Pesquisa · Mapa mental

Milton Santos

Milton Almeida dos Santos ComMC foi um geógrafo, escritor, cientista, jornalista, advogado e professor universitário brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Imagem: TV Brasil · BY · Openverse

Primeiros anos

Milton Santos nasceu no município baiano de Brotas de Macaúbas, na região da Chapada Diamantina, em 3 de maio de 1926. Ainda criança, migrou com sua família para outras cidades do estado, como Ubaitaba, Alcobaça e, posteriormente, Salvador. Em Alcobaça, com os pais e os avós maternos (todos professores primários), foi alfabetizado e aprendeu álgebra e a falar francês. Seus pais eram Adalgisa Umbelina de Almeida Santos e Francisco Irineu dos Santos, casados desde 1924. Seu avô paterno, que era negro, havia sido escravizado anteriormente. Aos 10 anos, ingressou no internato do Instituto Baiano de Ensino, onde morou por dez anos. Foi no instituto que seu interesse por geografia começou, especialmente pelas aulas do professor Oswaldo Imbassay. Com apenas 13 anos, já lecionava matemática no instituto, e aos 15, começou a lecionar geografia. Ao terminar os estudos ginasiais, Milton fez o curso pré-jurídico entre 1942 e 1943, e com 18 anos, prestou o vestibular para Direito na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, formando-se em 1948. Apesar disso, não deixou o interesse pela geografia de lado, prestando concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus. Enquanto ainda era estudante, tanto no instituto quanto na universidade, foi ativo no movimento estudantil, na militância de esquerda.

Doutorado

Depois de seu casamento com Jandira, a família se mudou de Ilhéus para Salvador, onde Milton ingressou no serviço público e na carreira acadêmica, tornando-se professor da Universidade Católica do Salvador, em 1956. No Congresso Internacional de Geografia, sediado no Rio de Janeiro, Milton foi convidado para fazer doutorado na França. Entre 1956 e 1958, Milton concluiu seu doutorado na Universidade de Estrasburgo, com a tese "O Centro da Cidade de Salvador", sob orientação do professor Jean Tricart. Ao regressar ao Brasil, criou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, mantendo intercâmbio com os mestres franceses. Em 1960, tornou-se Livre Docente em Geografia Humana pela Universidade Federal da Bahia. Nessa época, teve presença marcante na vida acadêmica, em atividades jornalísticas e políticas de Salvador. Em 1961, viajou a Cuba como editor do jornal A Tarde, com a comitiva de Jânio Quadros, então eleito Presidente da República. Logo após ser empossado, Jânio o convidou para ser subchefe da casa civil na Bahia, cargo que exerceu durante o curto mandato do presidente.

Exílio

Em 1964, logo após o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, Milton foi preso e enviado para o 19º BC, no Cabula, onde parte de sua equipe do laboratório e seus amigos iam visitá-lo diariamente. Em junho, na véspera do dia de São João, devido a um início de AVC, Milton foi levado ao hospital e depois foi solto. Nessa época, já tinha recebido vários convites para trabalhar em universidades francesas, mas estava impedido de deixar o país. Importantes personalidades locais, sobretudo o cônsul da França na Bahia, Raymond Van der Haegen, interviram junto às autoridades militares locais para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Assim, em dezembro, Milton deixou o Brasil já separado da sua primeira esposa, partindo para a França à convite da Universidade de Toulouse-Le Mirail (atual Universidade Toulouse — Jean Jaurès). Mais tarde, pela mesma universidade, receberia o título de Doutor Honoris Causa, o primeiro dos 20 que recebeu ao longo de sua vida. Inicialmente, Milton achou que ficaria fora do país por seis meses, mas acabou ficando 13 anos.

Retorno ao Brasil

No final de 1976, aconteceram vários contatos para a contratação de Milton por universidades brasileiras, mas com a insegurança política, essas tentativas fracassaram. Em 1977, Milton tentou inscrever-se na Universidade da Bahia, mas problemas político-administrativos fizeram sua inscrição ser cancelada. Ao regressar da Universidade Columbia, Milton pretendia ir para a Nigéria, mas recusou o convite para aceitar um posto como consultor de planejamento do estado de São Paulo e na Emplasa. Essas idas e vindas lhe custaram muito, mas seu retorno representou um grande esforço de muitos geógrafos brasileiros, destacando-se Armen Mamigonian, Maria do Carmo Galvão, Bertha Becker e Maria Adélia Aparecida de Souza. Seu retorno ao Brasil marcou o começo de uma grande mudança estrutural no ensino e na pesquisa em Geografia no Brasil.

Morte

Em meados da década de 1990, Milton Santos foi diagnosticado com câncer de próstata. Apesar disso, manteve um ritmo de trabalho intenso e seguiu lecionando na USP até 2000, ano em que lançou dois novos livros. Em junho de 2001, o quadro da doença agravou-se e o geógrafo foi internado no Hospital do Servidor Público Estadual. Na madrugada de 24 de junho de 2001, ele falece aos 75 anos decorrente de um quadro grave de insuficiência respiratória aguda, sendo sepultado no Cemitério da Paz, também em São Paulo.

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Recepção e influência

Imagem: Photographe de la Ville de Saint-Dié-des-Vosges, dans le cadre de sa mission ; scan par Ji-Elle · BY-SA · Openverse

A obra de Milton Santos é inovadora e grandiosa ao abordar o conceito de espaço. De território onde todos se encontram, o espaço, com as novas tecnologias, adquiriu novas características para se tornar um "conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações". As velhas noções de centro e periferia já não se aplicam, pois o centro poderá estar situado a milhares de quilômetros de distância e a periferia poderá abranger o planeta inteiro. Daí a correlação entre espaço e globalização, que sempre foi perseguida pelos detentores do poder político e econômico, mas só se tornou possível com o progresso tecnológico. Para contrapor-se à realidade de um mundo movido por forças poderosas e cegas, impõe-se, para Santos, a força do lugar, que, por sua dimensão humana, anularia os efeitos perversos da globalização. Estas ideias são expostas principalmente em sua obra A natureza do espaço (Editora Hucitec,1996).

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Reconhecimento

Imagem: Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) · BY-NC-SA · Openverse

Milton Santos alcançou reconhecimento dentro e fora do Brasil, tendo recebido em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, conferido por universidades de cinquenta países, a mais alta honraria da área da geografia, equivalente a um Prêmio Nobel. Ele foi o primeiro e é o único geógrafo da América Latina a ter ganhado o prêmio em questão.

Atividades, prêmios e distinções

Por seus méritos, universidades e instituições ligadas à Geografia passam a outorgar-lhe títulos acadêmicos e honrarias. Os mais importantes são: Milton Santos recebeu o título de Doutor Honoris Causa das seguintes instituições: Além da vida acadêmica, Milton Santos desempenhou outras atividades, entre as quaisː

Homenagens póstumas

Com o objetivo de reverenciar a memória de Milton Santos, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) instituiu, em 2004, o Prêmio Milton Santos de Educação Superior. A homenagem ao geógrafo provém da sua valiosa contribuição para a educação superior brasileira. A iniciativa reconhece o mérito de personalidades que contribuem para o engrandecimento e o aprimoramento da educação superior e ocorre a cada dois anos. Os candidatos ao Prêmio são indicados pelas instituições associadas à ABMES e podem ser mantenedores, professores, pesquisadores, empresários e políticos, entre outras personalidades com atuação reconhecida na área educacional. São três as categorias contempladas: Administração de Instituições de Ensino Superior; Desempenho na Área Política; e Gestão Empresarial.

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