Abzima
Uma abzima, também chamada catmab, ou simplesmente anticorpo catalítico, é um anticorpo monoclonal que apresenta actividade catalítica. Há abzimas produzidas artificialmente, mas também naturais. As abzimas são geralmente obtidas a partir de animais de laboratório que foram imunizados contra haptenos sintéticos, mas também podem encontrar-se abzimas naturais nos seres vivos, incluindo os humanos em normal estado de saúde e em pacientes com doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistémico, aos quais podem unir-se e hidrolisar o ADN. As abzimas naturais são cataliticamente muito diversificadas e podem ter actividade de DNase, RNase, ATPase e óxido-redutase, podendo fosforizar proteínas, lípidos e polissacarídeos. Um exemplo destas abzimas naturais são os auto-anticorpos anti-péptidos intestinais vaso-activos. Até ao momento as abzimas descobertas só mostram uma actividade catalítica fraca e bastante modesta e não demonstram apresentar uma utilidade prática. Porém, despertam um considerável interesse pelas suas potencialidades e propriedades. O seu estudo serviu para conhecer melhor os mecanismos de reacção, estrutura e função de enzimas, a catálise e o sistema imunitário.
Quem pela primeira vez sugeriu a possibilidade de catalisar uma reacção por meio de um anticorpo que se liga ao estado de transição foi William P. Jencks em 1969. Em 1994, Peter G. Schultz e Richard A. Lerner receberam o prestigioso Prémio Wolf de química pelo desenvolvimento de anticorpos catalíticos para muitas reacções e popularizaram o seu estudo na comunidade científica criando um importante ramo da enzimologia.
Em 2008 publicou-se na revista Autoimmunity Review, um artigo em que os investigadores S. Planque, Sudhir Paul e Yasuhiro Nishiyama da Escola de Medicina da Universidade do Texas em Houston anunciavam que prepararam em engenharia uma abzima que degradava a região super-antigénica da proteína gp120 do vírus VIH necessária para ligar ao receptor celular das células B. A gp120 é uma proteína que faz parte da envoltura externa do VIH, que é a molécula mediante a qual esta se liga aos linfócitos T, as células chave para o funcionamento da imunidade mediada por células. Quando infectados pelo VIH os pacientes produzem anticorpos contra proteínas da envoltura do vírus, mas os anticorpos convencionais não são eficazes porque o vírus tem a capacidade de mudar as proteínas da sua envoltura rapidamente. Porém, neste caso o sítio super-antigénico da proteína gp120 (resíduos 421-433) é necessário para a ligação à célula do VIH, pelo que não muda nas diferentes cepas e é um ponto de vulnerabilidade para todas as populações variantes do VIH.


