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Acará-disco

Acará-disco é o nome comum atribuído a todas as espécies de peixes de água doce classificadas no gênero Symphysodon. Pertence à família dos ciclídeos e compreende atualmente duas espécies e três subespécies. É endêmico da América do Sul, onde pode ser encontrado nos rios da bacia Amazônica, no Brasil, Peru e Colômbia. As suas principais características são as suas cores e o formato discóide do seu corpo. Vive em cardume e alimenta-se de pequenos crustáceos, larvas e insetos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Taxonomia

O acará-disco pertence a tribo Heroini, da família Cichlidae, na ordem Perciformes, ainda pouco estudada. Foi descrito pelo zoólogo austríaco Johann Jakob Heckel em 1840 como Symphysodon. O exato posicionamento filogenético deste gênero, entre os outros pertencentes à tribo Heroini, é desconhecido. A espécie-tipo deste gênero é o Symphysodon discus. O nome específico discus refere-se à sua forma discóide, enquanto o seu nome genérico, Symphysodon, é uma palavra grega. Symphys significa crescendo em grupo e odon significa dentes, referindo-se à sua dentição reduzida em relação aos outros ciclídeos. O gênero inclui somente duas espécies: Symphysodon discus (Disco-Heckel) e Symphysodon aequifasciatus (Disco-azul-marrom), mas estudos recentes realizados com o seu ADN demostraram a possível existência de uma terceira espécie, denominada pelos cientistas como Symphysodon tarzoo; entretanto as análises não foram conclusivas. A aceitação dessa espécie ainda está sendo estudada pelos pesquisadores.

Subespécies

Três subespécies são reconhecidas atualmente, com base em análises genéticas. Todas foram descritas pelo ictiólogo americano Leonard Peter Schultz em 1960, após a descrição de Pelegrin Franganillo-Balboa da espécie Symphysodon aequifasciatus em 1904:

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Descrição biológica

Distribuição geográfica e habitat

O acará-disco é nativo da Amazônia, mas só pode ser encontrado em alguns países da América do Sul. O disco-Heckel encontra-se distribuído na parte oriental da Amazônia, principalmente nos rios Nhamundá, Branco, rio Negro, Purus, Abacaxis e Trombetas. O disco-verde tem distribuição restrita à parte ocidental da Amazônia, nos rios Japurá, Içá e rio Nanay. As subespécies disco-castanho e disco-azul são geralmente encontradas nos rios Solimões, Amazonas, Urubu, Juruá, Tefé, Coari, Uatumã, Trombetas, Tapajós, Jari e Tocantins. Já o disco-azul-marrom pode ser encontrado nos leitos dos rios Amazônicos e em algumas bacias hidrográficas da Colômbia e Peru, tendo distribuição mais alargada do gênero.[nota 2]

Comportamento e reprodução

O acará-disco possui um comportamento territorialista e não realiza migrações reprodutivas. Durante a estação chuvosa vive sozinho ou em pequenos grupos em águas profundas, mas no período de estiagem formam grandes cardumes próximo de árvores caídas ao longo das margens dos lagos. Atinge a maturidade sexual com doze meses de vida e desova algumas vezes durante uma estação reprodutiva anual (desova parcelada), com cerca de 300 ovos por desova. Na época da reprodução formam casais por meio do cortejo sexual, característica dos ciclídeos. Geralmente depositam os ovos em folhas grandes ou em pedras. Durante a desova a fêmea deposita uma pequena quantidade de ovos que logo após serão fertilizados pelo macho. Todo o processo pode durar até uma hora e, logo depois de o macho fertilizá-los, o par mantém constante agitação da água em torno deles, abanando-os com as barbatanas, para garantir a oxigenação necessária. Em seguida os pais empenham-se em limpá-los e mantê-los seguros até ao nascimento das larvas.

