Grupo Cultural AfroReggae
Grupo Cultural AfroReggae é uma organização não governamental fundada em 1993, com a missão de promover impacto social por meio da arte, da cultura e da educação. Voltada especialmente para jovens de favelas e periferias urbanas, a instituição busca ampliar oportunidades para grupos estigmatizados e menos favorecidos, combatendo preconceitos, reduzindo desigualdades e visando a promoção da inclusão produtiva e a mobilidade social.
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A organização foi criada por José Pereira de Oliveira Junior que começou sua carreira promovendo festas de funk e reggae no Centro do Rio de Janeiro, tornando-se posteriormente empreendedor social. Com o surgimento do jornal impresso Afro Reggae Notícias, em 21 de janeiro de 1993. Um mês após a chacina de Vigário Geral, começou um trabalho que deu início a uma nova forma de educação e inclusão da favela como parte da cidade. A ONG iniciou o seu trabalho e inaugurou seu primeiro Núcleo Comunitário de Cultura, atualmente Centro de Cultura Digital Waly Salomão, justamente em Vigário Geral. Inicialmente, o grupo passou a oferecer oficinas de reciclagem de lixo, percussão e de dança afro dentro da favela. O trabalho da instituição se expandiu e alcançou os moradores das favelas de Parada de Lucas, Cantagalo, Complexo do Alemão, da Penha e outros municípios, como Nova Iguaçu. O AfroReggae passou a desenvolver projetos em áreas pobres, violentas e muitas vezes comandadas pelo tráfico de drogas. Além da atuação nos núcleos, por meio de oficinas, aulas, eventos, entre outros, o grupo também passou a trabalhar na formação de grupos artísticos, programas de televisão, publicações sobre temáticas sociais, entre outros.
AfroGames
O AfroGames é um programa voltado à inclusão digital de jovens de favelas por meio dos esportes eletrônicos e do desenvolvimento de jogos digitais. A primeira unidade foi instalada em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, considerada o primeiro centro de treinamento de eSports dentro de uma favela no Brasil. O programa expandiu suas atividades para outras regiões, incluindo Centros de Treinamento no Complexo da Maré – nas comunidades de Nova Holanda e Morro do Timbau – e no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde funciona dentro de uma escola municipal. Em 2025, com patrocínio do Guaraná Antarctica por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, o AfroGames transformou uma antiga base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em um novo Centro de Treinamento no Mandela, na região de Manguinhos, Zona Norte do Rio.
Centro de Cultura Digital Waly Salomão
No Centro Cultural Waly Salomão, localizado no Parque Proletário de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o AfroReggae deu seus primeiros passos, abrindo caminho para o crescimento da instituição. Waly Salomão, que dá nome ao núcleo, foi grande entusiasta da causa do grupo. Já em 1994, ele dizia que o AfroReggae seria uma potência social e cultural. Atualmente, o espaço concentra atividades nas áreas de cultura, tecnologia e formação profissional. Ali funcionam o estúdio da Crespo Music — com estrutura de gravação em tecnologia Dolby Atmos —, o Centro de Treinamento do programa AfroGames, e oficinas artístico-culturais voltadas para crianças e adolescentes, como ballet e percussão. Entre 2023 e 2024, as oficinas contaram com apoio da TV Globo, beneficiando 150 jovens com aulas regulares, acompanhamento pedagógico e apoio psicossocial.
Agência Segunda Chance
Criado em 2008, o principal foco do projeto é empregar ex-detentos, facilitando sua reintegração à sociedade. O projeto ativa o processo de ressocialização dando apoio psicológico e regularização de documentos desde o momento de saída do sistema prisional. Essas pessoas são encaminhadas pelo projeto a postos de trabalho e têm seu desempenho no ambiente de trabalho acompanhado pela equipe do Segunda Chance. O projeto promove a inclusão social através da inserção no mercado de trabalho. A agência recebe candidatos, analisa os currículos, faz uma entrevista inicial e os encaminha às empresas parceiras. Também cabe à instituição supervisionar a performance de cada empregado. Os dados dos candidatos, empresas e vagas são cadastrados em um banco de dados digital. Assim, os encaminhamentos são feitos diretamente no sistema e as empresas recebem por e-mail as fichas dos candidatos encaminhados para as entrevistas.
