Final da Copa do Mundo FIFA de 1998
A final da Copa do Mundo da FIFA de 1998 foi a partida final da Copa do Mundo da FIFA de 1998, a décima sexta edição da competição quadrienal de futebol organizada pela FIFA para as seleções masculinas de suas associações. Ela foi realizada no Stade de France em Saint-Denis, França, em 12 de julho de 1998, e foi disputada por Brasil e França. O torneio contou com a França como anfitriã, o Brasil como vencedor da Copa do Mundo anterior e outras trinta seleções que saíram das eliminatórias organizadas pelas seis confederações da FIFA. As 32 equipes disputaram uma fase de grupos, das quais dezesseis equipes se classificaram para a fase eliminatória. A caminho da final, o Brasil terminou em primeiro lugar no Grupo A, com duas vitórias e uma derrota; no mata-mata, venceu o Chile nas oitavas de final, a Dinamarca nas quartas de final e a Holanda na disputa de pênaltis nas semifinais. A França terminou na liderança do Grupo C com três vitórias, antes de derrotar o Paraguai nas oitavas de final, a Itália nas quartas de final e a Croácia na semifinal. A final aconteceu diante de 75 mil torcedores, com estimativa de 1,7 bilhão assistindo pela televisão, e foi apitada pelo marroquino Said Belqola.
A Copa do Mundo FIFA de 1998 foi a 16ª edição da Copa do Mundo, competição de futebol da FIFA para seleções masculinas, realizada na França entre 10 de junho e 12 de julho de 1998. O torneio contou com 32 seleções pela primeira vez, aumentando o número anterior, que era de 24, na Copa de 1994. Tanto a França quanto o Brasil se classificaram automaticamente para o torneio – os europeus como anfitriões e os sul-americanos porque haviam vencido o torneio em 1994. As trinta vagas restantes foram decididas por meio de eliminatórias realizadas entre março de 1996 e novembro de 1997, organizadas pelas seis confederações da FIFA e envolvendo 168 seleções. Na competição, as equipes foram divididas em oito grupos de quatro, com cada equipe jogando entre si uma vez no formato pontos corridos. As duas melhores equipes de cada grupo avançaram para a fase de mata-mata. A partida decisiva foi disputada no Stade de France, no subúrbio de Saint-Denis, ao norte de Paris; o estádio, com capacidade para oitenta mil pessoas, foi construído especificamente para o torneio, porque não havia locais grandes o suficiente para acomodar a final.
Brasil
O Brasil estava no Grupo A da Copa do Mundo, no qual se juntaram Marrocos, Noruega e Escócia; esta última foi o adversário dos brasileiros no jogo de abertura, no Stade de France, no dia 10 de junho. O Brasil abriu o placar aos quatro minutos, quando o meio-campista César Sampaio cabeceou superando Jim Leighton, goleiro da Escócia, após escanteio cobrado por Bebeto. A Escócia empatou após um pênalti convertido por John Collins, sofrido por Kevin Gallacher. O Brasil ficou à frente no placar novamente no segundo tempo, quando um toque de Cafu foi defendido por Leighton, mas rebateu no lateral Tom Boyd e foi para as redes, resultando em um gol-contra. O segundo jogo foi contra o Marrocos, no dia 16 de junho, no Stade de la Beaujoire, em Nantes. Ronaldo abriu o placar aos nove minutos de jogo; este foi seu primeiro gol marcado em Copas do Mundo. Rivaldo e Bebeto também marcaram para fechar uma confortável vitória por 3–0. O Brasil já estava garantido como vencedor do grupo antes do terceiro jogo, contra a Noruega, mas mesmo assim Zagallo escalou a maioria de sua equipe titular, deixando de fora apenas o zagueiro Aldair, que havia recebido um cartão amarelo contra a Escócia e corria o risco de ser suspenso caso recebesse outro, e César Sampaio, que já estava suspenso. O Brasil abriu o placar com Bebeto aos 77 minutos. A Noruega respondeu com dois gols nos últimos dez minutos – Tore André Flo fez o gol de empate e mais tarde sofreu um pênalti do zagueiro Júnior Baiano. Kjetil Rekdal marcou de pênalti para dar à Noruega uma vitória por 2–1.
