Pesquisa · Mapa mental

Marselha

Marselha é a segunda mais populosa cidade de França e a mais antiga cidade francesa. Localizada na antiga província da Provença e na costa do Mediterrâneo, é o maior porto comercial do país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
01

Etimologia

Marselha vem do nome grego Μασσαλία (Massalia) usada para nomear a vila fundada pelos gregos de Foceia. Várias hipóteses existem para explicar a origem do nome. O primeiro vem de Mas Saliens, residência dos Salyens, ‘Mas’ é uma palavra provençal de origem latina e “Saliens” é de origem céltica. Outra explicação diz que o nome provem da palavra grega Mάσσα (Massa), os fenícios que relataram da Ásia Menor o costume de dar esse nome para cidades, castelos, rios, etc. (encontrou-se, por exemplo, mais do que trinta Massa na Itália). Uma explicação mais plausível é proposta por Ernest Negro, que acredita que o lugar é nomeado pelos fenícios, a partir de um rio atual Grécia, Massalia. Bénédicte e Jean-Jacques FÉNIÉ, acreditam pensar em um nome da língua ligúre.

02

História

Pré-história e antiguidade clássica

Diversos achados e estudos arqueológicos de diferentes assentamentos comprovam a presença humana de maneira contínua em Marselha desde a pré-história. As pinturas rupestres paleolíticas na Caverna de Cosquer, próximo ao calanque de Morgiou, datadas entre 27 000 e 19 000 a.C., atestam a presença humana na área de Marselha há mais de 30 000 anos. No sítio arqueológico da colina de São Carlos, no centro urbano, recentes escavações têm encontrado ruínas de moradias e construções de tijolo de barro e terra modelada do Neolítico, cerca de 6 000 a.C. Estas técnicas de construção poderiam confirmar as teorias de John Guilaine sobre a propagação da cultura neolítica através da migração de povos do Oriente Médio através do Mediterrâneo.

Idade Média: cidade da Provença

Após o colapso do Império Romano na Europa Ocidental, no século V, a cidade passou a ser governada pelos visigodos, que a cederam aos ostrogodos após a Batalha de Vouillé em 507, para evitar que caísse nas mãos dos francos, que, entretanto, acabaram ocupando-a. No início do século VIII, a destruição do Reino Visigótico pelo Califado Omíada e a instauração de seu poder na Península Ibérica, iniciou um período de disputa pelo controle da Europa Ocidental com o Império Carolíngio, o que afetou o desenvolvimento de Marselha e as demais vilas francas da costa mediterrânea, principalmente na primeira metade do século IX, com o assédio das rotas comerciais pela pirataria. Marselha foi atacada e saqueada duas vezes naquele período por tropas muçulmanas enviadas de Al-Andalus, em 838 e 846. A decadência econômica se manifestou durante todo o século X, e Marselha não pode manter seus privilégios municipais, porém foi recuperando-se uma vez integrada as possessões dos condes da Provença. Em 1262, a cidade se rebelou sob Bonifácio VI de Castellana e Hugues des Baux, primo de Barral des Baux, contra o governo dos angevinos, porém foi derrotada por Carlos I da Sicília e Nápoles. Em 1348, a cidade foi um dos focos de penetração na Europa da devastadora epidemia de peste bubônica (peste negra), por sua condição de porto, resultando na morte de cerca de 15 000 de seus 25 000 habitantes. Além disso, sem se recuperar do desastre demográfico, a cidade é atacada e saqueada durante 3 dias em 1423 pela frota de Afonso V de Aragão, em resposta as pretensões de Luís III de Nápoles em recuperar o domínio dos territórios do sul da Itália.

Renascimento: integração à coroa da França

Uns 30 anos após sua incorporação, Francisco I visitou Marselha, atraído por sua curiosidade de ver um rinoceronte que o rei Manuel I de Portugal estava enviando ao papa Leão X, mas que havia naufragado na Ilha de If. Como resultado desta visita, se construiu a fortaleza do Castelo de If, o que não bastou para impedir o cerco do exército do Sacro Império Romano alguns anos mais tarde. Marselha tornou-se base naval para a aliança franco-otomana em 1536, enquanto uma frota franco-turco ficava estacionada no porto, ameaçando o Sacro Império Romano e, especialmente, a Gênova. No final do século XVI, Marselha sofreu outro surto da praga, o que contribuiu para que pouco depois se fundasse o hospital do Hôtel-Dieu. Um século mais tarde o rei Luis XIV teve que descer a Marselha, a frente de seu exército, com o fim de eliminar um levante local contra o governador. Como consequência, os fortes de San Juan e San Nicolás foram erguidos acima do porto e uma grande frota e arsenal instalados no próprio porto.

