Stefanie Rabatsch
Stefanie Rabatsch foi uma mulher austríaca que, supostamente, teria sido um amor não correspondido de Adolf Hitler ainda na adolescência — alegação feita por August Kubizek, amigo de infância de Hitler. Seu sobrenome de solteira, Isak, de sonoridade judaica, foi alvo de especulações nesse contexto. No entanto, não há evidências, além do relato de Kubizek, de que Hitler tenha tido tal envolvimento.
August Kubizek, um estudante de música de Linz, conheceu Hitler quando os dois disputavam um lugar para ficar em pé durante uma apresentação de ópera. Segundo ele, a paixão de Hitler por Stefanie começou na primavera de 1905, quando ele tinha 16 anos e estudava em Linz, e ela 17; e durou até 1909, quando ele tinha 20 anos.[a] Kubizek descreve a primeira vez que ouviu falar da obsessão de Hitler da seguinte forma: "Certa noite, na primavera de 1905, durante nosso passeio habitual, Adolf agarrou meu braço e me perguntou, animado, o que eu achava daquela garota loira e esbelta que caminhava pela Landstrasse de braço dado com a mãe. 'É preciso que você saiba: estou apaixonado por ela', acrescentou ele, resoluto." Stefanie Maria Beata Isak nasceu em 26 de dezembro de 1887 em Niemes, Reino da Boêmia. Ela vinha de uma família de classe social mais alta do que a de Hitler e era mais de um ano mais velha que ele. Stefanie havia retornado a Linz após uma formação profissional em Munique e Genebra. Ela tinha um irmão, Karl Richard Isak, que estudava Direito em Viena. Na década de 1950, o Dr. Franz Jetzinger possuía duas fotos de Stefanie em sua juventude: uma de 1904 e outra com vestido de baile de 1907. Kubizek a descreve como "uma garota de aparência distinta, alta e magra. Tinha cabelos grossos e loiros, que geralmente usava presos num coque. Seus olhos eram muito bonitos".
Segundo Kubizek, Hitler nunca falou com Stefanie, sempre dizendo que o faria "amanhã". Kubizek escreveu que Hitler detestava aqueles que flertavam com ela, especialmente os oficiais militares, a quem chamava de "cabeças-duras presunçosos"; ele passou a nutrir uma "inimizade implacável em relação à classe dos oficiais como um todo, e a tudo que era militar em geral. Incomodava-o que Stefanie andasse com esses vadios que, segundo ele, usavam espartilhos e perfume". Hitler insistia que Kubizek seguisse Stefanie e entregasse relatórios diários sobre as atividades dela enquanto ele estava fora, visitando sua mãe ou sua família. Em um desses relatórios, Kubizek escreveu que Stefanie adorava dançar e havia feito aulas de dança. Hitler não gostava de dançar e, segundo consta, respondeu: "Stefanie só dança porque é forçada pela sociedade, da qual infelizmente ela depende. Quando Stefanie for minha esposa, não terá a menor vontade de dançar!" Em junho de 1906, Stefanie supostamente deu um sorriso e uma flor de seu buquê a Hitler, ao passar com sua carruagem perto dele. Kubizek mais tarde descreveu a cena:
Pouco se sabe sobre a vida de Stefanie como um todo. Ela ficou noiva em 1908 de um oficial do regimento de Hesse estacionado em Linz. Em 24 de outubro de 1910, Stefanie casou-se com Maximilian Rabatsch (*1872 em Viena) em Viena, na Igreja de Santa Gertrudes, Gertrudplatz 5, na paróquia de Währing. Maximilian foi nomeado capitão em 1º de novembro de 1909. Foi promovido a major em 1º de outubro de 1917 e a coronel em 1º de agosto de 1918. Segundo Kubizek, o marido dela tornou-se um oficial de alta patente; ela ficou viúva em 15 de julho de 1942 e, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), morou em Viena. Stefanie foi entrevistada, e o suposto amor de Hitler por ela foi dramatizado em um filme teuto-austríaco para a televisão de 1973 chamado Um Jovem do Innviertel. Ela não conseguia entender por que Hitler, se sentia algo tão forte, não lhe dera nenhum sinal de seu interesse, dizendo: "Hitler dificilmente teria sofrido de timidez excessiva".
O sobrenome de solteira de Stefanie, Isak, tem sonoridade judaica, embora ela não fosse judia. Kubizek o grafou como Isaak. A grafia correta foi identificada pelo historiador alemão Anton Joachimsthaler em sua obra de 2003 Hitlers Liste: Ein Dokument persönlicher Beziehungen (Munique, 2003, pp. 46–52). Alguns historiadores opinam que Hitler teria presumido que Stefanie era de origem judaica. O historiador americano Graeme Donald acredita que Hitler teria deduzido que ela era judia, mas não via problemas nisso na época. Essa visão é apoiada por Joachimsthaler, que afirmou em uma entrevista à BBC que Hitler certamente deve ter presumido que ela era judia por causa de seu sobrenome de sonoridade judaica.
O papel de Rabatsch na vida de Hitler tem sido amplamente estudado. Sherree Owens Zalampas, em um livro que analisa a relação entre as visões de Hitler sobre arte e sua psicologia, observa que as histórias sobre Rabatsch foram rejeitadas por alguns estudiosos e aceitas por outros. Entre aqueles que rejeitam as histórias sobre Rabatsch estão Franz Jetzinger e Bradley F. Smith. Bradley F. Smith discutiu a história em seu Adolf Hitler; his family, childhood, and youth (1967). Franz Jetzinger abordou a história em seu Hitler's Youth (1958). Jetzinger atacou Kubizek em seu livro, mas confirmou que Stefanie existiu, embora ela não soubesse, na época, do suposto interesse amoroso de Hitler. Na análise de Jetzinger, Kubizek exagera a relação entre Rabatsch e Hitler, e algumas das interações que Kubizek descreve são impossíveis considerando as linhas do tempo de suas vidas; além disso, o foco dos biógrafos nessa relação representa uma tentativa equivocada de fabricar um precoce "interesse amoroso" para Hitler. Werner Maser concorda com essa visão em seu Adolf Hitler: Legende, Mythos, Wirklichkeit (1971) e sugere que o comportamento de Hitler em relação a Rabatsch era típico dos adolescentes austríacos de sua época.