França
A França foi sorteada no Grupo C no torneio, ao lado de Dinamarca, Arábia Saudita e África do Sul. Começaram sua campanha em 12 de junho contra a África do Sul, estreante na Copa do Mundo, no Stade Vélodrome. Em uma partida que Richard Williams, do The Guardian, disse que eles "dominaram o tempo todo", a França venceu por 3–0 com um gol no primeiro tempo de Christophe Dugarry, um gol contra aos 77 minutos do sul-africano Pierre Issa e um gol no último minuto de Thierry Henry. O segundo jogo foi contra a Arábia Saudita, no Stade de France, em 18 de junho. Henry deu à França a liderança no primeiro tempo, marcando após um cruzamento de Bixente Lizarazu, antes que a França marcasse três gols nos quinze minutos finais por meio de David Trezeguet, Henry novamente e Lizarazu para completar uma goleada por 4–0. As duas equipes tiveram um jogador expulso — Mohammed Al-Khilaiwi aos dezoito minutos pela Arábia Saudita e Zinédine Zidane pela França aos setenta minutos por falta em Fuad Anwar. Por conta da expulsão, Zidane foi suspenso pelos próximos dois jogos. Com a progressão para a fase eliminatória garantida, Jacquet fez oito alterações em seu time para a última partida contra a Dinamarca, no Stade Gerland, em Lyon, em 24 de junho. A França ficou à frente no placar aos treze minutos, quando Youri Djorkaeff converteu um pênalti após o zagueiro Jes Høgh fazer falta em Trezeguet. A Dinamarca então teve um pênalti marcado a seu favor pouco antes do intervalo por falta de Vincent Candela sobre Jørgensen, marcada por Michael Laudrup. No segundo tempo, Emmanuel Petit marcou com um chute rasteiro no canto do gol dinamarquês para selar uma vitória por 2–1 e o primeiro lugar no grupo.
O Brasil era considerado o favorito pelas casas de apostas antes da partida, com chances de 4–6 para vencer o torneio, em comparação com 6–5 para a França.[b]
Arbitragem
Said Belqola, do Marrocos, foi o escolhido para apitar a final. Árbitro amador que trabalhava profissionalmente como funcionário da alfândega, ele começou a arbitrar em 1983 antes de ser selecionado para partidas internacionais em 1993. Antes da Copa do Mundo de 1998, ele havia apitado duas partidas cada na Copa Africana de Nações de 1996 e 1998, incluindo a final deste último torneio, entre África do Sul e Egito. Na Copa do Mundo de 1998, Belqola apitou os jogos da fase de grupos Argentina x Croácia e Alemanha x Estados Unidos. Os árbitros assistentes foram Mark Warren, da Inglaterra, e Achmat Salie, da África do Sul, enquanto Abdul Rahman Al-Zaid, da Arábia Saudita, foi o quarto árbitro.
Escalações
No que mais tarde foi descrito pelos escritores da BBC Sport como o "grande mistério da final da Copa do Mundo", Ronaldo foi omitido da ficha oficial da equipe que Zagallo apresentou à FIFA às 7:48 hora local (5:48 PM UTC), a 72 minutos do apito inicial, com Edmundo nomeado para o seu lugar. Repórteres da BBC e de outros meios de comunicação receberam a notícia pouco depois das 20h e não esperavam esse desenvolvimento, com o repórter inglês John Motson descrevendo cenas de "absoluta confusão e caos" na cabine de imprensa. Às 20h18, no entanto, o Brasil apresentou uma ficha de seleção modificada com o nome de Ronaldo reintegrado. Vários anos depois, foi revelado que Ronaldo sofreu uma convulsão na tarde da final, perdeu a consciência e passou três horas no hospital, mas decidiu pouco antes do início da partida que ainda queria jogar (ver mais detalhes na seção "Pós-jogo" mais abaixo). Com exceção de Cafu, que havia sido suspenso para a semifinal do Brasil e voltou no lugar de Zé Carlos, o Brasil, portanto, convocou um time inalterado com Edmundo no banco de reservas. Pela Seleção Francesa, Frank Leboeuf ocupou a vaga do suspenso Blanc. Fora isso, a França escalou uma equipe inalterada.
Primeiro tempo
A França deu a saída de bola às 21h da hora local, diante de um público de 75 mil pessoas e uma audiência televisiva global estimada em 1,7 bilhão. O clima no Aeroporto Charles de Gaulle, a 17 quilômetros (11 mi) do estádio, foi registrado como "razoável" na hora do pontapé inicial, com temperatura de 73 °F (23 °C) e 50% de umidade.[c] A França teve a chance de marcar logo no primeiro minuto, quando a bola foi passada para Stéphane Guivarc'h, que tentou um chute de bicicleta que passou por cima do travessão e caiu na rede brasileira. Guivarc'h teve outra oportunidade três minutos depois, quando recebeu passe de Zinédine Zidane na entrada da área e ficou cara a cara com Taffarel, mas o chute, abafado por Júnior Baiano, foi defendido pelo goleiro. Os franceses ganharam uma cobrança de falta aos seis, quando Cafu fez falta em Lizarazu. Zidane cruzou a bola na área e ela chegou a Djorkaeff, que não estava marcado; ele tentou marcar de cabeça, mas o arremate foi alto e longe do gol. Aos 22 minutos, Ronaldo recebeu a bola perto da linha lateral esquerda, encarou a marcação de Thuram e tentou um cruzamento para a área. A bola foi em direção à meta de Barthez, que quase a desviou para o próprio gol, mas conseguiu agarrá-la antes que cruzasse a linha. O Brasil ganhou um escanteio aos 23 minutos, que foi cobrado por Leonardo na área. Rivaldo cabeceou forte para o gol, mas a bola foi na direção de Barthez, que defendeu.
Segundo tempo
O Brasil fez uma substituição ao voltar do intervalo, com Denílson substituindo Leonardo. Marcel Desailly recebeu cartão amarelo aos 49 minutos por reclamação, após o árbitro penalizá-lo por falta sobre Cafu. Aos 51 minutos, Bebeto cobrou escanteio da direita que chegou a Denílson, que caiu na área após disputar a bola com Deschamps. Os jogadores do Brasil pediram pênalti, mas Belqola não concedeu. Karembeu recebeu cartão amarelo aos 55 minutos por falta sobre Cafu. Na cobrança, Rivaldo deu passe curto para Roberto Carlos, que correu para a esquerda da área e cruzou na direção de Ronaldo. Ele recebeu a bola, escapou da marcação de Guivarc'h e chutou forte de pé direito, mas Barthez conseguiu bloquear o chute. Aos 57 minutos, a França fez sua primeira substituição no jogo ao colocar Alain Boghossian no lugar de Karembeu. Três minutos depois, Roberto Carlos cobrou um longo lateral da esquerda em direção à entrada da área; Barthez saiu da sua meta mas não conseguiu alcançar a bola, permitindo que Bebeto chutasse, mas o arremate não saiu com muita força e Desailly desviou a escanteio.
Detalhes
Árbitros assistentes: Mark Warren Achmat Salie
A França conquistou a Copa do Mundo pela primeira vez, tornando-se o sétimo de oito — contando até 2022 — países diferentes que venceram o torneio. Eles também se tornaram o sexto time a vencer a competição como anfitriões e o primeiro desde a Argentina em 1978. Foi apenas a segunda vez que o Brasil perdeu uma final de Copa do Mundo, sendo a primeira a derrota por 2–1 para o Uruguai no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, na partida final de 1950, conhecida como Maracanaço.[d] O placar de 3–0 também foi a maior derrota do Brasil na Copa do Mundo até a derrota por 7–1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, no Mineirão, em Belo Horizonte. O presidente francês Jacques Chirac, o presidente do Comitê Olímpico Internacional Juan Antonio Samaranch, o recém-eleito presidente da FIFA Joseph Blatter e seu antecessor cessante João Havelange, o presidente da UEFA Lennart Johansson e o copresidente do comitê organizador local e ex-jogador Michel Platini estavam entre os presentes nas arquibancadas durante a cerimônia de premiação. Chirac entregou o troféu ao capitão francês Deschamps. Centenas de milhares de torcedores franceses comemoraram a vitória da sua seleção em Paris durante a noite, antes de se reunirem na avenida Champs-Élysées no dia seguinte para um passeio de ônibus aberto dos jogadores franceses. As comemorações continuaram até terça-feira, 14 de julho, feriado nacional do Dia da Bastilha na França, com Chirac convidando a equipe para uma festa no jardim do Palácio do Eliseu após o desfile militar do Dia da Bastilha e elogiando a solidariedade da nação durante um discurso feito no local.