Séculos XVIII e XIX

No transcorrer do século XVIII, a defesa do porto foi melhorada e Marselha se tornou mais importante, como principal porto militar francês no Mediterrâneo. Em 1720, a grande peste de Marselha, uma variante da Peste Negra, provocou 100 000 mortes na cidade e nas províncias limítrofes. Jean-Baptiste Grosson, notário real, escreveu de 1770 a 1791 o almanaque histórico de Marselha, Recueil des antiquités et des monumentos marseillais qui peuvent intéresser l'histoire et les arts, ("Coleção de antiguidades e monumentos de Marselha que podem interessar a história e as artes"), que durante muito tempo foi o principal recurso sobre a história dos monumentos da cidade.

Século XX

Durante a primeira metade do século XX, Marselha comemorou seu status de "porto do Império" na exposição colonial de 1906 e 1922. A monumental escadaria na estação de trem, glorificando as conquistas coloniais francesas, datam desta época. Em 1934, Alexandre I da Iugoslávia chegou ao porto para se reunir com o ministro das relações exteriores francês Louis Barthou, porém, ambos foram ali assassinados por Vlado Chernozemski. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi bombardeada pela Alemanha e Itália em 1940. Foi ocupada pelos alemães entre novembro de 1942 e agosto de 1944. Uma grande parte do centro antigo da cidade foi dinamitado num enorme projeto de limpeza, com o objetivo de reduzir as possibilidades de ocultar membros da suposta resistência, que operavam nos edifícios antigos de grande densidade de população. Os governos da Alemanha Oriental, Alemanha Ocidental e Itália pagaram enormes reparações, acrescidas de juros, para indenizar civis mortos, feridos ou que ficaram sem-teto ou indigentes como consequência da guerra, e para a reconstrução da cidade.

03

Geografia

O território de Marselha forma uma espécie de anfiteatro, bloqueado pelo mar a oeste, pelos calanques ao sul com o Maciço de Marseilleveyre, pela Costa Azul ao norte com a vila de l'Estaque (imortalizado pelo pintor Paul Cézanne) e pelos maciços de l'Étoile e Garlaban a nordeste. A cidade se estende por uma faixa de 57 km² ao longo do Mediterrâneo. Quase metade da superfície da comuna está em território natural não urbanizável e a cidade se espalha por uma área extremamente grande, a quinta maior comuna da França metropolitana. Assim, sua densidade demográfica (3 542 hab./km2) é bem inferior ao de cidades totalmente urbanizadas, como Lyon (9 867 hab./km2) ou Paris (20 807 hab./km2), mas comparável à de Toulouse (3 715 hab./km2). Se for considerada apenas a sua área habitável, cerca de 150 km², a densidade atinge 5 683 hab./km2.

Clima

Marselha tem um clima mediterrâneo com verões quentes e secos e invernos amenos e úmidos. A cidade tem 300 dias de sol por ano com o vento norte Mistral. A cidade é uma das mais ensolaradas da França

04

Demografia

A vasta maioria dos marselheses é originária das ondas de imigrantes que chegaram ao porto no começo do século XIX até a segunda metade do século XX. Tal como italianos, espanhóis, armênios, gregos, russos e judeus, principalmente italianos. Bem mais recentemente árabes, comorianos e norte-africanos. Aproximadamente 25 por cento da população de Marselha é de origem norte-africana, na maior parte argelinos e marroquinos. A comunidade judaica (maioria Sefardita) é também a terceira maior na Europa. Depois de uma grave crise na década de 1970 e 1980 (em parte devido ao fechamento do Canal de Suez), que viu a população passar de mais de 900 000 para menos de 800 000 habitantes (apesar do saldo de crescimento natural bastante positivo), o Estado e as autoridades marselhesa decidiram na década de 1990 e 2000 revitalizar a economia da cidade: o programa Euro-mediterrâneo (Euroméditerranée) é um programa abrangente para atrair empresas, acompanhado por uma grande revitalização do centro da cidade próximo ao porto. Segundo o último censo, a cidade voltou a apresentar crescimento populacional com taxas acima da média nacional.

05

Governo e política

Setores e arrondissements

Marselha está dividida em 16 arrondissements municipais, que, por sua vez, estão divididos oficialmente em quartiers (bairros). Desde 1987, os arrondissements foram reagrupados em pares, em 8 secteurs (setores), cada um com um prefeito e um conselho (como nos arrondissements de Paris e Lyon). As eleições municipais ocorrem a cada seis anos e são realizados por setor. Cada setor escolhe seus vereadores, 303 no total, dois terços para os conselhos dos setores e um terço para a Câmara Municipal. O prefeito de Marselha e seus assessores, cujo número não pode exceder a 30% da Câmara Municipal, são escolhidos por eleição uninominal em 3 turnos pela Câmara Municipal. Os prefeitos dos setores são eleito por seus respectivos conselhos. O mandato dos prefeitos é de 6 anos.

