defesa de Baçorá contra a ameaça carijita. Segundo o historiador Hamilton Alexander Rosskeen Gibb, a maioria dos iraquianos estava exausta do conflito com os carijitas, que lhes trouxera pouco além de dificuldades e perdas. Os habitantes de Cufa, em particular, haviam se acostumado à riqueza e ao conforto da vida doméstica, e sua relutância em participar de campanhas prolongadas, longe de suas famílias, era um problema que os governantes anteriores do Iraque haviam enfrentado repetidamente. Inicialmente, Abalmaleque nomeou seu irmão Bisre ibne Maruane governador de Cufa e outro parente, Calide ibne Abedalá ibne Calide ibne Acide, para Baçorá, antes de colocar também esta última sob a jurisdição de Bisre. Nenhum dos governadores se mostrou à altura da tarefa, embora os iraquianos tenham finalmente derrotado os carijitas najeditas, seguidores de Nájeda ibne Amir Alhanafi, em Iamama, em 692 ou 693. Os carijitas azaricaítas, estabelecidos na Pérsia, mostraram-se mais difíceis de conter. Após a morte de Bisre, em 694, as tropas iraquianas abandonaram o campo de batalha diante deles em Ramormoz.

Retomada das guerras contra os bizantinos na Anatólia, Armênia e Norte da África

Apesar da trégua de dez anos concluída em 689, a guerra contra o Império Bizantino foi retomada após a vitória de Abalmaleque sobre Ibne Azobair, em 692. A decisão de reiniciar as hostilidades foi tomada pelo imperador Justiniano II, supostamente porque se recusou a aceitar o pagamento do tributo na moeda muçulmana introduzida naquele ano, em vez do nomisma bizantino. Esse episódio é relatado exclusivamente por Teófanes, o Confessor, e problemas cronológicos tornam a narrativa duvidosa, de modo que nem todos os estudiosos modernos aceitam sua veracidade. Segundo Teófanes e fontes siríacas posteriores, o verdadeiro motivo da guerra foi a tentativa de Justiniano de impor sua jurisdição exclusiva sobre Chipre e transferir a população da ilha para Cízico, no noroeste da Anatólia, contrariando o tratado. Considerando as enormes vantagens que o tratado proporcionara aos bizantinos, a decisão de Justiniano foi criticada tanto por historiadores bizantinos quanto por estudiosos modernos. O historiador Ralph-Johannes Lilie, entretanto, observa que, com Abalmaleque vitorioso na guerra civil, Justiniano talvez considerasse apenas uma questão de tempo até que o califa rompesse o tratado e, por isso, tivesse decidido atacar primeiro, antes que seu adversário consolidasse ainda mais sua posição.

Últimos anos

Os últimos anos do reinado de Abalmaleque são geralmente caracterizados pelas fontes como um período de paz interna, prosperidade e consolidação do poder. As rivalidades sangrentas entre caicitas e iemenitas, que haviam persistido mesmo após a reconciliação dos primeiros com os omíadas, em 691, diminuíram até praticamente desaparecer no final de seu governo. O historiador A. A. Dixon atribui esse resultado à capacidade de Abalmaleque de colocar os sentimentos tribais a serviço dos interesses do governo, ao mesmo tempo que reprimia suas manifestações violentas.[f] A principal questão ainda enfrentada pelo califa era assegurar a sucessão de seu filho mais velho, Alualide, em substituição ao herdeiro designado, seu irmão Abedalazize. Este recusou reiteradamente os pedidos de Abalmaleque para renunciar à posição na linha sucessória, mas um possível conflito foi evitado com sua morte, em maio de 705. O califa nomeou imediatamente seu filho Abedalá para substituí-lo no governo do Egito. Abalmaleque morreu cinco meses depois, em 9 de outubro. O historiador Alasmai (m. 828) atribuiu sua morte à chamada "Peste das Donzelas", assim denominada porque teria surgido entre as jovens de Baçorá antes de se espalhar pelo Iraque e pela Síria. Foi sepultado fora da porta de Babe Aljábia, em Damasco.

