Maria de Jesus de Ágreda
Maria de Jesus de Ágreda, nascida Maria Coronel y Arana, foi uma religiosa abadessa de Ágreda, cidade situada na província espanhola de Sória, tendo nascido e falecido nessa mesma localidade. Além de monja da Ordem da Imaculada Conceição, foi também uma importante escritora mística, e uma relevante figura na catequização dos indígenas na América Espanhola.
Maria Coronel y Arana, nome de batismo da Venerável Madre Maria de Jesus de Ágreda, nasceu no dia 2 de abril de 1602, na cidade de Ágreda. Sendo fruto do casamento de Francisco Coronel e Catalina de Arana, uma família de fidalgos, que tiveram onze filhos, no qual quatro deles sobreviveram: José, Francisco, Gerónima e María. Desde muito pequena apresentou uma afeição pela religião e aos doze anos de idade se interessou em ingressar na vida religiosa. Diante das tentativas de entrar para o convento de Santa Ana de Carmelitas Descalças de Tarazona, sua família decidiu transformar sua casa em um convento. Segundo relatos, sua mãe Catalina de Arana, após receber um pedido divino, funda em sua casa o Convento de La Purísima Concepción, no qual toda sua família ingressa na religião. Em 1620, aos 18 anos, acompanhada de sua mãe e sua irmã, a monja toma seu hábito e se torna irmã Maria de Jesus, iniciando sua vida religiosa no convento de Ágreda, ao mesmo tempo que seu pai e seus irmãos passam a fazer parte de La Orden Primeira Franciscana do convento de San Antonio de Nalda.
Correspondência com Felipe IV
Entre os anos de 1643 e 1665, a monja manteve uma contínua troca de correspondência com o Rei Felipe IV da Espanha, que, em 1643, a caminho da Catalunha, visitou a abadessa no convento de Ágreda, iniciando uma relação epistolar que duraria o resto de suas vidas, tornando-se, segundo relatos, uma conselheira do rei nos assuntos políticos. Assim, como manteve correspondência com outros membros da família real, como Isabel de Borbón, Baltasar Carlos, Mariana de Áustria, Don Juan José, bem como membros da elite e da nobreza. Manteve também correspondência com Francisco de Borja, futuro Papa Clemente IX. A fecunda relação epistolar com Felipe IV concedeu mais de seiscentas cartas, que constituem uma fonte histórica para o conhecimento da política espanhola do século XVII. As cartas contemplam conteúdos importantes, como a exposição dos pensamentos do monarca sobre a política interna e externa do reino, expõem uma reflexão das virtudes de um príncipe e a concepção de governo de Estado, assim como as relações com seus ministros, conselheiros e mesmo com seus súditos. O monarca relata o comportamento do reino frente às potências europeias no tempo de paz e de guerra, bem como sua confiança na vontade divina, que sustentava a monarquia hispânica, conforme o providencialismo. As cartas são interrompidas com a morte da Venerável Maria de Jesus em 24 de maio de 1665.
A venerável Maria de Jesus de Ágreda se tornou uma das figuras representativas do barroco espanhol do século XVII, conhecido como a "Época de ouro do Barroco", pela sua mais importante obra, Mística Ciudad de Dios, a qual alcançou numerosas edições. Seus leitores exigiam a incorporação de um retrato da autora, pois precisavam fisicamente do contato com o retrato da Venerável nas páginas do livro que tinham em mãos. O livro se tornou muito importante e difundiu a imagem da monja para diferentes lugares da Espanha, Europa e América. O fenômeno de bilocação da monja, respaldado no campo das artes, aparece em muitas pinturas, retratando a Venerável Maria de Jesus catequizando os indígenas na América hispânica. Sua vida e suas obras desencadearam uma grande admiração na população, durante sua vida e mesmo após a sua morte. Desse modo, encontram-se exemplares conservados de documentos que retratam a vida e obra da monja em diversas bibliotecas e arquivos na Espanha.