Conexões Urbanas
O Conexões Urbanas é um projeto sociocultural criado pelo Grupo Cultural AfroReggae em 2001, com o objetivo de promover a valorização da cultura das favelas por meio de grandes eventos artísticos gratuitos realizados dentro das comunidades. A iniciativa busca ampliar o acesso à arte, fortalecer o sentimento de pertencimento e fomentar o protagonismo de moradores locais. A primeira edição do projeto ocorreu no Morro da Formiga, com a participação de Fernanda Abreu. Ao longo dos anos, o Conexões Urbanas levou artistas como Caetano Veloso, Marisa Monte, Gilberto Gil, O Rappa, Titãs e Cidade Negra a comunidades do Rio de Janeiro, como Vila Cruzeiro, Inhaúma e Vigário Geral.
Projeto Antenar
O Projeto Antenar é uma iniciativa do AfroReggae voltada à ampliação da conectividade em áreas urbanas com infraestrutura limitada. A proposta consiste na instalação de antenas de telecomunicações de pequeno porte em residências, permitindo a expansão do sinal de redes móveis em regiões densamente povoadas. O modelo adotado utiliza estruturas discretas e adaptadas ao ambiente urbano, dispensando o uso de torres tradicionais e facilitando a implantação em locais com limitações físicas e técnicas. Em dezembro de 2023, o projeto recebeu a visita técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que acompanhou a execução das instalações em uma comunidade da zona norte do Rio de Janeiro.
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Programa Sociocultural de Cabo Verde
O Programa Sociocultural de Cabo Verde foi uma iniciativa internacional realizada entre 2013 e 2014, fruto da cooperação entre o Grupo Cultural AfroReggae, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). A proposta teve como foco o fortalecimento comunitário por meio da arte, cultura e metodologias de inclusão social, com ações realizadas em três bairros da cidade da Praia: Tira Chapéu, Safende e Achada Grande Frente. O projeto promoveu oficinas de formação em grafite, percussão e circo, além de atividades de acompanhamento psicossocial baseadas em metodologia de risco social e familiar. Foram formados cerca de 70 multiplicadores locais, que passaram a conduzir as ações culturais em suas comunidades ao final do projeto. Como parte do processo de monitoramento, foi aplicado em duas etapas o (IPM), instrumento adotado para mapear privações e vulnerabilidades das famílias atendidas. O projeto foi considerado um caso-piloto bem-sucedido e apontado como referência para futuras ações de cooperação internacional com base em metodologias culturais de impacto social.
Intercâmbio no Reino Unido
Entre 2006 e 2017, o AfroReggae desenvolveu uma série de intercâmbios culturais e educacionais com instituições britânicas por meio de uma parceria com o People's Palace Projects, ligado à Queen Mary University of London. A colaboração resultou em oficinas, apresentações musicais, programas de formação artística e ações de integração com jovens em situação de vulnerabilidade no Reino Unido. Em 2006, artistas do grupo se apresentaram no Barbican Centre, em Londres, durante a programação “From the Favela to the World”, e ministraram oficinas em escolas de bairros periféricos como Hackney. As atividades incluíram performances conjuntas com estudantes britânicos em espaços como o Centro de Direitos Humanos da Anistia Internacional. A partir de 2015, estudantes da Queen Mary passaram a realizar imersões anuais no Brasil, participando de atividades com o grupo nas comunidades onde atua. A experiência foi viabilizada pelo programa Santander Universidades, com foco em inovação social e troca de metodologias entre os países.
