Louis Agassiz
Jean Louis Rodolphe Agassiz foi um zoólogo e geólogo suíço, notório por sua Expedição Thayer. Agassiz foi um dos promotores e principais defensores do racismo científico e do criacionismo no século XIX. Por causa disso, as homenagens a ele estão sendo anacronicamente questionadas no presente ignorando as divergências tempóreas e de valores comuns em sua época e valores de seus opositores ideológicos que sequer são valores universais ou gerais visto que não são os únicos existentes.
Louis Agassiz nasceu em Môtier, na parte francesa da Suíça. O início da sua educação começou em casa; seu pai era pastor protestante e planejava que Agassiz também fosse. Ainda na infância, passou quatro anos numa escola secundária em Bienne (Biel, em alemão), e completou os seus estudos elementares na academia de Lausanne. Estudou nas universidades de Erlangen, onde recebeu o grau de doutor em filosofia, e foi doutor em medicina pela Universidade de Munique, ambas na Alemanha, juntamente com os biólogos alemães Lorenz Oken e Inácio Dollinger. Na Suíça, estudou na Universidade de Zurique. Mudou-se para Paris e ficou sobre a tutela de Alexander von Humboldt e de Georges Cuvier, que o lançaram nas suas carreiras da geologia e zoologia, respectivamente. Até esta altura ele não prestava nenhuma atenção especial ao estudo da ictiologia, a qual se transformou na grande ocupação de sua vida, ou pelo menos na área em que atualmente é mais recordado.
Nos anos de 1819 e 1820, Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius participaram de uma expedição ao Brasil, e levaram para a Europa uma coleção de peixes de água doce, especialmente do Rio Amazonas. Spix morreu em 1826 e não teve tempo para estudar os peixes, sendo Louis Agassiz escolhido por Martius para esta finalidade. Agassiz descobriu nos trabalhos paleontológicos a necessidade de uma nova base de classificação ictiológica. Os fósseis não exibiam quaisquer vestígios de tecidos, consistindo principalmente de dentes, escamas e nadadeiras, até mesmo ossos perfeitamente preservados em poucos casos. Ele classificou e dividiu em quatro grupos de peixes: Ganoides, Placoides, Cycloides e Ctenoides, com base na natureza das escamas e outros apêndices dérmicos. Em 1832, Agassiz foi nomeado professor de história natural na Universidade de Neuchâtel na Suíça, onde trabalhou por 13 anos em muitos projetos de paleontologia, sistemática e glaciologia. Lá planejou a publicação do seu livro Recherches sur les poissons fossiles ("Pesquisa sobre peixes fósseis") entre 1833 e 1843. Em 1836 lhe foi atribuída a medalha Wollaston por seu trabalho em ictiologia fóssil, e em 1838 foi eleito membro estrangeiro da Royal Society. Em 1837, publicou uma monografia sobre o recente fóssil Echinodermata, sendo a primeira parte publicada em 1838, a segunda em 1839, e no ano seguinte terminou seu artigo sobre os equinodermos fósseis da Suíça, com o título Etudes Critiques sur les Mollusques Fossiles ("Estudos Críticos sobre Fósseis de Moluscos“). Em 1841, publicou com George Gardner um texto sobre peixes fósseis da bacia do Araripe, Ceará.
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Agassiz nunca esteve em Portugal, mas no segundo volume do “Recherches sur les poissons fossiles”, com as datas de 1833-1843, Agassiz descreveu dentes de peixe picnodontiforme como duas novas espécies fósseis do Algarve, cuja jazida exata é assumidamente desconhecida: Sphaerodus discus Agassiz, 1833 e Sphaerodus oculusserpentis Agassiz, 1833, hoje consideradas nomina dubia. Os holótipos eram das coleções do Conde de Münster, Georg Ludwig Friedrich Wilhelm (17 de fevereiro de 1776 - 23 de dezembro de 1844) que integraram o Museu Paleontológico de Munique. Estes são os primeiros vertebrados fósseis nomeados com base em fósseis portugueses e acrescem aos 206 binómios com base em tipos em Portugal. A ilustração em aguarela e lápis de Joseph Dinkel (1806-1891) serviu como base para a prancha 73 publicada em escala de cinzentos na obra de Agassiz.