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Legado

Abalmaleque é considerado pelo historiador Julius Wellhausen o mais célebre dos califas omíadas. Segundo Hugh N. Kennedy, seu reinado foi marcado por sucessos conquistados mediante grandes dificuldades. O historiador xiita do século IX Aliacubi descreveu-o como corajoso, astuto e sagaz, mas também avarento. Seu sucessor, Alualide, deu continuidade às políticas paternas, e seu governo provavelmente representou o auge do poder e da prosperidade omíadas. As principais reformas administrativas de Abalmaleque, a reunificação do califado e a repressão de toda a oposição interna ativa possibilitaram a grande expansão territorial ocorrida durante o reinado de Alualide. Outros três filhos de Abalmaleque, Solimão, Iázide II e Hixame, governariam sucessivamente até 743, com a única interrupção representada pelo reinado de Omar II (r. 717–720), filho de Abedalazize. Com exceção deste último e de Maruane II (r. 744–750), todos os califas omíadas posteriores a Abalmaleque eram seus descendentes diretos, motivo pelo qual as fontes muçulmanas tradicionais o chamam de "pai dos reis". Os emires e califas omíadas que governaram a Península Ibérica entre 756 e 1031 também descendiam diretamente dele. Na avaliação de seu biógrafo Chase F. Robinson, Moáuia pode ter introduzido o princípio da sucessão dinástica na tradição governativa do Islão primitivo, mas foi Abalmaleque quem conseguiu fazê-lo funcionar.

Instituição da moeda islâmica e arabização da burocracia

Um dos principais componentes das medidas de centralização e islamização de Abalmaleque foi a instituição de uma moeda islâmica própria. O soldo de ouro bizantino deixou de ser utilizado na Síria e no Egito, provavelmente em resposta à introdução de uma imagem de Cristo nas moedas bizantinas, em 691–692, o que contrariava as restrições muçulmanas à representação de profetas. Para substituir as moedas bizantinas, Abalmaleque introduziu uma moeda islâmica de ouro, o dinar, em 693. Inicialmente, a nova cunhagem apresentava representações do califa como líder espiritual da comunidade muçulmana e seu comandante militar supremo. Essa imagem também se mostrou inaceitável para as autoridades religiosas muçulmanas e foi substituída, em 696 ou 697, por moedas sem representações figurativas, contendo versículos do Alcorão e outras fórmulas religiosas islâmicas. Em 698 ou 699, modificações semelhantes foram introduzidas nos dirrãs de prata emitidos pelos muçulmanos nos antigos territórios do Império Sassânida, no Oriente do califado. As representações dos reis sassânidas foram consequentemente retiradas das moedas, embora os novos dirrãs de Abalmaleque conservassem a composição em prata e o formato largo característicos da cunhagem sassânida.

Reorganização do exército

Abalmaleque abandonou gradualmente a prática de seus predecessores de mobilizar grandes contingentes tribais árabes, favorecendo a formação de um exército organizado. Da mesma forma, os nobres árabes que anteriormente obtinham poder exclusivamente por sua posição tribal e por suas relações pessoais com o califa foram progressivamente substituídos por militares que haviam ascendido na hierarquia. Essas transformações foram parcialmente obscurecidas pelas fontes medievais, que continuaram empregando a terminologia tribal árabe ao se referirem ao exército, incluindo os nomes das confederações de modaritas, rebiaítas, caicitas e iemenitas. Segundo o historiador Gerald Hawting, esses termos já não designavam as tribos mobilizadas como unidades militares, conforme a prática dos califas anteriores, mas facções do exército cuja composição era frequentemente, embora não exclusivamente, determinada pela origem tribal.

Fundação do Domo da Rocha

Em 685–686 ou 688, Abalmaleque começou a planejar a construção do Domo da Rocha em Jerusalém. Sua inscrição dedicatória menciona o ano de 691–692, que a maioria dos estudiosos considera a data de conclusão do edifício. Trata-se da mais antiga estrutura religiosa construída por um governante muçulmano cuja existência é comprovada arqueologicamente, e suas inscrições contêm as mais antigas proclamações epigráficas do Islão e de Maomé. Essas inscrições constituíram um marco, pois posteriormente se tornaram um elemento comum das construções islâmicas, mencionando quase sempre Maomé. Segundo o historiador Oleg Grabar, o Domo da Rocha permanece um monumento singular da cultura islâmica sob praticamente todos os aspectos, tanto como obra de arte quanto como documento cultural e religioso. As narrativas das fontes medievais apresentam diferentes explicações para as motivações de Abalmaleque na construção do Domo da Rocha. Na época, o califa enfrentava, por um lado, o Império Bizantino cristão e seus aliados cristãos sírios e, por outro, o califa rival Abedalá ibne Azobair, que controlava Meca, destino da peregrinação anual muçulmana.

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Fontes consultadas

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