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Favela Rising
Favela Rising é um documentário lançado em 2005, dirigido por Jeff Zimbalist e Matt Mochary, que narra a história da fundação do AfroReggae e as primeiras atividades do grupo em Vigário Geral, no Rio de Janeiro. O filme destaca como a música e a cultura foram utilizadas como ferramentas de transformação social em um ambiente marcado pela violência e a exclusão. O documentário estreou no Festival de Cinema de Tribeca em 2005, onde recebeu o prêmio de Melhor Novo Documentarista para Zimbalist e Mochary. Também foi premiado como Melhor Documentário no New York Latino Film Festival e como Melhor Documentário de Longa-Metragem no Big Sky Documentary Film Festival. Ao todo, Favela Rising conquistou mais de 25 prêmios internacionais e foi pré-selecionado para o Oscar de Melhor Documentário.
Nenhum Motivo Explica a Guerra
Nenhum Motivo Explica a Guerra é um documentário lançado em 2006, dirigido por Cacá Diegues e Rafael Dragaud, que retrata a trajetória do AfroReggae, destacando sua atuação em comunidades do Rio de Janeiro marcadas pela violência e exclusão social. O filme mescla cenas de apresentações musicais com depoimentos de integrantes do grupo, abordando como a arte e a cultura foram utilizadas como ferramentas de transformação social. O documentário foi exibido no Festival do Rio de 2006, na mostra Première Brasil, e posteriormente lançado em DVD, acompanhado de um show ao vivo do AfroReggae. A produção destaca a importância do grupo na promoção da inclusão social por meio da arte e da cultura, evidenciando seu impacto positivo nas comunidades onde atua.
Publicações
A organização tem publicados dois livros que relatam, com visões diferentes, a trajetória do AfroReggae. O primeiro, intitulado Da Favela para o Mundo, foi escrito por José Junior e apresenta histórias, muitas inéditas, dos primeiros 13 anos de atuação do grupo fundado em Vigário Geral. O segundo livro, Cultura é Nossa Arma: AfroReggae nas Favelas do Rio, de autoria dos ingleses Damian Platt e Patrick Neate, retrata a vida de pessoas que utilizam a arte, a educação e a cultura para transformar a realidade das comunidades cariocas.
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O AfroReggae recebeu diversas premiações institucionais ao longo de sua trajetória, em reconhecimento ao impacto social de suas ações nas áreas de cultura, juventude, cidadania e direitos humanos: Prêmio Asas (2025) – concedido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, em reconhecimento à atuação comunitária dos Pontos e Pontões de Cultura do estado. Diploma Heloneida Studart (2025) – concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à promoção de práticas e ações culturais de relevante impacto social. Prêmio CBIC de Responsabilidade Social – Categoria Empresa (2012) – concedido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Construtora Cofix, pelo projeto Empregabilidade. Prêmio JÓIA JK (2013) – concedido pela Soberana Ordem do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek. Ordem de Rio Branco (2013) – concedida pelo Ministério das Relações Exteriores, em reconhecimento à atuação de interesse internacional.
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Antes da criação da produtora AfroReggae Audiovisual S.A., em 2016, o Grupo Cultural AfroReggae desenvolveu diversas produções para televisão com foco em temáticas sociais, segurança pública e mediação de conflitos. Os projetos, concebidos enquanto a instituição ainda atuava como ONG, foram exibidos por canais como Multishow e GNT, e buscaram dar visibilidade a vozes marginalizadas, além de promover o diálogo entre atores sociais historicamente em confronto. Produzida pelo AfroReggae e exibida pelo GNT, a série documental de quatro episódios acompanhou pessoas que sofreram perdas familiares causadas por ações violentas ou negligência do Estado. Contou com depoimentos de jornalistas como Ana Paula Araújo e Zuenir Ventura, além da autora Glória Perez.
Conexões Urbanas (2008–2014)
Criado e apresentado por José Júnior, o programa estreou em 2008 no canal Multishow e teve sete temporadas. Com formato documental e linguagem de reality, a série retratava visitas a favelas, promovendo discussões sobre cidadania, racismo, sustentabilidade e violência urbana. Ao longo dos anos, o programa se consolidou como uma ponte entre diferentes realidades sociais e lançou a base para a criação da produtora audiovisual do AfroReggae.
