Ártemis
Ártemis, Artemisa ou Artemísia é a deusa grega ligada à vida selvagem e à caça; mais tarde, também se tornou associada à lua e à magia. Era filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea do Apolo. Seu equivalente romano foi Diana. Homero refere-se-lhe como Ártemis Agrótera, Potnia Theron: "Ártemis das terras selvagens, Senhora dos Animais". Os acadianos acreditavam que Ártemis era filha de Deméter, deusa da agricultura.
O nome de Ártemis (substantivo feminino) é de origem desconhecida e incerta, embora várias tenham sido propostas. Por exemplo, segundo Jablonski, o nome é frígio e poderia ser "comparado com a denominação real Ártemas de Xenofonte. Segundo Charles Anthon a raiz primitiva do nome é, provavelmente, de origem persa de *arta, *art, *arte, que significam "grande, excelente, santo", assim Ártemis "torna-se idêntica a grande mãe da natureza, mesmo quando ela era adorada em Éfeso". Babiniotis embora admitindo que a etimologia é desconhecida, afirma que o nome já está atestado em grego micênico e é, possivelmente, de origem pré-helênica. O nome também poderia ser relacionado com o grego Arcto que significa "Urso" (h₂ŕ̥tḱos), apoiado pelo culto aos ursos que a deusa recebia no templo em Ática (Braurônia) e na caverna Arcudiotissa que foi usado como culto a Ártemis, bem como a história de Calisto, que era originalmente sobre Ártemis (Calisto era um epíteto arcadiano); esse culto era uma sobrevivência de muito antigos rituais xamânicos e totêmicas e fazia parte de um grande culto ao urso encontrado mais longe em outras culturas indo-europeias (por exemplo, o deus celta Artio). Acredita-se que um precursor de Ártemis era adorada em Creta como a deusa da caça e montanhas. Enquanto a conexão com nomes asiáticos tem sido sugerido, as primeiros formas atestadas do nome Ártemis são no grego micênico a-te-mi-to /Artemitos/ e a-ti-mi-te /Artimitei/, escrito em Linear B em Pilos. O linguista Robert SP Beekes sugeriu que o "e/i" são pontos que intercambiam de uma origem pré-grega. Artemis era venerada em Lídia como Artimus.
Os gigantes filhos gêmeos de Posídon, Otos e Efialtes, cresceram enormemente em uma idade jovem. Eles eram agressivos, grandes caçadores, e não poderiam serem mortos, a menos que se matassem. O crescimento dos Alóadas nunca parou, e eles se gabavam de que assim que eles pudessem alcançar o céu, eles iriam sequestrar Ártemis e Hera e tomá-las como esposas. Os deuses estavam com medo deles, com exceção de Ártemis que capturou um belo veado (ou em outra versão da história, ela capturou uma corça) e jogou entre os gigantes. Os Alóadas jogaram suas lanças um ao outro por engano e mataram um ao outro. Calisto era filha de Licaon, rei de Arcádia e também foi uma das caçadoras de Ártemis. Como uma companheira de Ártemis, ela fez um voto de castidade. Zeus lhe apareceu disfarçado como Ártemis, ou em algumas histórias como Apolo, ganhou a confiança dela, então se aproveitou de sua (ou a estuprou, segundo Ovídio) virgindade. Como resultado desse encontro, ela concebeu um filho, Arcas.
Nascimento
Vários relatos conflitantes são dados na mitologia grega do nascimento de Ártemis e seu irmão gêmeo, Apolo. Todos os relatos concordam, porém, que ela era a filha de Zeus e de Leto, e que ela era a irmã gêmea de Apolo. Um conto de Calímaco diz que Hera proibiu Leto dar à luz em qualquer terra firme (o continente) ou em uma ilha. Hera estava com raiva de Zeus, seu marido, porque ele a havia traído com Leto. Poseidon, apiedando-se de Leto, levou-a para ilha de Delos (ou Ortígia no hino homérico a Ártemis) que era flutuante, não sendo um continente e nem uma ilha, para Leto dar à luz ali. Quando finalmente a ilha de Delos a recebeu, Ilícia, filha de Hera e deusa dos partos, estava retida pela sua mãe no Olimpo. Só depois que Zeus distraiu Hera, Ilícia pode socorrer Leto e fazer o parto dos gêmeos.
