Acadêmicos de Santa Cruz
Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro, com sede no bairro de Santa Cruz, na zona oeste da cidade. Dentre as escolas de samba do carnaval carioca que já desfilaram na Marquês de Sapucaí, é a que se situa mais distante do sambódromo, localizada na Rua do Império em Santa Cruz. Atualmente é filiada a Super Liga Carnavalesca do Brasil e participa da Série Prata, a terceira divisão do Carnaval Carioca.
Foi de um bloco de sujo, o Vai Quem Quer, nos anos 1950, que começou a desenhar-se a futura escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz, cujas reuniões iniciais aconteciam no pontilhão da Rua do Império, esquina com a Rua Campeiro-Mór. A escola surgiu de uma dissidência de um grupo de foliões que desfilavam no bloco carnavalesco Garotos do Itá e, mais tarde, em 18 de fevereiro de 1959, fundava-se a nova escola que, nos anos de 1967 e 1968, começou a aglutinar sambistas de outras escolas de samba de Santa Cruz, como, Unidos da Jaqueira, Independentes do Morro do Chá, Garotos do Itá e Unidos do Caxias. O Acadêmicos de Santa Cruz foi fundado por José Ramos Cordeiro (Zé Taqueiro), Altamiro de Oliveira, Guilherme José de Andrade, Luiz dos Santos Oliveira (Hominho), Benedito Antônio do Nascimento (Coragem), Hélio de Carvalho (Petico), Ubirajara das Neves (Bira), Áureo Cordeiro Ramos (Mestre Áureo), José Vieira Félix (Dindica), Otacílio de Souza, Manoel José de Santana (Biéca), Otávio Dantas (Tavinho) e Luiz Cordeiro Ramos.
Devido a pandemia de covid-19, não houve desfiles no ano de 2021. O enredo programado para o carnaval 2021 foi transferido para o ano seguinte: uma homenagem ao ator Milton Gonçalves, de autoria do carnavalesco Cid Carvalho. O samba foi, mais uma vez, encomendado pelos compositores vencedores do prêmio Estandarte de Ouro de melhor samba, no último carnaval. Por decisão de autoridades municipais e sanitárias foi decidido que os desfiles do Carnaval 2022 deviam ser realizados no feriado prolongado de 21 de abril em decorrência da pandemia do coronavírus. O desfile em si não contou com a presença do homenageado. O ator, por motivos de saúde, não pode desfilar. O enredo contou passagens da vida de Milton desde a infância em Monte Santo, Minas Gerais, passando pela início de carreira na cidade de São Paulo, e seu pioneirismo no meio artístico para a negritude, representada por amigos e artistas. Na apuração, o julgamento dos quesitos revelou-se incoerente e bastante tendencioso. O rebaixamento da agremiação juntamente com a Acadêmicos do Cubango foi considerado injusto por parte de escolas de samba co-irmãs e da mídia carnavalesca causando a revolta do público em geral.
Anos 1960
Afilhada da Unidos de Bangu e madrinha da Unidos do Uraiti e da Acadêmicos de Itaguaí, a Acadêmicos de Santa Cruz desfilou em 1960, 1961 e 1962 na própria localidade de Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Ainda em 1962, filiou-se à Confederação da Escolas de Samba e desfilou pela primeira vez no centro da cidade no dia 2 de dezembro, por ocasião do 1° Congresso do Samba. Em 1963, disputou o carnaval na Praça Onze (Grupo de Acesso B) e foi campeã. Em 1965, a Acadêmicos de Santa Cruz foi campeã do Grupo de Acesso A, por ocasião do carnaval do IV Centenário e já estava entre as grandes escolas do carnaval carioca no ano seguinte.
Anos 1970
A década de 1970 foi marcada por homenagens a grandes músicos da cultura brasileira como a cantora Dalva de Oliveira em 1974, o poeta Catulo da Paixão Cearense em 1977 e o compositor Carlos Gomes em 1978. Viveu períodos instáveis oscilando entre o segundo e terceiro grupo, com momentos de auge e também de grandes dificuldades. A agremiação conquistou um campeonato pelo grupo 3 em 1973.
