Corne inglês
O corne inglês é um instrumento de sopro de palheta dupla, da família do oboé. É um instrumento transpositor em fá, portanto uma quinta abaixo do oboé, em dó. Sendo um instrumento mais grave, também é maior do que o oboé, e geralmente o instrumentista necessita de uma alça no pescoço para auxiliar o suporte, como no caso do fagote e de alguns tipos de saxofone. A palheta dupla utilizada no corne inglês é muito semelhante à do oboé, mas não é inserida diretamente no instrumento e, sim, em um bocal. Mesmo sendo transpositor, a técnica é a mesma do oboé, e suas partes são escritas como se fossem tocadas em dó, para facilitar o trabalho do oboísta que estiver tocando um corne inglês. A formação de todo instrumentista de corne inglês passa antes pelo aprendizado do oboé.
Não se sabe exatamente de onde surgiu a denominação "corne inglês". Uma teoria é que as versões do instrumento datadas do século XVIII seriam parecidas com o oboé da caccia, um instrumento barroco contralto da família do oboé, que tinha a forma curvilínea, e por isso era chamado de cor angulé (que significa "chifre angulado") ou corps angulé (que significa "corpo angulado"), também utilizado em caçadas, nos primórdios dos tempos. O nome atual, "corne inglês", seria então uma tradução de uma corruptela em francês cor anglais. Em alemão o corne inglês era chamado de Engelisch-horn (trompa angelical ou trompa dos anjos). O cone inglês, assim como o oboé, teve como antecessor a charamela.
A campana em forma de pera (chamada Liebesfuß) do corne inglês confere-lhe um timbre mais velado do que o do oboé, mais próximo da qualidade tonal do oboé d’amore. Enquanto o oboé é o instrumento soprano da família dos oboés, o corne inglês é geralmente considerado o membro alto da família, e o oboé d’amore — afinado entre os dois, em Lá — como o membro mezzo-soprano. O corne inglês é percebido como tendo um tom mais suave e melancólico do que o oboé. A diferença no som resulta principalmente de uma palheta mais larga e de um tubo cônico que se expande por uma distância maior do que no oboé; embora mais escuro em timbre e mais grave em altura do que o oboé, o seu som é distinto do (embora se misture naturalmente com o) som da família dos fagotes. Sua aparência difere da do oboé porque o instrumento é notavelmente mais longo, a palheta é presa a um pequeno tubo metálico curvo chamado bocal (ou crook), e a campana tem um formato bulboso (“Liebesfuß”).
Imagem: Museu Nacional da Música · CC0 · Openverse
O corne inglês possui um timbre de características mutantes ao próprio registro: Seus graves são muito brilhantes e penetrantes, semelhantemente ao oboé. Mas as suas notas mais agudas tendem ao abafamento e escuridão, do mesmo jeito que o fagote. Seu uso é mais incomum, tendo sido mais utilizado em peças orquestrais a partir do século XIX. Um solo de corne inglês bastante conhecido está no 2.º movimento da Nona Sinfonia de Antonín Dvořák, conhecida como "Novo Mundo".
O instrumento se originou na Silésia por volta de 1720, quando uma campana bulbosa foi adaptada a um corpo curvo do tipo oboe da caccia pela família Weigel de Breslau. O oboé tenor reto, com duas chaves e campana aberta (em francês taille de hautbois, “oboé tenor”), e especialmente o oboé da caccia com campana em flare, lembravam os cornos tocados por anjos em imagens religiosas da Idade Média. Isso deu origem, na Europa Central de língua alemã, ao nome em alto-alemão médio engellisches Horn, significando “corno angélico”. Como engellisch também significava “inglês” no vernáculo da época, o “corno angélico” tornou-se o “corno inglês”. Na ausência de melhor alternativa, o oboé tenor curvo e de campana bulbosa manteve esse nome mesmo depois que o oboe da caccia caiu em desuso por volta de 1760.[carece de fontes?] O nome surgiu regularmente em partituras italianas, alemãs e austríacas a partir de 1749, geralmente na forma italiana corno inglês.


