Aeronorte
A Aeronorte foi uma companhia aeronáutica portuguesa, que se dedicou principalmente ao transporte de passageiros para destinos nacionais e estrangeiros, principalmente voos executivos. Também foi responsável pela linha aérea de Lisboa a Bragança e Vila Real, e fez serviços de combate a incêndios florestais.
Imagem: Steve Knight from Halstead, United Kingdom · BY · Openverse
A Aeronorte tinha instalações nos aeródromos de Braga, onde estava sedeada, e no de Bragança, e teve aeronaves baseadas no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. Oferecia serviços de transporte aéreo de passageiros, além de outras funções ligadas àquela indústria, como manutenção de aeronaves e combate a incêndios florestais. A empresa operava aviões a jacto, como um Learjet 45 e a hélice, como o bimotor L410, e teve pelo menos um helicóptero, do modelo Ecureuil AS 350 B2.
A companhia começou a fazer serviços aéreos nos finais da década de 1980, tendo operado tanto no mercado nacional como no internacional. Dedicou-se principalmente ao transporte de passageiros, tendo por exemplo oferecido serviços comerciais de tipologia executiva, com aviões a jacto próprios, com origem no Porto e em Londres. Perdeu três aeronaves de combate a incêndios em acidentes, tendo todos estes desastres provocado vítimas mortais, e envolvido aviões monomotores Dromader, de origem polaca. Entrevistada pela Agência Lusa em 2007, a directora-executiva da Aeronorte, Leana Ribeiro, afirmou que foi «a primeira companhia de aviação a ter aeronaves baseadas no Aeroporto do Porto, no âmbito da aposta na aviação comercial e nos voos executivos para os empresários e figuras públicas da região», tendo sido a primeira empresa de transportes aéreos com instalações próprias no aeródromo de Bragança. Entre os seus investimentos contava-se a compra de um avião a jacto Learjet 45, no valor aproximado de cinco milhões de Euros, que estava baseado no Aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto, em conjunto com um um helicóptero Ecureuil. Segundo Leana Ribeiro, «Este é um segmento com muita procura pelos empresários e figuras públicas do norte, que, até agora, tinham que pagar voos de posicionamento (ferry flights) de aeronaves a partir dos aeroportos de Lisboa, Madrid ou Vigo». A empresa permitia a realização de voos para qualquer destino internacional, sendo principalmente procuradas pelos empresários do Norte do país as cidades europeias de Londres, Paris, Genebra, Zurique, Vigo e Madrid. Também se verificou uma forte procura para destinos fora do espaço europeu, como Angola, Dakar e o Brasil, principalmente o Nordeste.
Serviço de combate a incêndios
Em 2005, a Aeronorte concorreu, em conjunto com a empresa Helisul, a um concurso público para a prestação de serviços aéreos de combate a incêndios, embora este procedimento tenha sido posteriormente anulado pelo Ministério da Administração Interna, devido ao preço apresentado por ambas as empresas, que foi considerado excessivo. Com efeito, a proposta tinha o valor de 7 milhões de Euros, um aumento de 89% em relação ao valor inicial. Esta foi a primeira vez que ambas as empresas apresentaram uma candidatura conjunta para este tipo de concursos, tendo começado a participar, de forma separada, em 2001. Apesar da anulação do concurso, cerca de um mês depois o então Ministro da Administração Interna, António Costa, determinou a contratação de ambas as empresas por ajuste directo, decisão que provocou fortes críticas por ter ficado ainda mais cara ao governo, uma vez que foi forçado a alugar oito helicópteros em vez dos seis iniciais, além que a capacidade total dos novos aparelhos era muito inferior à do conjunto original. Segundo os administradores das empresas, este acréscimo deveu-se aos maiores custos relacionados com o subaluguer dos helicópteros ao estrangeiro, e o «aumento do valor das coberturas de responsabilidade civil e dos passageiros».
Linha aérea de Lisboa a Vila Real e Bragança
Em Julho de 2007, a empresa estava a planear a sua instalação no Aeródromo de Bragança, tendo por isso ponderado a construção de dois hangares e de uma oficina naquele espaço, para colocar os seus aviões. A finalidade seria iniciar voos regulares para turistas entre aquela cidade e o estrangeiro, o que constituiria uma grande alteração na oferta da empresa, que até então era quase totalmente centrada no mercado de negócios, sendo apenas cerca de 10% dos seus voos dedicados à procura de leisure. O então presidente, José Ribeiro, declarou à Rádio Brigantina que a possibilidade de assegurar ligações regulares não estava fora de parte, e que se previa que a companhia iria empregar quarenta a sessenta pessoas nos próximos dez anos. Numa entrevista ao jornal Público, revelou que a empresa pretendia «apostar nos voos não regulares que sirvam a nossa comunidade emigrante e também, em força, no turismo». Previa-se que estes serviços iriam ser prestados nos períodos de férias e de festividades, ligando Portugal à França e Alemanha, estando então também planeada a realização de voos ao fim-de-semana de Lisboa a Madrid via Bragança, complementando os serviços regulares em território nacional, que se faziam apenas nos dias úteis. A companhia tinha igualmente baseado recentemente dois aviões no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. Em Novembro desse ano, já tinha sido cedido o espaço no aeródromo municipal para a instalação dos hangares, obra que envolveu um investimento superior a um milhão de Euros, prevendo-se que os trabalhos teriam início em Janeiro de 2008, e estariam concluídos no final do ano. A aposta em Bragança devia-se também às melhores condições em relação ao aeródromo de Braga, onde a empresa estava sedeada, uma vez que tinha uma pista muito mais comprida, com 1700 m, além que estava a ser instalada uma estação VOR/DME e um sistema de telesinalização e telecontrolo, equipamentos que iriam entrar em funcionamento em meados de 2008, permitindo a utilização de um avião de 45 lugares entre Bragança e o estrangeiro. Segundo a directora-executiva da Aeronorte, Leana Ribeiro, Bragança também tinha a vantagem de se situar «numa posição geoestratégica privilegiada na Península Ibérica, a 200 quilómetros do Porto e a 300 de Madrid». Leana Ribeiro acrescentou que o novo hangar iria melhorar a eficácia e as condições de operacionalidade da Aeronorte, além que ira «impulsionar o desenvolvimento do Aeródromo Municipal de Bragança e contribuir para uma maior dinâmica da economia local».