Infância
A infância de Ártemis não está totalmente relatada em qualquer mito sobrevivente. A Ilíada reduziu a figura da deusa ao de uma menina, que, depois de ter sido golpeada por Hera, sobe chorando ao colo de Zeus. Um poema de Calímaco à deusa "que diverte-se em montanhas com arco e flecha" narra que com três anos, Ártemis, ao sentar-se no colo de seu pai, Zeus, pediu-lhe para conceder-lhe seis desejos: manter-se sempre virgem; ter muitos nomes para diferenciá-la de seu irmão Apolo; ser a Portadora da Luz; ter um arco e flecha; uma túnica na altura do joelho para que ela pudesse caçar e ter sessenta "filhas ", todas com nove anos de idade conhecidas como "as caçadoras de Ártemis", para ser uma de suas companheiras, a ninfa, mortal ,ou semideusa deverá fazer um voto de castidade eterno com a própria Ártemis assim ganhando a imortalidade e a benção da deusa. Ela desejou não ter nenhuma cidade dedicada a ela, mas para governar as montanhas e ter a capacidade de ajudar as mulheres em dores de parto.
Intimidade
Sendo virgem, Ártemis despertava o interesse de muitos deuses e homens, mas apenas o seu companheiro de caça, Órion, ganhou seu coração. Orion foi morto acidentalmente ou por Ártemis ou por Gaia. Alfeu, um deus do rio, estava apaixonado por Ártemis, mas ele percebe que não poderia fazer nada para ganhar seu coração, então, ele decidiu capturá-la. Ártemis, que estava com suas companheiras no rio, encontra Alfeu, mas, desconfiada de seus motivos, ela cobre o rosto com lama para que o deus do rio não reconhecê-la. Em outra história, Alfeu tenta estuprar a ninfa protegida de Ártemis, Arethusa. Ártemis se compadece de Arethusa e a salva, transformando Arethusa numa fonte na ilha de Ortígia, em Siracusa, Sicília.
Actéon
Várias versões do mito de Actéon sobrevivem, embora muitas estejam fragmentadas. Os detalhes variam, mas no cerne elas envolvem um grande caçador, Actéon que é transformado por Ártemis em um veado por causa de uma transgressão e que é morto por cães de caça. Normalmente, os cães são seus, que não reconhecem seu mestre. Às vezes, eles são cães de Ártemis. De acordo com o texto moderno padrão, de Lamar Ronald Lacey, The Myth of Aktaion: Literary and Iconographic Studies, a versão original mais provável do mito é que Actéon foi o companheiro de caça da deusa que, depois de vê-la nua em sua fonte sagrada, tentou estuprá-la. Por esta atitude ele é transformado em um veado e devorado por seus próprios cães de caça. No entanto, em algumas versões sobreviventes Actéon é um forasteiro que acidentalmente vê a deusa nua na fonte. Também há divergências em relação a transgressão do caçador, que às vezes é simplesmente ver a deusa virgem nua, às vezes ostentando que ele é um caçador melhor do que ela, ou mesmo apenas sendo um rival de Zeus para o afeto de Sêmele.
Adônis
Em algumas versões da história de Adônis, que foi uma adição tardia à mitologia grega no período helenístico, Ártemis enviou um javali para matar Adônis como castigo por sua ostentação arrogante que ele era um caçador melhor do que ela. Em outras versões, Ártemis matou Adônis por vingança. Em mitos posteriores, Adônis havia sido relacionado como um dos favoritos de Afrodite e Afrodite foi responsável pela morte de Hipólito, que tinha sido um favorito de Ártemis. Portanto, Ártemis matou Adônis para vingar a morte de Hipólito. Em outra versão, Adônis não foi morto por Ártemis, mas por Ares, que tinha ciúmes de Adônis com Afrodite.
