Impactos da pandemia de COVID-19 na educação
Os Impactos da pandemia de COVID-19 na educação foram grandes em todo o mundo, levando ao fechamento generalizado de escolas, universidades e faculdades. Em 12 de abril de 2020, aproximadamente 1,716 bilhão de alunos foram afetados devido ao fechamento da escola em resposta à pandemia. Segundo o monitoramento da UNESCO, 188 países implementaram fechamentos em todo o país e 5 implementaram fechamentos locais, impactando cerca de 99,4% da população estudantil do mundo. Em 23 de março de 2020, o Cambridge International Examinations (CIE) divulgou uma declaração anunciando o cancelamento dos exames Cambridge IGCSE, Cambridge O Level, Cambridge International AS & A Level, Cambridge AICE Diploma e Cambridge Pre-U para as séries de maio/junho de 2020 todos os países. Os exames internacionais de bacharelado também foram cancelados.
Os esforços para conter a disseminação da COVID-19 por meio de intervenções não farmacêuticas e medidas preventivas, como o distanciamento social e o autoisolamento, levaram ao fechamento generalizado de escolas primária, secundária e terciária em mais de 100 países. Surtos anteriores de doenças infecciosas provocaram fechamentos generalizado de escolas em todo o mundo, com diferentes níveis de eficácia. Cálculos estatísticos mostraram que a transmissão de um surto pode ser adiada pelo fechamento de escolas. No entanto, a eficácia depende dos contatos que as crianças mantêm fora da escola. Os fechamentos escolares podem ser eficazes quando promulgados prontamente, se ocorrem tardiamente em relação a um surto, eles são menos eficazes e podem não ter qualquer impacto. Além disso, em alguns casos, a reabertura das escolas após um período de fechamento resultou em aumento das taxas de infecção. Como os fechamentos tendem a ocorrer simultaneamente com outras intervenções, como a proibição de aglomerações, pode ser difícil medir o impacto específico do fechamento das escolas.
No caso de haver uma pessoa infetada em uma escola ou creche, a recomendação dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, é o fechamento a curto prazo para limpar ou desinfetar, independentemente da disseminação da comunidade. Quando há transmissão comunitária mínima a moderada, estratégias de distanciamento social podem ser implementadas. Observar princípios básicos favorece a segurança no âmbito escolar e inibe a propagação da doença. Recomenda-se como medidas para evitar o contágio: Quando há transmissão significativa na comunidade local, além das estratégias de distanciamento social, períodos prolongados em regime de lay-off na escola podem ser consideradas, para que isso ocorra a escola deverá utilizar estratégias de ensino a distância. Em virtude da pandemia o Conselho Nacional de Saúde de Portugal decidiu encerrar todos os estabelecimentos de ensino a partir de 16 de março, uma vez que as escolas são frequentadas por mais de 2 milhões de alunos.
Inicialmente, o primeiro ministro António Costa considerava não existir razões para o encerramento de escolas, uma vez que o primeiro caso apenas foi confirmado a 2 de março de 2020, tendo, no entanto, desaconselhando viagens de finalistas ao estrangeiro. Após a confirmação do primeiro caso de Covid19, assim como o surgimento de vários focos de infeção, incluindo em escolas, foi anunciado o encerramento das escolas. Fruto do chamado isolamento ou distanciamento social, visto como uma das principais medidas de prevenção comunitária para evitar a propagação do Covid-19, o governo português decretou, a 16 de março, o encerramento das creches, escolas e universidades de todo o país depois da resolução do Conselho de Ministros, que se seguiu a um parecer do Centro Europeu para Prevenção e Combate às Doenças. Este parecer incluía a recomendação do encerramento imediato dos estabelecimentos de ensino de todos os estados-membros da União Europeia, independentemente dos graus de ensino, sendo que os trabalhadores que tivessem de ficar em casa com os filhos até 12 anos teriam as faltas justificadas e apoio financeiro excepcional. No entanto, já a 7 de março tinham começado a fechar as primeiras escolas, nomeadamente na primeira zona vermelha da infeção – Lousada e Felgueiras no distrito do Porto, por indicação da Direção-Geral da Saúde.
Fechamento escolar localizado
Em 20 de abril de 2020, 8 países fecharam escolas localmente. A UNESCO estima que 1,575,270,054 alunos estão potencialmente em risco (do ensino pré-primário ao ensino médio) e 77.938.904 alunos estão potencialmente em risco no ensino superior. Algumas escolas particulares e independentes optaram por fechar. De 22 a 23 de março, os governos estaduais de Victoria e do Território da Capital Australiana contradizeram as recomendações do governo federal ao aprovar o fechamento de escolas, enquanto o governo do estado de Nova Gales do Sul incentivou os alunos a ficar em casa, se possível. Muitas universidades fecharam temporariamente e fizeram a transição para o aprendizado on - line.
O encerramento das escolas em resposta à pandemia da COVID-19 expôs várias questões que afetam o acesso à educação, bem como questões sócio-económicas amplas. Em 26 de março, mais de 1,5 mil milhões de alunos em 165 países foram afetados pelo encerramento de escolas devido à pandemia. A 29 de março, quase 90% dos alunos do mundo foram afetados por estas restrições. Em Portugal, o Conselho de Ministros aprovou a 12 de março 2020 a suspensão de todas as atividades letivas e não letivas com presença de estudantes em todas as instituições de ensino com efeitos a partir do dia 16 de março 2020, e ressaltou que deviam ser promovidos todos os esforços para estimular processos de ensino-aprendizagem à distância, mantendo as atividades escolares através da interação por via digital entre estudantes e docentes. Mesmo quando o encerramento das escolas é temporário, acarreta altos custos sociais e económicos. As interrupções causadas afetam pessoas em todas as sociedades, mas seu impacto é mais severo é para as crianças desfavorecidas e suas famílias, incluindo a interrupção da aprendizagem, stress e ansiedade, impactos na nutrição de estudantes que dependem de programas gratuitos de café da manhã/pequeno-almoço ou almoço, bem como diminuição da produtividade económica, à medida que indivíduos e famílias são solicitados a se isolar. Os pais que trabalham são mais propensos a faltarem ao trabalho quando as escolas encerram, a fim de cuidarem de seus filhos, incorrendo em penalizações salariais em muitos casos, o que afeta negativamente a produtividade. Na tentativa de contornar esta realidade, durante a suspensão das atividades letivas em Portugal, as faltas ao trabalho motivadas por assistência inadiável a filho ou outro dependente a cargo menor de 12 anos ou filhos com deficiência ou doença crónica, consideram-se justificadas, sem perda de direitos salvo quanto à retribuição.
Pressão não intencional no sistema de saúde
O impacto da pandemia por covid-19 tem sido relevante em todos os setores, e a educação não ficou atrás, no que respeita ao impacto negativo desta pandemia. O governo a 13 de Março de 2020, instituiu medidas para a contenção da pandemia, nomeadamente o encerramento das escolas, contribuindo assim, para uma maior pressão no sistema de saúde com a ausência de profissionais de saúde que ficaram com os seus filhos em casa. O encerramento das escolas no primeiro confinamento geral a 13 de Março de 2020 , trouxe consequências adversas ao sistema de saúde Português. O SNS sofreu maior pressão, com o encerramento das escolas e este impacto foi bastante visível ao público, o que poderá ter trazido um enorme prejuízo à saúde do cidadão.
O ensino à distância
O fechamento repentino das escolas trouxe a necessidade de se encontrar alternativas às aulas presenciais, como forma de garantir o aprendizado contínuo. A disponibilidade de tecnologias de informação e comunicação tornam possíveis a instrução e aprendizado quando interações físicas não são mais possíveis. Um obstáculo à aprendizagem contínua é a falta de acesso à tecnologia ou o acesso rápido e confiável à Internet que afeta principalmente estudantes em áreas rurais e famílias desfavorecidas. Em resposta ao encerramento de escolas causado pela COVID-19, a UNESCO recomenda o uso de programas de ensino a distância e aplicativos e plataformas educacionais abertas que escolas e professores podem usar para alcançar os alunos remotamente e limitar a interrupção da educação. Para ajudar a retardar a transmissão da COVID-19, um pouco por todo o mundo centenas de bibliotecas foram fechadas temporariamente. Para estudantes sem Internet em casa, isso aumenta a dificuldade de acompanhar o ensino a distância.
Cuidado das crianças
O encerramento das escolas em Portugal, iniciado a 16 de março de 2020, englobou todas as atividades letivas desde os anos pré-escolares até ao ensino superior (salvo raras exceções). Não foram só os 2 milhões de alunos, entre crianças e jovens, que foram afetados por estas. Também os encarregados de educação foram obrigados a alterar as suas rotinas para promover a educação dos seus educandos. Foi visível uma redução dos cuidados das crianças, principalmente as mais desfavorecidas, provenientes de famílias com menos poder económico e que tendem a ter menor nível educacional. Não foi prestada a atenção necessária no cuidado dessas crianças a nível social, educacional e alimentar.
