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Primeira Guerra da Chechênia

A Primeira Guerra da Chechênia foi um conflito bélico na República da Chechênia, ocorrido entre 1994 a 1996 e que resultou na independência "de fato", não "de jure", deste território sob controle da Rússia, que adotou o nome de República Chechena da Ichkeria.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Origens do conflito

O nacionalismo checheno em um contexto histórico

A história do povo checheno é marcada pela luta contra o Império Otomano e, a partir do século XVIII, contra a Rússia czarista. Os cossacos e russos se estabeleceram na Chechênia há mais de dezesseis séculos. O difícil acesso ao Cáucaso facilitou o surgimento de povos isolados na região, que geralmente viviam em pequenos povoados e em conflito entre si. Eram povos que por muitos séculos praticaram crenças pagãs, até que no século XVIII se converteram ao islamismo (exceção feita aos georgianos e aos armênios). A primeira invasão ao centro de Chechênia ocorreu durante o governo do czar Pedro, o Grande (1682 a 1725), no início do século XVIII. No reinado de Catarina, a Grande (1762-1796), foram estabelecidas colônias russas ao norte de Grozny.

Insurreição chechena e limpeza étnica pós-Segunda Guerra Mundial (1940–90)

Sob as ordens do chefe da Comissariado do Povo de Assuntos Internos (NKVD), Lavrentiy Beria, mais de 500 mil chechenos, inguches e vários outros povos do norte do Cáucaso foram submetidos a limpeza étnica e deportados para a Sibéria e a Ásia Central. O pretexto oficial foi a punição pela colaboração com as forças invasoras alemãs durante a insurgência na Chechênia (1940–44), apesar do fato de que muitos chechenos e inguches eram leais ao governo soviético e lutaram contra os nazistas e até receberam as mais altas condecorações militares da União Soviética. Em março de 1944, as autoridades soviéticas aboliram a República Checheno-Inguche. Eventualmente, o primeiro secretário soviético Nikita Khrushchev concedeu aos povos Vainakh permissão para retornar à sua terra natal e restaurou sua república em 1957.

O colapso da URSS e o tratado da Federação Russa

Em 1991, de forma repentina e inesperada, a União Soviética desapareceu e a Rússia voltou a ser um estado independente. Apesar da aceitação internacional como sucessora natural da URSS, a Rússia perdeu muito do seu poderio interno e externo. Tendo presente a desintegração de vários países por via de conflitos étnicos ou religiosos em diversos lugares que antes se encontravam sob a esfera soviética (como o caso de Nagorno-Karabakh), as elites da nova Rússia temiam a sucessão de processos separatista dentro de seus domínios, apesar dos territórios serem ocupados por mais de 80% de russos. Durante o regime soviético, mais de 100 nacionalidades foram reconhecidas pelo Estado, como distritos ou repúblicas autônomas dentro de um sistema federalista, respondendo a uma divisão étnica. Por sua parte, outras comunidades não tiveram direito a este reconhecimento. Na maioria desses enclaves, os russos constituíam minoria étnicos dentro da população, apesar de usufruírem de uma desproporcionada representação nos governos locais — já que os russos e membros de outras nacionalidades participavam pouco da administração local.

Declaração de independência chechena

Em 6 de setembro de 1991, militantes liderados pelo general da Força Aérea soviética Dzhokhar Dudayev invadiram uma sessão do Soviete Supremo Checheno-Inguchétio com o objetivo de declarar a independência. Eles mataram o chefe do Partido Comunista da União Soviética em Grozny ao atirá-lo pela janela, trataram brutalmente vários outros membros do partido e dissolveram o governo autônomo da região. Essa medida garantiu apoio popular para Dudayev, que seria eleito presidente meses depois. Em novembro daquele ano, o presidente Yeltsin ordenou o envio de tropas para Grozny, mas as forças de Dudayev frustraram-nas e forçaram-nas a se retirar da região. Logo a seguir, foi declarada a independência em relação à União Soviética. Em junho de 1992, a República Autônoma da Chechénia-Inguchétia dividiu-se em duas. Enquanto a República da Inguchétia integrou-se a Rússia, a Chechênia declarou-se independente em 1993, como o nome de República Chechena da Ichkeria.

Fracassos nas negociações

Em 1994, o governo autônomo do Tartaristão chegou a um acordo com Moscou, que garantia uma autonomia aos tártaros, um povo de origem muçulmana que foi conquistado pelos russos em meados do século XVI. Mas o presidente Yeltsin evitou levar a cabo negociações sérias com o governo checheno. Com isso, as relações se deterioraram ao ponto de gerar um conflito generalizado em 1994. Em 1996, a Chechênia seguia sendo a principal questão separatista para a Federação Russa.

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