Papo de Polícia (2011–2015)
Exibido também no Multishow, o programa teve cinco temporadas e abordou o cotidiano de agentes das forças policiais, incluindo operações em áreas conflagradas e aspectos pessoais da vida dos profissionais. A temporada final, focada no BOPE do Rio de Janeiro, utilizou câmeras acopladas às armas dos policiais para registrar ações em campo.
Zona Neutra (2013)
Gravado no anfiteatro do AfroReggae no Morro do Cantagalo, o programa reuniu ex-traficantes, ex-milicianos e autoridades policiais em um debate mediado por José Júnior. O especial foi exibido pelo Multishow em 22 de dezembro de 2013. Com plateia formada por moradores, artistas e especialistas, a proposta era criar um espaço de escuta e convergência entre lados opostos do conflito urbano.
Fui Bandido (2017)
Idealizada por José Júnior e exibida no Multishow, a série apresentou oito episódios com histórias reais de egressos do sistema prisional que buscaram reconstruir suas vidas fora do crime. A produção contou com direção de Luis Erlanger e teve participação especial de Luciano Huck. Embora exibida em 2017, a concepção e gravação ocorreram ainda sob gestão direta do AfroReggae enquanto ONG.
José Júnior: Entre a Guerra & a Paz (2018)
Minissérie biográfica exibida pelo Multishow em quatro episódios, com direção de Jorge Espírito Santo. A série retrata a trajetória de José Júnior como mediador de conflitos e fundador do AfroReggae, com depoimentos de personalidades como Luciano Huck e Armínio Fraga.
Paixão Bandida (2013–2014)
Série documental com duas temporadas exibidas pelo canal GNT. A primeira abordou mulheres que se relacionaram com homens ligados ao crime, e a segunda apresentou histórias de homens que permanecem ao lado de parceiras encarceradas. Com quatro episódios por temporada, a série destacou as dinâmicas afetivas em contextos de criminalidade e encarceramento.
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O Afro Lata foi criado em 1998 como uma banda percussiva formada por jovens de Vigário Geral, com inspiração em grupos como Olodum, Timbalada e Funk'n'Lata. Utilizando instrumentos confeccionados com materiais alternativos — como latas, sucatas e tambores reciclados — o grupo passou a explorar ritmos da tradição afro-brasileira, como maracatu, samba, frevo e ijexá, combinando musicalidade, coreografia e expressão cênica. As atividades do grupo envolveram não apenas ensaios e apresentações musicais, mas também formação artística em dança, teatro e performance, com o objetivo de ampliar o repertório cultural e fortalecer a identidade dos jovens participantes. Com o tempo, o Afro Lata passou a integrar circuitos culturais da cidade do Rio de Janeiro e se apresentar em eventos públicos e iniciativas sociais. Em 2012, houve a fusão do Afro Lata com outros dois coletivos percussivos ligados ao mesmo movimento cultural: a Tribo Negra e o Afro Mangue. Essa união deu origem a uma nova fase do projeto, que passou a ser denominado Companhia de Percussão AfroReggae, com proposta de atuação mais ampla e profissional. O grupo passou a trabalhar com a ideia de “espalhar o som da criatividade”, incorporando novos ritmos, figurinos e encenações às suas performances.
Juventude e Polícia
O projeto Juventude e Polícia foi desenvolvido em 2004 em Minas Gerais com o objetivo de promover o diálogo entre jovens moradores de comunidades periféricas e profissionais da segurança pública. A iniciativa foi coordenada pelo Grupo Cultural AfroReggae, com apoio da Fundação Ford e da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). As ações do projeto incluíram a realização de oficinas de arte urbana — como grafite, dança de rua, teatro, música e basquete — ministradas por jovens dentro de batalhões da Polícia Militar, além de encontros de mediação e rodas de conversa entre policiais e moradores das comunidades. A proposta buscava reduzir estigmas mútuos, estimular novas formas de convivência e desenvolver estratégias locais de prevenção da violência.