A educação formal, diferentemente da educação informal ou não formal, tende a se referir a escolas, faculdades, universidades e instituições de treinamento. Um relatório do Banco Mundial de 1974 definiu a educação formal como: A educação formal, diferentemente da educação informal ou não formal, tende a se referir a escolas, faculdades, universidades e instituições de treinamento. Um relatório do Banco Mundial de 1974 definiu a educação formal como: Educação formal: o 'sistema educacional' hierarquicamente estruturado e cronologicamente qualificado, que abrange a escola primária e a universidade e inclui, além dos estudos académicos gerais, uma variedade de programas e instituições especializadas para treinamento profissional e técnico em tempo integral. Com o fechamento das instituições de ensino devido à pandemia da Covid-19, mais de 1,5 bilhão de estudantes em todo o planeta foram afetados. A UNESCO lançou a Coalizão Global de Educação, uma plataforma para auxiliar o direito à educação durante esse período de interrupção educacional súbita, que reúne mais de 140 membros da ONU, sociedade civil, academia e setor privado para garantir tal direito. Os membros da Coalizão se unem em torno de três eixos principais:
Educação infantil
A educação infantil, ou educação pré-escolar, refere-se às crianças entre os 3 e os 5 anos. Em Portugal a educação pré-escolar é facultativa, no entanto, o estado garante que todas as crianças a partir dos 5 anos sejam integradas na rede de educação pré-escolar. A 13 de março de 2020 foram aprovadas medidas governamentais excecionais com vista ao controlo da situação pandémica. Uma dessas medidas foi o encerramento dos estabelecimentos pré-escolares. Esta medida foi revogada a 1 de junho de 2020, tendo sido determinadas nesta altura medidas de higiene e segurança adicionais que estariam contidas no plano de contingência de cada estabelecimento de ensino.
Nutrição e insegurança alimentar
A nutrição desempenha um papel importante no desenvolvimento cognitivo e no desempenho académico de crianças e adolescentes em idade escolar. Muitos jovens em todo o mundo se beneficiam de refeições gratuitas ou descontos nas escolas e outras instituições de ensino. Com o agravamento da pandemia por COVID-19 e o fechamento de escolas e universidades ao redor do mundo, a alimentação desses benefiários é comprometida. No mundo, quase 1,3 bilhão de crianças não estão na escola. Destes, aproximadamente 370 milhões estão perdendo a alimentação escolar, a qual para muitos nos países mais pobres, são as únicas refeições consumidas. A COVID-19 tornou-se uma crise de saúde pública sem precedentes, com impactos econômicos e sociais a nível global, gerando desemprego e aumento da pobreza. Além disso, o abastecimento alimentar também sofreu interferência desde a plantação ao consumo. Devido a isto, as Nações Unidas alertam para as cadeias de distribuição de alimentos que correm o risco de não conseguirem satisfazer a procura, pela diminuição das trocas comerciais bem como de mão de obra temporária. Como resultado dessas alterações na cadeia de produção alimentar os alimentos ficam mais caros e, juntamente com o aumento da taxa de desemprego, alertas de insegurança alimentar mundial foram emitidos. A insegurança alimentar é definida como preocupação ou falta de acesso a alimentos nutritivos em quantidade adequada. O Programa Alimentar Mundial (PMA) das Nações Unidas (Premio Nóbel da Paz, 2020), estima que 271,8 milhões de pessoas nos países onde atua, possuem alto nível de insegurança alimentar ou estão sob risco direto de se tornarem, devido ao efeito agravante da COVID-19.
Resultados na aprendizagem do aluno
Tal como em muitos outros sectores, a pandemia COVID-19 está a afetar a educação de diversas formas. Para reduzir a disseminação do vírus, vários países suspenderam o ensino e os exames presenciais e colocaram restrições à imigração afetando, desta forma, os estudantes Erasmus. Sempre que possível, as aulas tradicionais foram substituídas por livros e materiais retirados dos locais de ensino. Várias plataformas de e-learning permitiram a interação entre professores e alunos e, em alguns casos, programas nacionais de televisão ou plataformas de media social foram utilizadas para o ensino. Estudos realizados indicam que os dispositivos mais utilizados pelos alunos para aceder ao material de estudo online foram os telemóveis, seguido pelos portáteis e, por fim, computadores pessoais.
Impacto na Educação Formal
O ensino básico tipicamente consiste nos primeiros quatro a nove anos de escolaridade, dependendo do país. Em Portugal divide-se no primeiro ciclo (1.º ao 4.º ano de escolaridade), segundo ciclo (5.º e 6.º anos) e terceiro ciclo (7.º ao 9.º anos de escolaridade). A pandemia de Covid 19 teve um impacto elevado neste nível de ensino, principalmente nos países que decidiram pelo encerramento das escolas, como Portugal. O encerramento das escolas trouxe um impacto negativo ao nível da aprendizagem escolar das crianças do ensino básico. Num relatório de Outubro de 2020, a UNICEF aponta reduções significativas nos resultados de aprendizagens fundamentais nas crianças desta idade na generalidade dos países analisados. Estes resultados não são completamente surpreendentes já que os alunos nestas idades não têm por hábito ser dependentes de professores ou adultos para o seu estudo. O ensino básico continua bastante marcado pelo ensino tradicional, onde “os alunos ouvem o professor, escrevem e fazem apontamentos”. Contudo, numa situação em que se espera autonomia dos alunos, a falta de independência transforma-se num problema.
