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Ainus

Ainus ou ainos, em textos históricos japoneses conhecidos como Ezo , são um grupo étnico indígena do Japão e da Rússia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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História

Pré-moderno

Pesquisas recentes sugerem que a cultura ainu surgiu da mistura das culturas Okhotsk, Satsumon e Pós-Jomon/Zoku-Jomon. Em 1264, os ainus invadiram as terras do povo Nivkh, controlados pela dinastia Yuan da China, resultando em conflitos entre os ainus e os chineses. Contatos ativos entre os japoneses e os ainus de Ezo (atual Hokkaido) iniciaram no século XIII. Os ainus eram caçadores-coletores, subsistindo principalmente da caça e da pesca. Sua religião era baseada em fenômenos naturais. Durante o período Muromachi (1336–1573), as disputas entre os ainus e os japoneses se tornaram uma guerra. Takeda Nobuhiro matou um líder ainu, Koshamain. Isto levou à Revolta de Koshamain, em 1456.

Restauração Meiji e posteriormente

No século XVIII, havia 80 mil ainus. Em 1868, havia aproximadamente 15 mil ainus em Hokkaido, 2 mil em Sacalina e por volta de 100 nas ilhas Curilas. O início da Restauração Meiji em 1868 foi um ponto crítico para a cultura ainu. O governo japonês introduziu várias reformas políticas, sociais e econômicas na esperança de modernizar o país no estilo ocidental. Uma das inovações envolveu a anexação de Hokkaido. Sjöberg cita o relato de Baba (1980) sobre o pensamento do governo japonês: ... O desenvolvimento da grande ilha japonesa ao norte tinha vários objetivos: Primeiro, era visto como um meio de defender o Japão contra uma Rússia expansionista e que se desenvolvia rapidamente. Segundo ... ofereceu uma solução para o desemprego da antiga classe samurai ... Finalmente, o desenvolvimento prometia produzir os recursos naturais necessários para uma economia capitalista em crescimento.

Reconhecimento oficial no Japão

Em 6 de junho de 2008, a Dieta Nacional do Japão aprovou uma resolução bipartidária e não vinculante, exigindo que o governo reconhecesse os ainus como indígenas do Japão, e instigando um fim para a discriminação contra o grupo. A resolução reconheceu o povo ainu como "um povo indígena com língua, cultura e religião distintos". O governo imediatamente seguiu com uma declaração confirmando o reconhecimento, dizendo "O governo gostaria de solenemente aceitar o fato de que muitos ainus sofreram discriminação e foram forçados à pobreza com o avanço da modernização, apesar de serem legalmente iguais aos japoneses.". Em fevereiro de 2019, o governo japonês consolidou o status legal do povo ainu ao aprovar uma lei que oficialmente os reconhece como um povo indígena. Além disso, o projeto de lei visa simplificar os procedimentos para obter várias permissões das autoridades em relação ao estilo de vida tradicional dos ainus.

Reconhecimento oficial na Rússia

Como resultado do Tratado de São Petersburgo (1875), as ilhas Curilas, juntamente com os habitantes ainu, passaram para a administração japonesa. Um total de 83 ainus das Curilas do norte chegaram em Petropavlovsk-Kamchatski em 18 de setembro de 1877, após terem decidido ficar sob o comando da Rússia. Eles recusaram a oferta dos oficiais russos para mudar-se a novas reservas nas Ilhas Komandorski. Finalmente, um tratado foi feito em 1881 e os ainus decidiram estabelecer-se no vilarejo de Yavin. Em março de 1881, o grupo deixou Petropavlovsk e iniciou a jornada a pé até Yavin. Quatro meses depois, eles chegaram em seus novos lares. Sob o governo soviético, ambos os vilarejos foram forçados a se desfazer e os moradores foram mudados ao assentamento agrícola de Zaporozhye (de maioria russa) no Raion de Ust-Bolsheretsky. Como o resultado de casamentos entre as três etnias – russos, ainus e Itelmen – houve a formação da comunidade Kamchadal. Em 1953, K. Omelchenko, o ministro da proteção de segredos militares e do estado na URSS, baniu a imprensa de publicar qualquer informação sobre os ainus vivendo na URSS. Esta ordem foi revogada vinte anos depois.

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Origem

Os ainus são frequentemente considerados descendentes diretos do povo Jōmon, que viveu no Japão durante o período Jōmon (~14 000 a.C. a 300 d.C.). Um de seus Yukar Upopo diz que "os ainus viveram neste lugar centenas de milhares de anos antes da chegada dos Filhos do Sol". Pesquisas recentes sugerem que a cultura ainu resultou da união entre as culturas Okhotsk e Satsumon (considerada derivada de culturas do período Jōmon). Ainus puros, comparados com os Yamato (japoneses), geralmente possuem pele mais clara e mais pelos corporais. Muitos estudiosos antigos propuseram uma ancestralidade caucasiana, mas testes de DNA recentes não mostram nenhuma similaridade com europeus modernos. O antropólogo Joseph Powell da Universidade do Novo México escreveu "...nós concordamos com as visões de Brace e Hunt (1990) e de Turner (1990) de que os ainu são uma população do Sudeste Asiático derivada dos antigos povos Jomon do Japão, que têm afinidades genéticas mais próximas aos asiáticos do sul do que com Eurasiáticos ocidentais".

Genética

Testes genéticos mostram que os ainus pertencem principalmente ao haplogrupo D-M55 (Y-DNA). O haplogrupo D1b é encontrado pelo arquipélago japonês, com altas frequências nos ainus e, em menor grau, nos ryukyuanos. Os únicos lugares fora do Japão em que o haplogrupo D é comum são o Tibete, na China, e as Ilhas Andamão, no Oceano Índico. Um estudo por Tajima e associados (2004) encontraram duas amostras entre quinze (ou 12,5%) homens ainu que pertenciam ao haplogrupo C-M217, que é o haplogrupo mais comum entre populações indígenas da Sibéria e da Mongólia. Hammer e associados (2006) testaram quatro amostras de homens ainu e descobriram que um deles pertencia ao haplogrupo C-M217. Alguns pesquisadores especulam que esta minoria pertencente ao haplogrupo C-M217 entre os ainus deve refletir um grau de influência genética unidirecional dos Nivkhs, um povo do norte de Sacalina e da parte adjacente do continente com os quais os ainus possuem interações culturais de longa data.

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Cultura

A cultura tradicional ainu era diferente da dos japoneses. Após uma certa idade, os homens deixavam de se barbear e exibiam barbas volumosas. Tanto homens quanto mulheres cortavam o cabelo no comprimento dos ombros, aparados em forma de semicírculo na parte de trás. As mulheres tatuavam a boca e, por vezes, os antebraços. As tatuagens da boca eram iniciadas na idade jovem, começando com um pequeno ponto no lábio superior, que gradualmente aumentava de tamanho. A fuligem depositada num pote pendurado sobre uma fogueira de cascas de bétula era usada para dar a cor. A vestimenta tradicional era tecida a partir da casca interior de olmo e era chamada de attusi ou attush. Eram feitas em vários estilos e geralmente consistiam em uma túnica simples com mangas retas, que era dobrada ao redor do corpo e amarrada com uma faixa em volta da cintura. As mangas terminavam no pulso ou no antebraço e o comprimento geralmente chegava nas panturrilhas. As mulheres também vestiam roupas de baixo japonesas.

Caça

Os ainus caçavam do fim do outono até o início do verão. Os motivos eram, entre outros, que no final do outono, a coleta de plantas, a pesca de salmão e outros meios de adquirir alimento acabavam e os caçadores encontravam presas nos campos e montanhas em que as plantas haviam definhado. Uma aldeia possuía uma área de caça própria ou várias aldeias caçavam numa área compartilhada (iwor). Penas graves eram impostas em qualquer forasteiro que invadisse as áreas de caça. Os ainus caçavam com flechas e lanças com pontas envenenadas. O veneno, chamado de surku, era feito a partir das raízes e talos de acônito. A receita do veneno era um segredo que diferia de acordo com a família. O veneno era melhorado com misturas de raízes e talos de Apocynum, suco fervido de mekuragumo, matsumomushi, tabaco e outros ingredientes. Também usavam de ferrões de arraias ou da pele que os cobria.

Ornamentos

Os homens usavam uma coroa chamada de sapanpe para cerimônias importantes. O sapanpe era feito de fibra de madeira com feixes de madeira parcialmente raspada. Essa coroa tinha figuras em madeira de deuses animais e outros ornamentos no centro. Os homens carregavam um emush (ou emusi) pendurada por uma alça (emush at) em seus ombros. As mulheres usavam matanpushi (ou matanpusi), bandanas bordadas e ninkari, brincos. Os ninkari eram argolas de metal com uma pequena esfera. Matanpushi e ninkari eram originalmente usados por homens, mas mulheres passaram a usá-los. Aventais chamados de maidari são parte das roupas formais das mulheres, mas alguns relatos antigos dizem que homens também os usavam. As mulheres por vezes usavam braceletes chamados de tekunkani.

Habitação

Uma aldeia é chamada de kotan na língua ainu. Os kotan eram localizados em bacias hidrográficas e no litoral, onde era fácil de encontrar alimento, particularmente nas bacias hidrográficas de rios em que os salmões nadavam contra a corrente. Uma aldeia consistia basicamente de um clã patriarcal. O número médio de famílias era de quatro a sete, raramente chegando a mais de dez. No início dos tempos modernos, os ainus foram forçados a trabalhar nas áreas de pesca japonesas. Os kotan também os acompanharam. Como resultado, os kotan tradicionais desapareceram e grandes vilas de dezenas de famílias foram formadas em volta das áreas de pesca. As cise (casas) de um kotan eram feitas de material vegetal, a armação à base de Syringa reticulata e Fraxinus mandshurica japônica, paredes e telhados eram feitas de bambu-anão, Junco, cascas de árvore e outros materiais. O comprimento era de leste a oeste ou paralelo a um rio. Uma casa geralmente media 7 m x 5 m com uma entrada na ponta oeste que também servia como despensa. A casa tinha três janelas, incluindo a rorun poyar, uma janela localizada no lado leste, através da qual os deuses entravam e saíam e ferramentas cerimoniais eram trazidas para dentro e levadas para fora.

Casamento

Observavam-se aspectos martiarcais na organização familiar ainu, as jovens eram bastante livres na escolha de seus maridos, as crianças de uma mulher herdavam bens do irmão dessa, o marido entra na família de sua esposa, os filhos mais jovens de uma mulher pertencem a seu clã, a avó é considerada o real ancestral e seus descendentes são considerados pertencentes a um clã. Os filhos de irmãos homens podem se casar, pois descendem de mães que não são parentes entre si. O povo ainu tinha vários tipos de casamento. Uma criança era prometida em casamento arranjado por seus pais. Os prometidos eram informados de quem seria seu cônjuge quando chegassem à idade de casar-se. Também havia casamentos baseados no consentimento mútuo de ambos os sexos. Em algumas áreas, quando uma moça chegava à idade de casar, seus pais a deixavam viver num pequeno cômodo chamado tunpu anexado à parede sul da casa. Os pais escolhiam seu parceiro entre os homens que a visitavam.

Tradições

O tecido gasto de roupas velhas era usada para fazer roupas de bebês, porque tecidos macios eram bons para a pele de bebês e materiais gastos os protegiam dos deuses da doença e dos demônios, que odiavam coisas sujas. Antes que um bebê fosse amamentado, uma decocção da endoderme de amieiro e das raízes de Petasites hybridus era dada a ele para liberar impurezas. As crianças cresciam praticamente nuas até as idades de quatro ou cinco anos. Mesmo quando usavam roupas, não usavam faixas, deixando a frente de suas vestes aberta. Suas roupas não eram bordadas com padrões decorativos. Recém-nascidos eram chamados de ayay (o choro de um bebê),:31 shipo, poyshi (pequeno excremento), osoma (fezes), shion (excremento velho) e outros nomes de coisas repugnantes. Esses nomes temporários eram dadas às crianças para espantar os demônios e deuses da doença e eram chamadas assim até os dois ou três anos de idade. Algumas crianças recebiam seus nomes baseados em seu comportamento ou hábitos. Outras recebiam seus nomes baseados em eventos impressionantes ou nos desejos de seus pais para seu futuro. Nunca se repetia um nome quando as crianças os recebiam.

Religião

Os ainu são tradicionalmente animistas, crendo que tudo na natureza possui um kamuy (espírito ou deidade) em seu interior. Os mais importantes incluem Kamuy Huci (ou Kamuy Fuchi), deusa da lareira, Kimun Kamuy (ou Kim-un Kamuy), deus dos ursos e das montanhas, e Repun Kamuy, deus do mar, da pesca e dos animais marinhos. Os ainus não possuem sacerdotes oficiais; em vez disto, o chefe do vilarejo executa quaisquer cerimônias religiosas que forem necessárias. As cerimônias consistem em fazer libações de saquê, orações e oferendas de varas de salgueiro com aparas de madeira. Essas varas são chamadas de inaw (singular) e nusa (plural). As varas são colocadas em um altar para "mandar de volta" os espíritos dos animais mortos em caçadas. As cerimônias para mandar ursos de volta são chamadas de Iyomante. O povo ainu agradece aos deuses antes de comer e rezam para a deidade do fogo em tempos de doença. Eles creem que os espíritos são imortais, e que seus espíritos serão recompensados ascendendo a kamuy mosir (Terra dos Deuses).

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Instituições

A maioria dos ainus de Hokkaido (e outros) são membros de um grupo chamado Hokkaidō Utari Kyōkai (北海道ウタリ協会). O grupo era originalmente administrado pelo governo para acelerar a assimilação dos ainus na sociedade japonesa. Atualmente é administrado exclusivamente pelos ainus e, em sua maior parte, opera independentemente do governo. Outras instituições importantes incluem A Fundação para a Pesquisa e Promoção da Cultura Ainu, criada pelo governo japonês após a aprovação da Lei de Cultura Ainu em 1997, o Centro para Estudos Indígenas e Ainu da Universidade de Hokkaido, estabelecido em 2007, e vários museus e centros culturais.

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Fontes consultadas

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