Admissão à educação superior
A admissão à educação superior ou acesso ao ensino superior é o processo pelo qual os estudantes entram na educação superior em universidades. Os sistemas variam muito de país para país e, por vezes, de instituição para instituição.
Em Malta, a admissão é feita após um bom desempenho em provas vocacionais que são uma versão local equivalente ao Certificado Geral de Educação (General Certificate of Education, em inglês). Na Noruega, todos os candidatos são admitidos em programas de licenciatura através do Serviço de Admissão de Universidades e Faculdades Norueguesas, que classifica os estudantes qualificados com base num esquema de pontos, que é baseado tanto em notas, entrevistas vocacionais e no grau de especialização e escolha de área do conhecimento na educação secundária (educação média), como na idade. No nível do Mestrado, a admissão é baseada tanto em entrevistas vocacionais como na média de notas no nível da Licenciatura. Nos Países Baixos, os futuros alunos têm que escolher, dois anos antes da graduação da educação secundária (educação média), um tipo de graduação (por exemplo, graduação em ciências naturais). As licenciaturas nas universidades holandesas aceitam livremente todos os alunos que escolheram o tipo de graduação correto (por exemplo, para se matricular em física, o tipo de graduação requerido é "ciências naturais"). Todos os outros alunos que na escola secundária fizeram um tipo de graduação diferente do requerido têm que passar numa prova básica vocacional administrada internamente pela própria universidade para se inscrever (isto é uma exceção). Esta prova não tem prazo de validade, podendo o futuro aluno usá-la para se matricular em qualquer momento posterior. Áreas do conhecimento populares, nomeadamente a medicina e a odontologia (medicina dentária) têm um numerus fixus, o que significa que um número limitado de alunos se pode inscrever para esta área numa determinada universidade. Para decidir quem é permitido nestas áreas populares, são realizadas umas lotarias nas quais as notas influenciam as chances de serem escolhidos (um indireto e incompleto numerus clausus).
Alemanha
Na Alemanha, a principal prova vocacional de admissão à universidade é a Abitur, um procedimento que varia de Estado para Estado e que testa os alunos em cinco áreas de conhecimento (pelo menos uma tem de ser oral). Embora algumas disciplinas testadas possam ser adicionalmente escolhidas pelo aluno, todas estas áreas devem ser cobertas na prova vocacional do aluno: Ocasionalmente, em vários Estados as escolas secundárias (especialmente as berufsorientierte Gymnasien) oferecem ainda à escolha disciplinas vocacionais, como pedagogia, informática de negócios, biotecnologia e engenharia mecânica. As provas vocacionais finais Abitur são geralmente feitas de março a maio e em junho. Cada prova básica escrita leva cerca de três horas; a prova básica oral dura cerca de vinte minutos e as provas básicas escritas são em formato de ensaio. Os trabalhos práticos são classificados por pelo menos dois professores na escola do aluno. Na maioria dos Estados da Alemanha, os estudantes podem preparar uma apresentação, um trabalho de pesquisa ou participar numa entrevista vocacional ou numa competição, e podem fazer provas básicas orais adicionais para aprovação na Abitur se a prova básica escrita tiver corrido mal.
Áustria, Suíça e Bélgica
A Áustria, a Suíça e a Bélgica provavelmente têm o sistema mais liberal de admissão universitária de qualquer lugar do mundo, uma vez que qualquer pessoa que tenha passado em qualquer momento a prova vocacional Matura pode se inscrever em qualquer área de estudo (ou mesmo em várias, sem custo adicional) numa universidade pública. Em ambos os casos a prova Matura não tem prazo de validade podendo ser usada para matrícula em qualquer altura. Também na Bélgica, o único pré-requisito para se matricular em estudos universitários é ter obtido um diploma da educação secundária (educação média). Tanto na Suíça quanto na Bélgica, os estudos médicos são uma exceção, os quais têm um sistema de numerus clausus devido à superlotação. Esta prática de admissão liberal levou ao aumento de alunos nas áreas de estudo mais populares, a psicologia e o jornalismo, bem como a altas taxas de sucesso nas provas básicas vocacionais que são extraoficialmente usados durante o 1º ano da licenciatura para filtrar os alunos com menos habilidades. Após uma decisão do Tribunal Europeu de Justiça, emitida em 7 de julho de 2005, que obriga a Áustria a aceitar nacionais de outros Estados-Membros da UE nas mesmas condições que os estudantes que fizeram o seu Matura na Áustria, uma lei foi aprovada em 8 de junho permitindo às universidades impor medidas para selecionar os alunos nas áreas que estão sujeitas a numerus clausus na vizinha Alemanha. A partir de 2006, as três universidades médicas (em Viena, Innsbruck e Graz) introduziram as provas básicas de admissão. Não há intenção de introduzir um número de vagas (numerus clausus) em qualquer outra área do conhecimento.