Secundário
Em Portugal, o Ensino secundário compreende três anos de escolaridade (10.º, 11.º e 12.º anos) e é gratuito e obrigatório para todos os alunos até aos 18 anos de idade. Em virtude do encerramento das escolas, como forma de conter a disseminação da pandemia de COVID-19, as escolas foram obrigadas a adoptar novas medidas para a garantir a continuidade do ensino, no presente ano lectivo. A mudança na modalidade de ensino, do ensino presencial para o ensino á distância, tem levado a inúmeros constrangimentos para os alunos, pais e os professores. A pouca familiaridade de alguns professores com as plataformas e o mundo digital, destacou a necessidade de realização de formações continuas online, no sentido de capacitarem os professores, de modo a garantirem a aquisição de conhecimentos e habilidades, de forma a gerir da melhor forma as aulas online, assim como a disponibilização de conteúdos online, e o acompanhamento da aprendizagem dos alunos, por meio do recurso as ferramentas digitais.
Terciário (superior)
O ensino superior, também conhecido como ensino terciário, refere-se aos níveis educacionais não obrigatórios que se seguem à conclusão do ensino médio. O ensino superior português organiza-se num sistema binário, que integra o ensino universitário e o ensino politécnico. Normalmente, o ensino superior inclui o ensino de graduação e pós-graduação, bem como o ensino e treinamento profissional. Indivíduos que concluem o ensino superior geralmente recebem graus acadêmicos de licenciado, mestre e doutor. Tal como nos restantes níveis de ensino, a pandemia levou, de uma forma global, à suspensão das atividades letivas presenciais de inúmeras instituições de ensino superior. De forma a dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem, muitas universidades adotaram métodos de ensino e avaliação à distância, através do recurso a plataformas digitais. Para além dos impactos a nível da aprendizagem que estas medidas acarretam (e que já foram sendo referidas ao longo do texto), destacam-se também consequências relacionadas com os programas de mobilidade e com a diminuição das receitas das universidades.
Devido ao fechamento temporário das atividades presencias nas escolas e nas universidades, a UNESCO apresenta 10 recomendações para a implementação do ensino a distância: Deve-se analisar a prontidão do local atentado-se para a capacidade de abastecimento de energia local, do acesso à internet, e das competências digitais dos professores e alunos. E com isso escolher o uso de soluções de alta ou baixa tecnologia. E usar ferramentas relevantes que podem decorrer através da integração de plataformas digitais, aulas em vídeo, MOOCs, ou até a transmissão pelo rádio e televisão. Para assegurar a inclusão aos programas de ensino a distância, deve-se implementar medidas que garantam que alunos mesmo aqueles com deficiências ou de famílias com fracos recursos tenham acesso aos programas de ensino à distância. Apenas um número limitado de pessoas tem acesso aos diapositivos digitais. Considere descentralizar temporariamente tais dispositivos dos laboratórios de computador para as famílias e deem apoio com conectividade a internet.
Recomendações em Portugal
Em Portugal, a Direção-Geral da Educação (DGE), em conjunto com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), desenvolveu um espaço com uma gama de recursos, no intuito de apoiar as instituições de ensino para a implementação de metodologias de ensino a distância que corroborem com a sequência dos processos de aprendizagem. Dentre esses, informações sobre plataformas digitais que podem ser utilizadas, princípios orientadores para a implementação do ensino a distância e formações aos professores. Além disso, a Direção-Geral da Educação, em articulação com o Centro Nacional de Cibersegurança elaborou 10 recomendações para a utilização das tecnologias de apoio do ensino à distância, as quais são:
Recomendações na Inglaterra
Em Inglaterra, desde Março até Agosto de 2020, o Ensino foi administrado à distância. No ano seguinte, no decorrer da pandemia, foram adotadas medidas mistas para a continuação do ensino. Nomeadamente, verificou-se o recomeçar de sessões presencias, complementado pelo ensino à distância. Inicialmente, o processo de escolha sobre que metodologias de ensino usar e como prosseguir com o ensino com as limitações socias em vigor recaiu sobre as direções de cada instituição de ensino. O departamento da educação do governo Inglês, desenvolveu um documento guia intitulado “Remote education good practice” com o intuito de elucidar, e providenciar direções sobre a melhor estratégia no que concerne o ensino à distância.


