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Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana ou ainda Fraternidade Muçulmana, é uma organização islâmica radical fundada em 22 de março de 1928 que atua em cerca de 70 países e que pretende "retomar" os ensinamentos do Corão, rejeitando qualquer tipo de influência ocidental.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/10/2026
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Ideologia

O fundador, Hassan Al-Banna, foi influenciado pelos reformadores islâmicos Muhammad Abduh e Rashid Rida, e ele insistiu que apenas o Alcorão e os hádices mais confiáveis deveriam ser fontes da Xaria. Al-Banna evitou controvérsias sobre a doutrina. Ele minimizou as diferenças doutrinais entre as escolas (embora não aceitando os muçulmanos Bahais e amadita), enfatizando a importância política da unidade mundial da nação Muçulmana (a umma). A ideologia de Banna pode ser resumida em alguns pontos principais: o Islã é um perfeito e completo modo de vida; o Islão deve ser a base de toda a legislação; as sociedades ocidentais são decadentes e corruptas, e Alá ordenou que os muçulmanos conquistassem e governassem toda a Terra. Banna salienta que o Islão é um sistema perfeito de organização social, que abrange todos os aspectos da vida, logo, para um muçulmano, não é possível separar a religião da política: "... não reconhecemos tais divisões".

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História no Egito

Primeiros Anos

A organização foi fundada por Hassan al Banna, em 1928, e surge após o fim do Império Otomano com a extinção oficial do califado turco, em 1924 em consequência da I Guerra Mundial, numa altura que o mundo árabe tinha se fragmentado em movimentos nacionalistas que lutavam contra o controle imperialista franco-britânico na região e o sionismo. O seu fundador, era um professor egípcio que, na época tinha 22 anos, denunciava "a doença que reduziu a Ummah (comunidade muçulmana) ao seu estado atual", o que o motivou, juntamente com outros cinco jovens – todos na faixa dos vinte anos – a criar a Irmandade. As primeiras reuniões ocorreram na residência do fundador na cidade egípcia de Ismailiyya.

Na Era Nasser

A Irmandade Muçulmana, foi afastada pelo então presidente Gamal Abdel-Nasser de qualquer influência no novo regime que ajudaram a implantar, aderiram à luta armada para derrubá-lo. Em fevereiro de 1954, a Irmandade foi tornada ilegal e em outubro do mesmo ano seus membros tentaram assassinar Nasser. Em 1954, o presidente Gamal Abdel-Nasser proibiu a Irmandade após culpá-la por uma fracassada tentativa de assassinato contra ele. Líderes foram executados e milhares de seus membros presos, muitas vezes submetidos a tortura. Qutb, seu principal líder, foi sentenciado a dez anos de prisão. Milhares de integrantes do movimento fugiram para outros países árabes como Síria, Arábia Saudita, Jordânia e Líbano e isso ajudou a internacionalizar o movimento.

Na Era Sadat

Qutb foi sucedido por Muhammad al-Mahmud al-Hudeibi, que adotou uma postura mais moderada e, em 1973, estabeleceu um acordo com Anwar Sadat, o novo presidente da república do Egipto, que incluiu a renúncia formal ao uso da violência. Isso permitiu uma redução das atividades repressivas, embora muitos integrantes tenham sido presos no período.

Na Era Mubarak

Após o assassinato de Sadat, em 1981, muitos integrantes foram libertados por Hosni Mubarak, que assumiu o poder. Na metade dos anos 80 foi autorizada a participação de partidos políticos da oposição nas eleições e no início da Década de 1990, eles passaram a controlar muitos sindicatos por meio de eleições sindicais, mas Mubarak contra-atacou, intervindo em sindicatos e prendendo membros da Irmandade. No início do século XXI, o grupo passou a concorrer com candidatos independentes nas eleições parlamentares e obteve sua maior vitória em 2005, quando seus candidatos ganharam um quinto das cadeiras do Parlamento, apesar de confrontos quando as forças de segurança tentavam impedi-los de votar. Na época, o regime de Mubarak acusou o grupo de incitar a violência, e prendeu alguns de seus principais líderes, incluindo al-Shater.

Primavera Árabe

Em 2011, a sua liderança não aderiu ao início dos protestos em massa contra Mubarak, que tiveram início no dia 25 de janeiro, mas os membros mais jovens começaram a participar, e depois de alguns dias na rua a cúpula da organização passou a apoiar os protestos. Yussuf al Qaradawi, considerado um dos clérigos mais influentes da organização, declarou, após semanas de protestos, em um sermão na Praça Tahrir, que os os manifestantes que morreram por desafiarem o governo Mubarak seriam mártires. Logo após a queda de Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, os militares que tomaram o poder suspenderam a proibição. Isso permitiu que A Irmandade, rapidamente, legalizasse o seu primeiro partido político, o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), inicialmente liderado por Mohamed Morsi.