Anos 1980
Em 1984, o ano de estreia do Sambódromo do Rio de Janeiro, a escola chegou em segundo lugar no Grupo de Acesso A com o enredo afro "Acima da coroa de um rei, só deus". Este resultado garantiu sua presença no supercampeonato, disputado no sábado seguinte ao carnaval. Porém neste desfile, que reunia as seis primeiras colocadas do grupo Especial mais a campeã e a vice do grupo de Acesso A, a Santa Cruz chegou apenas em oitavo lugar. O enredo abordava os santos e divindades das religiões africanas. O desfile de 1985, foi marcado por um grande atraso causado por um acidente na concentração, envolvendo um dos principais carros da escola e uma grande alegoria da Beija-Flor. Seu desfile, orçado em 800 milhões de cruzeiros, cifra alcançada graças ao patrocínio do champanha Moët et Chandon e do Grupo Monteiro Aranha contou com a presença de muitos colunáveis, inclusive Martha Rocha, que desfilou entre os 2500 componentes. A escola se apresentou com duas alas de baianas e levou para a Sapucaí sob o comando de Mestre Áureo uma das melhores bateria. Aroldo Melodia era o intérprete do samba.
Anos 1990
Em 1990 a escola teve seu samba-enredo de maior repercussão: "Os Heróis da Resistência". Em grande parte devido ao intérprete Carlinhos de Pilares. Mais tarde o samba foi gravado na voz de Emílio Santiago. Com um desfile grandioso em homenagem aos criadores do jornal O Pasquim, importante na luta contra a ditadura militar, os Acadêmicos de Santa Cruz não conseguiram se manter no Grupo Especial. O desfile contou com a presença de Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz. No ano de 1991, a escola era favorita mas desfilou às escuras, por conta de um blecaute na Marquês de Sapucaí, onde se apresentava com o enredo "O Boca do Inferno", sobre o poeta baiano Gregório de Mattos e Guerra. O blecaute durou noventa minutos. A escola não foi julgada. Posteriormente ganhou na Justiça o direito de desfilar entre as grandes no carnaval de 1992.
Anos 2000
Em 2001, o desfile foi em homenagem ao ator, compositor e escritor Mário Lago. O artista porém fora proibido pelos médicos de desfilar. O destaque do desfile foram as alas que representavam máquinas de escrever, tesouras (a censura), o Bola Preta, a televisão e o Fluminense, seu time de coração. Por pouco a escola não conseguiu o acesso ao Grupo Especial. Em 2002, finalmente a escola conseguiu o sonhado retorno ao grupo principal das escolas de samba. Foi a campeã do grupo A com um enredo sobre a história e origem do papel, superando escolas tradicionais como Vila Isabel, Estácio e União da Ilha. Mas a apuração das notas na quarta-feira de cinzas gerou acusações de manipulação de resultados por parte da Unidos de Vila Isabel. A Vila Isabel alegou na Justiça que uma das notas que recebera de uma jurada do desfile tinha sido trocada. Uma liminar favorável à azul-e-branco fez com que ela fosse aclamada campeã do Grupo de Acesso. O suposto erro deu o título de campeã à escola Acadêmicos de Santa Cruz, com um décimo de vantagem sobre a Vila Isabel, segunda colocada.
Anos 2010
No carnaval de 2011, a proposta de enredo era voltar no tempo para mostrar as transformações culturais, científicas e políticas dos anos 60. Em 2012 a Santa Cruz homenageou em seu enredo o radialista Antônio Carlos e seu programa nas manhãs do rádio do Brasil. No carnaval de 2013, a Santa Cruz contou com Paulinho Mocidade como puxador de samba, e o retorno de Sylvio Cunha. O enredo contou as lendas do Ceará, como a do Dragão do mar e Iracema. O enredo escolhido para 2014 teve como referência Jundiaí e a qualidade de vida da cidade do interior paulista com uma proposta de intercâmbio entre o carnaval das duas cidades. Em 2015 levou para a avenida um enredo irreverente em homenagem ao centenário de Grande Otelo.
(Samba-enredo composto por: Samir Trindade, Júnior Fionda, Elson Ramires e Rildo Seixas) (Samba-enredo composto por: Zé Glória, J. Giovanni, Zieco Santa Cruz, Marquinho Bombeiro, Cláudio Brown, Elias Andrade, Robinho Ki Samba, Zezé, Jorge Maia, Júnior Boboda e Rafael Lima) (Samba-enredo composto por: M. Glacê, Ditão, Charuto, M. Borboleta, Marquinho Bombeiro, Igor, Mathias, Eduardo Sítio Eu e Ela, Mel e Fernando de Lima) (Samba-enredo composto por: Paulo César Feital, Jefinho Rodrigues, Nita, Gilson Bernini, Jaci Campo Grande, Leandro Balinha, Carla da Barreira, Robinho Kisamba, Tuquinha, Rominho do Teo, Marcinho.com, Nem da Baiúca, Douglas Ramos, Ricardo Pimenta, Nito de Souza e Victor Raphael)
Prêmios recebidos pelo GRES Acadêmicos de Santa Cruz.