Características

O acará-disco é geralmente denominado como O Rei do Aquário. É considerado um peixe de pequeno porte, podendo chegar a 15 centímetros de comprimento. Possui o corpo lateralmente achatado com barbatana dorsal e caudal relativamente longa, que contribuem com o formato discóide do seu corpo. Tem apenas um orifício nasal de cada lado da narina, boca protátil e lábios grossos. Os machos são maiores, mais coloridos e com os primeiros raios da barbatana dorsal mais grossos e longos. Não possuem dimorfismo sexual evidente. As suas cores variam dependendo da espécie podendo ter tons vermelhos, azuis, verdes, castanhos, brancos e amarelos, sendo que atualmente existem cerca de 600 variações.[nota 3] Apresentam várias fileiras de escamas na base das barbatanas dorsal e caudal, estrias geralmente azuis por todo o corpo e de oito a nove faixas escuras transversais sobre o corpo.

Alimentação

O acará-disco é uma espécie onívora, mas possui um forte hábito alimentar carnívoro, alimentando-se predominantemente de náuplios de camarão de água-doce. Na natureza a espécie alimenta-se de perifíton, pequenos crustáceos, peixes, insetos, larvas, folhas, frutos e outras matérias orgânicas. Em cativeiro pode ser muito exigente sobre o alimento oferecido, sendo mais indicado alimentos vivos como as minhocas, vermes e larvas de mosquito. Também pode ser alimentado com coração de boi, ervilhas e com as rações industrializadas.

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Ameaças

Doenças

Tal como diversos outros peixes, o acará-disco é suscetível a infecções como parasitoses, micoses, bacterioses, viroses e ainda por ectoparasitas. Contudo, em condições naturais os agentes infecciosos que os infestam não são suficientemente numerosos para afetar a saúde do hospedeiro, pelo fato do estado nutricional e fisiológico do peixe estar devidamente ajustado ao meio ambiente. Especificamente para o acará-disco, são encontrados os seguintes parasitas: protozoários (Piscinoodinium pillulare, Ichthyophthirius multifillis, Costia necatrix, Trichodina), metazoários monogenéticos (Dactylogyrus vastator e Gyrodactylus elegans), micoses e bacterioses.

Risco de extinção

Apesar de não se encontrar na lista vermelha da IUCN, a quantidade de acarás-disco na natureza diminuiu em grande escala desde a década de 1990. Os principais fatores para o declínio da população é a ação do homem em seu habitat, entre elas a captura para a criação em aquário. Outros fatores de influência antrópica que contribuem com o desaparecimento da espécie é a mineração de ouro, que libera mercúrio na água, o desmatamento e os incêndios florestais, pois aumentam a temperatura da região e impedem a formação das nuvens, prolongando o período de estiagem.

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Criação em cativeiro

Os primeiros acarás-disco criados em cativeiro datam de 1933. Eles foram capturados na natureza e morreram logo após serem introduzidos ao aquário. Foi a partir de 1935 que surgiram os primeiros relatos de exemplares que reproduziram em cativeiro e chegaram à idade adulta. Nesse período eram exportados em pequenas quantidades para a Europa e Estados Unidos. Exportações maiores ocorreram após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando se desenvolveu o automobilismo. Entretanto, foi somente na década de 1980 que se iniciou uma atividade sistemática de exploração do acará-disco. É uma das espécies mais populares do mundo usadas para o aquarismo, bem como uma das mais exploradas. Entretanto são muito exigentes sobre as condições em que vivem, não sendo aconselhável a sua manutenção por aquariofilistas que ainda não dominem o controle dos parâmetros de água dos seus aquários. Devem ser mantidos em aquários grandes com um mínimo de 200 litros, e manter pelo menos 6 exemplares, pois são peixes gregarios e preferem ficar em pequenos grupos. São muito sensíveis em relação à qualidade da água e preferem água de pH ácido, em torno de 4.2 e 6.2 e com temperatura à volta de 26 e 30°C.

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Fontes consultadas

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