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Na Arábia Saudita

Devido à forte repressão que sofreram no Egito, no Iraque e na Síria, milhares de integrantes se refugiaram na Arábia Saudita, que na época estava em ascensão económica devido ao recente aumento dos ganhos com a exploração de petróleo. Muitos se tornaram professores, advogados ou engenheiros naquele país. Com o apoio da família real, os ativistas da Irmandade ajudaram a fundar grandes instituições de caridade sauditas, como a Liga Muçulmana Mundial, fundada em 1963, e a Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, em 1973. Isso permitiu atividade de divulgação religiosa em diversos países, nos quais eles espalharam doutrinas do wahhabismo. Esse trabalho impulsionou a luta armada no Afeganistão, onde, na década de 1980, ativistas sauditas, ligados à Irmandade, combateram o governo apoiado pela União Soviética, com o apoio da CIA e do Paquistão. O radicalismo islâmico ganhou impulso com a derrota soviética no Afeganistão, em 1989, o que levou parte dos integrantes da Irmandade a abraçar a teoria da jihad mundial, o que foi o início da Al Qaeda.

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Na Síria

A Irmandade foi auxiliada pelos americanos naquele país pelo menos desde 1957.

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Nos Estados Unidos

Em 1953, um ano antes de Nasser iniciar uma ampla perseguição contra a Irmandade, o Presidente Eisenhower trouxe aos EUA quase 40 intelectuais islâmicos e líderes políticos civis árabes, escolhidos pela CIA, para um simpósio acadêmico na Universidade de Princeton, que teria como objetivo fazer com que os visitantes tivessem contato com os valores dos EUA, e, desse modo, influenciar a opinião pública nos países muçulmanos, com o objetivo de promover uma agenda anticomunista naqueles países que começavam a ganhar a independência política. Entre os convidados, destacava-se Saeed Ramahdan (ou Said Ramadan), integrante e genro do fundador da Irmandade, sendo considerado, na época, o "Ministro de Relações Exteriores" da organização. Em 1960, os primeiros integrantes da Irmandade começaram a chegar aos EUA, muitos deles se integraram à cultura norte-americana e romperam seus laços com Irmandade. Outros passaram a difundir o islamismo nos EUA e propaganda antissionista. Segundo Ali Ahmed, um integrante da organização de origem saudita, residente em Washington, a Irmandade nos EUA tem uma estrutura organizacional mais flexível, pois vários integrantes tornaram-se mais moderados e passaram a ser partidários da democracia, enquanto outros se tornaram mais radicais.[carece de fontes]?

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Estrutura

A irmandade tem representantes em 70 países. Eles afirmam ter tido ação relevante na maioria dos conflitos pró-islâmicos, desde as guerras árabes-israelitas e a guerra da independência argelina até os recentes conflitos no Afeganistão e na Caxemira. No topo da hierarquia está o "guia geral", no Egipto, actualmente Mohammed Badie. A liderança executiva é exercida pelo "Conselho de Orientação", composto de 16 a 19 membros. O guia geral e os membros do conselho de orientação são escolhidos pelo "Conselho Shoura", a versão do grupo para uma legislatura composta de 75 a 90 membros escolhidos pelos conselhos regionais de todo o país. Na base da hierarquia estão os demais membros da Irmandade, que fizeram um juramento para "ouvir e obedecer" à liderança do grupo, configurando estrutura hierárquica rígida. Esses elementos se agrupam em "usra" ou "famílias", que constituem pequenos grupos de estudo que se reúnem regularmente, possibilitando a construção de laços pessoais, que também levam à integração dos filhos na organização e à promoção de casamentos entre pessoas que pertencem a famílias ligadas à organização. Além disso o grupo mantém uma ampla rede de caridade, que inclui a prestação de cuidados médicos gratuitos ou baratos, alimentação e outros serviços para os pobres.

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Partidos ligados à Irmandade

(a) Oficialmente, não tem ligações, embora tenha apoiado publicamente a Irmandade (c) Movimento banido em 2015, mas grupos ligados a este concorrem às eleições na Lista Unida Árabe (d) Lidera o governo apenas na Faixa de Gaza desde 2007 (e) Apoia o governo de Hadi na Guerra Civil Iemenita (f) Os partidos encontram-se fragmentados devido à Guerra Civil Líbia

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Fontes consultadas

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