Cantões

Marselha está também dividida em 25 cantões, cada um deles representado por um membro no Conselho Geral do departamento de Bouches-du-Rhône.

Bairros

Marselha tem a particularidade de estar subdivididas em quartiers (equivalente a bairros), que muitas vezes se assemelham a verdadeiras vilas. Existem 111 bairros, subdivisões dos arrondissements, que foram estabelecidos pelo Decreto n º 46–22,85 de 18 de outubro de 1946. Os bairros são representados por comitês que tratam dos interesses do bairro junto à municipalidade, como, por exemplo, estabelecer as áreas de estacionamento dos moradores. Os bairros são também utilizados como divisão nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos. Alguns bairros são subjetivos (não oficiais), mesmo sendo bastante conhecidos, como, por exemplo ,le Panier, que não consta da lista oficial. Existem 26 bairros com nome de santo, lembrando a ligação entre esses bairros e as antigas paróquias da cidade.

Cidades-irmãs

Marselha é cidade-irmã de treze cidades e possui pacto de amizade e cooperação com outras vinte e nove cidades ao redor do mundo.

06

Economia

Historicamente, a economia de Marselha foi dominada por seu papel como porto do Império Colonial Francês que ligava as colônias do norte da África (Argélia, Marrocos e Tunísia) com a França Metropolitana. O antigo porto foi substituído, como principal porto de comércio, pelo Porto de la Joliette durante o Segundo Império, e atualmente possui restaurantes, escritórios, bares e hotéis, e funciona basicamente como uma marina privada. A maioria das docas, que entraram em declínio na década de 1970, após as crises do petróleo, têm sido recentemente reconstruídas com fundos da União Europeia. A pesca, no entanto, continua a ser importante em Marselha, a economia alimentar da cidade é ainda dominada pela captura local, e um mercado de peixe funciona diariamente no Quai des Belges do antigo porto. Atualmente, a economia de Marselha é dominada pelo novo porto, o mais importante da França e um dos mais importantes do Mar Mediterrâneo. 100 milhões de toneladas de carga passam por ele anualmente, sendo que 60 por cento da carga é petróleo. O recente crescimento do tráfego de contêineres no porto de Marselha é desafiado por greves e agitações sociais constantes.

07

Cultura

Marselha é uma cidade cultural, e de fato a cidade foi eleita Capital Europeia da Cultura 2013. Marselha também é considerada a cidade da arte e da história. O Hino nacional da França, La Marseillaise, tem este título por causa das tropas revolucionárias de Marselha. O baralho de tarô mais propagado no mundo vem de Marselha. É denominado "Tarô de Marselha" e foi usado para jogar a variante local do tarocchi, antes ser usado na cartomancia.

Culinária

Pastis (bebida alcoólica à base de especiarias e anis), aïoli (molho à base de alho e azeite de oliva), tapenade (creme à base de anchovas, azeitonas, alcaparras e alho), bouillabaisse (prato à base de peixes de rocha, temperos e legumes), panisse (galette de farinha de grão-de-bico), navette (biscoito pequeno muito duro e aromatizado com flor de laranjeira na forma de pequeno barco).

Mídia

Várias telenovelas, seriados e filmes franceses já foram gravados em Marselha. A popular série de televisão francesa Plus belle la vie é fixada em um quarto imaginário, Le Mistral, situado em Marselha. É filmado no quartier Belle de Mai da cidade. Também o seriado Star Trek: Voyager menciona Marselha em vários episódios. Diz-se ser a cidade favorita do tenente Tom Paris, que estava "gastando seu tempo, bebendo e jogando sinuca no Sandrine's, um bar de beira-mar (fictício)."

Arquitetura

Os monumentos católicos são numerosos em Marselha, e vários edifícios religiosos são notáveis. O marco mais famoso é, sem dúvida, a Basílica de Nossa Senhora da Guarda, construída pelo arquiteto Jacques Henri Esperandieu Nimes de 1855 a 1870 e terminada por Antoine Henri Revoil. A estátua de cobre dourado (coberta com folhas de ouro) da "boa mãe", colocada no topo da torre, possui 53 m de altura, acima de uma altura de 11 m. É trabalho do escultor Eugène-Louis Lequesne. Situa-se no alto de uma colina, acima 162 m de altura e tem vista para o porto antigo e para toda a cidade.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando