Aílton Graça
Aílton Graça, é um ator, cenógrafo, bailarino e palhaço brasileiro. Recebeu aclamação da crítica por interpretar Majestade no filme Carandiru (2003), que o tornou conhecido. Consagrou-se nos anos seguintes por sua versatilidade e interpretação de tipos populares e boêmios. Ele é vencedor de vários prêmios, incluindo um Grande Otelo, um Prêmio Guarani e dois Prêmios Qualidade Brasil, além de ter recebido o festejado prêmio Kikito do Festival de Gramado.
Imagem: Ministério da Cultura · BY · Openverse
Jornada profissional e formação artística
Nascido em São Paulo, em 9 de setembro de 1964, sua mãe era dona de casa e seu pai trabalhava como porteiro em um hospital. Cresceu no bairro de Americanópolis, na periferia da capital paulista. Embora Aílton tenha passado um período como camelô, seu amor pelo carnaval sempre foi uma constante em sua vida, influenciado pela vibrante cultura de sua cidade natal. Desde os tempos de escola, sua paixão pela dramaturgia se destacou, levando-o a se envolver no universo teatral por meio de diversas produções amadoras. Antes de se consolidar nas artes, Aílton exerceu várias funções, como fiscal de lotação e vendedor em uma loja de sapatos, experiências que moldaram sua visão de mundo. Sua conexão com a arte se aprofundou ao se tornar servidor público no IAMSPE, onde se engajou em um projeto artístico voltado para o lazer dos pacientes, colaborando com talentosos atores da renomada Escola de Artes Dramáticas da USP.
2001—05: Primeiros trabalhos e reconhecimento
Em 2001, reatou seu contato com os palcos do teatro em Babilônia, do grupo Folias d'Arte, após cerca de oito anos de oficinas esporádicas. Em 2002, foi mestre-sala e coreógrafo de comissão de frente das escolas de samba Gaviões da Fiel e União Independente da Zona Sul. No entanto, foi em 2003 que viu sua carreira deslanchar. No papel do traficante Majestade, ele fez sua estreia no cinema com o o premiado filme de drama Carandiru, dirigido por Hector Babenco, conta algumas das histórias dos detentos do presídio homônimo, que foi a maior prisão da América Latina. O ator disputou o papel com cerca de 2.700 outros candidatos nos 16 testes realizados para a escolha do ator. Sua atuação no filme lhe rendeu elogios da crítica e, além de ganhar um prêmio coletivo de atuação no Festival de Cinema de Cartagena, na Colômbia, ainda recebeu indicações como melhor ator coadjuvante no Prêmio Qualidade Brasil e melhor revelação no Prêmio Guarani.
2006—09: Prosseguimento da carreira
Colhendo os frutos de sua visibilidade adquirida em América, Aílton passou a ser requisitado para papéis expressivos em produções da TV Globo. Em 2006, ele foi escalado para o elenco da novela das sete Cobras & Lagartos, de João Emanuel Carneiro, para interpretar Ramires Miranda Café, o pai do personagem Foguinho, interpretado por Lázaro Ramos. Na trama, ele é um homem que explorava o filho quando este era pobre, fazendo-o trabalhar de homem-sanduíche nas ruas do Saara, mas junto com sua esposa Shirley (Elizângela) e os demais filhos Téo (Iran Malfitano) e Sandrinha (Maria Maya), por interesse, passa a bajular ele quando recebe a herança de um poderoso empresário.
2010—19: Amadurecimento e diversificação de personagens
Em 2010, atua na série policial Na Forma da Lei, que acompanha cinco estudantes de direito anos depois de sua formação, que são marcados pela morte de um de seus amigos durante a graduação, interpretando o Delegado Moreira. Aparece no episódio "A Vingativa do Méier" de As Cariocas e é escalado para a 18ª temporada de Malhação, onde interpretou José Pinto. Neste ano ainda, esteve no filme, também de temática policial, Segurança Nacional, de Roberto Carminati, que tinha como plano de fundo o combate ao terrorismo e as ações de segurança nacional do exército, interpretado o agente de polícia Daniel. Também está no elenco de Bróder, filme dramático dirigido por Jeferson De. Pela interpretação de Seu Francisco, homem honesto que é padrasto do protagonista envolvido no crime, recebeu uma indicação ao Grande Otelo, como melhor ator coadjuvante.
2020—presente: Mussum, o Filmis e projetos recentes
Em janeiro de 2020, faz uma participação especial na fase inicial da novela das sete Salve-se Quem Puder, de Daniel Ortiz, interpretando o juiz Vitório Albuquerque, que é assassinado por queima de arquivo pelos vilões da trama em Cancún. Também esteve no especial Falas Negras, exibido no feriado da Consciência Negra, interpretando o geógrafo Milton Santos. No cinema, é mais uma vez dirigido por Jefferson De em M8 - Quando a Morte Socorre a Vida (2020), que lhe rende a indicação de melhor ator no Festival Sesc Melhores Filmes. Em 2021, interpreta um dos protagonistas da comédia Galeria Futuro, de Afonso Poyart. No filme, os três amigos de infância Valentim (Marcelo Serrado), Kodak (Otavio Muller) e Eddie (Ailton Graça) trabalham juntos como lojistas em um espaço comercial chamado Galeria Futuro. A situação econômica da galeria não se encontra bem e eles são surpreendidos por uma proposta milionária de um pastor que deseja transformar o centro comercial em uma igreja evangélica.
Imagem: Marcus Correa · BY-NC-ND · Openverse
Ailton Graça sempre manteve sua vida privada muito discreta. O ator é casado com a também atriz Kátia Naiane há mais de vinte anos, com quem não teve filhos. O casal é discreto com a vida pessoal e quase não é visto junto em eventos.