Prêmio Orilaxé
O prêmio foi criado em 2000 como parte das comemorações pelos sete anos de atuação da organização. O nome vem do iorubá e significa "a cabeça tem o poder de realização", expressando a ideia de transformação por meio da consciência e da ação. A premiação tinha como objetivo reconhecer pessoas e instituições que contribuíram significativamente para a justiça social, a valorização da cultura afro-brasileira e os direitos humanos. As categorias contempladas incluíam Jornalismo, Veículo de Comunicação, Fotografia, Cantor, Cantora, Grupo Musical, Tradição Afro-Brasileira, Cultura Popular, Responsabilidade Social, Empreendedor Social, Direitos Humanos e Projeto Social.
Comandos
O projeto foi uma iniciativa voltada ao estímulo do diálogo entre grupos sociais historicamente antagonizados, especialmente policiais e ex-traficantes, em territórios marcados pela violência urbana e pela exclusão social. Criado na década de 2000, o projeto promoveu encontros públicos nos quais esses interlocutores compartilhavam suas trajetórias pessoais e refletiam sobre temas como segurança pública, repressão estatal, sistema prisional, ressocialização e justiça social. A dinâmica do projeto consistia na realização de debates presenciais, com mediação, em que os participantes — incluindo agentes de segurança e ex-integrantes do tráfico — expunham suas experiências, angústias e dilemas. Esses encontros eram abertos ao público e incentivavam a participação ativa da plateia, promovendo uma escuta empática e a quebra de estigmas recíprocos. Ao propiciar um espaço seguro para a expressão e o confronto de ideias, o Comandos buscava contribuir para a formação de uma consciência crítica e o fortalecimento de alternativas à cultura da violência.
Cultura de Ponta
O projeto foi uma iniciativa do Grupo Cultural AfroReggae criada com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e à formação artística entre jovens de comunidades periféricas do Rio de Janeiro. Lançado em parceria com o Grupo Light e patrocinado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, o projeto foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Criado em meados dos anos 2000, o projeto estruturou-se a partir da realização de 40 encontros temáticos que abordavam diferentes linguagens artísticas e dimensões da economia criativa. As atividades incluíam debates, oficinas, painéis e apresentações culturais voltadas a temas como teatro, dança, música, audiovisual, referências contemporâneas, empreendedorismo social e formação cidadã. Os encontros eram realizados em espaços acessíveis à população, com estrutura profissionalizante e participação de artistas, produtores culturais, gestores públicos e jovens líderes comunitários.
Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti
Também conhecido como Núcleo de Parada de Lucas foi uma das unidades comunitárias do AfroReggae. A história do núcleo remonta ao ano de 2000, quando o AfroReggae passou a oferecer oficinas de informática na Associação de Moradores local, em parceria com o Comitê para a Democratização da Informática (CDI). Essas oficinas representaram os primeiros esforços de aproximação entre a organização e a comunidade, que à época ainda vivia em clima de tensão com o bairro vizinho de Vigário Geral, devido a conflitos entre facções criminosas rivais. Com o fortalecimento das atividades e o envolvimento crescente dos moradores, o espaço foi oficializado em 26 de novembro de 2006 como Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti, homenageando o jovem educador e colaborador do AfroReggae assassinado em 2003. O núcleo passou a concentrar diferentes ações socioeducativas e culturais da organização, com foco na juventude local e na promoção da cidadania.
Além do Arco-Íris
Foi um projeto voltado à promoção de cidadania, dignidade e inclusão social de pessoas trans em situação de vulnerabilidade, especialmente travestis e mulheres transexuais. A iniciativa oferecia apoio psicológico e jurídico, oficinas de fortalecimento da autoestima, orientação sobre direitos e assistência no processo de retificação do nome civil e documentação. O projeto se destacou por buscar o enfrentamento à transfobia e pela promoção da visibilidade trans em contextos periféricos, atuando tanto na acolhida direta quanto na mediação com instituições públicas para garantir acesso a direitos básicos. A metodologia adotada envolvia escuta ativa, acompanhamento psicossocial e articulação com redes de proteção.


