Meios de comunicação social
Meios de comunicação social, também conhecidos como meios de comunicação em massa, são todos os tipos de aparatos analógicos ou digitais utilizados para transmitir textos, imagens e áudios para uma massa heterogênea e indeterminada de pessoas. Os meios mais conhecidos são os livros, jornais, revistas, rádio, cinema, televisão, gravações, video games e internet. Estes aparatos existem desde o início da civilização humana, na medida em que sistemas de criação, processamento, transmissão e recepção, fazem parte natural dos sistemas sociais de interação humana. O sistema dos meios de comunicação de massa implica organizações geralmente amplas, complexas, com grande número de profissionais e extensa divisão do trabalho.
Os primeiros meios de comunicação de massa foram os livros, produzidos artesanalmente desde a antiguidade, mas fabricados, em série, a partir da invenção da prensa, por Gutemberg, na Alemanha, no século XV. O primeiro livro produzido pelo impressor alemão foi a Bíblia de 42 linhas. A prensa permitiu o nascimento dos jornais e das revistas a partir do século XVII. Os dois tipos de meios ganharam sua forma moderna no início do século XX, nos Estados Unidos, e depois na Inglaterra, com a penny press. Os meios de comunicação social passaram efetivamente a ter impacto social, sobretudo, no século XX, a partir do advento da Televisão e do Rádio. Os meios eletrônicos dominaram plateias no mundo inteiro e tornaram-se instrumento permanente de emoção, encanto, fantasia e informação O avanço da tecnologia permitiu a reprodução em grande quantidade de materiais informativos a baixo custo. As tecnologias de reprodução física, como a imprensa, a gravação de discos de música e a reprodução de filmes seguiram a reprodução de livros, jornais e filmes a baixo preço para um amplo público. Pela primeira vez, a televisão e a rádio permitiram a reprodução eletrônica de informações.
Os meios de comunicação têm sido agrupados entre os de "centro" e "periferia", distinção que toma como base a atual Divisão Internacional do Trabalho (DIT). A diferenciação aplica-se também para descrever a conformação da mídia dentro dos próprios países, dentre eles o Brasil. Correspondem-se ao "centro" os meios de comunicação localizados em países onde se detecta o modelo "liberal" e "corporativista democrático" apresentados no livro Comparing Media Systems, de Daniel Hallin e Paolo Mancini (o que vale dizer, aqueles na Europa Ocidental, os Estados Unidos, Canadá, Japão e alguns meios do Oriente Médio, como o caso da Rede Al-Jazira). Já nos países onde aparece o modelo "pluralista polarizado", também apresentado por aqueles autores, funciona a mídia de periferia (nos países que rodeiam o Mar Mediterrâneo, Portugal, os da África, América Latina e da ex-União Soviética). Tanto os meios nos contextos do modelo corporativista democrático como do liberal têm como traços distintivos o desenvolvimento de uma imprensa comercial que reivindica ser politicamente neutra, e se estrutura em torno do modelo de jornalismo informativo, um papel mais discreto desempenhado pelo Estado no sistema midiático. Apresentaram o desenvolvimento precoce da imprensa comercial de massa e um grau de profissionalização dos jornalistas, com relativa independência em relação ao Estado. Já a mídia inserida no modelo pluralista polarizado está situada nos países em desenvolvimento ou "periféricos", e apresenta baixo profissionalismo da imprensa, forte dependência da verba pública e do Estado, atuação de agentes políticos na prática jornalística e uma série de articulações de reprodução e relacionamento entre as mídias localizadas nas grandes capitais e as das diferentes regiões de cada país.
No Brasil
Essa mesma lógica de centro/margem tem sido detectada dentro do Brasil, numa divisão interna que diferencia entre "meios nacionais" e "meios do interior", aplicando a divisão entre centro e periferia em escala sub-nacional. A mídia central, das capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde se concentram empresas midiáticas de maior aporte tecnológico e financeiro; e as mídias periféricas, composta por grupos midiáticos dos demais estados, descritos como regionais. Estas mídias passaram a ser descritas pela ausência de características atribuídas à mídia de centro tais como profissionalismo, autonomia financeira e editorial.
Crítica
Essa diferenciação entre centro e periferia é criticada tanto no plano internacional quanto no caso do Brasil, argumentando-se que a divisão apresenta lacunas e se mostra insuficiente para descrever tanto o âmbito nacional, que necessita dos grupos regionais para expandir as redes de radiodifusão, como do ponto de vista do regional, conceito aglutinador de uma multiplicidade de arranjos e estruturas midiáticas. A visão de uma suposta inferioridade do espaço regional foi reforçada por estudos em comunicação produzidos geralmente por autores da região Sudeste do Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo), ocasionando assim uma supervalorização das mídias instaladas no eixo Centro-Sul (tratadas como nacionais), e desmerecendo as especificidades de outros meios locais. O trabalho de Albuquerque e Pinto destaca que a mídia brasileira caracterizada como "local" ou "regional" tem apresentado importantes avanços nos últimos tempos, tais como o investimento em tecnologia e capacitação de recursos humanos, autossuficiência financeira e novas articulações de produção com meios e agências de nível internacional.