Finlândia
Na Finlândia é relativamente fácil de ser aceite nos campus universitários - cerca de um terço das vagas de estudo são concedidas com base no certificado da educação secundária. O resto dos estudantes é admitido com base numa prova básica de admissão genérica sobre língua e cultura finlandesa realizada internamente na própria universidade, prova esta que não prazo de validade, podendo ser usada para candidatura em qualquer ano posterior. Depois de receber um local de estudo, o aluno deve aceitá-lo por escrito sob pena de perder a vaga. Caso os alunos recebam mais de um local de estudo, eles devem selecionar um. Durante o ano, uma pessoa pode aceitar apenas um único local de estudo numa instituição de educação superior. O sistema é aplicado através de uma base de dados nacional sobre admissão de estudantes.
Grécia
A admissão à educação superior da Grécia baseia-se no sistema de exames de admissão, nomeadamente os Exames Pan-helénicos (em grego: Πανελλήνιες εξετάσεις), que são fixados uma vez por ano pelo Ministério da Educação. Para serem elegíveis para os exames de admissão, os candidatos devem ser graduados da educação secundária (educação média) e possuir um certificado de conclusão da educação secundária numa escola secundária, escola técnica ou outra escola secundária particular reconhecida como equivalente. Na Grécia, o certificado governamental de conclusão do nível alto da educação secundária é o Apolyterio (em grego: Απολυτήριο). A admissão em instituições de educação superior depende de 1) pontuação (classificações) de aproveitamento nos exames de admissão das disciplinas escolhidas realizados numa base escrita, 2) com base nas notas de conclusão da educação secundária ou certificado da educação secundária técnica, 3) número de vagas disponíveis (numerus clausus) e nas preferências de classificação dos candidatos entre as instituições de educação superior.
Irlanda
Na Irlanda, os estudantes no seu último ano da educação secundária (educação média) candidatam-se ao Gabinete Central de Candidaturas, listando vários cursos em qualquer uma das instituições de educação superior em ordem de preferência. Os estudantes recebem pontos baseados no seu Certificado de Conclusão da educação secundária (educação média) e em entrevistas vocacionais, e os lugares nos cursos são oferecidos àqueles que se candidataram e que receberam os pontos mais altos.
Islândia
Tanto as universidades públicas como as privadas na Islândia lidam com as suas próprias admissões. Os estudantes candidatam-se a um curso de estudos específico e cada programa tem seus próprios requisitos. Estes são geralmente um teste de nível básico de matrícula, mas às vezes um número mínimo de créditos em certas disciplinas no ginásio escolar ou mesmo passar um trabalho prático de entrada é necessário. Os estudantes estrangeiros devem inscrever-se meio ano antes do primeiro semestre, mas o prazo para os cidadãos nórdicos não é tão rigoroso.
Brasil
Para entrar numa universidade no Brasil, os candidatos devem passar por uma prova pública aberta chamado "Vestibular", que dura cerca de 1 semana e tem lugar uma vez por ano. Algumas universidades podem administrar o Vestibular duas vezes por ano, por duas admissões anuais em vez de apenas uma. Essa opção é popular entre as universidades privadas, enquanto as universidades públicas geralmente administram vestibular apenas uma vez por ano (em novembro, dezembro ou janeiro). As universidades oferecem um número limitado de vagas, e os candidatos com melhor classificação de acordo com a classificação geral do Vestibular são selecionados para admissão. Embora o formato Vestibular mude de universidade para universidade, ele normalmente consiste numa prova de uma longa semana em disciplinas obrigatórias da educação média (educação secundária), tal como Matemáticas, Físicas, Química, Biologia, História, Geografia, Língua e Literatura Portuguesa e uma Língua Estrangeira - geralmente Inglês. As universidades privadas geralmente "condensam" os exames desta semana longa em alguns dias, mas algumas universidades públicas ainda requerem uma maratona de uma longa semana.
Índia
Na Índia, a maioria das universidades participa de um ou outro procedimento de admissão centralizado. No verão de 2011, uma instituição indiana esperava pontuação de 100% para obter admissão, destacando a crise de confiança na qualidade da educação secundária indiana em geral e também as limitações do processo de admissão. Na Índia, quase todas as melhores universidades privadas têm lugares reservados para a designada quota de gestão ("management quota"). Os testes e as entrevistas nacionais são organizados por um órgão independente composto por membros das organizações participantes. Pouco peso é dado ao histórico académico dos candidatos e mais aos resultados dos exames. Os candidatos são classificados por notas dos exames e submetem as suas preferências de universidades / programas com base na sua classificação e na sua escolha.
Nigéria
Na Nigéria, as admissões à graduação em universidades, politécnicos, monotécnicos e faculdades de educação e agricultura são administradas por uma agência governamental federal centralizada conhecida como Conselho Conjunto de Admissões e Matrícula (em inglês: Joint Admissions and Matriculation Board, JAMB). O organismo conduz o Exame de Matrícula Terciária Unificada (em inglês: Unified Tertiary Matriculation Examination, UTME) para os candidatos a universidades, politécnicos, monotécnicos e faculdades de educação e estudantes de agricultura que procuram ingressar em instituições educativas superiores na Nigéria. Os alunos que obtiverem a nota mínima de 180 pontos no JAMB_UME são convidados pela instituição da sua escolha para um segundo exame de admissão denominado teste de aptidão Pós-UTME (em inglês: Post-UTME), que é realizado por instituições de educação superior individuais.