Órion
Órion foi companheiro de caça de Ártemis. Em algumas versões, ele é morto por Ártemis, enquanto em outras ele é morto por um escorpião enviado por Gaia. Em algumas versões, Órion tenta seduzir Opis (outro nome para Ártemis), e ela o matou. Em uma versão de Arato, Órion pegou o robe de Ártemis e ela o matou em legítima defesa. Em outra versão, Apolo envia o escorpião. De acordo com Higino Ártemis amou uma vez Órion (apesar de ser uma adição tardia ao mito, esta versão parece ser um remanescente raro de Ártemis como uma deusa pré-olímpica, que assumiu consortes), mas foi enganado e morto por seu irmão Apolo, que era "protetor" da virgindade de sua irmã.
Ártemis, a deusa das florestas e colinas, era adorada por toda a Grécia Antiga. [nt 3] Seus mais conhecidos cultos eram, na ilha de Delos (sua cidade natal), em Ática no santuário Brauron e em Esparta. Ela foi muitas vezes representada em pinturas e estátuas em um ambiente de floresta, carregando um arco e flechas, e acompanhado por um veado. Os antigos espartanos costumavam sacrificar animais a ela; Como Ártemis era uma de suas deusas padroeiras, eles faziam isso antes de iniciar uma nova campanha militar. Festivais atenienses em homenagem a Ártemis incluí Elafebólia, Munícia, Caristéria e Braurônia. O festival Ártemis Órtia foi visto em Esparta. Pré-púberes e meninas adolescentes atenienses foram enviadas para o santuário de Ártemis em Brauro para servir a deusa por um ano. Durante este tempo, as meninas eram conhecidas como arctos (arktoi), ou pequenas ursas. Um mito que explica este título afirma que um urso tinha o hábito de visitar regularmente a cidade de Brauro, e as pessoas de lá o alimentaram, de modo que, ao longo do tempo, tornou-se um urso domesticado. Uma menina brincava com o urso, e, em algumas versões do mito, ele a matou, enquanto que, em outras versões, ele agarrou seus olhos. De qualquer maneira, os irmãos da garota mataram o urso e Ártemis ficou enfurecida. Ela exigiu que as meninas "agissem como urso" no seu santuário em expiação pela morte do urso.
Epítetos
Como Egínea (Aeginaea), ela era adorada em Esparta; o nome significa tanto caçadora de camurça, ou a possuidora do dardo (αἰγανέα). Ela era adorada em Lepanto como Étola (Aetole); em seu templo naquela cidade havia uma estátua de mármore branco a representando jogando um dardo. Uma Ártemis Etólia não teria sido introduzida em Lepanto, antigamente Lócrida, até que a adoração foi concedida aos etólios por Filipe II da Macedônia. Estrabão registra outro recinto da "Ártemis Etólia" em Adriático.[nt 4] Como Agórea (Agoraea) ela era protetora da ágora. Como Agrótera (Agrotera), ela foi especialmente associada como a deusa padroeira dos caçadores. Em Atenas, Ártemis foi muitas vezes associada à deusa local Egínea, Afeia (Aphaea/Alpheaea). Como Pótnia Teron (Potnia Theron), "senhora dos animais", ela era a padroeira dos animais selvagens; Homero usou este título. Como Curótrofo, ela era a enfermeira de jovens. Como Lóquia (Locheia), ela era a deusa do parto e parteiras. Ela às vezes era conhecida como Cíntia (Cynthia), a partir de sua cidade natal no monte Cinto em Delos, ou Amaríntia (Amarynthia) de um festival em sua honra originalmente realizado na Eubeia. Ela às vezes era identificada pelo nome Feba, a forma feminina do epíteto solar do seu irmão, Apolo Febo. Em Esparta era adorada como Ártemis Ligodesma. Esse epíteto significa "salgueiro-limiar" do Ligo (λυγός, salgueiro) e desmo (δεσμός, ligação). O salgueiro aparece em vários mitos da Grécia antiga e rituais.
Festivais da Grécia Antiga
Ártemis nasceu no sexto dia, a razão pela qual o dia era considerado sagrado para ela:


