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Achelata

Achelata é uma infraordem do grupo dos Decapoda (Crustáceos) que inclui a maior parte das lagostas e possui como característica principal a falta de quelas (garras) nos primeiros quatro pereópodes e a presença de uma larva característica para dispersões a longo prazo, chamada Phyllosoma em seu desenvolvimento. Os animais dessa infraordem, apesar da grande diversidade, são tidos popularmente como lagostas. São exclusivamente marinhos, e encontrados em uma grande variedade de habitats, principalmente dentro da região tropical.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Filogenia e taxonomia

O grupo dos Achelata eram antes classificados dentro de uma super família chamada Palinura, que abrigava grupos como Polychelida e Glypheidea, devido à caracteres como redução dos lobos internos da segunda maxila e do primeiro maxilípede. No entanto, a partir de 1995 estudos classificaram Palinura com um grupo parafilético, dividindo-o. Assim, Achelata tornou-se um novo táxon baseado em características morfológicas como a falta de quelas e a presença de larva Phyllosoma em seus representantes. Recentes estudos com base em dados moleculares confirmaram o caráter monofilético de Achelata. Os Achelata são um grupo muito diversificado dentro dos Decapoda, e são tipicamente classificados em cinco famílias: Palinuridae (lagostas espinhosas), Scyllaridae (lagostas sapateiras) e Synaxidae (lagostas de coral) e as já extintas Cancrinidae e Tricarinidae. É importante ressaltar que, apesar do nome popular lagosta, Achelata não tem relação próxima com Nephropidae (lagostas verdadeiras).

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Morfologia

Morfologia externa

A principal característica externa de Achelata é a ausência de quela nos pereópodes 1-4, que dá origem ao nome do grupo. Assim como todos os artrópodes, filo no qual estão incluídos os crustáceos, em Achelata há a presença de um esqueleto externo (o exoesqueleto) recobrindo todo o corpo. Os animais desse grupo possuem uma carapaça grossa recobrindo a cabeça e o tórax, que pode ser cilíndrica (no caso de Palinuridae) ou achatada dorsoventralmente (no caso de Scyllaridae). Não há presença de rostro proeminente. As duas famílias atuais são de fácil reconhecimento com base no formato geral: os Palinuridae são lagostas cilindricas e largas, enquanto as Scyllaridae são achatadas e com um “nariz em forma de pá”

Morfologia interna e fisiologia

Os sistemas sensoriais das lagostas são temas muito recorrentes na literatura e, provavelmente, os aspecto mais estudados em relação a esses animais. As lagostas são usadas como sistema modelo devido à acessibilidade do sistema nervoso, dureza de suas estruturas e a facilidade de obtenção de exemplares. Lagostas possuem o olho composto, típico dos crustáceos, composto por milhares de unidades quadradas, chamadas omatídios. cada omatídio consiste em um cone externo, um cone cristalino e um abdomo, que é contornado por células da retínula. Ao redor de cada uma das células da retínula, há uma camada de células de pigmento que se movem proximal ou distalmente, de acordo com a intensidade luminosa. Os olhos das lagostas são do tipo de superposição, tipicamente encontrados em artrópodes de hábitos noturnos ou de mar profundo. Olhos de superposição permitem o foco dos vários raios de luz, que entram pelas múltiplas facetas dos olhos compostos, em apenas um ponto na retina, aumentando significativamente a imagem em condições de pouca luz. Uma característica dos olhos de superposição é a presença de uma zona clara entre os elementos ópticos e a retina, causada por uma separação entre o cone cristalino e o abdomo. Por outro lado, os olhos de aposição são encontrados em artrópodes que vivem em ambientes de alta intensidade luminosa. Nesses artrópodes, nao há zona clara, mas sim o alongamento das células da retínula até o cone cristalino e cada omatídio passa a atuar como uma unidade separada de captação de luz. Já foi demonstrado que espécies, como Panulirus cygnus, possuem olhos de aposição no estágio larval, mas mudam para o tipo de superposição nas lagostas juvenis. Os olhos de superposição dos crustáceos diferem dos olhos de superposição dos insetos pois formam imagem na retina a partir do reflexo dos raios de luz em superfícies semelhantes a espelhos, que se encontram ao lado dos omatídios, enquanto que os insetos usam um sistema de refração.

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Reprodução

A maturidade sexual depende da espécie e da temperatura da localidade que habita. Na fase adulta, movimentos migratórios sazonais para a costa e para alto mar estão associados à ecdise e procriação, sendo que o acasalamento ocorre, geralmente, em locais profundos e afastados da costa, após a ecdise da fêmea. No geral, há dimorfismo sexual, com os machos possuindo maior tamanho que as fêmeas, e um par de pereópodes alongados. O acasalamento é pouco descrito: em algumas espécies, ocorre logo após a muda, mas em outras os eventos são totalmente separados. A fertilização é externa, ocorrendo após a deposição do espermatóforo do macho no esterno da fêmea, que começa a se desintegrar ou é rompido com o auxílio da quela pequena presente no quinto pereópodo. Os ovos são então liberados, fecundados e fixados nos pleópodos, onde serão incubados.

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Desenvolvimento

Os Achelata são caracterizados pelo filossoma (ou phyllosoma), uma fase larval adaptada para dispersões através de um longo período de tempo. Na maioria das espécies, a eclosão dos ovos libera essas larvas filossoma: uma larva planctônica, transparente que possui todos os apêndices cefálicos e tem longa duração, podendo ser rapidamente transportada pelas correntes marítimas, se desenvolvendo em águas oceânicas. Esse tipo de larva é caracterizado por uma carapaça achatada em forma de folha que não ocorre fora dos Achelata. O primeiro estágio de phyllosoma é pequeno, com menos de 2mm de comprimento, sendo quase transparente. No último estágio, a larva mede cerca de 35 mm de comprimento. Depois de passar diversos meses flutuando nas águas oceânicas para completar seu desenvolvimento, o último estágio larval de lagostas sofre metamorfose para um novo estágio planctônico chamado puerulus. O puerulus é o estágio transicional do estágio planctônico para o estágio bentônico larval. Quase transparente, é inicialmente um nadador ativo até se assentar em regiões de águas rasas de corais costeiros ou áreas de lagoa. Depois do assentamento, o puerulus finalmente sofre a metamorfose para um estado juvenil semelhante ao adulto transformando-se em uma pequena e pigmentada lagosta, bastante similar ao adulto, mas não idêntica. Mesmo sendo um estágio-chave para o recrutamento de populações parentais, o estágio de puerulus ainda permanece desconhecido para vários gêneros como Palinustus, Linuparus, Justitia, Puerulus e Palibythus.

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Comportamento

Produção de som

Alguns grupos dentro de Achelata como Panilirus, Palinurus, Justitia, Palinustus, Linuparus e Puerulus são capazes de produzir sons de baixa frequência. Hipóteses supõe que o som possui função de comunicação, mas não há suficiente informação para confirmar a hipótese. Esses grupos possuem uma estrutura localizada na base da segunda antena chamada plectro (fuciona como uma palheta), que ao ser friccionada contra uma estrutura “dentada”, com diversas elevações, produz o som, que é amplificado por uma câmara de ressonância logo abaixo do plectro.

Coloração

As cores características de lagostas ocorrem devido a presença de carotenoides na camada pigmentosa bem abaixo da epicutícula do exoesqueleto. Algumas das lagostas espinhosas (Palinuridae) estão entre os padrões mais vivos e brilhantes de cores no mar. A espécie P. versicolor, por exemplo, pode apresentar padrões de cores verdes, brancas, pretas, amarelas e rosas, distribuídas em linhas, bandas e listras. As variações de cores normalmente possuem uma base genética, mas alguns padrões são decorrentes dos hábitos alimentares desses animais. Diversas espécies do grupo dos Palinuridae possuem marcas brilhantes na porção dorsal do abdômen. Apesar de muito admirados, essa coloração é quase impossível de ser notada, pois muitas dessas lagostas passam boa parte do tempo em seus abrigos, saindo apenas para se alimentarem em períodos noturnos, ou para migrarem para outras áreas.

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Ecologia, distribuição e habitat

Achelata vivem em recifes de corais, áreas rochosas ou outras proteções oferecidas pelo habitat. No entanto, alguns gêneros como Palinustus, Justitia, Linuparus e Puerulus são encontrados principalmente em águas profundas, em profundidades maiores de 400 m.

Distribuição

As lagostas de Achelata são encontradas em quase qualquer ambiente marinho. No sul, três espécies de Palinurus são as lagostas mais abundantes nas regiões de águas quentes no leste do atlântico, e uma espécie comumente conhecida como “lagosta” nas águas equatoriais da costa oeste da África é também do gênero Palinurus. Ainda no hemisfério sul, o gênero Jasus, que pertence a Palinurus, domina as águas de plataforma continental da região temperada, cada uma das sete espécies desse gênero ocupando o nicho de lagostas de suas respectivas regiões geograficamente separadas.

Ecologia

Os predadores de lagostas são normalmente habitantes de fundo ou de recifes de corais, e pode-se citar tubarões, raias, polvos, peixes e caranguejos. As lagostas maiores e de carapaças mais duras são normalmente imunes à predação. Dentro de um gênero, cada espécie tem suas exigências ambientais particulares, habitando diferentes regiões de uma mesma área simpátrica. Em um mesmo local, podem ser descritos diversos habitats para cada espécie, levando em conta temperatura, escoamento terrestre e movimento da água.

Habitat

Em relação ao ambiente em que vivem, são encontradas em diferentes substratos, desde que forneçam tocas ou fendas para que o animal possa se proteger de predadores, luz, ou outras condições adversas . Muitas lagostas sapateiras são encontradas em substratos macios, mas há também um grande número encontrado em substratos rochosos. Uma possibilidade é que algumas características que se acreditava serem usadas para se enterrar em substratos macios, como a antena achatada e lateral da carapaça, na verdade podem fornecer proteção, por ajudar o animal a se esconder nas rochas. Quanto à zonação de profundidade, elas são encontradas desde em águas rasas e recifes de corais até profundidades de 400m. Isso depende da espécie e do local em questão. Um bom exemplo são as lagostas espinhosas de Durban, na África do Sul. Palinurus gilchristi é o crustáceo dominante na faixa de profundidade de 110 a 150m. Já em águas mais rasas de recifes de corais até aproximadamente 20m, predominam outras espécies de Palinurus, como P. homarus rubellus.

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Importância econômica

As espécies de Achelata são pescadas em todo o mundo, como na América do Norte, do Sul e Central, África, e Austrália, e possuem grande valor econômico. Há registros de pesqueiras obtendo um rendimento anual de 74817 toneladas de diversas espécies do gênero Palinurus e Jasus. A maioria das espécies apresenta sinais de superexploração, o que prejudica a atuação das pesqueiras, trazendo prejuízos econômicos. Muitas espécies de Achelata possuem uma grande importância comercial ao longo da costa leste africana. A pesca dessas lagostas é muito importante localmente nessas regiões, especialmente em hotéis turísticos e restaurantes. As lagostas espinhosas da espécie Panulirus agus constituem o tipo de pesca mais importante do Caribe, com uma contagem de cerca de 42000 toneladas. Alguns estudos mostram que a pesca excessiva pode estar causando uma superexploração dos estoques de lagostas, sendo assim ecologicamente prejudicial.

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Fontes consultadas

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